domingo, 20 de janeiro de 2013

Índios do Maracanã tem interesse de branco

A nova febre das madames do facebook é a defesa aos índios da "Aldeia Maracanã". Uma pena que tanta militância seja desperdiçada por causas tão pequenas, enquanto milhares de índios estão em situação muito pior sendo perseguidos e assassinados por grileiros.

Para quem está totalmente desligado das notícias eu explico: existe, aqui no Rio de Janeiro, um prédio bem perto do estádio Maracanã que é, desde 2006, habitado por índios de diversas tribos. O prédio já foi sede do museu do índio na década de 70, mas estava abandonado há mais de trinta anos.

A questão central da discussão é que a reforma do Maracanã inclui a derrubada do antigo prédio para a construção de um estacionamento e revitalização da área, o que está atiçando fortemente os revoltados do Facebook nas últimas semanas.

Vamos então levar esta discussão para outro nível: e se fossem pobres não-índios ocupando o prédio a ser demolido, que direitos eles teriam?

Simples, como ocupam uma construção desde 2006 têm uma boa possibilidade de requerer usucapião do terreno abandonado. Desta forma, precisam ser indenizados pelo estado que tem o dever moral de fornecer uma opção digna como nova moradia. Tenha certeza que se fossem pobres morando no antigo e caquético prédio do século 19 as madames do Facebook iam exigir que a polícia os retirasse na pancada, e a mídia apoiaria prontamente como fez com o caso do Pinheirinho.

Mas os invasores são índios, e assim tornam bela a causa que une os revoltados da direita e da extrema esquerda pela preservação da memória histórica, da cultura indígena e até mesmo do meio-ambiente. O defeito desta ideia é que não são índios de verdade, na minha opinião, os que engrossam a tribo Maracanã.

Para mim, índio é quem extrai da natureza todo o seu sustento, vivendo totalmente ou praticamente isolado da chamada civilização. O interesse típico do índio é caçar, pescar, defender o seu território, sua cultura e sua família. Em outras palavras, sobreviver.

Mas o que se vê não é isso. Vários caciques da aldeia deram entrevista afirmando que desejam atrair turistas e promover o estudo de seus antepassados, que a reforma do Maracanã é uma ótima oportunidade para mostrar ao mundo a cultura de seu povo. 

Nada de errado nisso, mas este não é interesse de índio. Este é um discurso típico de um homem branco totalmente integrado em nossa sociedade, alguém que usa computador e tem Facebook.

Os índios da tribo Maracanã tem uma forma de pensar típica de um bom empresário branco, que percebe a  oportunidade de lucro na visibilidade que a copa do mundo e olimpíada tratá ao Rio de Janeiro. Ora, tendo uma sede ou centro cultural tão perto do badalado estádio, palco da final da copa, haverá uma grande promoção da cultura indígena e seu artesanato. Lógica muito semelhante à forma com que o McDonalds expande suas lojas.

Se são índios verdadeiros os que lutam pelo espaço próximo ao Maracanã, estão então sendo manipulados por brancos interesseiros e gananciosos. Como pode um terreno com apenas uma árvore dar subsistência à uma tribo? Ao que parece eles conseguem recursos vendendo artesanato e itens de sua cultura, não muito diferente das barracas hippie de Copacabana.

Sou contra removê-los à força, até porque eles possuem direito civis. O estado deve providenciar uma nova moradia digna onde os índios possam continuar seu direito à viver dentro de nossa sociedade, assim como qualquer civil.

Já a demolição do prédio é outra discussão à parte. Acho uma boa ideia se não for possível integrá-lo ao projeto de revitalização da área. Manter uma construção que está abandonada há quase quarenta anos, totalmente destruída em um bairro escuro e perigoso é uma péssima ideia. Existem muitos outros prédios ainda mais antigos e com maior significância histórica no Rio de Janeiro para que se justifique gastar uma fortuna para salvar um antigo cacareco.

Mas a discussão sobre a aldeia maracanã está esquentando cada vez mais. A Unesco e a Fifa já entraram na estória que promete dar muito pano para manga. Pena que nada fizeram quando houve a remoção à força de 1600 famílias do pinheirinho. Vai entender esta sociedade maluca que tanto preza os prédios, monumentos e cultura, mas nem tanto assim a vida humana.