Prometi para mim mesmo não falar sobre eleições tão próximo da ressaca do último dia 3, quando uma sucessão de boatos e mentiras impediu a vitória de Dilma no primeiro turno. Agora Serra e sua privataria tem mais tempo de televisão para convencer a população que vender o país é uma boa idéia.
Para distrair um pouco, vou falar sobre o mais novo seriado da CBS chamado How I Met Your Mother. Na minha opinião, trata-se do melhor sitcom desde Friends, ganhando fácil de Big Bang Theory ou Two and a Half Men, meus outros dois preferidos.
O seriado só é novo para mim, pois já está na sexta temporada. Eu nunca falei nada sobre ele pois não o conhecia. Estranhamente, nenhum dos canais de TV a cabo do Brasil, que passam até programa japonês de auditório, se interessou pela série. Talvez o preço dos direitos seja muito alto.
Embora How I Met Your Mother se passe nos dias atuais, é narrada do futuro pelo personagem principal Ted Mosby (Josh Radnor), que conta aos seus filhos a história de como conheceu sua esposa e mãe deles. Veja o primeiro episódio (pilot) da série.
A não linearidade temporal marca a grande diferença desta nova comédia. Os episódios freqüentemente nos levam para o passado dos personagens, depois para o presente e para o futuro, dificultando muito para os roteiristas e para a produção. Cada história é contada pelo final, voltando para o passado para explicar o que aconteceu e indo ao futuro analisar as implicações.
Nem sempre o Ted Mosby do futuro, que conta a história, lembra exatamente como ela aconteceu. Neste caso, tudo fica em função de sua memória, como neste episódio em que ele não lembrava o nome de sua ex-namorada e todos acabaram chamando-a de "Blah-Blah".
Às vezes este retorno ao passado ou ida ao futuro é de algumas horas ou dias, mas também acontece de aparecerem cenas dos personagens mais novos ou mais velhos, o que rende boas risadas. Ted também modifica a história para tornar alguns elementos mais adequados a seus filhos adolescentes. No episódio abaixo, os personagens estão na faculdade e se comportam como universitários, ou seja, comem um "sanduíche"!
Parte do sucesso de How I Met Your Mother vem do personagem Barney (Neil Patrick Harris), que parece uma versão mais esperta do Joey de Friends. Barney é um dos mais engraçados, detentor de vários bordões como "Say whaaaat?" ou "What up?". Veja um episódio onde ele conversa com Deus e pede para que sua namorada não esteja grávida.
A série leva três dias para ser gravada e outros três para ser editada e finalizada. Como é semanal, trabalha-se praticamente 24/7 para colocar o produto no ar. Já são cinco temporadas completas e até agora nem sinal de quem é a esposa de Ted e mãe de seus filhos, o que já rendeu muitas teorias na internet.
Como se não bastasse a dificuldade, alguns episódios especiais contam com uma produção ainda maior. Na história, descobriu-se que a personagem Robin Scherbatsky (Cobie Smulders) foi uma cantora pop canadense, e de vez em quando surgem clips de seus antigos "sucessos". Abaixo o primeiro episódio em que isso aconteceu.
Diversos atores e estrelas já foram convidados para participar de How I Met Your Mother. Britney Spears apareceu várias vezes, além de Sarah Chalke do Scrubs e Laura Prepon do That 70's show. Veja a participação da Britney. Até que ela é boa atriz...
Assim como em That 70's show, houve também algumas produções musicais. Veja o episódio em que Barney canta "nothing suits me like a suit", sobre seu amor por vestir ternos.
Além disso, a série ainda conta com Jason Segel e com a famosa Alyson Hannigan (de Buffy e American Pie) interpretando o casal Marshall Eriksen e Lily Aldrin. Os dois são muito bons atores e dão sustentação para a história.
Bom, já deu para ver que eu gostei muito. Assista você também! Os episódios passam segunda-feira na TV americana e na terça ou quarta aparecem as legendas aqui no Brasil. Você pode baixar o episódio através do site eztv.it e a legenda na comunidade do Orkut!
Acompanhe a série por que: "it's gonna be legen..." wait for it "... dary!"
terça-feira, 5 de outubro de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
A minha história das copas I
Copa do mundo é um momento mágico. Um instante quando você deixa de lado todos os seus afazeres, esquece da vida e passa a integrar uma seleção. A paixão nacional.
A copa é também uma ótima forma de contar a vida de uma pessoa. Quantas seleções você viu jogar, o que você estava fazendo na época, situações marcantes nos jogos. Para mim, houve grande influ aconteceu comigo.
Nas minhas oito copas de experiência pude tirar de cada uma alguma boa lembrança, algum ensinamento de vida. Algo mudou em cada um destes intensos instantes, em alegrias e tristezas, e nem sempre sobre futebol.
Nenhuma das copas que acompanhei foram apenas campeonatos sem importância. Houve mudança de comportamento e forma de pensar. Não estou certo de que há alguma influência de uma vitória ou derrota ou se é apenas coincidência. Mas é como se nossa história fosse um ciclo de quatro anos que eclodisse sempre no fatídico meio de ano, justo na hora em que a bola rola.
Vamos à elas, as copas das minha vida!
1978 - Se eu disser que 82 foi a primeira copa que vi, não estou tentando enganar minha idade. Não me lembro de nada de 78 pois tinha apenas dois anos. Esta história é curta, o Brasil não perdeu nenhum jogo mas acabou perdendo o caneco para a Argentina, que combinou o resultado com o Peru. Que maracutaia!
