terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Para um vestibular que DEScota! Cotas já!


Selecionei esta questão de uma prova discursiva do vestibular da UFRJ de 2007. Nesta prova, matemática não é específica, ou seja, questões como essa são freqüentemente aplicadas a candidatos de cursos como Biologia, Educação Física, História, Direito ou Medicina.

Quando um candidato obtém a correta solução da questão, tem-se a certeza de que este memorizou as propriedades e aplicações de logaritmo, bem como a concepção do que é uma função f(x). O que questiono é por que se considera que este candidato está mais apto a ser um melhor médico, advogado ou biólogo?

Será que na carreira de um médico ou advogado de sucesso são inúmeras as oportunidades onde se aplica o logaritmo da base 3? Na engenharia se usa logaritmo na base 10, na base 2 e natural, então talvez a questão pudesse até ter utilidade. Não se anime amigo candidato de área exata, na prova específica de matemática o buraco é mais embaixo!

Questões abstratas e sem sentido prático como estas nada provam, não selecionam adequadamente o candidato como base na sua inclinação para a área, ou seja, não apontam quais os melhores potenciais profissionais. No entanto, candidatos ao curso de medicina precisam acertá-la com certeza, pois qualquer deslize em qualquer questão pode custar-lhes a vaga.

Em um momento que tanto se fala sobre um sistema de cotas raciais e sociais, afirmo que discussão faz-se urgente e necessária, pois as questões de matemática, física e química dos vestibulares podem por si só criar um sistema de DEScotas, ou seja, podem selecionar apenas candidatos de colégios privados e cursinhos preparatórios.

Um professor de um colégio público encara muitos desafios, pois precisa ensinar conteúdos complexos para alunos que possivelmente possuem pais analfabetos. Disciplinas potencialmente abstratas como matemática parecerão intragáveis para uma sociedade onde ser traficante é o que há de melhor. Será bem difícil convencer que há utilidade prática em reconhecer que se log3C=2 então c=9.

A prova do vestibular já serve como DEScota para a entrada na universidade. Questões como esta são senhas distribuídas nos cursinhos e colégios privados para garantir que apenas brancos de classe A e B entrem na universidade. No pré-vestibular ou naqueles bons colégios pagos o professor repete este tipo de problema de forma incansável. Não haverá mérito algum em fazer esta questão em um piscar de olhos, mas servirá de pretexto para que se afirme que o filhinho-de-papai do colégio privado será melhor médico ou advogado que o morador da favela.

Aqueles que são contra as cotas normalmente pregam que deve haver igualdade de condições e direitos no acesso às universidade públicas. Pergunto-me, se baseado no que expus, alguém realmente acredita nisso. Talvez nem mesmo em uma sociedade perfeita pudéssemos avaliar a capacidade de um futuro advogado pelos seus conhecimentos de logaritmo.

Na nossa triste realidade, as provas de vestibular são como cães de guarda de uma sociedade racista, classista e preconceituosa. Imagino a imagem daquele professor catedrático corrigindo a prova e pensando de forma reprovativa: "este não sabe nada de LOG! Não chegará nem mesmo a zelador do hospital...".

Claro que não são os professores de matemática os culpados pelo preconceito da sociedade, muito menos pela DEScota das provas de vestibular. De qualquer forma, enquanto não encontrarmos uma forma mais justa de testar aptidão, acho que um sistema de cotas será perfeitamente viável. Será aceitável que alguns candidatos de colégios públicos ou grupos raciais minoritários e pobres sejam aceitos nos cursos com notas mais baixas. Não deveríamos reconhecer o potencial de quem não possui educação forma, mas consegue aproximar-se da resposta por regra de três?

Ah! Mas lá vem aquela ladainha de melhorar o ensino médio e fundamental primeiro e deixar de lado esta estória de cotas. Uma ótima solução, mas que não resolve o problema das inúmeras gerações de alunos de colégio público que não obtiveram a dádiva da boa educação, aquela que abre nossas mentes ao maravilhoso mundo do logaritmo.

A cota não é uma solução final, mas é o melhor remédio para tratar os sintomas. Na minha opinião é totalmente justo que metade das vagas seja destinado a alunos de colégio público. Deixe a outra metade das vagas para os que treinam e pensam em logaritmos dia e noite. Caso estes mesmo assim não consigam passar, papai pode pagar faculdade privada cara. Seria injusto continuar desperdiçando vagas para quem não aprende mesmo com todas as condições favoráveis.

Não podemos esquecer que no final das contas esforço, dedicação, ética e profissionalismo são muito mais importantes para o êxito em qualquer profissão, muito mais que qualquer conteúdo cobrado no vestibular.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Direitos trabalhistas!

A rede Globo e o empresariado começou recentemente campanha para aprovar e convencer que se mude a legislação trabalhista, a consolidação das leis do trabalho (CLT). Tentam tirar proveito do momento frágil da sociedade mediante as notícias de crise mundial, bem como seus possíveis impactos aqui no Brasil.

Na verdade, é bem antigo o comentário de que a legislação trabalhista no Brasil é ruim. Faz muito tempo que escuto a conversa de que bom mesmo é trabalhar nos Estados Unidos ou no méxico, onde não há férias ou décimo terceiro salário... bom para quem?

Trata-se de uma tentativa de convencimento midiático. A Globo e diversos meios de comunicação tentam espalhar a idéia de que menos impostos e direitos trabalhistas aumentarão a oferta de empregos e trarão benefícios à sociedade. Balela!

Uma empresa, pequena ou grande, terá apenas o número mínimo de funcionários para funcionar. Nenhuma empresa contrataria mais funcionários apenas porque ficou mais barato ou menos complicado. Qualquer direito retirado vai direto para os lucros, concentrando renda e tornando nossa vida ainda mais insuportável. O custo social será miséria e violência, para qualquer uma das mudanças trabalhistas sugeridas no fervor da discussão sobre a crise.

Neste últimos dias tenho ouvindo vários "especialistas" dizendo nos grandes meios da comunicação que algumas modificações trarão benefícios às empresas nestes tempos "difíceis" que estão por vir. Certamente beneficiarão as empresas, mas o impacto está fadado a ser muito ruim. Será que devemos mudar a lei para dar vantagens a estes empresários que só lembram dos funcionários quando há tempestade? Por que não repartiram o bolo nos tempos de bonança?

Tendo trabalhado vários anos em empresas privadas, percebi que a mentalidade do empregador é, com raríssimas exceções, aproveitar todas as possibilidades e brechas que a lei oferece para beneficiar-se, ou seja, para obter lucro. Todas as modificações da CLT devem ser bem pensadas, ou daremos carta branca para que façam o que quiserem.

