domingo, 15 de julho de 2012

A mágica do radicalismo jovem

A adolescência é um momento de descobertas e o esquerdismo radical é claramente uma delas. Todo mundo que gosta de política tem seu primeiro contato nos grêmios das escolas, sendo rapidamente atraídos pelas ideias de revolução, anarquia e transformação. Pena que é tudo discurso vazio.

Quando se é novo não se percebe de imediato a falta de clareza e realidade dos partidos radicais. O inflamado discurso de mudança soa tão bem que conquista os corações e mentes de nossos jovens, que simplesmente buscam uma referência neste mar de informações tão intolerável à típica impaciência juvenil.

O radicalismo de certos partidos, principalmente PSOL e PSTU, parece aos jovens muito mais simples e prático. Não se percebe, obviamente, a falta de concreticidade de quem nunca governou nada. Não há dinheiro? Paramos de pagar a dívida. Investimento e salários baixos? Aumenta-se! Inflação? Isso é conversa de capitalista burguês! Tudo possui solução fácil, não é mesmo?

Este texto é escrito em um momento que recebo no Facebook diversos comentários sobre os altos gastos de nossa dívida em relação ao PIB. Poucos que comentam percebem que estes valores já foram muito maiores do que os de hoje, tendo sido necessários muitos anos de luta para que chegássemos a este ótimo cenário, considerado terrível pelos mais novos.

Ora, nossa dívida é o dinheiro que o Brasil precisou para se desenvolver desde o tempo da ditadura. Ainda precisaremos de muito mais, tenha certeza disso! O país é como uma empresa e a dívida são suas ações no mercado. No momento estamos com grande confiança e o Brasil está em claramente em alta. O que será que aconteceria se decidíssemos parar de pagar o que devemos?

Eu mesmo respondo: uma enorme recessão local e talvez mundial. Serão necessárias muitas gerações para que o país se levante novamente e que se possa ter dinheiro para nossas eternas demandas sociais. Se a educação está ruim com 3% do PIB, ficará muito pior quando o investimento for 100% de nada.

O que não se desculpa são os adultos que embarcam nesta história. Parece que não viveram a época de desemprego de FHC ou a inflação desenfreada dos anos 80? Não sabem que trocamos grande parte de nossa dívida externa por interna no governo Lula para diminuirmos nossa dependência ao estrangeiro? Não viveram a revolução da classe média destes últimos dez anos? Não tem desculpa ter mais de trinta anos e ainda cair na asneira de acreditar no papai noel das ideias radicais de esquerda.

O caminho para o desenvolvimento é lento e não inclui destruir tudo o que está aí. Foram oito anos de Lula com conquistas importantes. Somos agora um povo que trabalha e consome e seremos sim um país que estuda e que produz tecnologia. Aguarde e confie.

Os gastos com educação vão aumentar a medida que o juros da nossa dívida cair. Dilma está neste barco junto com milhões de brasileiros de verdade, que sabem que nada vem de graça com a facilidade do discurso vazio radical. Há muito o que enfrentar para que possamos ter o Brasil que queremos e não há atalhos, apenas muito trabalho.