1982 - Ahhh, minha primeira copa! Tinha 6 anos e muitos problemas de saúde. Muito magro e fraco, acompanhei o campeonato entre idas e vindas ao hospital. Meu avô também enfrentava graves problemas de saúde e quase não viu os jogos, veio a falecer um ano depois.
Muita gente não tinha televisão nesta época, ou quando tinha não era colorida. Por causa disso os porteiros do meu prédio vieram assistir alguns jogos na minha casa. Na minha idade, era extremamente engraçado ouvir os comentários deles e do meu pai. Algo como fingir fazer parte da conversa de adulto. Eu não entendia muito sobre futebol, mas era suficiente para perceber que há mais paixão do que razão na maioria dos torcedores.
Meu único comentário durante a copa era reclamar quando o Falcão tocava na bola. Naquela época eu achava que branco não sabia jogar bola e ficava na seleção só atrapalhando. É que eu estudava em escola pública e aprendi desde cedo que branco de apartamento não tem habilidade nenhuma. Já os meninos negrinhos das comunidades em volta da escola driblavam como ninguém! Não há racismo na cabeça de uma criança de 6 anos.
Era o ano das anistias políticas e do início da abertura política com o presidente Figueiredo. Lógico que eu não entendia nada disso na época, mas consigo entender a esperança que o brasileiro possuía no país pós ditadura, e como foi difícil ver uma das melhores seleções de todos os tempos perder para a Itália nas quartas de final. Uma choradeira geral.
Acho que ficou a experiência de perceber que mesmo sendo o melhor, nem sempre se ganha. Algo que se aprende cedo na vida, graças à copa do mundo.
1986 - Talvez um dos melhores anos da minha vida. A economia do país andava de mal a pior, mas a esperança reacendeu nos corações brasileiros por causa do plano cruzado, iniciado neste fatídico ano pelo então presidente José Sarney.
O plano congelava todos os preços e acabava com a inflação. Todos os brasileiros fiscalizavam e reclamavam quando algum comerciante aumentava qualquer coisa. Havia um sentimento de união em torno do slogan "tem que dar certo" enunciado pelo presidente a todo momento.
Por causa da economia, ou melhor, da falta de dinheiro, eu e minha irmã voltamos à escola pública. Eu ia para a a terceira série do então chamado primário (atual quarta) e ela para a classe de alfabetização (atual primeira série).
Este talvez tenha sido o ano em que eu me tornei estudioso. Tudo que se ensinava na escola pública eu já tinha dado nas séries anteriores da particular, e quando a matéria tornou-se nova eu passei a me esforçar. Tinha tomado gosto pelas notas altas e pelos professores que me diziam que eu era "inteligente".
A copa pegou carona no plano cruzado, no movimento das diretas-já e no início do processo constituinte que terminaria em 88. Por isso, esta tenha sido uma das mais celebradas seleções de todos os tempos. Junior, Sócrates, Casagrande e Zico eram heróis nacionais, mesmo antes da copa.
Na minha vida, o final da década de 90 não foi assim tão ruim. Desligado dos problemas econômicos, alienado como qualquer menino classe média de 13 anos, esta época foi muito divertida com muitos amigos, videogames e poucas responsabilidades. Estava na sétima série e ainda ia levar tempo para eu ter que me preocupar com escolher profissão ou arrumar emprego.
Espere que ainda tem mais! A copa de 94, 98, 2002, 2006 e a atual 2010! Aguardem os próximos posts!
A copa é também uma ótima forma de contar a vida de uma pessoa. Quantas seleções você viu jogar, o que você estava fazendo na época, situações marcantes nos jogos. Para mim, houve grande influ aconteceu comigo.
Nas minhas oito copas de experiência pude tirar de cada uma alguma boa lembrança, algum ensinamento de vida. Algo mudou em cada um destes intensos instantes, em alegrias e tristezas, e nem sempre sobre futebol.
Nenhuma das copas que acompanhei foram apenas campeonatos sem importância. Houve mudança de comportamento e forma de pensar. Não estou certo de que há alguma influência de uma vitória ou derrota ou se é apenas coincidência. Mas é como se nossa história fosse um ciclo de quatro anos que eclodisse sempre no fatídico meio de ano, justo na hora em que a bola rola.
Vamos à elas, as copas das minha vida!
1978 - Se eu disser que 82 foi a primeira copa que vi, não estou tentando enganar minha idade. Não me lembro de nada de 78 pois tinha apenas dois anos. Esta história é curta, o Brasil não perdeu nenhum jogo mas acabou perdendo o caneco para a Argentina, que combinou o resultado com o Peru. Que maracutaia!
1982 - Ahhh, minha primeira copa! Tinha 6 anos e muitos problemas de saúde. Muito magro e fraco, acompanhei o campeonato entre idas e vindas ao hospital. Meu avô também enfrentava graves problemas de saúde e quase não viu os jogos, veio a falecer um ano depois.
Muita gente não tinha televisão nesta época, ou quando tinha não era colorida. Por causa disso os porteiros do meu prédio vieram assistir alguns jogos na minha casa. Na minha idade, era extremamente engraçado ouvir os comentários deles e do meu pai. Algo como fingir fazer parte da conversa de adulto. Eu não entendia muito sobre futebol, mas era suficiente para perceber que há mais paixão do que razão na maioria dos torcedores.
