quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Com uma "freixada" tudo se resolve!

O crescimento de  Marcelo Freixo, candidato à prefeito do Rio de Janeiro, é um interessante fenômeno sociológico. Analisando as manifestações de voto no Facebook e outras mídias percebo que a ampla maioria procura em Freixo uma solução para todos os problemas da cidade, um mártir cuja presença afastaria todos os males da sociedade moderna.

O candidato do PSOL é a solução para acabar com as milícias, dizem seus inveterados eleitores. No entanto pouco se discute o que o prefeito Freixo, cujas atribuições não incluirão chefiar segurança ou polícia, poderia fazer contra o crime organizado nas comunidades do Rio.

Freixo vai resolver tudo em um grito, sonham seus eleitores. Mas não se comenta como fará para diminuir o IPTU, conforme promessa de campanha [1], e ainda assim dar aumento de salário aos professores do município [2]. Uma pena que seus inflamados discursos, embora muito bonitos, façam foco no que está errado na cidade e não em soluções para estes problemas.

No transporte público, a "freixada" vai resolver nossa vida construindo metrô e trem [3], mas nada se apresenta de concreto considerando que a prefeitura não possui recursos para estas obras. Ambos os transportes são caros e exigem anos de projeto, além da desapropriação de grandes áreas na cidade, o que contradiz a política de remoção zero frequentemente citada pelo candidato [4]. Percebe-se claramente a falta de realidade de Freixo e a idealização de mundo perfeito típica de seu seguidores apaixonados.

Falando em eleitorado, virou moda fazer parte dos "freixados" depois do apoio declarado de artistas [5] [6] [7] à sua candidatura. Além disso, a grande mídia exalta o candidato do PSOL como grande opção para a política carioca [8]. Seus defensores, principalmente no Facebook, sonham alto com uma cidade sem violência, com transporte, educação e saúde de primeiro mundo. Como? Ninguém sabe...

O sucesso recente de Cabral e Paes no Rio de Janeiro se deu exatamente pela aliança com Lula e Dilma. Grande parte dos recursos das UPPs, UPAs e transporte público veio da esfera federal. Temo que a administração de um partido radicalmente oposicionista, não só ao PT como a tudo, será terrível aos cariocas. Ainda mais quando o PSOL começar a dizer que tudo de ruim no Rio de Janeiro é culpa de Dilma.

Governar é a capacidade de fazer alianças, e a única que faz o PSOL é com a direita de PSDB e DEM [9] [10] [11]. Uma pena que o eleitorado de Freixo não questione a validade desses apoios e dobradinhas que o partido dos limpinhos faz com demos e tucanos.

Uma coisa é verdade: só há espaço para sonhos e "freixadas" em uma cidade com a magnitude dos defeitos do Rio de Janeiro. A violência é ainda um grande problema e temos um dos piores índices de educação e saúde do Brasil. Com este quadro é normal que alguns eleitores se seduzam com as soluções simples da esquerda psolista.

Devemos lembrar que o buraco em que estamos é fruto de 20 anos de administração do DEM, com Maia e seus colegas. Não podemos imputar em Eduardo Paes, prefeito dos últimos quatro anos, décadas de descaso com o transporte, saúde e educação. Mas isso a maioria já entendeu, até porque o atual candidato do DEM lidera a lista de rejeição.

Mas ainda há setores da sociedade que buscam a solução fácil, a "freixada". Não compreendem que não há atalho para o desenvolvimento, não há solução simples para nada. Saúde e Educação receberam muitos investimentos recentes e o transporte está melhorando com o RioCard e o BRT. Já a violência, diminuiu muito com o apoio da guarda municipal e com as UPPs. Lógico que existem muitas falhas, mas é um resultado bastante razoável que se obteve no mundo real, não no imaginário das ausentes experiências de Freixo e do PSOL.