sábado, 11 de outubro de 2025

Ripas da vida

Eu já comprei mais de 6 ripas de madeira para consertar o estrado da minha cama. 

Infelizmente o fabricante usou a pior qualidade disponível, algo mole e barato, que não sustenta muito tempo uma pessoa com a minha quantidade de "músculos".

Essa última vez, eu pedi ripa pelo whatapp mesmo, e quando ficou pronto fui lá buscar. A modernidade!

A mulher atendente da marcenaria quando me viu falou: "ah, é você de novo!".

Ser gordo é ruim, caro, mas pelo menos te deixa famoso!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

O passarinho

Comprei um passarinho de mentira, de brinquedo, daqueles que prendem nas coisas e balançam ao vento.www Fui mostrar para o meu filho, mas a reação dele depende muito da  idade:

Com um ano ele quase não fala, mas fica espantado. Ele pensa: como isso aconteceu?

Com três anos ele fala um pouco, e fica meio "oooohhhh".

Com cinco ele fala tudo, mas fica desconfiado. "Pousou aí, pai?"

Com sete ele já não é bobo, e diz: "mentira, isso é de brinquedo!".

Com dez ele se torna um irônico pré-adolescente e diz: "tá bom, pai, pousou sim um passarinho!".

Com doze ele nem responde, fica no celular fingindo que ignora.

Com quatorze ele olha e pensa: que coisa mais idiota...

Com dezesseis ele fica puto e diz: passarinho é o *##*#!

Ai ele fica adulto, perde-se um pouco o contato, até que um dia, lá pelos trinta, ele diz: "que legal, pai, vou fazer com meu filho também!"

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Lojas de conveniência

O problema dessas lojas de conveniência é que você vai lá e o atendente diz: "muito conveniente o senhor por aqui!"

E quando você tentar responder, ele dirá: "você só vem aqui porque é conveniente para você!"

Então em um dia de chuva, um momento super difícil, você faz um enorme esforço para ir lá, bem à noite, a loja quase fechando, o atendente então diria: "mas agora? Que inconveniente..."

Faça um redação contendo pelo menos duas figuras de linguagem

O ano era 2150, em um futuro sombrio e devastador, um homem andava pela rua do centro da cidade quando foi abordado por um assaltante.

Estupefato com a situação, o rapaz percebeu a arma de phasers quânticos e tremeu enquanto o meliante dava a ordem:

- Passe-me todos os seus dinheiros e posses!

Sem ter o que fazer, a vítima precisou recorrer à sua única habilidade: o poder da palavra.

Pois sabe-se, nesse futuro,   frases e ditados são utilizados como armas de grande efeito, a correta combinação de adjetivos e verbos pode até ser mortal.

E aqueke homem, vítima do assalto, não era uma pessoa comum. Era um soldado treinado na arte das figuras de linguagem, ex-combatente do exército da prosa brasileira. Sua língua era registrada como arma de destruição em massa.

Mais que rápido, antes que o bandido pudesse esboçar reação, acabou atingido por uma metáfora niilista metafísica, algo que nem os maiores pensadores poderiam imaginar:

"A existência é como um espelho em um quarto sem luz: reflete o que não está lá, esperando que o próprio vazio lhe conceda um propósito."

Ainda balançava a cabeça o assaltante, lotado de pensamentos e referências circulares, enquanto ocorria o colapso iminente da sua arma, que caía no chão já descarregada e sem qualquer enegia.

Se arrependendo do certame, o bandito ainda tentou suplicar por sua sanidade, mas o  combatente literário, de forma até cruel, não teve pena e finalizou o seu algoz com uma sinédoque bisurada rastafári:

"O leão que ruge é a floresta que chora: cada fibra de sua juba carrega as raízes da terra, enquanto embala as folhas ao vento, sussurrando unidade ao caos."

E assim, deixando sua vítima cataléptica e hiperbárica, dispneica e catatônica, foi-se aquele homem tentando se livrar dos transtornos traumáticos daquilo que causou, que seu treinamento litúrgico inflingiu. Caminhava moderadamente sob o fundo escuro da cidade delirante, ambulâncias ao fundo, chamadas pelos transeuntes preocupados com o homem que agora murmurava: "o quê? Como assim?"

domingo, 10 de novembro de 2024

Bons fantasmas do passado

 As vezes, quando a nossa vida sai um pouco dos trilhos, a gente lembra da infância, da adolescência, de uma época em que o mundo era tão diferente, tão mais colorido e cheio de descobertas.

Um tempo de amores, de sabores, de novidades, onde tudo era incrível, todas as pessoas, inclusive nós mesmos.

Mas, na verdade, isso só uma ilusão. Naquele tempo havia também coisas ruins, dores e frustrações, aborrecimentos e problemas. A gente esquece, e isso é bom! Ficam na memória só as coisas boas.

Não percebemos hoje, mas daqui a algum tempo vamos lembrar desse ano que estamos com uma saudade tão grande, daquela época de ouro em que vivemos agora!