Meu único comentário durante a copa era reclamar quando o Falcão tocava na bola. Naquela época eu achava que branco não sabia jogar bola e ficava na seleção só atrapalhando. É que eu estudava em escola pública e aprendi desde cedo que branco de apartamento não tem habilidade nenhuma. Já os meninos negrinhos das comunidades em volta da escola driblavam como ninguém! Não há racismo na cabeça de uma criança de 6 anos.
Era o ano das anistias políticas e do início da abertura política com o presidente Figueiredo. Lógico que eu não entendia nada disso na época, mas consigo entender a esperança que o brasileiro possuía no país pós ditadura, e como foi difícil ver uma das melhores seleções de todos os tempos perder para a Itália nas quartas de final. Uma choradeira geral.
Acho que ficou a experiência de perceber que mesmo sendo o melhor, nem sempre se ganha. Algo que se aprende cedo na vida, graças à copa do mundo.
1986 - Talvez um dos melhores anos da minha vida. A economia do país andava de mal a pior, mas a esperança reacendeu nos corações brasileiros por causa do plano cruzado, iniciado neste fatídico ano pelo então presidente José Sarney.
O plano congelava todos os preços e acabava com a inflação. Todos os brasileiros fiscalizavam e reclamavam quando algum comerciante aumentava qualquer coisa. Havia um sentimento de união em torno do slogan "tem que dar certo" enunciado pelo presidente a todo momento.
Por causa da economia, ou melhor, da falta de dinheiro, eu e minha irmã voltamos à escola pública. Eu ia para a a terceira série do então chamado primário (atual quarta) e ela para a classe de alfabetização (atual primeira série).
Este talvez tenha sido o ano em que eu me tornei estudioso. Tudo que se ensinava na escola pública eu já tinha dado nas séries anteriores da particular, e quando a matéria tornou-se nova eu passei a me esforçar. Tinha tomado gosto pelas notas altas e pelos professores que me diziam que eu era "inteligente".
A copa pegou carona no plano cruzado, no movimento das diretas-já e no início do processo constituinte que terminaria em 88. Por isso, esta tenha sido uma das mais celebradas seleções de todos os tempos. Junior, Sócrates, Casagrande e Zico eram heróis nacionais, mesmo antes da copa.
Mas a história todo mundo conhece. O Brasil perdeu para a França nos pênaltis graças a um futebol de defesa, força e um pouco de sorte. Foi o fim do jogo bonito e terminou por enterrar a esperança brasileira em um país melhor. O plano cruzado mostrou-se incapaz de segurar a inflação naquele ano mesmo, tornando o arroxo salarial e o desemprego ainda mais pronunciados a partir dali, até quase o fim da década de 90.
Um dos momentos mais marcantes da copa foi o penalty perdido por Zico. Machucado durante quase toda a copa, Zico entra no segundo tempo do jogo contra a França e passa para Branco que sofre falta dentro da área. Quase no final do jogo, o brasil teria a chance de desempatar e ganhar. Cento e quarenta milhões de brasileiros cobraram a penalidade junto com Zico, e assim como nossos planos econômicos, não deu certo.
Tamanho foi o desapontamento com a derrota da seleção, que no outro dia, na escola, houve uma grande briga entre os alunos. Ninguém foi punido e todo mundo voltou para casa. Dizia-se que os ânimos estavam assim por causa da seleção, não era culpa dos alunos.
Terminou-se a era Zico e com ela ficou na memória que a idéia de nem sempre uma grande estrela poderia resolver tudo. Naquela época eu fiquei muito desapontado com o meu ídolo, mas hoje compreendo que não se pode colocar nos pés de um só jogador a esperança de todo um país.
A copa de 86 só valeu pelas jogadas do Maradona, que acabou levando a Argentina ao seu segundo título mundial. Os dez anos, a partir dessa copa, que tivemos que enfrentar de crises, pacotes econômicos e desemprego foram muito duros aos brasileiros, ainda pior que o gol de Platini e do penalty perdido de Zico.
1990 - Se em 86 o negócio estava feio para o Brasil, em 90 ficou ainda pior. Collor tinha acabado de ser eleito e tomou todo o dinheiro da poupança de grande parte da classe média. E economia ia de mal a pior mas ainda havia a esperança na seleção. Péssima idéia.
Careca, Jorginho, Dunga, Muller e até Romário faziam parte do selecionado brasileiro. Não há muito o que dizer sobre a copa de 90 pois o Brasil foi eliminado pela argentina nas oitavas. Jogou apenas 4 jogos e ganhou 3 por apenas um gol de diferença, para seleções muito mais fracas.
Esta copa foi a pá de cal no país do futuro, tanto no futebol como na economia. As experiências nestas duas áreas desde o início da década de 80 tinham sido as piores possíveis, e agora ninguém achava que ia melhorar. A copa terminou com esperança de um país melhor, e nós não nos recuperamos completamente desta maldita época até hoje.
A falta de gols e o insucesso frente às primeiras grandes dificuldades apareciam em todas as três seleções da década de 80. Eram um espelho, não por acaso, da miséria, desorganização e do desemprego que assolava o Brasil.
1990 - Se em 86 o negócio estava feio para o Brasil, em 90 ficou ainda pior. Collor tinha acabado de ser eleito e tomou todo o dinheiro da poupança de grande parte da classe média. E economia ia de mal a pior mas ainda havia a esperança na seleção. Péssima idéia.