Fala-se, por exemplo, em permitir que os empregadores dêem férias aos funcionários em até três partes de 10 dias. De pronto, esta modificação causará a diminuição dos contratos temporários, ou mesmo demissões. Se as empresas puderem alocar partes pequenas das férias dos funcionários em momentos oportunos, certamente poderão reduzir ainda mais o quadro, pois não precisarão de extras para cobrir férias.

Outro perigo é a extensão ou reinterpretação da legislação de banco de horas. Se funcionários puderem ficar alguns dias sem trabalhar para compensar aumentos de produção, o que impedirá as empresas de mandarem seus funcionários para casa por um mês inteiro? Querem produzir e nos explorar de forma desumana, gerando stress e problemas de saúde, para depois nos mandar passear sem pagar horas extras ou justos adicionais pelo tempo em que nos esgotaram.

Estão também falando sobre o chamado Layoff, a "brilhante" modificação na CLT que permitiria que a empresa mande para casa os funcionários que bem desejar sem quebrar o vínculo empregatício, mas também sem precisar pagar salários. Em tese, este tempo sem salário poderia ser prorrogado por até 10 meses, à critério da empresa.

Lógico que um pai de família desempregado por até 10 meses vai acabar procurando outro trabalho, e sem ser muito rigoroso com o salário. Acabará certamente encontrando-o em outra empresa por muito menos do que ganhava. Quando extinguir o prazo, o funcionário pensará duas vezes antes de voltar para seu emprego original, pois na prática os horários são os mesmos para todos e a maioria dos trabalhadores não pode ter dois empregos. Entre uma empresa que o mandou pastar por 10 meses e outra que paga um menor salário, é bem óbvio que quem tem família para sustentar vai preferir o certo ao duvidoso.

E que contrapartida ganhamos? Promessas que o salário e nível de emprego vão aumentar? Não acredito e não aceito! Devemos permitir mudanças sim, mas desde que haja vantagens para ambos os lados. Estão querendo fazer com que apenas as empresas saiam ganhando! Isso não é certo!

Se querem parcelar as férias, então tem que ser mais de 30 dias! Se querem colocar legislação de banco de horas, então cada dia trabalhado deve gerar dois dias de folga e o layoff, bom, este é para discordar sem discussão.

O fato é que a sociedade não é formada por grandes empresas, mas sim pelas pessoas que trabalham nestas. Países que não pensam assim certamente mudarão de opinião, cedo ou tarde. Devemos lembrar que se temos monitores Samsung, celulares Motorola e televisores LG, é por que diversas pessoas trabalharam duro para projetá-los, montá-los e vendê-los. São estas que a lei deve proteger, não as empresas e marcas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O voto e o interesse dos pobres...

Os ricos no Brasil ainda vêem os pobres
como malandros, que passam o dia a vadiar.


Esta última eleição para prefeito, principalmente na cidade do Rio e São Paulo, reacendeu uma discussão antiga e interminável: a forma com que votam as pessoas de baixa renda.

O assunto voltou à tona e apareceu na mídia em diversas análises sobre a candidata Marta Suplicy (PT), que perdeu em SP, e Eduardo Paes (PMDB) que ganhou no Rio de Janeiro. Ambos obtiveram expressiva votação nos bairros onde a média de renda e escolaridade são mais baixas.

Quando há uma clara diferença entre pobres e ricos na escolha de seu candidato, as opiniões da mídia sempre analisam o perfil do eleitorado de baixa renda encaixando-o no estereótipo do malandro, aquele que vive a vadiar. Ou seja, os pobres são lembrados como pessoas sem ambições, que passam o dia a dormir e a noite na boemia. Gastam tudo que ganham em bebida e moram na favela por opção, porque é mais fácil.

Todos estes jornalistas fazem parte da elite, graças a seus altos salários, e encaram a população de baixa renda como malandros. Assim, o comentário geral dos metidos a intelectual é sempre igual: que os mais pobres votaram em Eduardo Paes, Marta Suplicy ou no próprio Lula por causa do bolsa família, dos programas sociais e dos investimentos em áreas mais pobres. Vejam só! Votaram por interesse!

Lógico que dar camisa e lanches ou promessas de emprego deve ser considerado ilegal. Mas de qualquer forma, o eleitorado de baixa renda seria criticado mesmo que não fosse utilizado nenhum desses artifícios. Quem tem dinheiro acha que o voto do pobre é pura esperteza e interesse.

A elite confunde riqueza com intelectualidade e falta de dinheiro com malandragem, e assim ninguém criticará o interesse do rico em seu voto. Só que quando as altas classes sociais escolhem um candidato que promete diminuir impostos e abrir o governo à iniciativa privada estão cometendo o mesmo "voto de cabresto" que tanto reclamam.

Escondem-se sobre o véu da ideologia, mas são tão interesseiros quanto os que votam por um lanche. Vão se desculpar dizendo que diminuir impostos e entregar os gastos do governo à iniciativa privada é o correto para o Brasil ir para frente. Nem discuto se é ou não, mas o fato é que o voto é dado por interesse próprio, são pessoas que querem pagar menos impostos e almejam receber uma grande parte do bolo público. Esse é o bolsa-família dos ricos, um assistencialismo muito maior que na versão original.

Se o pobre é criticado porque vota no Lula para receber bolsa-família, uma visão deturpada e desconectada da realidade, é justo que também possamos criticar o topo da pirâmide quando escolhem os neo-liberais Serra e Alckmin querendo isenções fiscais e vantagens nas ondas de privataria. Desonestos, todos que quiserem ser serão, o interesse pessoal pode ser o maior fator na escolha do voto tanto para os ricos quanto para os pobres.

Ambos os lados escolhem seus candidatos pensando em melhorar de vida, em conseguir vantagens para si e para a parte da sociedade em que vive. E ninguém está errado ao fazer isso! O problema é a falta de respeito da mídia ao criticar o voto do pobre por interesse e esquecer-se vergonhosamente que a elite rica, com toda sua intelectualidade, também emprega os mesmos métodos.

A mídia precisa entender que todos os votos têm a mesma importância, ricos e pobres, e enquanto o segundo grupo for maior, a eleição será vencida por quem oferecer melhor condição de vida e vantagens para esta parte da sociedade. Nada mais justo que ouvir o próprio povo para saber o que é preciso fazer para melhorar o país, é um conceito antigo e justo, chama-se democracia.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Minha sogra e as telecomunicações.

Minha sogra nunca teve confortável situação financeira. Divorciada e com dois filhos para criar, o dinheiro era contado e os supérfluos poucos e controlados.

Mas nada do que poderia ser considerado primordial deixou de ser comprado. Minha sogra é dessas pessoas que muito se esmeram no trabalho e nunca poupou esforços para que algo faltasse em casa e na educação dos filhos. Sem luxo, logicamente, dentro do possível.

