segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pinheirinho e o silêncio da mídia

Em mais uma demonstração de discriminação, intransigência e elitismo, a sociedade paulistana aceitou sem hesitação que mais de 6000 pessoas pobres fossem arrancadas de suas casas com violência, sem que seus direitos sejam levados em consideração.



Desde 2005 mais de 1500 famílias viviam na comunidade conhecida como Pinheirinho em São José dos Campos-SP. Não há quem não saiba que uma ocupação por tantos anos gera direitos às famílias assentadas. No entanto, o estado de São Paulo, representado pelo governador tucano Geraldo Alckmin, preferiu agradar à especulação imobiliária e ao parceiro Naji Nahas, pouco se lixando para os cidadãos que mais precisavam de resguardo.



Os pedidos de reintegração de posse ao terreno ocupado são também bastante antigos, mas nada disso tem importância. O estado existe para defender o bem estar de toda a sociedade, principalmente os direitos de quem não tem ninguém por eles. Ao que parece, o governo tucano não dá a mínima para milhares de sem-teto, deseja apenas assegurar a construção de condomínios de luxo, o que claramente considera mais valioso à sociedade.


O que aconteceu em Pinheirinho foi uma tragédia social. Trata-se da versão tucana do mais nojento preconceito da elite paulista. Uma vergonha, digna dos tempos de guerra. A perfeita prova de não há qualquer ideologia na direita, apenas o interesse pelo dinheiro. Depois do massacre, surgiu a explicação para esta afobada violência - a venda do terreno desapropriado vai retornar à prefeitura 16 milhões de reais em impostos atrasados.


O pior disso tudo é o silêncio da mídia. A polícia está impedindo a acesso de jornalistas e ninguém reclama sobre a liberdade de imprensa. A Globo trata o caso como uma simples reintegração de posse, assim como o Estadão e a Folha. Leio até comentários absurdos sobre a "politização" do tema, e que tudo foi feito na mais perfeita legalidade. Apenas nos blogues ou no Twitter há algo de relevante sobre o que realmente aconteceu.


A tragédia em Pinheirinho é culpa de todos os governos, mas principalmente da prefeitura do São José dos Campos e do Governo de São Paulo. Ambos decidiram ignorar uma ordem do TRF que suspendia a reintegração de posse. O governo federal estava negociando com a prefeitura a compra do terreno para que as famílias pudessem ficar no local. Demorou muito. Talvez não tenham acreditado que os tucanos iam deixar tanta gente sem teto tão perto da eleição. Não se percebeu que o rabo preso é com gente graúda mesmo, até tiro no próprio pé está valendo.


Agora que as casas foram destruídas e os moradores expulsos, parece que a tendência é ficar como está. As famílias vão receber o tal aluguel social, por um tempo, depois serão colocadas na sarjeta sem qualquer amparo, tendo perdido o pouquíssimo que tinham. Fica para gente a lição de como seria o Brasil caso fosse governado pela direita. Para eles, pobre tem é que morrer mesmo.