segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vai de Freixo? Eu não...

A campanha de Marcelo Freixo para prefeito da cidade do Rio de Janeiro não é muito maior que alguns minutos de propaganda política. Sem coligação, apoio ou recursos, seu nome deveria ser completamente desconhecido. Por que então escrevo um texto sobre ele?

Porque Freixo virou a grande sensação do Facebook. Recebo diariamente dezenas de manifestações e compartilhamentos pedindo votos ou listando suas muitas qualidades. No círculo de amizades que tenho, principalmente alunos e ex-alunos, há uma grande concentração de votantes em Freixo, tão grande que ultimamente não há como ler as atualizações de meus amigos sem que haja pelo menos um comentário enaltecendo este cara.

Como se pode perceber pelo título, não compartilho de tal tendência. O motivo pelo qual não me solidarizo com a inflamada campanha do PSOL é um escaldado de antigas experiências, uma época collorida (SIC) em que um rostinho bonito com o mesmo discurso anti-corrupção mergulhou o país em uma enorme crise econômica e institucional. Isso eu não quero nunca mais!

Fórmulas pronta à parte, a campanha de Freixo não é muito diferente das de Collor, Heloísa Helena ou Marina Silva. Discursos anti-corrupção, pouco tempo de TV, poucos recursos e ideias vazias. Mas sobre isso eu já havia falado à exaustão quando escrevi sobre os candidatos instantâneos em pó, o que pode ser lido neste texto.

Não conheço Marcelo Freixo e mesmo que me provassem ser o cara mais legal do mundo não teria meu voto. As pessoas não devem escolher o prefeito ou governador da mesma forma que o atacante da seleção. Pouco me importa se ele fez grandes gols contra a corrupção ou direitos humanos, o trabalho de prefeito não é este. Em suma: nunca vote na pessoa, vote no partido!

O partido é mais importante pois o prefeito vai certamente nomear secretários e subsecretários que, com suas equipes, vão gerenciar outros profissionais que farão a cidade funcionar. O mandatário principal, por mais biônico que seja, vai ser capaz apenas de supervisionar o trabalho. O partido político do prefeito, ou a coligação que o elegeu, é que será responsável pelo suprimento do pessoal que vai realmente botar a mão na massa, fazendo todo o trabalho.

Logicamente, votar em Marcelo Freixo é eleger o PSOL para prefeito, e isso eu não quero fazer! Vamos lembrar que o PSOL é formado por aquela liderança maluca do PT da década de 80 que queria implementar o "comunismo" no Brasil. São os radicais, sempre contra tudo e contra todos.

O PSOL defende o anticapitalismo, o calote da dívida pública, o sindicalismo radical que não negocia e principalmente aquelas greves sem fim. Isso quando não resolvem fazer dobradinha com o PSDB e DEM para reforçar o coro do quanto pior melhor, dando caldo àquelas CPIs do fim do mundo onde nada se discute de sério.

Embora até existam grande mentes no PSOL, as boas ideias são infelizmente perdidas em meio à falta de praticidade de quem defende sandices como a "ruptura do modelo econômico". Caso Freixo seja eleito arriscamos ter nas secretarias do município do Rio de Janeiro alguém que tenha afiado discurso contra as multinacionais ou mesmo a Petrobrás. Quem lembra do estardalhaço sem sentido que o PSOL fez naquela CPI ridícula que investigava as "denúncias da Veja" contra a Petrobrás?

Associado à total inexperiência administrativa, as idéias tortas deste partido certamente trarão o caos à cidade do Rio de Janeiro. Pouco adianta ter boas intenções ou ser honesto e rígido contra a corrupção sem a capacidade de negociar, intermediar e buscar soluções melhores e viáveis para todos. Essa habilidade é muito importante e necessária na vida real, mas falta tanto aos grevistas das universidades quanto ao pessoal do PSOL. Será mera coincidência?

Votar em Freixo por se entusiasmar com seu discurso contra a corrupção ou violência é uma ingenuidade eleitoral. Sua administração será um desastre assim que tiver que lidar com as dificuldades da vida real de uma cidade que coabita interesses tão diversos. Em um momento onde o Rio de Janeiro recebe grandes investimentos do governo federal para a copa e olimpíadas é uma péssima pedida eleger um partido que fez seu nome sendo oposição radical à Lula, Dilma e tudo que existe. Me desculpem os que votam no Freixo, mas eu quero uma prefeitura que trabalhe e resolva os problemas de verdade da cidade, se fosse para filosofar sobre o capitalismo e fazer protesto aí sim eu chamaria o PSOL. Nisso eles são muito bons.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A atrapalhada greve de professores federais de 2012

Nunca pensei que um movimento de greve pudesse ser tão atrapalhado como este dos professores federais de 2012.