Espera só...

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O bife do 403...

Eram mais ou menos 11h da manhã e o interfone do prédio me acordou. Eu percebi que tinha dormido além do horário e fiquei desesperado porque o meu filho entrava na escola 12:00.

Corri para atender o porteiro que me disse que era a comida que eu tinha pedido no Ifood! Eu zonzo de sono falei "pode subir" e fui acordar o meu filho, dar banho porque ele estava todo suado, botar uniforme e o cacete.

Chegou a comida na minha porta e eu peguei a quentinha desesperado porque meu filho saindo do banho todo molhado, correndo de um lado para o outro com a camisa do uniforme na cabeça.

Vesti o pequeno, arrumei o uniforme, coloquei ele sentado e abri a comida colocando tudo em um prato fundo já gritando para ele comer tudo. Não tinha nem 20 minutos para entrar na escola.

E foi aí que eu vi que a etiqueta do pedido do Ifood dizia apartamento "403" e eu moro no "503"!

Com a cabeça ainda girando lembrei que naquele dia não tinha pedido comida. Tinha  acordado tarde e logicamente esquecido! Ainda demorou para o meu cérebro se dar conta de que eu nunca poderia ter pedido iFood dormindo, por melhor e mais avançado que seja o aplicativo!

Enquanto isso meu filho comia as batatas fritas todo feliz, apesar de eu sempre pedir purê para ser mais light e natureba.

Nessa hora eu não sabia se pedia para o meu filho comer mais rápido ou se eu tirava o prato. Resolvi ligar para o restaurante e tive que explicar para um atendente completamente atordoado que eu queria comprar um prato com carne e batatas para eles entregarem no 403 e não no meu apartamento. Ainda tinha que ser urgente, porque meu filho tinha comido o bife do vizinho por engano...

O resultado final: um rapaz veio no meu prédio e entregou a comida que eu paguei para o 403 com 20 minutos de atraso. Eu sei disso porque quase que ele entrega no local errado novamente. Ah, e meu filho chegou tarde na escola dizendo que tinha gostado de comer bife...

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Lembranças do Makro!

Dizem que a gente só percebe o melhor momento das nossas vidas depois que ele passa. Isso é verdade. Queria aproveitar este espaço para registrar ótimas lembranças que aconteceram quando eu tinha 10 anos de idade.

Naquela época, meu pai tinha uma loja de rua que vendia doces, salgados e refeições. Foi o sustento da nossa família por mais de uma década. Por muito tempo eu vi meu pai envolvido em comprar refrigerantes, sorvetes e várias outras coisas em grande quantidade. Era muito divertido receber as encomendas pela manhã e ver como tudo se arrumava.

Quando eu já estava um pouco mais crescido, meu pai perguntou se eu não queria acompanhá-lo nas suas idas aos mercados da Barra da Tijuca. Mas espera que isso requer uma explicação!

Na década de 80 havia poucos hipermercados no Rio de Janeiro, sendo a maioria deles na Barra. Meu pai preferia ir nestes locais para comprar o que a loja precisava para toda a semana. Antigamente a Barra era quase um local fantasma, o shopping existia há pouco tempo e alguns mercados grandes ocupavam áreas de aluguel barato e relativamente próximas aos grandes centros.

Nossa ida aos mercados da Barra passou a se repetir toda segunda-feira por muitos anos. Isso já era certo e eu lembrava ansiosamente desde o final de semana que faríamos aquela viagem incrível pelo alto da boa vista, a cruzada pela avenida das Américas e pela atual Ayrton Senna, finalmente descendo a Grajaú-Jacarepaguá de volta para a Tijuca, isso já tarde da noite.

A nossa primeira parada na Barra era o FreeWay, onde meu pai preferia comprar arroz, óleo e outras coisas em quantidade. Era mais barato, mas não era o objetivo principal.

No Carrefour o grosso das compras era feito. A gente sempre comprava um monte de bobagens na hora: biscoitos, chocolates e qualquer outra coisa nova que a gente encontrava.  Naquela época essa era a única oportunidade de ter contato com produtos importados.

Na saída do Carrefour o carro já estava abarrotado com caixas e sacolas. Muito arroz, feijão, macarrão e quantidades absurdas de tudo. Mas ainda havia uma última etapa a ser religiosamente cumprida: o Makro.

No antigo supermercado Makro a gente parava para comprar produtos especiais no atacado. Naquela época só podia entrar nesse mercado se você fosse lojista e não podia levar crianças. Meu pai dizia que eu tinha 15 anos e acabavam deixando a gente entrar.

Comprávamos chicletes, doces e outras coisas para vender na loja. Eu gostava de ir em cima daquele carrinho de compras diferente que tinha no Makro, que mais parecia um guincho. Era muito legal!

Posso dizer que vivi a história do Brasil naquelas segundas de Barra: durante o desabastecimento do plano cruzado, eu e meu pai lutávamos para conseguir comprar mantimentos básicos que sumiam das prateleiras, durante o plano Collor muitas marcas importadas apareceram e durante o plano Real nós fazíamos contas com a URV, moeda provisória atrelada ao dólar.

