segunda-feira, 30 de junho de 2008

Como subir na vida sendo jornalista?

Todos sabem que a faculdade de Jornalismo é fortemente inclinada à esquerda. Quase todos os jornalistas e estudantes, na década de 80 e 90, eram filiados ou simpatizantes do PT e da esquerda de forma geral.

Não apenas as faculdades de Jornalismo e Ciências Sociais, mas também todos os centros acadêmicos politicamente ativos. Quem se interessava por política normalmente se filiava a partidos de esquerda. Militância conservadora de direita soa engraçado, e é raramente encontrado neste meio.

Devido ao próprio caráter confrontativo da faculdade de Jornalismo, já era de se esperar que a maioria dos recém-formandos estejam hoje inclinando-se para a esquerda radical, como o PSTU, PSOL ou PCO. A minha sensação é de que os esquerdistas pró-governistas e esquerdistas radicais devem somar algo como 99% de todos os jornalistas formados no período pós-ditadura, desde a década de 80 até hoje.

O que me preocupa é o número de jornalistas com grandes salários e visibilidade. Os colunistas do Jornal O Globo, por exemplo, são todos claramente pró-FHC, anti-Lula e, por conseguinte apóiam a direita neo-liberal que governou o país na década de 90.

De onde estes caras vieram? Arnaldo Jabor, Noblat, Lucia Hippolito e Míriam Leitão não possuíam esta inclinação durante a faculdade ou faziam parte dos 1% direitistas? Como subiram no meio jornalístico sendo tão diferentes dos demais, e tão diferentes da forma de pensar da população, já que quase 60% apóia o presidente Lula.

Na minha opinião, compartilhada por outros colegas do meio jornalístico, é que 99% dos que trabalham na área continuam possuindo forte ideologia de esquerda, mas são os outros "preciosos" 1% que sobem na vida. Quem tem visão diferente do chefe não consegue prosperar, apenas sobreviver.

Dois episódios recentes dão suporte à minha teoria, o caso Paulo Henrique Amorim e a recente ascensão de Lúcia Hipólito à condição de "blogeira do Globo".

Paulo Henrique Amorim tem uma opinião bastante inclinada à esquerda, ou pelo menos ao governo. Seu destino foi ser demitido do IG e quase foi impedido de levar seu conteúdo para outro site. Episódio já previamente comentado neste Blog.

Com Lúcia Hipólito aconteceu o inverso. Falou mal do Lula, em seus comentários na CBN, de forma ridícula e preconceituosa, comparou-o ao técnico Dunga da seleção, em uma observação digna de quem nem mesmo se presta a ler as pesquisas que mostram aumento de renda e diminuição do desemprego. Destino? Promovida a "Blogeira do globo".

Em qualquer área de atuação a promoção depende do crivo do chefe, que inevitavelmente indica quem ele mais gosta, independente de suas habilidades. Isso talvez explique porque jornalistas sem qualquer formação, mediócres, conseguem ser tão famosos e ter cargos tão cobiçados nos nossos jornais mais influentes.

O jornalista recém-formado terá, dessa forma, duas possibilidades: manter a sua ideologia e para sempre possuir o status de operário ordinário, ou virar a casaca, passar a martelar o Lula de forma mais agressiva possível e cativar os superiores com habilidades além da capacidade jornalística. Apenas isso pode explicar como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi atingiram postos tão superiores à sua capacidade. Eles não têm estilo, não escrevem bem, não são a voz da nova geração, ou mesmo da geração passada, mas possuem a opinião que agrada seus chefes.

Resta a mim não ler estas porcarias. Se eu tivesse querido saber a opinião dos meus chefes sobre a sociedade ou governo, eu teria perguntado a eles, ou leria a revista Exame. O Globo, Veja, Estadão e Folha, entre outros, são instrumentos de massificação da opinião dos empresários da imprensa, que querem mesmo vender o país, acabar com programas sociais e gastar onde mais interessa a eles, na parte nobre de São Paulo.

Sem querer, dei aqui a receita de bolo para conseguir sucesso sendo jornalista. Resta saber se integridade, honestidade, hombridade e dignidade serão mais fortes que dinheiro e fama, podemos apenas ter esperança que não sejam.