Careca, Jorginho, Dunga, Muller e até Romário faziam parte do selecionado brasileiro. Não há muito o que dizer sobre a copa de 90 pois o Brasil foi eliminado pela argentina nas oitavas. Jogou apenas 4 jogos e ganhou 3 por apenas um gol de diferença, para seleções muito mais fracas.
Esta copa foi a pá de cal no país do futuro, tanto no futebol como na economia. As experiências nestas duas áreas desde o início da década de 80 tinham sido as piores possíveis, e agora ninguém achava que ia melhorar. A copa terminou com esperança de um país melhor, e nós não nos recuperamos completamente desta maldita época até hoje.
A falta de gols e o insucesso frente às primeiras grandes dificuldades apareciam em todas as três seleções da década de 80. Eram um espelho, não por acaso, da miséria, desorganização e do desemprego que assolava o Brasil.
A década passou com os lamentos do nosso esporte e da nossa economia. Até na música podia se perceber o pessimismo de um povo que talvez depositasse na seleção muito mais do que poderia trazer com a conquista da taça. Veja alguns versos de músicas que escutávamos nesta época:
Vamos sair!
Mas estamos sem dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como a dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...
Todo dia o sol da manhã
Vem e lhes desafia
Traz do sonho pro mundo
Quem já não o queria
Palafitas, trapiches, farrapos
Filhos da mesma agonia
Na minha vida, o final da década de 90 não foi assim tão ruim. Desligado dos problemas econômicos, alienado como qualquer menino classe média de 13 anos, esta época foi muito divertida com muitos amigos, videogames e poucas responsabilidades. Estava na sétima série e ainda ia levar tempo para eu ter que me preocupar com escolher profissão ou arrumar emprego.
Espere que ainda tem mais! A copa de 94, 98, 2002, 2006 e a atual 2010! Aguardem os próximos posts!
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Televisão - 180 graus de revolução
A televisão como mídia passou por várias mudanças neste últimos 30 anos. Muita gente ainda não percebeu que está assistindo TV de forma completamente diferente.
Lá para a década de 80, por exemplo, muito mais pessoas possuíam o hábito de assistir televisão. Eu, por exemplo, passei grande parte da minha infância colado à telinha. O jornal nacional e a novela das oito eram quase como um encontro familiar. Todos assistiam.
Naquela época, a maioria das casas só possuía um aparelho de televisão, que ganhava tratamento nobre e ficava no centro da sala. Eu tinha o hábito de me esticar no sofá para assistir desenhos animados durante a tarde e filmes pela madrugada. Só ia para a cama para dormir.
Quando passei a contratar o serviço de TV à cabo, no meio da década de 90, o interesse por televisão aumentou ainda mais. Podia ver séries, filmes, esportes e documentários, ou seja, muito mais opções do que antes. Lembro-me de ter colocado um televisor ao lado de minha cama, para que eu pudesse assistir TV deitado antes de dormir.
A individualização da televisão foi a primeira mudança no modo de assistir TV. Com a queda dos preços dos aparelhos, mais pessoas passaram a ter televisores nos quartos. A TV a cabo, por sua vez, possibilitou uma segunda mudança, o aumento da qualidade e da diversidade da programação disponível.
Mas a grande revolução no modo de assistir TV ainda estava por vir, e aconteceu a partir de 2000 com a popularização da internet banda larga. Gosto de me referir a esta mudança como a revolução 180 graus da televisão.
Com o aumento do interesse por internet, o computador passou a ser o centro das atenções e a televisão ficou em segundo plano. A maior parte das pessoas fica no PC lendo notícias ou e-mails enquanto o televisor está ao lado se esforçando para chamar a atenção, o que consegue em certos momentos. Houve uma rotação de 90 graus no modo de assistir TV, pois agora o monitor é que está na frente, e a TV ao lado.
Mas o interesse por televisão ia diminuir ainda mais. Neste momento que escrevo, em 2010, percebo que o aparelho de TV do meu quarto fica muito tempo desligado, e mesmo quando ligado praticamente não atrai minha atenção. Com as opções disponíveis na internet, como orkut, tweeter, tv por stream [1], youtube e outros, estou hoje apenas ouvindo falar sobre os programas que estão passando na televisão aberta ou a cabo. É como se o aparelho estivesse fora do meu campo de visão, nas minhas costas, a 180 graus.
Meus poucos programas de TV favoritos eu normalmente assisto no computador. Percebo um crescente desinteresse na telinha que foi minha fonte de entretenimento por tantos anos. Será o fim da televisão?
Promete-se que a TV digital mudará isso. A interatividade, quando estiver finalmente implementada, talvez possa atrair novamente a minha atenção com conteúdos interessantes e diversos. Até agora, estou desanimado e pessimista, são poucos os canais em alta resolução e a programação é a mesma droga de sempre
Agora que a televisão já circulou 180 graus na minha casa, acho improvável que ela retorne ao seu nobre status. Quem sabe no futuro com muito trabalho e esforço a TV volte a ter o mérito de ficar na frente de todos nós, me forçando a voltar neste espaço e escrever um novo infame texto chamado, Televisão - 360 graus de revolução.