Em uma dessas idas no Makro meu pai se apaixonou por um aparelho de som com toca-fitas e rádio e comprou na hora! Foi um dia ainda mais legal, porque a gente chegou em casa e montou o aparelho na sala onde ele ficou por tantos anos.

Ao final das compras a gente sempre parava no restaurante e lanchonete do Makro: uma mistura da fast food com bandejão. Nem lembro o que a gente comia, mas era tão divertido!

A volta era demorada e as vezes a gente pegava engarrafamento. A chegada de volta na loja, que tinha ficado funcionando com a minha mãe no caixa, era trabalhosa para guardar toda aquela quantidade de coisas que a gente havia comprado. Mas naquela época tudo isso para mim era diversão!

Muitos anos se passaram e ir até a Barra começou a não valer mais tanto a pena. O próprio comércio do meu pai foi ficando mais difícil com as eternas crises econômicas brasileiras e ao final de 2002 a loja fechou de vez.

O que ficou disso tudo foi a saudade e as boas lembranças dos tempos que não voltam mais. Um momento tão feliz da minha vida, mas que eu nem me dei conta que lembraria décadas depois. 

Mas tudo bem! Eu e meu filho hoje vamos ao mercado e ele não perceberá o quanto isso é precioso. É a vida seguindo seu caminho...

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A Glauciana está?

Alguma Glauciana pegou dinheiro no Itaú e deixou o telefone aqui de casa no cadastro como se fosse residência dela. Agora, que aparentemente as parcelas do tal empréstimo estão atrasadas, o banco liga para a minha casa o dia inteiro desesperado.

Eu já disse que não tem nenhuma Glauciana aqui em casa, mas eles não entendem e continuam ligando. Hoje foram cinco tentativas.

Em uma dessas ligações, a atendente, muito comportada, me disse que "foi engano". O tom mudou completamente quando eu falei que "não era engano", que eles estavam "enchendo o saco". Ela danou-se a se irritar comigo.

Parece que eles não gostam muito quando o outro lado incomoda dizendo bobagens. Que coisa!

A próxima vez vou dizer que Glauciana morreu, eu matei e vocês do Itaú são os próximos! Ei! Boa ideia para um episódio de Dexter...

terça-feira, 12 de junho de 2018

Memórias estáticas

Sonhei com uma música antiga, que eu nem gostava, mas que me levou à infância. Ainda dormindo eu sabia, certinho, onde poderia encontrar o disco de vinil e em qual faixa aquela canção chatinha estava gravada. Me vi abrindo o armário mais baixo da minha casa, logo na entrada próximo à porta, puxando um a um aqueles grandes retângulos, cada um com uma história.

Acordei triste porque este local, cheio de discos antigos, não existe mais. Estava lá só quando eu era pequeno. O apartamento foi vendido. Os móveis, discos, sabe-se lá que fim levaram. Nada disso existirá novamente, não faz parte do mundo em que vivemos.

Mas a tristeza durou pouco, porque eu sei onde encontrar tudo isso novamente. Volto a dormir sorrindo, pois a estante de discos está lá, pronta para ser bisbilhotada. O local ainda persiste, forte e límpido na minha memória, onde ele mais importa.

Assim como todos os detalhes daquele apartamento de fundos, da rua Costa Pereira: as janelas com grades oxidadas, o piso da cozinha, pequeno e azul escuro. O banheiro verde com azulejos diferentes cheio de adesivos, o sinteco fosco e a televisão no centro da sala.

Está tudo lá, ao acessar da minha memória. Momentos felizes e outros nem tanto. Não posso modificá-los, não posso interagir, apenas observar minha mãe corrigindo provas, em uma mesa de madeira, que se abria como mágica. Posso ver meu pai fazendo anotações em uma mesinha de cabeceira perto da cama.

Posso abrir os armários e lembrar das roupas e bobagens que a gente tinha. Será essa a função das coisas? Fazer a gente lembrar de um tempo que não volta mais?

E todos estão lá, aqueles que habitavam a casa, em épocas diferentes, momentos da nossa vida: minha irmã, meus avós, amigos e vizinhos. Estão todos lá!

Acordo novamente, na minha casa, o despertador tocando e a minha vida seguindo. Lembranças novas sendo feitas, enchendo o futuro de sonhos.

sábado, 15 de julho de 2017

Reviews contra a burguesia

Adoro quando reclamam que meus aplicativos tem propaganda: é a prova de como a humanidade é hipócrita.

Nas últimas semanas meus Apps tem sido atacados por reviews de uma estrela reclamando de problemas pequenos e da propaganda. Querem menos propaganda e mais funcionalidade!

Meus apps têm apenas um banner com 150 pixels na parte inferior (ou às vezes superior) da tela. Cerca de 100KB de dados a cada 60s. Meu Deus! Onde iremos parar? Por menor que seja o dispositivo não deve ocupar 10% do display.