Como então, na década de 80, poderia minha sogra, pessoa com poucas posses, possuir um telefone? Antes da privatização, comprar uma linha custava, no Rio de Janeiro, mais de R$5000. Muito dinheiro para a maioria da população naquela época.

Mas ter um telefone era muito importante. Fosse para receber ligações de trabalho, dos colegas de sala dos filhos ou emergências de qualquer natureza. A opção para as famílias que não tinham recursos à vista era entrar para o plano de expansão da antiga Telerj.

Este plano era um absurdo em relação ao código do consumidor, em vigor apenas a partir da década de 90. O cliente pagava uma parcela mensal alta, que hoje seria algo em torno de R$300, por mais de dois anos. Não recebia o telefone tão cedo, mesmo ao término do pagamento, pois a linha só seria instalada quando houvesse possibilidade técnica.

Na época das centrais telefônicas mecânicas estas possibilidades técnicas não eram muitas. Hoje uma operadora pode instalar mais de 1000 telefones sem se preocupar com custos adicionais. Sistemas de multiplex digital, disponíveis atualmente, podem colocar vários assinantes em apenas um par metálico. Naquela época, 1000 telefones necessitavam de novos equipamentos, quilômetros de cabos e investimentos.

Minha sogra então fez um esforço e como de costume pagou religiosamente todas as parcelas do plano de expansão. O telefone só seria instalado anos depois... Lógico que tudo isso valeu a pena, pois a casa poderia ter finalmente um telefone, tendo apenas que pagar a conta no fim do mês, o que não seria um problema.

No mundo das telecomunicações pré-privatização, depois de pagas as inúmeras parcelas para aquisição da linha telefônica, a conta mensal em si era bastante barata mesmo para as famílias de baixo poder aquisitivo. Com utilização controlada, o pagamento mensal não era muito maior que alguns reais. Com uma nota de R$5 dava para pagar e ainda tinha troco!

Com o modelo de privatização executado por FHC, cada empresa ficou com o monopólio de telefonia fixa em cada estado. Telerj passou a se chamar Telemar, e agora chama-se OI. A população estava para conhecer o monopólio privado, que se mostraria muito pior que o controle estatal.

Com a privatização, a conta de telefone, que antes não passava de R$5 em 1994, foi aumentando gradativamente, muito além da inflação, para algo em torno de R$60 agora em 2008. Diversas famílias não podem pagar esta quantia absurda apenas para ter um aparelho fixo funcionando em casa.

Dessa forma, houve um retrocesso no tempo. Está certo que podemos agora ter telefone muito rapidamente, em alguns dias. No entanto o valor mensal que é cobrado pela tecnologia ultrapassada é absurdo. Com uma conta de R$100, que não é nada de anormal nos dias de hoje, pagaremos, em cinco anos, o valor que o telefone custava na época das centrais mecânicas, e não teremos direito a contas baratas e nem mesmo a posse de ações da empresa.

Ficaremos eternamente no plano de expansão da Telerj e eles não precisam mais nos dar desculpas de impossibilidade técnica. A roubalheira foi legalizada, a privatização nos tornou ainda mais obsoletos do que éramos.

Mas voltando a minha sogra. Recentemente, por um erro que a operadora não admite, não corrige e não se importa, a conta da OI passou de R$100 reais! Por que ela deveria continuar a pagar por um serviço que usa basicamente apenas para receber chamadas? O celular também servirá a este propósito, e deve-se apenas colocar R$20 reais de crédito de 3 em 3 meses para não perder o número.

Então o antigo telefone do plano de expansão foi infelizmente cancelado, depois de tanto esforço. O problema não foi apenas a conta mensal, que está exorbitante em relação ao simplório serviço oferecido. O atendimento e a qualidade é tão ruim quanto na década de 80, ou ainda pior! Não se dá a mínima para o cliente, e isso tem fácil explicação.

Mesmo com preços altos, a OI atualmente é a mais barata operadora de telefonia fixa, ou seja, todas as outras são ainda piores. A privatização afastou o telefone das classes de renda mais baixa, piorou o atendimento e só não piorou totalmente o serviço pois a tecnologia tornou tudo mais simples e viável.

A classe A e B pode agora ter telefones ao estalar dos dedos. Pode ter internet banda larga, conta de celular integrada ao telefone fixo, identificador de chamadas, chamada em espera e outros serviços. No entanto, para a maioria da população, assim como minha sogra, o telefone fixo fica muito caro e distante.

Por um lado demos acesso rápido e fácil ao serviço de telefone fixo para as classes ricas, que no fundo quase não o usam, pois a maioria tem planos de celular com muitos minutos. Em contrapartida, classes com renda mais baixa não conseguem pagar a conta, e preferem ter um celular de cartão, usado apenas para receber ligações e fazer chamadas de emergência.

Onde está o telefone de tarifa popular que foi prometido? Onde está a Anatel que deveria regular estes absurdos? Temos que aproveitar a onda de estatizações provocada pela crise mundial e interferir na privatização absurda feita nas telecomunicações brasileiras. Temos que acabar com a telefonia fixa elitizada que faz com que a maioria da população more na década de 80 da telefonia, enquanto outras desfrutam da tecnologia.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Por que não gosto de Gabeira?

Para mim, Fernando Gabeira foi uma das maiores desilusões na política dos últimos anos. Tendo participado da luta armada, do MR-8, do sequestro do embaixador americano e de tantas e inúmeras lutas no PV, esperava discordar dele em diversos assuntos, mas nunca vê-lo ao lado do PSDB que tanto criticou.

Sou contra a legalização das drogas, bandeira tão defendida por Gabeira, e acho a maioria dos ecologistas pouco razoáveis nas questões que discutem. No entanto, sempre considerei a estrela do PV uma grande figura do pensamento político brasileiro. Até bem pouco tempo.

Mas antes de continuar com este texto, vamos a uma rápida retrospectiva política. Antes de Lula assumir a presidência, com a eleição de 2002, existiam dois grandes grupos no PT: os que queriam ser oposição eternamente, que lutavam e gritavam de forma ferrenha contra o poder vigente, e os que se esforçavam para conseguir eleger Lula, governadores e prefeitos, aqueles que queriam botar a mão na massa.

Quando Lula foi eleito, não demorou muito para que o PT se separasse. A parte rebelde não poderia continuar com o mesmo discurso e passar a ser situação, pois neste caso seria oposição de si mesma e isso não faria sentido. Muitos nomes deste grupo migraram para a extrema esquerda, para o PSOL e PSTU, onde podem continuar a defender suas infames e utópicas idéias como as pérolas "Corrente Socialista dos Trabalhadores" ou então "Socialismo Revolucionário".