Lá para a década de 80, por exemplo, muito mais pessoas possuíam o hábito de assistir televisão. Eu, por exemplo, passei grande parte da minha infância colado à telinha. O jornal nacional e a novela das oito eram quase como um encontro familiar. Todos assistiam.
Naquela época, a maioria das casas só possuía um aparelho de televisão, que ganhava tratamento nobre e ficava no centro da sala. Eu tinha o hábito de me esticar no sofá para assistir desenhos animados durante a tarde e filmes pela madrugada. Só ia para a cama para dormir.
Quando passei a contratar o serviço de TV à cabo, no meio da década de 90, o interesse por televisão aumentou ainda mais. Podia ver séries, filmes, esportes e documentários, ou seja, muito mais opções do que antes. Lembro-me de ter colocado um televisor ao lado de minha cama, para que eu pudesse assistir TV deitado antes de dormir.
A individualização da televisão foi a primeira mudança no modo de assistir TV. Com a queda dos preços dos aparelhos, mais pessoas passaram a ter televisores nos quartos. A TV a cabo, por sua vez, possibilitou uma segunda mudança, o aumento da qualidade e da diversidade da programação disponível.
Mas a grande revolução no modo de assistir TV ainda estava por vir, e aconteceu a partir de 2000 com a popularização da internet banda larga. Gosto de me referir a esta mudança como a revolução 180 graus da televisão.
Com o aumento do interesse por internet, o computador passou a ser o centro das atenções e a televisão ficou em segundo plano. A maior parte das pessoas fica no PC lendo notícias ou e-mails enquanto o televisor está ao lado se esforçando para chamar a atenção, o que consegue em certos momentos. Houve uma rotação de 90 graus no modo de assistir TV, pois agora o monitor é que está na frente, e a TV ao lado.
Mas o interesse por televisão ia diminuir ainda mais. Neste momento que escrevo, em 2010, percebo que o aparelho de TV do meu quarto fica muito tempo desligado, e mesmo quando ligado praticamente não atrai minha atenção. Com as opções disponíveis na internet, como orkut, tweeter, tv por stream [1], youtube e outros, estou hoje apenas ouvindo falar sobre os programas que estão passando na televisão aberta ou a cabo. É como se o aparelho estivesse fora do meu campo de visão, nas minhas costas, a 180 graus.
Meus poucos programas de TV favoritos eu normalmente assisto no computador. Percebo um crescente desinteresse na telinha que foi minha fonte de entretenimento por tantos anos. Será o fim da televisão?
Promete-se que a TV digital mudará isso. A interatividade, quando estiver finalmente implementada, talvez possa atrair novamente a minha atenção com conteúdos interessantes e diversos. Até agora, estou desanimado e pessimista, são poucos os canais em alta resolução e a programação é a mesma droga de sempre
Agora que a televisão já circulou 180 graus na minha casa, acho improvável que ela retorne ao seu nobre status. Quem sabe no futuro com muito trabalho e esforço a TV volte a ter o mérito de ficar na frente de todos nós, me forçando a voltar neste espaço e escrever um novo infame texto chamado, Televisão - 360 graus de revolução.
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sábado, 2 de janeiro de 2010
Natal de 1983
Na década de 70 não havia computador pessoal, celular ou internet. A diversão das crianças daquela época era jogar bolinha de gude, peão, andar de bicicleta, jogar bola e soltar pipa.
Mas a partir da década de 80 tudo mudou, foi a era do videogame. Bicicleta? Bola? Pipa? Isso tudo não me interessava. Eu queria era jogar videogame! Era apenas uma questão de tempo para que todas as crianças se viciassem na nova brincadeira, que mais tarde teria grande impacto na minha vida.
Para mim tudo começou no natal de 1983. Pedi para o meu pai, na verdade, para o papai Noel, um odyssey como o mostrado abaixo. Ainda bem que ele não me ouviu!
O odyssey era uma droga, os jogos eram um lixo, além de caros. Ao invés disso, meu pai conseguiu comprar um Atari 2600 de segunda mão, as coisas estavam difíceis naquela época.
Lembro-me do exato momento em que vi o videogame. Minha avó me chamou para me tapear enquanto meu pai e minha mãe escondiam o presente. Ao chegar na sala me disseram que papai Noel tinha vindo e deixado o que eu tinha pedido.
Procurei tanto tempo pela caixa do odyssey que tinha visto nas Lojas Americanas até que encontrei o aparelho de madeira mostrado na figura acima, um Atari 2600. Pensei que tinha sido culpa minha por não ter sido claro no meu pedido.
A frustração durou pouco porque gostei muito dos jogos. Lógico que os gráficos eram uma droga e o som ainda pior. No entanto, deve-se considerar que na época qualquer coisa era impressionante. Lembro-me da satisfação de controlar o bonequinho do "donkey kong" e o rato de "mouse trap", aquilo para mim era muito mais entretenimento que qualquer bola ou bicicleta, até porque eu morava em um apartamento e não havia espaço para isso.
Ao contrário de outras brincadeiras, o Atari exigia apenas uma TV e garantia horas de diversão. Era tudo que eu precisava! Quando eu cansei dos jogos que vieram originalmente não foi difícil ou caro conseguir outros. O Atari possuía um componente primordial para o sucesso, o mesmo que fez o PC e o PlayStation ficarem famosos - a pirataria.
Com um monte de fabricantes vendendo cartuchos compatíveis e jogos de atari, os anos se passavam e o videogame ficava mais interessante. Logo eu descobri os viciantes "Enduro" e "River Raid".