A internet é cheia de hype, metido a intelectual, esquerdinha leite-com-pera e anticapitalista de meia tigela. Brigam para destruir a "burguesia" que leram no livro de história, enquanto o Google e o Facebook entubam a grana de todo mundo.

Não ganho muito com banners: cerca de 50 dólares por mês. É um almoço de domingo ou uma compra de mercado. Muito menos do que deveria considerando o quanto eu perdi de tempo desenvolvendo.

Um deles mandou eu trabalhar no McDonalds. Será que estão contratando?

Os direitinhas, a patrulha moral da internet, ficam ofendidos com o aspecto comercial do meu trabalho. Para eles eu deveria gastar meu tempo e oferecer um serviço de qualidade e grátis sem querer nada em troca. Tudo pelo bem da humanidade.

Por esta humanidade? Não quero não...

terça-feira, 20 de junho de 2017

The CodFish

Estou programando em java para Android fazendo um novo aplicativo (TOP SECRET) que possui uma lista com N itens. No Android isso se chama ListView, GridView ou ViewPager (dentre outros). No meu caso é um ViewPager, onde cada item da lista pode conter um layout com um monte de componentes (botões, texto e outros). Estes componentes podem ser adicionados pelo usuário, criando mais itens na lista. Parece fácil: usuário clica em um botão e adiciona mais um item. Refresh na lista e tudo beleza. E depois de uns 40 minutos para colocar tudo vindo de um banco de dados, colocar o sistema para inserir: tudo funcionou bonito! Até que encontrei um BUG! Dava erro APENAS quando o usuário adicionava o primeiro item na lista. Não aparecia nada! Pior ainda. Se o usuário adicionasse um monte de itens logo de cara, não dava refresh na lista e nada aparecia. Era como se nada tivesse feito... Fóruns, stackoverflow, google, doideira em russo, e nada de descobrir porque isso acontecia. Até que encontro uma pergunta no Stack Overflow dando um monte de sugestões para resolver algo semelhante a este problema. Fiz tudo. Nada deu certo... Depois de horas vagando na internet encontrei um código semelhante ao meu onde o maluco colocou um comentário: nunca coloque ZERO nesta variável, que define a quantidade de componentes da lista. Nunca coloque ZERO, escrevia o programador assustado em maiúsculas. Aparentemente, se o número de itens for ZERO, em um dado momento, o componente não atualiza mais nada, mesmo que você adicione itens. Só se você destruir tudo e reconstruir. Toda a tela! Solução bacalhau: passa a ter um primeiro item fixo que será a "capa", "título" ou "cabeçalho" dos itens. Ninguém tinha pensando nisso? E se encher o saco coloco este item com ZERO de largura e altura! Gênio! Chamo este item de codFish...

domingo, 16 de abril de 2017

Odeio Coentro!

Hoje eu li uma reclamação no iFood, site de delivery de comida, que me fez refletir sobre a natureza humana. O cliente começava logo esculhambando:

- Não gosto de coentro e o feijão veio cheio de coentro! E o pior, eu coloquei em cima do arroz que acabou estragando também. Tive que comer apenas o purê de batata doce que estava um pouco sem sal. Comida horrível! 

Este é um restaurante barato, que geralmente serve refeições com menu fixo. Já pedi várias vezes e a comida é boa. Talvez eu não tenha tamanha aversão ao coentro, mas isso não vem ao caso.

Meu pensamento sobre isso é exatamente o ponto que chegamos na nossa civilização: há milhões de anos atrás um exemplar de nossa espécie teria que se atracar com algum animal bem grande para garantir a refeição da semana, ou se contentaria em roer alguma raiz dura e amarga para pelo menos sobreviver.

Hoje, depois de tanto tempo de evolução, um homo sapiens usa o touchscreen de um sistema online digital para reclamar que sua comida estava levemente mais temperada do que o tolerável ao seu apurado paladar. Deu apenas uma estrela, no total de cinco, o que fará o restaurante ter ainda mais dificuldade em vender comida por um preço mais baixo. 

O iFood é uma selva e os clientes são os predadores. Já vi outros soltando os poodles só porque o feijão vazou um pouco no arroz: tudo isso porque a embalagem com divisórias não era tão a prova de balas como o exigido pelos altos padrões culinários dos nossos tempos.

Mas eu não sou assim e por isso continuo pedindo comida neste e em outros restaurantes. Pelo menos até eles resolverem colocar salsa. Eu odeio salsa!

quarta-feira, 1 de março de 2017

X-tudo em dois pães

O tempo fecha quando um forasteiro entra na lanchonete de uma cidade pequena e pede o maior sanduíche do cardápio: o x-tudo em dois pães. Quem ele acha que é? Ouve-se no abafado ambiente.

A moça que atende vacila e gagueja, perguntando se o cliente tem mesmo certeza. Com a
confirmação do rapaz, que aparentemente estava mesmo com fome, a atendente chama o dono do estabelecimento que pergunta ao desconhecido:

- Esse sanduíche é para você e mais quantos?