Sindicatos brigando, professor sem saber quem o representa, plebiscitos por Email e outras estripulias. Ninguém sabe o que está acontecendo!

No site da Andes, supostamente o mais importante sindicato dos servidores federais, há uma análise da proposta do governo que mais parece trabalho de corte e colagem de criança. Um amontoado de texto com cores e fontes diferentes que ninguém sabe dizer se é real ou conjectura. Desisti de ler.

Este mesmo Andes, que agora está vigorosamente empenhado na greve, ignorou totalmente o início do movimento. Assistiu passivamente, mais interessado em suas eleições internas, associações de professores de várias universidades e escolas técnicas reclamarem por melhores salários e carreira atraente. Já o Proifes, outro dos muitos sindicatos de servidores, já estava negociando com o governo muito antes da greve começar, em nome de quem é que ninguém sabe.

Depois da greve estourada o Andes percebe a bobagem e resolve bradar que abraçava o movimento, assim como político que dá beijo em criança para aparecer na foto. Sempre tratando o governo como seu pior inimigo, o Andes nunca esteve inclinado a negociar e certamente refutaria qualquer das propostas do governo. O Proifes resolveu aceitar a segunda proposta considerando que era a melhor possível em sua análise. Sob gritos de "pelego" para todo lado, o Andes radicaliza seu discurso agora também contra o Proifes, com direito a muito "repúdio".

E agora o governo avisou que não abre novas negociações e não se pode nem tirar a razão deles. Depois de tanto tempo de conversa é normal que não se queira gastar ainda mais latim com o Andes, que nunca fará qualquer concessão na mesa de negociação.

O mais engraçado é que a greve continua sem que qualquer sindicato apresente uma proposta concreta com números e impacto orçamentário, algo que se prove viável considerando o teto que o governo possuí. A Andes, por exemplo, apenas radicaliza o discurso com um claro intuito de utilizar nosso movimento como campanha para partidos de esquerda que hoje dominam o espectro sindical. A greve é ótima para eles assim como está, no impasse.

Nesta confusão a gente se estrepa e mais ainda os alunos. Não receberemos o aumento prometido pelo governo, mesmo aquela porcaria parcelada para 2015, e estamos expostos à possibilidade de termos nosso ponto cortado. O pior disso tudo é o recado de inaptidão, desorganização e faniquito radical que passamos à toda a sociedade que nos observa sem nada entender. Nem eu entendo completamente!

Torço para que esta greve acabe mesmo com esta aparente derrota parcial. Desta confusão de experiências deve surgir um movimento sindical mais antenado e que volte a representar de verdade os professores. Sem política e jogo de cena, apenas trabalho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Candidatos instantâneos em pó e a marcha das madames

Toda eleição aparece um candidato que não é da oposição nem da situação, nem a favor ou contra, nem direita ou esquerda. São os candidatos instantâneos em pó.

Aparecem de repente como a inesperada cor dos refrescos Tang. Ninguém sabe sua ideologia ou aquilo que defendem, nunca trabalharam em lugar algum ou possuem resultados políticos relevantes. São apenas novos adorados pela mídia e pelo público.

Inicialmente desconhecidos, começam a conquistar pouco a pouco uma parcela da população que é sempre susceptível a este tipo de discurso, ou seja, um vazio moral contra a corrupção e tudo o que está aí. Em algumas semanas de campanha passam até a ter chance de serem eleitos.

Desconfio ser sempre a mesma parcela da população que cai no conto do candidato instantâneo. Apesar de raramente ganharem a eleição, muitas vezes os novos queridinhos levam a disputa para o segundo turno e apresentam-se como grandes pedras no sapato dos favoritos.

A grande parte dos votantes dos candidatos em pó pode ser descrita como classe média-alta, geralmente A ou B, que frequentemente usa o discurso de corrupção para validar sua ideia de redução de impostos. Indignados com a política, se unem à causa instantânea não se importando com a falta de propostas ou mesmo com a aparente incapacidade do candidato.

Os apolíticos, os odiadores de impostos, os indignados com a corrupção, os raivosos que acham que tudo está errado e a classe média antinacionalista são o público alvo do novo candidato instantâneo. Este grupo pode ser denominado como a "marcha das madames" e rapidamente inunda as redes sociais com brados de um mundo melhor... para eles logicamente.

Quero mostrar, neste espaço, alguns dos mais importantes candidatos instantâneos dos últimos anos para que se perceba as características citadas. Todos arrebataram os votos de milhões de brasileiros com o mesmo discurso vazio de revolta, indignação e mudança. Não possuíam, infelizmente, qualquer conteúdo além de uma mistura de vaselina e rostinho bonito para foto.

1) Collor (1989, eleições para presidente)

Talvez um dos mais fortes candidatos instantâneos de todos os tempos. Em algumas semanas, Collor conquistou toda a "marcha das madames" com um vazio discurso de corrupção contra os "marajás". Ninguém o conhecia antes, nenhuma contribuição política relevante além de ter sido governador de alagoas por dois anos.