Mas voltando ao principal, Gabeira era parte daquele primeiro grupo dos rebeldes sem causa que integravam o PT pois viam no partido terreno para suas mirabolantes elucubrações. Assim que Lula assumiu e passou a lidar com problemas reais, que requerem soluções às vezes não tão perfeitas, Gabeira declarou que "sonhou o sonho errado" e se desfiliou do PT, voltando ao PV de origem.

Até aí nada demais, pois muitos políticos do primeiro grupo se desfiliaram do PT. O problema foi o que Gabeira fez depois. Agora em 2008 ele tenta se eleger prefeito do Rio de Janeiro em aliança com o PPS e o PSDB!

Heloísa Helena, Cristovam Buarque e Chico Alencar também saíram do PT, mas nunca apoiaram ou aliaram-se à oposição que outrora tanto rechaçaram. Esta atitude de Gabeira não pode ser vista de outra forma além da total ausência de ideologia. Nunca achei que isso fosse acontecer com uma figura tão coerente com suas idéias.

Esperava isso de ACM neto, e nada me surpreendeu quando este disse recentemente que trabalharia junto à Lula após ter declarado no passado recente que daria uma surra no presidente. O DEM e o PSDB não são possuem rigidez ideológica, se adaptam de acordo com a necessidade. Alckmin, por exemplo, já foi responsável por privatizações durante o governo Covas e adorador das estatais durante a campanha para presidente em 2006.

Mas Gabeira não era assim. Defendeu os homossexuais, a descriminalização dos usuários de drogas e a legalização da prostituição. Temas polêmicos nunca foram carro chefe de nenhum político vaselina do DEM ou PSDB. Para que serve então, esta aliança com a oposição de direita?

Sem a resposta para esta pergunta, não tenho como ver com bons olhos a candidatura à prefeito de Fernando Gabeira. Não concordo que um político seja tão antagônico a ponto de ter pertencido ao PT e agora passar para o quadro do PSDB, partido que destruiu e vendeu o país em oito anos de governo.

É realmente intrigante como um defensor de propostas polêmicas e revolucionárias agora deseja manchar sua biografia se aliando ao partido de FHC. Leva-me a crer que talvez suas ideologias não eram assim tão fortes, e afinal foram empregadas apenas como trampolim para tornar o militante do PV conhecido em todo o Brasil.

Espero realmente que eu esteja errado, mas até lá, olho neste cara! Se está entre os lobos, deve apenas ter pele de cordeiro...

Para quem vota no PV nesta eleição em 2008, esteja ciente que no fim das contas será como se estivesse votando também em FHC, Alckmin, Serra, Arthur Virgílio e outros ícones tucanos da nefasta política brasileira. O custo político desta aliança que Gabeira fez com os tucanos foi ter sua imagem associada à terrível administração do PSDB no governo federal, em São Paulo e em outros estados. Vai ser difícil convencer às pessoas que isso não é verdade.

Não quero mudar o voto de ninguém, mas o meu será dado certamente a outro candidato. Sou membro com orgulho da comunidade "PSDB nunca mais" no orkut, e estes tucanos não me enganam, mesmo disfarçados de Partido Verde.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bolívia, o Brasil que não poderíamos ser...

A confusão na Bolívia criada pela oposição, e que é tratada pela mídia local como culpa de Evo Morales, não poderia estar se repetindo aqui no Brasil.

Muita gente acha que se Lula tivesse sido tão incisivo quanto Chávez (Venezuela) e Morales na distribuição de renda, na partilha da riqueza das estatais e na justa apropriação da algumas empresas privadas, poderíamos estar perto do conflito armado e do separatismo de nossos estados do poder central, enfim, na iminência de um golpe de estado.

Apoio para este movimento certamente haveria, o PIG apoiaria de forma irrestrita que o governo de São Paulo liderasse um movimento anti-Lula, de forma semelhante às províncias ricas da Bolívia que recebem apoio da imprensa local.

Por que isso não acontece no Brasil? Na verdade foram feitas diversas tentativas, todas sem qualquer êxito.

Desde o primeiro governo de Lula a imprensa tentou de tudo para causar as mesmas revoltas da Bolívia criando crises institucionais e políticas. Primeiro foram os sanguessugas e depois o ficcional mensalão. A seguir foi a vez das contas falsas de Lula e de integrantes do Governo nos paraísos fiscais, bem como a louca denuncia do dinheiro de Fidel nas caixas de uísque. Tentou-se também criar problemas com o desmatamento, com a falsa epidemia de febre amarela e mais recentemente tenta-se emplacar a "crise" dos grampos ilegais.

A verdade é que o Brasil é diferente da Bolívia em um ponto crucial. Lá a população pobre, de descendência indígena, habita principalmente as províncias do oeste enquanto os ricos ficam no leste. Há tensão separatista, duas realidades que convivem distantes uma da outra.

No Brasil a favela está na esquina das mansões. No Rio de Janeiro, por exemplo, a população rica da zona sul convive lado a lado com a classe média e com as comunidades pobres, tendo que compartilhar a violência, a confusão do transporte público e às vezes até mesmo o sistema de saúde e educação. Os jornais do tipo O Globo e as revistas como a Veja não conseguem polarizar a população por mais de um quarteirão, pois os pobres vivem pouco separados dos ricos, e sabem muito bem como Lula fez bem para sua vida.

Comitês cívicos como os que protestam contra Morales também existem aqui no Brasil, mas não conseguem apoio da população de um estado inteiro. O movimento Cansei, por exemplo, é bastante semelhante ao liderado por Blanko Markovic na Bolívia, mas não obtém sucesso em suas empreitadas.

A população pobre está no centro de São Paulo, do Rio de Janeiro e de todas as grandes capitais e achará ridículo as reivindicações e choradeiras direitistas. Perceberá que sua vida melhorou com Lula devido ao pro-uni, aos CEFETs, ao bolsa família e à diminuição do desemprego. O Brasil nunca será uma Bolívia devido à mistura social de suas grandes cidades.

Por isso é hora de Lula usar sua popularidade para promover grandes movimentos sociais. O país está no rumo certo mas precisa de mais educação, saúde e emprego se quiser tornar-se potência mundial. Aqui pode-se deixar os comitês cívicos e movimentos de direita à vontade pois o máximo que conseguirão é reunir uma dúzia de madames e atrizes da Globo para fazer protestos vazios e espalhar bandeirinhas, cruzes e lacinhos sem qualquer proposta.

Promover mudanças profundas na distribuição de renda será o desafio do final do governo Lula e dos próximos que virão. Não devemos ter medo dos golpismos da mídia pois nunca encontrarão apoio. Estamos com a faca e o queijo na mão comendo o primeiro sanduíche, aguardem pois o banquete será servido.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Criança Esperança - Ter um amigo?