- Só para mim. Estou faminto...

Acostumado com a cidade grande e seus hambúrgueres: King, Donald e Bob's. Confiava o estrangeiro que aquele sanduíche ainda precisaria de acompanhamento extra. Peça pelo número! Ele lembrou.

O cozinheiro recebia o pedido e murmurava algo incompreensível. A loja esvaziava lentamente em um prelúdio do que estava a vir. Havia um desafio lançado e podia se ouvir música de faroeste no ar.

A chapa quente foi limpa e todos os outros pedidos cancelados. Toda a atenção se voltava à moça que retirava, com as mãos trêmulas, uma quantidade enorme de mantimentos da geladeira embaixo do balcão.

Em alguns segundos, com a agilidade de um ninja, quatro ovos foram quebrados e assim como seis pedaços de carne tremulavam no metal quente. Começava a preparação de um banquete. As carnes foram picotadas formando um monte empilhado capaz de alimentar uma modesta família. Em cima delas uma quantidade enorme de queijo derretia formando um vesúvio de colesterol.

Um observador desatento acharia que estavam sendo preparados vários pedidos. Ainda mais porque, ao lado do montinho de carne, se instalaram quantidades abissais empilhadas de frango e lombo.

O frango, logicamente, não era gorduroso o suficiente para acompanhar os outros ingredientes e receberia cobertura extra de Bacon, além de maionese.

Uma das atendentes começou a cortar dois pães do tamanho de um prato de sopa com confiança revigorada. A medida que cada um deles foi recheado com as carnes, uma senhora que passava na calçada fazia o sinal da cruz e apressava o andar.

Quando o frango, lombo, carne e bacon já estavam nos dois andares de cada um dos dois pães, ocupando 120% do espaço destinado ao sanduíche, o cozinheiro fazia milagres e ainda encaixava milho, mais maionese, ketchup, tomate e uma folha de alface, para ficar mais leve.

Foi aí que o forasteiro percebeu que tudo aquilo era para ele. Pediu para viagem, com voz vacilante, para desapontamento da plateia que acompanhava de longe.

Pagou rápido e levou aquilo tudo em dois sacos de supermercado. Compras do mês, alguém pensaria. Enquanto seguia seu caminho o dono da loja ria como chefe de fase de videogame, certamente pensando que ninguém jamais se atreveria a pedir um x-tudo em dois pães sem trazer vários amigos para ajudar. Esses turistas...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Cristiano Ronaldo digital - o incomparável!

Eu jogo PES 2017 online no meu PS4 e recentemente tenho escolhido o Chelsea. A defesa do time inglês é muito boa defesa e enfrenta bem os times grandes. Uma vitória contra o Real Madrid, por exemplo, vale mais quando você joga com times mais fracos, por isso eu tenho consigo bons resultados. Mas esta é a história de um jogo que eu perdi para o Real Madrid. O sistema me pareou contra um adversário de ranking 900, que além de rápido, preciso e eficiente, gostava muito de fazer muitos gols com o craque Cristiano Ronaldo: o jogador intangível, imparável e incomparável. Pelo menos no video game. Antes de começar a partida o tal usuário me manda uma mensagem de voz ameaçadora. Pela tom não me parece uma criança ou adolescente. Ele diz que vai "me destruir" se eu ficar "cruzando bola na área". Ai que meda! Então começa o jogo e o meu Chelsea imprime o estilo ideal para impedir as bolas ao astro do Real Madrid, ou seja, só chutão para todos os lados. Depois de 30 minutos de uma partida ruim de assistir, a bola finalmente sobra uma vez para o Ronaldo e ele faz o primeiro gol. Aí o meu adversário paralisa o jogo e depois de um tempão me manda outra mensagem de voz. Em meio a gritos ele continuava a me ameaçar "fisicamente". Ai meu deus que meda!