Enduro e River Raid
Até que o videogame quebrou! Não há equipamento que aguente tanto tempo ligado. Primeiro foi a fonte, depois os controles, o cabo de RF, o adaptador "TV-GAME" e finalmente o console propriamente dito. Este último demorou 3 meses para consertar na assistência técnica, quase fiquei maluco com a abstinência.
Sempre que algo quebrava, eu e meu pai tentávamos desmontar para descobrir o defeito. Tivemos sucesso várias vezes mas sempre quebrava novamente. Não era chato, consertar proporcionava uma "diversão" adicional.
Tanto tempo que eu passava na frente da TV que quando eu tirava notas baixas na escola a culpa era sempre do videogame. Quanta injustiça! A solução era me proibir de jogar para que eu voltasse a estudar. Em uma dessas situações, minha mãe levou com ela a fonte do videogame (o adaptador AC) para que eu não me distraísse e estudasse para a prova. Mal ela sabia que eu conseguiria facilmente encontrar outra fonte de 9V e isso não iria me impedir! Só o que resolvia era esconder tudo: o console, os joysticks e os jogos.
Consertar os defeitos do Atari acabou fazendo com que eu me interessasse por eletrônica e mais a frente por computadores. Os jogos de videogame transformaram meus interesses e mudaram fortemente minhas aptidões. Tenho certeza que isso acabou me inclinando para a área de exatas e muito influenciou na escolha do curso técnico de Eletrônica no CEFET, e na escolha da faculdade de Engenharia anos mais tarde.
Lógico que eu ainda iria jogar Master System, Mega Drive, PlayStation e muitos outros jogos no PC. Só que nada disso teve o mesmo impacto, eram apenas evoluções do mesmo interesse despertado naquela natalina manhã de 25 de dezembro de 1983, quando colocamos a TV no canal 3 eu pude jogar Atari pela primeira vez.
Mas a partir da década de 80 tudo mudou, foi a era do videogame. Bicicleta? Bola? Pipa? Isso tudo não me interessava. Eu queria era jogar videogame! Era apenas uma questão de tempo para que todas as crianças se viciassem na nova brincadeira, que mais tarde teria grande impacto na minha vida.
Para mim tudo começou no natal de 1983. Pedi para o meu pai, na verdade, para o papai Noel, um odyssey como o mostrado abaixo. Ainda bem que ele não me ouviu!
O odyssey era uma droga, os jogos eram um lixo, além de caros. Ao invés disso, meu pai conseguiu comprar um Atari 2600 de segunda mão, as coisas estavam difíceis naquela época.
Lembro-me do exato momento em que vi o videogame. Minha avó me chamou para me tapear enquanto meu pai e minha mãe escondiam o presente. Ao chegar na sala me disseram que papai Noel tinha vindo e deixado o que eu tinha pedido.
Procurei tanto tempo pela caixa do odyssey que tinha visto nas Lojas Americanas até que encontrei o aparelho de madeira mostrado na figura acima, um Atari 2600. Pensei que tinha sido culpa minha por não ter sido claro no meu pedido.
A frustração durou pouco porque gostei muito dos jogos. Lógico que os gráficos eram uma droga e o som ainda pior. No entanto, deve-se considerar que na época qualquer coisa era impressionante. Lembro-me da satisfação de controlar o bonequinho do "donkey kong" e o rato de "mouse trap", aquilo para mim era muito mais entretenimento que qualquer bola ou bicicleta, até porque eu morava em um apartamento e não havia espaço para isso.
Ao contrário de outras brincadeiras, o Atari exigia apenas uma TV e garantia horas de diversão. Era tudo que eu precisava! Quando eu cansei dos jogos que vieram originalmente não foi difícil ou caro conseguir outros. O Atari possuía um componente primordial para o sucesso, o mesmo que fez o PC e o PlayStation ficarem famosos - a pirataria.
Com um monte de fabricantes vendendo cartuchos compatíveis e jogos de atari, os anos se passavam e o videogame ficava mais interessante. Logo eu descobri os viciantes "Enduro" e "River Raid".
Enduro e River RaidE depois vieram Keystone Kappers, Frostbite, Hero, Mr Postman, Adventure, Pac Man, Boxing, Spiderman, Frogger, Pitfall e outros. Sempre que você se cansava de um, podia arrumar outro. Como todas as crianças tinham Atari, não era dificil trocar cartuchos e garantir mais alguns dias de diversão.
Até que o videogame quebrou! Não há equipamento que aguente tanto tempo ligado. Primeiro foi a fonte, depois os controles, o cabo de RF, o adaptador "TV-GAME" e finalmente o console propriamente dito. Este último demorou 3 meses para consertar na assistência técnica, quase fiquei maluco com a abstinência.
Sempre que algo quebrava, eu e meu pai tentávamos desmontar para descobrir o defeito. Tivemos sucesso várias vezes mas sempre quebrava novamente. Não era chato, consertar proporcionava uma "diversão" adicional.
Tanto tempo que eu passava na frente da TV que quando eu tirava notas baixas na escola a culpa era sempre do videogame. Quanta injustiça! A solução era me proibir de jogar para que eu voltasse a estudar. Em uma dessas situações, minha mãe levou com ela a fonte do videogame (o adaptador AC) para que eu não me distraísse e estudasse para a prova. Mal ela sabia que eu conseguiria facilmente encontrar outra fonte de 9V e isso não iria me impedir! Só o que resolvia era esconder tudo: o console, os joysticks e os jogos.
