segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pelo servidor público é que se vê o governante...

Esta sangrenta greve de servidores em são paulo me fez refletir sobre a qualidade da administração pública e a valorização dos servidores. Não vejo como estes dois tópicos podem estar desconectados.

Diga-me a opinião dos servidores públicos sobre seus governantes e saberemos a eficiência da administração do estado ou município. Se falam mal do chefe, fazem greves constantes, reclamam de reajustes salariais e falta de concursos, pode crer que a gerência está uma droga. Se um prefeito ou governador não consegue agradar os que trabalham diretamente para o estado, certamente não será capaz de gerir recursos com influência indireta na sociedade.

Não há bom governante com servidores insatisfeitos. Não faz sentido. Alguém acha que um professor, agente de saúde ou funcionário administrativo prestará um bom serviço à população se não estiver recebendo um bom salário? Todo mundo concorda que saúde e educação é prioridade, vai funcionar corretamente se o servidor ganha mal?

Esta discussão deixa claro a incompetência latente do governo de São Paulo nestas últimas repetidas greves de professores, policiais e outros servidores. A falta de negociação e o total desrespeito pelo funcionário público são marcas da administração tucana, que invariavelmente implicará em um serviço cada vez pior.

Se há falta de recursos, tudo bem. A lei de responsabilidade fiscal impede que um administrador aumente os gastos com pessoal se não houver equivalente ampliação na arrecadação. Este não é o caso de São Paulo, o estado mais rico do Brasil. O que ocorre é ingerência e descaso com a qualidade do que é oferecido à população.

Reclamar que seus servidores fizeram greve em ano eleitoral, como fez José Serra, é uma desculpa risível. Lógico que os sindicatos vão tentar aproveitar as tensões de uma disputa presidencial para serem ouvidos. Serra não percebe que teria sido mais fácil fazer uma boa administração e garantir o poder de compra dos salários dos servidores com reajustes. Deixou seus funcionários sem aumentos, sem concursos, sem plano de carreira e benefícios e agora fica a reclamar que o sindicato é do PT. Isso é que é trololó...

Não importa qual a corrente ideológica do sindicato, que normalmente não é do PT, e sim de partidos como PSOL, PCO e PSTU. A greve ocorre pois Serra deixou de aplicar os devidos recursos no serviço público, irritando os professores e outros servidores. Por exemplo, o salário inicial do professor de ensino médio em São Paulo é cerca de R$ 1500 (para 40 horas semanais). Um absurdo, um dos menores do país. O sindicato também reclama do excesso de funcionários temporários e do vale refeição de R$4 diários, o chamado vale-coxinha.

Na esfera federal o respeito ao servidor público é bem diferente. O salário inicial é de R$3000, com auxílio alimentação de cerca de R$13 diários. O governo federal implantou benefícios como a restituição de parte dos custos com planos de saúde e a instituição de novos planos de carreira, tanto para os que entram como para os que tem mais tempo de casa.

Esta política de valorização do servidor não é feita com gastos excessivos, apenas com a administração consciente de recursos. Os sindicatos de professores federais há muito tempo desistiram de tentar emplacar novas greves, pois não têm apoio entre os satisfeitos servidores. A última foi em 2006, exatamente em uma ano eleitoral, o que mostra que os sindicatos não são do PT coisa nenhuma.

Comparando a situação dos servidores em São Paulo com aqueles da esfera federal fica muito fácil decidir em quem votar nesta próxima eleição presidencial. Mesmo que você não queira trabalhar no serviço público,  o funcionamento deste será muito melhor quando os trabalhadores puderem comer mais que uma coxinha ou um joelho no almoço. Há alguma dúvida nisso?