Recomeça o jogo e o Chelsea domina o meio campo. Na verdade, domina os chutões e lançamentos para todos os lados: o estilo dos campeões. No final do primeiro tempo eu consigo um passe milagroso e o meu atacante mais alto empata o jogo. Um a um! Conseguir um empate contra o Real Madrid com um time inferior e contra um adversário de ranking alto é para comemorar. Não há mais mensagens de voz neste momento. O segundo tempo começa e o jogo fica bem difícil. Bola para o Ronaldo toda hora. Meu time não tem ninguém do porte desta estrela, que toma um balde de Biotônico Fontoura por partida. Depois de algum tempo o inevitável acontece e o inigualável sobe mais que um drone e marca o segundo do time espanhol. Mais uma vez o jogo é interrompido para que o menino enxaqueca me mande outra mensagem de voz. Aparentemente ele está muito feliz, rindo e contando vantagens. Me diz que não "adianta" pois seus dotes no controle são os mais velozes, hábeis e competentes. Na verdade, foi o que entendi da mensagem em meio a algumas poucas palavras que não eram palavrões. Mas não tem nada não! Meus astros, embora de menor porte, reiniciaram a partida com a determinação de uma mosca voando para dentro de um ventilador. Foram necessários vários ataques fulminantes iniciados com chutões sem sentido para que a bola chegasse novamente no meu modesto atacante que completou para o gol! O milagroso empate ocorre novamente! Tem ideia do quanto isso é raro? Ter feito dois gols no mesmo jogo coloca o insuperável jogador português em tal frenesi futebolístico que nem um tanque de guerra seria suficiente para impedir que Cristiano Ronaldo fizesse dezoito gols seguidos, doze com a bunda direita e seis com a esquerda, que é a ruim. Mas não foi o que ocorreu. Minha trupe de jogadores, controlado pelo joystick suado e os competentes bicos para todo o lado conseguiram domar a fera, que só ganhou com outro gol de Ronaldo porque no fim da partida o incomparável voou como um cometa e acertou em cheio a bola, em golpe digno de Mortal Kombat. Real Madrid 3 x 2 Chelsea foi o placar final, com apenas três gols do gênio português. Fiquei feliz em perder por pouco e ainda fazer frente até o final. Mas aparentemente a vitória não foi suficiente, pois meu adversário mandou mais três mensagens de voz com trocentas injúrias e gritos dos mais variados, incluindo algumas sugestões de onde eu deveria colocar o joystick ao final da partida. Em nenhum momento respondi qualquer coisa ou dei a entender que o enfrentaria de igual para igual. Naquela tarde a derrota no PES me pareceu muito honrada e a vitória, para meu adversário, foi aparentemente amarga: precisou tentar me humilhar para adoçar suas conquistas. Se algum dia você ler esta crônica, caro jogador de PES 2017, procure imediatamente ajuda psiquiátrica. A vida real não possui um Cristiano Ronaldo extraordinário para ganhar suas batalhas, e tenho pena do dia que você vai estiver no lado dos perdedores.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

WiFi via satélite

Não sei se vocês sabem, mas quem tem internet OI geralmente possui um modem Technicolor que habilita automaticamente, sem qualquer controle ou ciência do usuário, um hotspot WiFi chamado Oi Wi-Fi Fon. Em outras palavras: qualquer pessoa cadastrada na OI pode acessar sua internet sem te pagar nada por isso.

A OI diz que "compartilha apenas 1M bit/s" da sua internet com usuários "cadastrados" só quando estiver "ocioso" e quando "você não estiver usando". OK, eu até aceitaria se me pagasse uma grana. Sem ciência do usuário é sacanagem...

Eu já fiz de tudo para desabilitar este WiFi, que para piorar e causar interferência, ainda é no mesmo canal da sua rede. Às vezes, até parece que você conseguiu desligar a desgraça, mas alguma coisa acontece e ela volta novamente. A minha solução final foi desligar completamente o WiFi e usar um roteador externo.

Quando o técnico veio aqui eu descasquei e pedi um modem novo, qualquer um, que pelo menos não forçasse o compartilhamento de um serviço. Ele teve a coragem, a astúcia, o sacanagem, de me dizer que a rede OI WIFI não vinha do meu modem: era de um satélite.

Eu desliguei o meu modem e a rede sumiu por um tempo, depois reapareceu, pois todos os vizinhos que tem OI tem esta droga habilitada. Eu não tinha como provar para ele que a rede não vinha "do satélite".

Você sabe qual a distância até o satélite? São 35 mil quilômetros! Eu ficava cada vez mais puto. Você acha que algum celular vai captar WiFi vindo de um satélite? Um sistema que não funciona mais de 500 metros! Você acha que celular tem antena parabólica? Você tá de sacanagem?

Mas a rede WiFi não sumia quando eu desligava o modem, apenas reduzia um pouco a potência. Pode até ser que a OI esteja colocando roteadores nos postes, mas no satélite é sacanagem.
O pior que o roteador da Technicolor da OI é tão ruim que o WiFi não passa de uns 30 metros. Que tecnologia avançada!

No auge da discussão o técnico me falou que onde ele mora, longe pacas, nem me lembro o nome, ninguém tem OI na vizinhança dele e mesmo assim tem a tal rede "OI WiFi de satélite".

Então eu perguntei, mudando totalmente de assunto: "nem você, que é funcionário da empresa, tem internet da OI?"

Ele respondeu: "eu não! Tenho um modem Vivo que é bem melhor!".

Eu desisti de discutir e saí rindo. Sábios são estes técnicos da OI. Não é?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Você lembra da sua faculdade?

Como exercício mental, resolvi tentar lembrar os nomes das disciplinas que eu cursei na Engenharia. Se eu não lembrar nem o nome, é porque não fez nenhuma diferença. Comecei com o básico: os três primeiros períodos entre 1997 e 1998.

Desenhei em um papel as três colunas, uma para cada período, e comecei a escrever. Cálculo 1, 2 e 3. Física 1, 2 e 3. Esses são fáceis.