Consertar os defeitos do Atari acabou fazendo com que eu me interessasse por eletrônica e mais a frente por computadores. Os jogos de videogame transformaram meus interesses e mudaram fortemente minhas aptidões. Tenho certeza que isso acabou me inclinando para a área de exatas e muito influenciou na escolha do curso técnico de Eletrônica no CEFET, e na escolha da faculdade de Engenharia anos mais tarde.
Lógico que eu ainda iria jogar Master System, Mega Drive, PlayStation e muitos outros jogos no PC. Só que nada disso teve o mesmo impacto, eram apenas evoluções do mesmo interesse despertado naquela natalina manhã de 25 de dezembro de 1983, quando colocamos a TV no canal 3 eu pude jogar Atari pela primeira vez.
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Linux ainda não serve para o pequeno usuário
Sou entusiasta do linux desde 1996, quando comprei minha primeira distribuição Red Hat conectiva. Naquela época, o início da internet no Brasil, o linux parecia ser uma interessante opção em face aos horríveis windows 95.
Segurança e confiabilidade era o que buscavam os usuários do sistema operacional livre. O linux rodava de forma mais segura, travando menos, dando menos erros. Só que não era para qualquer um, o suporte a hardware era precário e a instalação era difícil.
Particionar o HD, incluir partições de swap e instalar o software gerenciador de inicialização exigia um conhecimento que apenas técnicos possuíam. Tudo isso dava diversos problemas, diferentes a cada máquina. Sem contar que o sistema tinha que conviver com o windows, o que por si só já era bastante difícil.
Mesmo depois de instalado, os problemas continuavam. Lembro-me que foi bastante difícil colocar minha placa de áudio para funcionar, uma soundblaster AWE32 legítima. Já o modem, um Zoltrix, foi totalmente impossível.
E hoje, 13 anos depois, como está o linux? Há pelos menos cinco anos estou distante do software livre, assim resolvi dedicar um tempo para fazer uma avaliação. Para isso, utilizei uma máquina antiga, um pentium III 500MHz com 768M bytes de memória RAM e dois HDs de 40Gbytes. Um pouco jurássico, é verdade, mas adequado para o teste já que o windows XP funciona normalmente.
Resolvi escolher a distribuição ubuntu [1], pois é a primeira que aparece quando digita-se linux no google [2]. Existem outras distribuições como a Mandriva ou o Fedora, mas pensei como usuário comum e resolvi seguir o mais popular.
Instalar o ubuntu foi difícil assim como em 1996. Tentei um instalador via windows mas não funcionou pois travava na inicialização da instalação. Há também um CD alternativo com um instalador em modo texto, isso acabou sendo mais prático depois dos diversos erros no CD original. Houve ainda uma dificuldade adicional devido a uma incompatibilidade com minha placa mãe, o que me obrigou a trocá-la por outra.
É conhecido o fato de que o Linux precisa particionar o seu HD em duas partes, uma para os arquivos do sistema operacional e outra para o swap [3]. Além disso deverá haver uma terceira parte que ficará com o windows e não pode ser mexida. Embora o Ubuntu possua um particionador automático para executar este trabalho, isso ainda é complicado e cheio de falhas. Nem sempre o automático escolhe a melhor opção.
Para concluir, a instalação da distribuição Ubuntu, a mais conhecida de linux, ainda não é confiável o suficiente para que se garanta que vai funcionar. Mesmo quando não funciona, ainda existem problemas graves pois o erro que impediu a instalação não é mostrado claramente e ainda acontecem acidentes como sumir com o windows (o que aconteceu umas três vezes).
Depois de alguns dias de pesquisas, incluindo a troca da placa mãe, finalmente consegui testar o linux. Algumas coisas me chamaram a atenção, melhorias significativas em relação às distribuições antigas que eu usava:
- A interface gráfica padrão, o Gnome, é um pouco lenta, mas é agradável. Possui links para tudo que o usuário precisa como planilhas e editor de texto (vem com o open office), editor de imagens, ferramentas administrativas e gravador de CD/DVD.
- O suporte a hardware também é bom, minha placa de áudio, rede e a aceleração de vídeo funcionaram sem precisar de drivers.
- Sobre a rede, essa é a primeira distribuição de linux que finalmente acessou a minha rede local e copiou arquivos compartilhados dos computadores windows que possuo. Bastante interessante, isso melhorou muito.
- O firefox do ubuntu dá completa compatibilidade com a internet, pode-se acessar internet banking ou qualquer outra coisa que você precise. Isso também melhorou.
- O ubuntu possui um sistema semelhante ao Windows Update, que funciona muito bem. Atualizou o Kernel (a base do sistema operacional) e pediu para reiniciar. Funcionou normalmente.
No entanto, o Linux ainda está muito longe de ser util para o pequeno usuário. A instalação é difícil e a manutenção do sistema é bastante complexa. A maioria dos usuários consegue corrigir pequenas falhas no windows ou baixar algum software que o faça. Mas no Linux tudo fica mais enrolado, instalar programas, por exemplo, ainda é tarefa complexa, que inclui baixar pacotes de um certo tipo ou configurar um repositório. Sem contar que às vezes um novo programa só funciona com algumas linhas "sudo" de terminal, sem condições para quem não possui um técnico especialista em casa.