Milhões de informações malucas circulam na internet sobre a campanha anual da rede Globo conhecida como Criança Esperança (CE). Os boatos são tão freqüentes que recentemente a própria Globo resolveu incluir em seu discurso que as "doações ao CE são depositadas diretamente na conta da Unesco". Há também muitas propagandas veiculadas em horário nobre que tentam mostrar a idoneidade da instituição e dos programas assistenciais.

O que quero questionar é que a Unesco é uma organização internacional, e isso que significa que a administração dos recursos oriundos do CE é feita por interventores nomeados pela Globo e pela própria Unesco. Por que deveríamos confiar nestas pessoas?

Não é a honestidade que eu coloco em foco, é adequação às nossas necessidades. Por que precisamos de uma ONG internacional para indicar projetos e propostas, ou seja, para administrar nosso dinheiro no nosso próprio país. Que recado o Brasil passa para o resto do mundo? Ineficiência, incapacidade, burrice?

As pessoas fazem as doações sem parar para pensar que estes mesmos recursos poderiam ser gerenciados pelo governo e aplicados em educação, saúde e habitação. Poderiam ir para as regiões que realmente precisam, de acordo com a forma que a gente achar melhor. A Globo não é governo e não tem autoridade para decidir o que é melhor para o povo, muito menos a Unesco.

Além disso, muitas dúvidas surgem e mostram a falta de transparência do Criança Esperança. Quais critérios são adotados para escolher um projeto em detrimento de outro? Como garantir que os recursos sejam aplicados de forma a realmente promover o bem estar social, não apenas uma maquiagem assistencialista para aparecer na TV?

Se o governo recebesse estas doações também poderia fazer assistencialismo eleitoral, sem dúvida, mas pelo menos a sociedade brasileira teria participação no processo de escolha do emprego dos recursos. Vereadores, Senadores, Prefeitos e Governadores são eleitos pelo Povo, e representam sua vontade. Quem não estiver satisfeito com a forma com que o dinheiro público está sendo investido pode encher as caixas de e-mail de políticos e partidos, pode fazer manifestações, escrever em blogs na internet e até mesmo votar em outros que melhor alinhem-se com sua ideologia. A eleição é o momento em que eu escolho quais políticos representarão minha vontade nos próximos anos.

Voltando ao CE, Segundo esta página, os projetos são escolhidos através de uma comissão de especialistas, os tais interventores, da Unesco e da TV Globo. Ou seja, estas pessoas elegeram a si mesmas representantes do povo e administrarão recursos doados da forma como melhor convir. Que absurdo! Quem faz doação deve pensar nisso, pois é com este dinheiro que a Globo e estas pessoas estão querendo agir como o governo, escolhendo quem merece ser agraciado com recursos.

Na minha opinião, se o Criança Esperança tem realmente boas intenções deve abrir suas contas e responder com transparência e honestidade as seguintes perguntas:

- As propagandas que patrocinam os shows são pagas? Este dinheiro é depositado em sua totalidade nas doações? Qual o valor?

- Os artistas recebem ou pagam para aparecer? Para onde vai ou de onde vem estes recursos? Qual o valor?

- Os técnicos e profissionais recebem normalmente, incluindo horas extras? Se sim, quem paga estes custos? As Doações, a Unesco ou a Globo? Qual o valor?

- A Globo debita algo no seu imposto de renda? As doações, o custo do show, o tempo de programação, o custo com funcionários?

- A Globo fica com alguma parte das doações, da propaganda ou qualquer outra parte para cobrir seus custos? Se fica, quanto?

- Qual o salário dos Especialistas da Unesco e da TV Globo? Quanto ganham coordenadores, colaboradores, consultores e principalmente aqueles que julgam os projetos? Quem paga estes salários? A Globo, as doações ou a Unesco? Qual o valor?

Ninguém sabe nada disso. Há muito menos transparência no Criança Esperança que na maioria dos projetos e licitações do governo. Acho que é dever da emissora tornar isso mais claro para seus doadores. Se quer fazer política social como se fosse governo, então tem que fazer com transparência. É um direito de quem está fazendo as doações!

Não tem gente que se irrita quando lembra que o povo paga mais de 10 mil reais de salário para um senador? Será que alguma parte das doações é paga para diretores, interventores, colaboradores ou alguém mais da Globo ou da Unesco? Quero saber isso!

Tem que dar exemplo, não é mesmo? Se possui um jornalismo que tanto cobra do governo por seriedade, por uso honesto e não-eleitoreiro do dinheiro público então o mínimo que se espera é que tenha este mesmo ímpeto para responder todos os boatos que existem, e tornar o Criança Esperança mais respeitoso com seus milhões de doadores.

Como diz a música, "na vida é tão bom ter amigos"! Não tenho dúvida disso, mas desconfio que desta forma somos mais amigos da Globo do que de quem precisa...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Os dois lados da história do regime militar...

Para minha surpresa, em uma enquete promovida pelo jornal O globo, cerca de 68% acham que não deveria "haver punição para a tortura durante o regime militar".

Estranho. Leitores de O Globo são conservadores e gostam de culpar a tudo e a todos. Jogam tudo na fogueira. Querem bandido morto, pregam que todos no governo são corruptos e até chamam empresário de bandido. Pobre então, é tratado pior ainda.

Por que então são a favor de não se punir os militares que torturaram, estupraram e mataram famílias inteiras? Parece-me estranho que os leitores que jogam tudo na fogueira agora querem ouvir o outro lado da história. Nunca quiseram... Deixo esta reflexão para meus leitores, este não é o motivo deste registro.

O que eu quero escrever é sobre este outro lado. O que fez de tão escabroso assim a esquerda? O que fizeram de tão ruim os revolucionários socialistas, comunistas e outras ideologias? A acusação é de que também tenham feito torturas, assaltos e assassinatos. Será que é verdade?

Infelizmente é. Sinto desgosto quando escuto isso pois não posso refutar. A esquerda promoveu sequestros, matou policiais e outros civis inocentes. Tudo em prol de ideologias que pregavam exatamente o contrário. Isso é triste.

E o regime militar, o que fez? Pior ainda. Matou centenas, muito mais que a esquerda. Muitos eram revolucionários e loucos perigosos, mas a maioria era de professores, sindicalistas e jovens estudantes que queriam apenas ter sua opinião ouvida por todos. Muitos dos meus professores relatam terem sido presos, alguns tiveram colegas torturados ou amigos e familiares que desapareceram completamente.

A diferença entre os crimes da esquerda e da direita é muito grande. Enquanto a esquerda cometia crimes, alguns muito sérios, empregando incorretamente suas ideologias, o regime usava o seu poder de estado, a máquina, para cometer abusos indescritíveis dos direitos humanos. Isso é muito pior...