Geometria analítica e geometria descritiva. Desenho foi no segundo ou terceiro período? Não, espera aí, são dois!

Teve aquele professor que ninguém entendia nada, o que ele dava mesmo? Era análise de alguma coisa...

Mecânica técnica, resistência dos materiais, eletricidade. Não, para tudo! Estas são depois do básico!
Tinha aquele velhinho que reprovava todo mundo, a maluca que chamava os alunos de idiota, o sem noção que dizia que não ia passar ninguém e o professor que cobrava a xerox da prova. Qual matéria eles davam mesmo?

Olhei para o papel e havia 9 disciplinas apenas. E uma delas eu só lembrava que era análise, não sabia do quê. Análise técnica? Estatística? Psicológica? Está última teria sido util...
Dei me por vencido e fui na página da Engenharia da UERJ procurando pela grade. Para minha surpresa, quase exatamente igual à minha época. Vinte anos atrás, direto do túnel do tempo do Vídeo Show.

Percebi então que eu simplesmente apaguei do meu HD cerebral duas disciplinas de química, uma introdução ao processamento de dados, cálculo numérico e mais algumas outras.

Triste como tanto tempo se passou e eu continuo não usando quase nada do que foi ensinado.
A Engenharia poderia ganhar muito atualizando sua grade como fazemos no técnico. Pena que a academia tanto dificulta a mudança, se separando completamente do mundo real.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Trapaça sem valer nada no PES 2017

O PES 2017, jogo de videogame de futebol do playstation 4 (e outras plataformas) tem um interessante modo contra chamado divisões online. Neste modo, você joga dez jogos contra jogadores mais ou menos do seu nível. Se você ultrapassar mais que um certo valor em pontos você passa de divisão. São 10 divisões.

Estava lá feliz na minha sétima divisão e no terceiro jogo pego um jogador nível 900. Meu nível é entre 600 e 700, então era um jogo duro. Eu pego o Real Madrid e ele pega a seleção da Bélgica.

Tenho que explicar uma outra coisa para que esta história faça sentido. Embora você possa pegar qualquer time, os mais fracos valem mais pontos caso você ganhe o jogo. Uma vitória com o Real Madri vale uns 300 pontos, com a seleção da Bélgica vale 500 e com o Palmeiras vale 600! Assim fica mais fácil subir de divisão.

Começa o jogo e o cara parte para cima. Nunca vi a seleção da Bélgica jogar tão bem! Chega na cara do gol umas três vezes nos primeiros 10 minutos. Bate até na trave! Lá pelos 20 minha defesa fura e eu tomo o primeiro gol.

Pensei logo: perdi o jogo! Ele continuava atacando e eu não tinha nenhuma chance. Mas resisti bravamente. Joguei feio! Foi chutão, falta, cruzamento na área e marcação sobre pressão. No final do primeiro tempo tive a primeira chance e empatei o jogo. Cristiano Ronaldo é fantasmagórico...

No segundo tempo continuei com minha tática. Chutão na defesa, cacete no meio campo e bola na área para o Cristiano Ronaldo. Resultado: virei o jogo, fiz 3x1 e finalmente 4x1!

Foi aos 40 do segundo tempo, com o jogo ganho, que começou a sacanagem. Ele entrava nas configurações, trocava um atacante pelo goleiro, caía no chão sem sentido, sem ninguém encostar, e tomava cartão vermelho. Depois de uns três expulsos, começou a dar erro de conexão de rede até que o jogo travou e acabou. 

Mesmo com 4x1, o servidor considerou o resultado como anulado. Ninguém ganhou ou perdeu! Vou na internet e percebo que trata-se de uma tática de "cheating". Ele causou os erros de rede (nas configurações do roteador?) para que o jogo fosse cancelado, e usou a estratégia das expulsões para ganhar tempo. Que pilantra!

Agora eu fico pensando: se não vale nada além de uma pontuação ridícula em um jogo online e o cara faz trapaça, imagine na vida real que vale dinheiro? Que situação triste!

Bola para frente...

domingo, 25 de setembro de 2016

Selva Amarela

Assisti aos capítulos finais de Velho Chico e achei a novela introspectiva demais. Foi incomum, atípico para o formato.

Até certo ponto interessante, pena que repetitivo, como todo tipo de produção com exibição diária.

Em um dado momento ouço Fagundes mandar um papo de "rouba mas faz", que parece ter sido o ápice da ideologia rala, mal pensada e desconectada da realidade que seguiu o folhetim.

Artisticamente falando, nota-se o absurdo da iluminação e maquiagem exageradamente amarela. Muito cansativa. Tudo se passa às 5 da tarde? O nordeste não é assim não...

Os diálogos lembram uma trama de cariocas que se mudou para as margens do rio São Francisco.

A fotografia é fantástica. Não podia deixar de ser. Fugiu, finalmente, do formato multi-câmera que regia todas as produções noveleiras da Globo. O que não se usa em drama desde a década de 70 nas TVs americanas.