A falta de aplicativos e a dificuldade de suporte fazem o linux ainda estar longe do usuário e perto de malucos como eu, que se divertem com mensagens tipo "Kernel Panic", "This ATA drive is too slow, please be patience" e "changing HD size from 0 to 4000000".
Será que algum dia o linux se tornará uma opção real ao windows? Será que o software livre é uma utopia? Algum dia veremos a quebra deste monopólio Microsoft? Pensarei nestas perguntas enquanto me divirto com as mensagens e configurações malucas do linux! Um sudo feliz natal para vocês!
Segurança e confiabilidade era o que buscavam os usuários do sistema operacional livre. O linux rodava de forma mais segura, travando menos, dando menos erros. Só que não era para qualquer um, o suporte a hardware era precário e a instalação era difícil.
Particionar o HD, incluir partições de swap e instalar o software gerenciador de inicialização exigia um conhecimento que apenas técnicos possuíam. Tudo isso dava diversos problemas, diferentes a cada máquina. Sem contar que o sistema tinha que conviver com o windows, o que por si só já era bastante difícil.
Mesmo depois de instalado, os problemas continuavam. Lembro-me que foi bastante difícil colocar minha placa de áudio para funcionar, uma soundblaster AWE32 legítima. Já o modem, um Zoltrix, foi totalmente impossível.
E hoje, 13 anos depois, como está o linux? Há pelos menos cinco anos estou distante do software livre, assim resolvi dedicar um tempo para fazer uma avaliação. Para isso, utilizei uma máquina antiga, um pentium III 500MHz com 768M bytes de memória RAM e dois HDs de 40Gbytes. Um pouco jurássico, é verdade, mas adequado para o teste já que o windows XP funciona normalmente.
Resolvi escolher a distribuição ubuntu [1], pois é a primeira que aparece quando digita-se linux no google [2]. Existem outras distribuições como a Mandriva ou o Fedora, mas pensei como usuário comum e resolvi seguir o mais popular.
Instalar o ubuntu foi difícil assim como em 1996. Tentei um instalador via windows mas não funcionou pois travava na inicialização da instalação. Há também um CD alternativo com um instalador em modo texto, isso acabou sendo mais prático depois dos diversos erros no CD original. Houve ainda uma dificuldade adicional devido a uma incompatibilidade com minha placa mãe, o que me obrigou a trocá-la por outra.
É conhecido o fato de que o Linux precisa particionar o seu HD em duas partes, uma para os arquivos do sistema operacional e outra para o swap [3]. Além disso deverá haver uma terceira parte que ficará com o windows e não pode ser mexida. Embora o Ubuntu possua um particionador automático para executar este trabalho, isso ainda é complicado e cheio de falhas. Nem sempre o automático escolhe a melhor opção.
Para concluir, a instalação da distribuição Ubuntu, a mais conhecida de linux, ainda não é confiável o suficiente para que se garanta que vai funcionar. Mesmo quando não funciona, ainda existem problemas graves pois o erro que impediu a instalação não é mostrado claramente e ainda acontecem acidentes como sumir com o windows (o que aconteceu umas três vezes).
Depois de alguns dias de pesquisas, incluindo a troca da placa mãe, finalmente consegui testar o linux. Algumas coisas me chamaram a atenção, melhorias significativas em relação às distribuições antigas que eu usava:
- A interface gráfica padrão, o Gnome, é um pouco lenta, mas é agradável. Possui links para tudo que o usuário precisa como planilhas e editor de texto (vem com o open office), editor de imagens, ferramentas administrativas e gravador de CD/DVD.
- O suporte a hardware também é bom, minha placa de áudio, rede e a aceleração de vídeo funcionaram sem precisar de drivers.
- Sobre a rede, essa é a primeira distribuição de linux que finalmente acessou a minha rede local e copiou arquivos compartilhados dos computadores windows que possuo. Bastante interessante, isso melhorou muito.
- O firefox do ubuntu dá completa compatibilidade com a internet, pode-se acessar internet banking ou qualquer outra coisa que você precise. Isso também melhorou.
- O ubuntu possui um sistema semelhante ao Windows Update, que funciona muito bem. Atualizou o Kernel (a base do sistema operacional) e pediu para reiniciar. Funcionou normalmente.
No entanto, o Linux ainda está muito longe de ser util para o pequeno usuário. A instalação é difícil e a manutenção do sistema é bastante complexa. A maioria dos usuários consegue corrigir pequenas falhas no windows ou baixar algum software que o faça. Mas no Linux tudo fica mais enrolado, instalar programas, por exemplo, ainda é tarefa complexa, que inclui baixar pacotes de um certo tipo ou configurar um repositório. Sem contar que às vezes um novo programa só funciona com algumas linhas "sudo" de terminal, sem condições para quem não possui um técnico especialista em casa.
A falta de aplicativos e a dificuldade de suporte fazem o linux ainda estar longe do usuário e perto de malucos como eu, que se divertem com mensagens tipo "Kernel Panic", "This ATA drive is too slow, please be patience" e "changing HD size from 0 to 4000000".
Será que algum dia o linux se tornará uma opção real ao windows? Será que o software livre é uma utopia? Algum dia veremos a quebra deste monopólio Microsoft? Pensarei nestas perguntas enquanto me divirto com as mensagens e configurações malucas do linux! Um sudo feliz natal para vocês!
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