Digo pior pois o estado não pode agir como bandido. Se um seqüestrador revolucionário mata policiais e tortura vítimas inocentes, o estado não pode também torturar toda a família do criminoso para obter informações sobre seu paradeiro. Não está certo. Se acharmos isso justo estaremos nos nivelando à mesma estupidez e desumanidade do que de pior existe na nossa espécie.

Se quem deveria promover a democracia, os direitos humanos e a cidadania usava as mesmas armas ou piores para agir contra a esquerda, então está errado. Não é porque "é guerra" que devemos nos igualar aos nossos mais cruéis inimigos.

O estado deveria dar exemplo. Deveria ter usado a inteligência, ao invés dos choques elétricos e sessões de pau de arara. Não foi capaz de distinguir quem era realmente bandido e quem queria apenas propagar suas idéias a seus alunos e à sociedade. Não foi capaz de separar criminosos de rebeldes juvenis. Não foi capaz de perceber onde terminava a ideologia e começava a luta armada.

E pior ainda. Não foi capaz de julgar, de punir, de desarticular a bandidagem verdadeira e promover a democracia. Usou métodos piores que os piores bandidos com a intenção de nos proteger, e sem o nosso consentimento.

Para concluir, quero dizer que há uma grande diferença de quando o bandido, seja ele quem for, mata e tortura para quando o estado faz o mesmo. O bandido não tem freios, moral ou valores. Deve ser preso e assim separado da sociedade.

O estado, no entanto, é o poder que emana do povo. Se nós não achamos tortura uma coisa certa, se não queremos isso na nossa vida, se não votamos e concordamos com estas técnicas desumanas, então o poder vigente da época o fez à revelia. E deve ser punido no maior rigor da lei.

Que se abram os baús da ditadura. Que se encontrem os torturadores, torturados e bandidos. Que se punam todos os crimes, de ambos os lados. Mas que se faça isso sabendo-se que o estado não deveria ter usado, de forma alguma, os mesmos métodos dos bandidos que lutamos tanto para prender. Não podemos deixar de punir àqueles que cometeram crimes à humanidade ou estaremos sendo complacentes com estes, e nos tornaríamos ainda mais vis e cruéis quanto os piores bandidos.

domingo, 6 de julho de 2008

Como os livros de história descrevem a época de FHC?

Livros de história, do ensino médio ou fundamental, são normalmente atrasados cerca de 10 a 15 anos, ou seja, necessitam deste tempo para incluir novas épocas em seus conteúdos. Como estamos em 2008, os livros de história conterão acontecimentos até 1993, ou na melhor das hipóteses até 1998.

Isso significa que os livros que cobrem o primeiro e segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso foram possivelmente escritos há pouco tempo. Como será que contam a história de FHC?

Meu receio é que os livros não sejam tão fiéis aos fatos, pois em geral historiadores baseiam suas descrições em recortes de jornais, revistas, programas de rádio e TV. Se estes meios eram tendenciosos na época, então os livros também serão.

A nossa mídia possui uma forte inclinação à direita, uma preferência clara ao PSDB e ao DEM. Dá para notar quando a Globo resolve não comentar um escândalo de São Paulo ou de Minas, governados pelo PSDB, ou enaltecer a oposição no congresso, mesmo que esta não corresponda à maioria ou vontade popular. Possui claramente dois pesos e duas medidas pois enquanto é rigorosa com o governo federal, esquece dos escândalos que envolvem seus aliados Tucanos e Demos.

Quando a mídia, falada ou escrita, faz retrospectos históricos, sempre citam a "estabilização" do Real conseguida por FHC, como se esta fosse um marco na nossa história. Os livros didáticos também farão isso, sem dúvida, pois possuem tendência a usar como base publicações da própria mídia.

Será que farão a famosa citação de que "os resultados da economia no período de FHC são ruins pois o cenário econômico mundial ia mal"? Dirão também outra pérola, de que "FHC colocou o país no caminho certo e Lula foi beneficiado com isso"? Certamente que sim...

E isso é lorota? Lógico! É uma interpretação cega e parcial de algum partidário político. São ideologias, não são análises históricas. Mas é isso que a mídia disse, por diversas vezes, e é isso que registrarão os livros didáticos.

Certamente dirão que "Lula é um sortudo", que conseguiu tudo graças ao "bom cenário econômico mundial", mas que foi FHC e sua enorme sapiência que "orientou o Brasil para o crescimento". Meu deus, até dói escrever isso, mesmo por brincadeira.

O que realmente aconteceu no período FHC não fará parte das ementas dos livros didáticos, mas felizmente está amplamente registrado nos blogs e na internet. Não sou professor de história, mas deixarei aqui as impressões de alguém que viveu o plano real, que encontrou seu primeiro estágio e emprego durante esta época, que lutou em um país quebrado e à beira do abismo. Uma época menos dura que os anos de chumbo da ditadura, mas igualmente traiçoeira.

Como eu consegui sobreviver? Sorte ou Deus? Deixo para que meus leitores reflitam:

- Ao final de 93/94, quando eu ainda era aluno do curso técnico de Eletrônica no CEFET, o Brasil sofria uma inflação absurda. Algo como 40% ao mês. Fernando Henrique Cardoso (FHC), na época ministro da fazenda, percebeu que quem conseguisse controlar a inflação cairia nas graças do povo.

- Então foi idealizado o plano real. A moeda da época, o Cruzado Novo, foi indexada ao dólar criando a URV (Unidade Real de Valor) que seria reajustada de acordo com a valorização do dólar.

- Com medo de que FHC congelasse os preços e impedissem aumentos futuros (como havia acontecido anteriormente), o comércio aumentou muito os preços preventivamente. A inflação estava nas alturas quando o plano Real veio à tona. A URV seria a nova moeda, denominada apenas Real.

- Como a inflação seria medida apenas a partir da criação do Real, O absurdo aumento de preços em cruzados novos foi totalmente ignorado. Muitas pessoas entraram na justiça reivindicando perdas em cadernetas de poupança e recentemente ganharam, provando que isso foi verdade.

- A partir do plano Real, a inflação na nova moeda diminuiu consideravelmente. Na verdade, os preços estavam altos demais, e muitos meses se passaram até que o governo precisasse fazer algo para realmente combater à inflação em Real. Em outras palavras, tivemos uma inflação absurda não registrada e a seguir pequenas deflações anotadas como se fossem um marco na história Brasileira.