Um avanço, pena que tão tarde. Continua difícil de assistir, como se fosse um remake artístico de "Selva de Pedra". Quem sabe "Selva Amarela"?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Lavillenie e as vaias


Eu não vi nada de absurdo nas vaias que recebeu o francês Lavillenie durante a final do salto com vara. Nem eu nem o jornal francês Le Monde, que aliás condenou fortemente seu compatriota pelos comentários ridículos nos comparando a nazistas.
A verdade é que Lavillenie não estava no seu melhor naquele dia. Quando tentou o salto que poderia ter-lhe dado o ouro pela primeira vez até tomou uma pequena vaia, mas depois muitos bateram palmas marcando o passo para a tentativa de seu salto, que naquele momento já desbancaria o brasileiro.


Depois que o Thiago Braz pulos seus incríveis seis metros e pouco, o francês se viu em posição de extrema pressão, e neste momento a multidão fez muito mal em vaiar. Deveria ter gritado Allez le Bleu e cantado La Marseillaise a capella e ainda sim veria Lavillenie perdendo a chance de seu derradeiro salto, pois havia errado há alguns minutos outros menos difíceis.

Sentiu a pressão, sentiu a dificuldade de fazer ao vivo, naquele momento, sendo o campeão mundial. Isso acontece com nossos atletas, com todo mundo na verdade. As vaias não foram 1% da sua derrota, e como grande campeão o francês deveria ter tido espírito olímpico para reconhecer isso.
Não cumprimentar o brasileiro foi a gota d'água. Dá-lhe vaia, agora totalmente merecida! Não duvido nada que se a situação fosse inversa o brasileiro seria escoltado a uma embaixada para ser imediatamente deportado.
Hoje 17 de agosto de 2016, em entrevista à Globo, Lavillenie afirmou que não quis dizer que o Brasil era nazista. O que quis dizer então? Isso não ficou muito claro. Pediu umas desculpas esfarrapadas e continua dizendo, embora de forma mais escorregadia, que a multidão reagiu com o mesmo tratamento que os nazistas deram a Jesse Owens. Ao que parece a vitória do Thiago Braz abalou muito mais que qualquer vaia ou ação que a gente faça. C'est la vie...
http://sportv.globo.com/site/programas/rio-2016/noticia/2016/08/campeao-olimpico-critica-lavillenie-por-nao-cumprimentar-braz-desrespeito.html

sábado, 9 de julho de 2016

Allez les Bleus droga nenhuma...

Procurei na imprensa internacional a história de que a frança "mudou" ou "está mudando" a legislação para extender a semana de trabalho para 80 horas e nada encontrei de primeira. NADA! Depois de muita procura, encontrei artigos do início do ano dizendo que o governo Francês está tentando discutir a possibilidade de mudança na semana de 35 horas atualmente adotada (desde 2000), e isso está gerando uma onda de protestos. Depois de procurar muito mais, encontrei no Le Monde que o senado Francês já revogou a semana de 35 horas, e sem esta cláusula a maioria dos trabalhadores deve trabalhar 39 horas. Nada de 80 na imprensa, mesmo em francês! Ninguém na França aparentemente está querendo mudar a legislação para 80 horas, estão querendo apenas relaxar a cláusula de 35 horas máxima, quem sabe para 38, 39, 40, 44, 48 ou 60? Não encontro nenhuma menção ao número 80. Veja este parágrafo do Le Monde publicado em 28 de junho (traduzido pelo Google Translate): "Entre as disposições mais emblemáticas aprovadas no palácio do Luxemburgo , existe a revogação total das 35 horas. Ela foi aprovada no exame do artigo 2º do texto, que estabelece a primazia dos acordos de empresas sobre os assinados pelos ramos do tempo de trabalho. Uma medida denunciada por vários sindicatos e parte da esquerda, porque seria susceptível de incentivar a proposta mais baixa sociais entre a empresa do mesmo setor. Senadores direita e centro , que apoiaram o artigo 2, ter alterado mediante a supressão do termo "horas oficiais de trabalho" para substituir por um "período de referência" a ser fixado pelo acordo de empresa ; na ausência de acordo, os trabalhadores repasseraient a 39 horas por semana." Veja este parágrafo do USNEWS de março deste ano: "The proposal technically maintains the 35-hour workweek, but allows companies to organize alternative working times without following industry-wide deals, up to a 48-hour workweek and 12 hours per day. In "exceptional circumstances," employees could work up to 60 hours a week." Aqui no Brasil toda a mídia golpista e mentirosa divulgou que a França já mudou para 80, e todo mundo acreditou! http://www.lemonde.fr/politique/article/2016/06/28/loi-travail-les-senateurssuppriment-les-35-heures_4959518_823448.html http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/france/12120927/France-reviews-its-35-hour-working-week.html http://www.huffingtonpost.ca/2016/03/24/france-presents-contested-reform-to-35-hour-workweek_n_9541224.html http://www.usnews.com/news/business/articles/2016-03-09/france-faces-day-of-protests-over-labor-reform-train-strike