Com boa aparência e retórica, Collor teria tido o mesmo destino fracassado de todos os candidatos em pó não fosse a ajuda da Globo e o medo dos ricos em ter Lula como presidente. Mas esta é outra história.

Politicamente inábil e totalmente despreparado, a eleição de Collor foi um alto preço pago por um país seduzido pelas idéias em pó. Será que aprendemos a lição?

2) Heloísa Helena (2006, eleições para presidente)

Se Heloísa Helena tinha alguma proposta de governo isso não interessava. O importante era mostrar a todos seu discurso aos berros contra o chamado mensalão, conquistando jovens e adultos indignados com a corrupção. O fato é que não foi autora de leis ou quaisquer contribuições relevantes. Mesmo assim, era a queridinha da mídia e das "madames" na época das eleições de 2006.

Mesmo com uma campanha barata e discurso vazio, arrebatou cerca de 7% dos votos válidos e empurrou aquela eleição para o segundo turno. Hoje é vereadora por Maceió, provando que o instantâneo é tão rápido para surgir como para sumir.

3) Fernando Gabeira (2008,  Eleições para prefeito na cidade do Rio de Janeiro)

Gabeira pode ter sido, depois de Collor, um dos mais eficientes candidatos instantâneos. Embora já fosse amplamente conhecido como deputado, como defensor da maconha e outras controvérsias, o lado candidato a prefeito ninguém conhecia.

O verde aliou-se à oposição, PSDB e DEM, mas isso não quebra a regra típica do candidato em pó, ou seja, não ter lado definido. Sua posição não era claramente demonstrada em campanha, apenas a bravata enraivecida da anti-corrupção.

Assim como o Collor, não obteria grande sucesso sem o amplo apoio da mídia, principalmente da Globo, que nunca incomodou Gabeira até mesmo quando este pagou viagens para filha com dinheiro público em 2009.

Perdeu por menos de 2% dos votos sem saber onde ficavam as refinarias no Rio de Janeiro e, dizem as mais línguas, não voltaria para casa se estivesse perdido em Madureira. Mesmo desconhecendo a cidade onde mora e sem qualquer proposta interessante, Gabeira conquistou o voto da classe média-alta e das "madames", com muitas manifestações no Orkut e até protestos depois de sua derrota.

4) Marina Silva (2010, Eleições para presidente)

Dizem que Marina foi um Gabeira de saias, e assim como seu aliado de partido, defendia o mesmo discurso vazio em praticamente qualquer outro ponto além do desmatamento.

As verdadeiras propostas de Marina Silva serão ainda tema para historiadores no futuro. Fato é que a ausência de idéias e total desconhecimento do Brasil como um todo não impediu a maciça votação que recebeu. Foi claramente um dos motivos para a eleição de 2010 ir ao segundo turno.

Tendo conquistado as "madames" em pouco tempo, Marina foi altamente badalada pela mídia e teria se aliado à oposição neoliberal e privatizante não fosse o veto das lideranças antigas do PV no segundo turno.

Mas chega de chutar cachorro morto. A candidata Marina já morreu e eu cansei de falar mal dela, se quiser ler sobre os muitos motivos para eu não ter votado nela, clique aqui. Assim como eu desconfiava, o destino da verde foi o mesmo de qualquer refresco Kisuco, fica na geladeira um tempo e depois vai para o ralo.

5) Marcelo Freixo (2012, Eleições para prefeito na cidade do Rio de Janeiro)

A receita instantânea realmente não enjoa nunca, como se pode perceber claramente pelas novas manifestações das "madames" no Facebook. O discurso? Corrupção e rostinho bonito. Parece familiar?

Sem coligação, apoio ou qualquer experiência política e administrativa, Freixo já conseguiu a façanha de obter cerca de 10% dos votos na última pesquisa em julho de 2012. Se terá chance de ser eleito dependerá da boa vontade da mídia em levantar o seu nome sempre com segundas intenções.

Propostas para a cidade não importam, muito menos experiência, o que conquista é exatamente a ideia de mudar. Como não interessa.

Mas sobre Freixo ainda há muito o que dizer, e isso eu deixarei para os próximos textos. Aguardem...

Resta ao povo aprender com seus próprios erros. O candidato instantâneo nada tem a apresentar ou propor e sua administração terá o mesmo sucesso do cachorro que finalmente consegue alcançar a roda do carro. As pessoas devem perceber que mudar tudo radicalmente a cada quatro anos não vale à pena, e que devemos participar da evolução da nossa cidade e da nossa política com propostas e boas ideias. O discurso enraivecido contra tudo e todos deve finalmente ser percebido como oportunista e vazio, incapaz de enfrentar e resolver problemas de verdade.