- Assim, FHC foi eleito presidente do Brasil pela primeira vez. Um golpe, não parece? Mas ninguém dirá isso nos livros didáticos... FHC era um mártir de uma mídia totalmente vendida. Todos os meus professores do CEFET contavam esta história, ouvia-se isso em todas as "conversas de bar", em todos os "papos de farmácia" e pontos de ônibus. Alguem publicou isso? Era tabu falar mal de FHC, ele era um gênio, enganara a todos.

- FHC continuou controlando a inflação durante todo o seu primeiro mandato, mas não da mesma forma. Agora a idéia era simples: Sempre que a nossa moeda era corroída pela inflação, o governo usava as reservas internacionais do país para colocar mais dólares no mercado. Com isso o dólar diminuía de preço, por que havia mais oferta, e nossa moeda se valorizava novamente.

- Mas e quando as reservas acabassem? Por sorte de FHC isso só foi acontecer às vésperas da eleição de 1998. Para impedir que a inflação aparecesse e que a imagem de FHC fosse manchada, o Brasil recebeu dinheiro do então presidente dos Estados Unidos Bill Clinton para continuar mantendo o dólar baixo. Foi dinheiro extra, além do que recebeu do FMI... Com a inflação controlada FHC derrotou Lula novamente em 1998, desta vez no primeiro turno.

- Será que alguem falou isso na mídia? Alguém desmascarou FHC? Lógico que sim, mas não era publicado. Era gente do PT, como o próprio Lula, além do pessoal de sindicatos e intelectuais. Não adiantaria nada... A imprensa estava embriagada com FHC, seu mártir, "O Farol de Alexandria que ilumina o passado e futuro", como diria Paulo Henrique Amorim.

- Com apenas alguns dias no segundo mandato, FHC desvalorizou o real e colocou o Brasil no trilho certo! Para o abismo, lógico. Tivemos que nos submeter ao FMI diversas vezes, cortamos todos os investimentos, tivemos apagão elétrico, cortes em educação e saúde. Passamos por tempos muito ruins, com empresas como a própria Globo à beira da falência.

E eu? Em 96, antes do primeiro mandato de FHC, fui trabalhar na Globosat. Com o colapso do Dólar no segundo mandato de FHC quase perdi o emprego. Que empresa manteria um funcionário que trabalhava pouco e estudava muito?

A sorte foi que a Globosat começou a vender sua programação para Portugal e Europa. Com o dinheiro europeu entrando foi possível sair do sufoco, e eu não fui um dos quase 50 demitidos no que o pessoal chamava de "a barca dos desesperados". Eu não resistiria à uma segunda "barca", estou certo disso. Quantos perderam seus empregos em diversos setores da economia?

Hoje como professor do CEFET, o que mais me irrita nestes livros é esconder totalmente a degradação promovida por FHC a todas as instituições públicas no Brasil. Tudo foi cortado, privatizado, destruído.

Talvez alguns alunos, ou mesmo pais de alunos, não saibam que o CEFET estava para ser privatizado ao fim do mandado de FHC, e só não se levou o projeto à cabo pois Serra foi derrotado por Lula em 2002.

Se as idéias do então ministro Paulo Renato, do segundo mandato de FHC, tivessem sido implementadas, o CEFET passaria a usar dinheiro público para dar formação técnica fraca a apertadores de parafuso, montadores e outros interesses do mercado. Formação técnica de qualidade como eu recebi, não seria dada a mais ninguém. Nada mais seria bom e de graça.

Diante das baixa confiabilidade dos livros, cabe aos professores ressaltar as divergências de opinião apontando diferentes leituras, formando pessoas capazes de discernir ideologias de fatos. Cabe aos educadores dar instrução para aqueles que um dia serão eleitores e farão parte da história, e deseja-se que sejam capazes de compreender com orgulho um passado contado de forma correta e imparcial, além de construir algo muito melhor para nos orgulharmos ainda mais no futuro.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Como subir na vida sendo jornalista?

Todos sabem que a faculdade de Jornalismo é fortemente inclinada à esquerda. Quase todos os jornalistas e estudantes, na década de 80 e 90, eram filiados ou simpatizantes do PT e da esquerda de forma geral.

Não apenas as faculdades de Jornalismo e Ciências Sociais, mas também todos os centros acadêmicos politicamente ativos. Quem se interessava por política normalmente se filiava a partidos de esquerda. Militância conservadora de direita soa engraçado, e é raramente encontrado neste meio.

Devido ao próprio caráter confrontativo da faculdade de Jornalismo, já era de se esperar que a maioria dos recém-formandos estejam hoje inclinando-se para a esquerda radical, como o PSTU, PSOL ou PCO. A minha sensação é de que os esquerdistas pró-governistas e esquerdistas radicais devem somar algo como 99% de todos os jornalistas formados no período pós-ditadura, desde a década de 80 até hoje.

O que me preocupa é o número de jornalistas com grandes salários e visibilidade. Os colunistas do Jornal O Globo, por exemplo, são todos claramente pró-FHC, anti-Lula e, por conseguinte apóiam a direita neo-liberal que governou o país na década de 90.

De onde estes caras vieram? Arnaldo Jabor, Noblat, Lucia Hippolito e Míriam Leitão não possuíam esta inclinação durante a faculdade ou faziam parte dos 1% direitistas? Como subiram no meio jornalístico sendo tão diferentes dos demais, e tão diferentes da forma de pensar da população, já que quase 60% apóia o presidente Lula.

Na minha opinião, compartilhada por outros colegas do meio jornalístico, é que 99% dos que trabalham na área continuam possuindo forte ideologia de esquerda, mas são os outros "preciosos" 1% que sobem na vida. Quem tem visão diferente do chefe não consegue prosperar, apenas sobreviver.

Dois episódios recentes dão suporte à minha teoria, o caso Paulo Henrique Amorim e a recente ascensão de Lúcia Hipólito à condição de "blogeira do Globo".

Paulo Henrique Amorim tem uma opinião bastante inclinada à esquerda, ou pelo menos ao governo. Seu destino foi ser demitido do IG e quase foi impedido de levar seu conteúdo para outro site. Episódio já previamente comentado neste Blog.

Com Lúcia Hipólito aconteceu o inverso. Falou mal do Lula, em seus comentários na CBN, de forma ridícula e preconceituosa, comparou-o ao técnico Dunga da seleção, em uma observação digna de quem nem mesmo se presta a ler as pesquisas que mostram aumento de renda e diminuição do desemprego. Destino? Promovida a "Blogeira do globo".

Em qualquer área de atuação a promoção depende do crivo do chefe, que inevitavelmente indica quem ele mais gosta, independente de suas habilidades. Isso talvez explique porque jornalistas sem qualquer formação, mediócres, conseguem ser tão famosos e ter cargos tão cobiçados nos nossos jornais mais influentes.

O jornalista recém-formado terá, dessa forma, duas possibilidades: manter a sua ideologia e para sempre possuir o status de operário ordinário, ou virar a casaca, passar a martelar o Lula de forma mais agressiva possível e cativar os superiores com habilidades além da capacidade jornalística. Apenas isso pode explicar como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi atingiram postos tão superiores à sua capacidade. Eles não têm estilo, não escrevem bem, não são a voz da nova geração, ou mesmo da geração passada, mas possuem a opinião que agrada seus chefes.

Resta a mim não ler estas porcarias. Se eu tivesse querido saber a opinião dos meus chefes sobre a sociedade ou governo, eu teria perguntado a eles, ou leria a revista Exame. O Globo, Veja, Estadão e Folha, entre outros, são instrumentos de massificação da opinião dos empresários da imprensa, que querem mesmo vender o país, acabar com programas sociais e gastar onde mais interessa a eles, na parte nobre de São Paulo.

Sem querer, dei aqui a receita de bolo para conseguir sucesso sendo jornalista. Resta saber se integridade, honestidade, hombridade e dignidade serão mais fortes que dinheiro e fama, podemos apenas ter esperança que não sejam.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Regularizar já a propaganda de bebidas

Quem tem mais de 20 anos de idade, talvez 30, lembra bem as peripécias da indústria do marketing de cigarros. Uma coletânea dos comerciais de Hollywood, como a mostrada abaixo, deve ter incentivado o vício por muitas gerações.



Não há dúvida de que a propaganda estimulava o consumo. Os comerciais, como os de Hollywood, conseguiam associar o cigarro a uma vida de aventuras e alegrias. Outros, como o Free, alegavam que o produto elevaria o status cultural do consumidor.



Mas tudo isso era mentira! Ninguém que fizesse uso destes produtos teria sua vida semelhante à estes comerciais. Se era enganação, então como dava certo? Como convenciam o grande público com um argumento tão desvinculado à realidade?

Propagandas sub-liminares à parte, o grande mérito dos comerciais de cigarro, que eram muito bem produzidos, era tentar dar a impressão de que o produto poderia suprir necessidades de pessoas com problemas de confiança, auto-afirmação e auto-estima.

Os jovens, logicamente, eram o público alvo destes comerciais. Todos os atores de ambas as peças apresentadas têm perto dos 20 anos. Quem tem (ou teve) esta idade sabe que auto-afirmação é o que o adolescente mais busca, usando o cigarro como muletas.

O governo, frente aos grandes custos de saúde causados pelo tabaco, não teve dúvidas em acabar com as propagandas. O jovem, não vendo os anúncios, procurará outros meios de buscar auto-estima. A proibição não foi ruim, o cigarro causa vários tipos de câncer, enfisema e outras doenças.

Na minha opinião, a busca por auto-confiança dos jovens está hoje centrada no consumo de bebidas alcoólicas. Pior mudança não poderia ter havido. Enquanto o cigarro mata com o passar dos anos, a cerveja, por exemplo, causa grandes efeitos nocivos à saúde e ainda aumenta muito o risco imediato de acidentes, brigas e confusões.

Acho que nada impedirá o jovem estimulado por propagandas a consumir estes produtos. Você, caro leitor, se tivesse esta idade e fosse convidado à uma festinha regada à cerveja, recusaria o convite caso tivesse que pegar uma "inofensiva" carona com alguém "levemente" alcoolizado? E se nesta festa estivesse presente aquela menina(o) que você tanto gosta? Dúvida cruel?

O aumento do consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens está associado ao mesmo tipo de estratégia aplicada aos antigos comerciais de cigarros, ou seja, incentivar as vendas do produto como forma de suplantar os problemas de auto-confiança. As campanhas continuam mostrando jovens em situações muito semelhantes, embora os cigarros tenham sido substituídos por copos, e tragadas por goles.







A regulamentação das propagandas de cerveja, mesmo que não nos mesmos moldes dos cigarros, deveria ser tratada como prioridade pela sociedade. Se deixarmos as grandes mentes do marketing associarem o consumo de bebidas alcoólicas ao sucesso e bem estar, como fazem as propagandas acima, conviveremos para sempre com acidentes no trânsito, brigas de torcida e discussões violentas.

Nada impedirá o menor de burlar a proibição de vendas, ou mesmo o maior em dirigir alcoolizado. A irresponsabilidade é típica da idade e os atos podem ser tão destrutivos como os dos adultos. Quem não lembra de algum famoso caso de acidente envolvendo menores alcoolizados?

Eu sou a favor de um controle mais rígido neste tipo de propaganda. Medidas simples, algumas adotadas ao tabaco, poderão diminuir o consumo indiscriminado e seus males, bem como o risco de acidentes:

- Restringir comerciais apenas a horários noturnos.
- Impedir que marcas de cerveja patrocinem eventos esportivos e culturais. Não é má idéia também impedir a venda durante estes eventos.
- Imprimir no rótulo da cerveja fotos de carros amassados ou outras cenas chocantes que mostrem o que o consumo pode causar.
- Obrigar que o tempo da citação "se beber não dirija" seja maior e mais clara.
- Aumentar o imposto sobre a cerveja para financiar campanhas que diminuam o consumo entre jovens, ou a direção defensiva.

Se não frearmos a propaganda, o consumo de cerveja será cada vez mais atrelado ao esporte, música e arte, ainda mais entranhado na sociedade em sua forma mais vil. Continuará usando a irresponsabilidade dos jovens para convencer que o consumo de bebidas é totalmente seguro, embora todos nós saibamos que não é.

Caso a sociedade não se convença em restringir a propaganda, novos jovens consumidores continuarão a entrar no mercado para o obter os "benefícios" alegados pelos comerciais. Será que algum destes pedirá a chave do carro ao pai para impressionar a namorada? Por quanto tempo continuaremos a deixar que o marketing incentive estes riscos?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pede para sair, Álvaro Dias (PSDB)!

Esta CPI dos cartões coorporativos "me dá coisas", como diria o Chaves (do Chapolin, não da Venezuela).

Embora não adicione nada à nação, a CPI serve muito bem para descobrir o quão inescrupulosos são alguns dos parlamentares participantes, principalmente da oposição.

Serve também para verificarmos o quão ridículo é a cobertura do PIG, o Partido da Imprensa Golpista, à esta CPI. Falo isso especialmente sobre o caso do vazamento do "dossiê" contra tucanos, coitados.

Embora o jornal O Globo tente fazer uma confusão sobre o caso, estou aqui para explicar o que aconteceu a todos os meus 12 leitores:

- Um cara da casa civil chamado José Aparecido Pires vazou o dossiê para André Fernandes, assessor de Álvaro Dias.
- Álvaro Dias, do PSDB, vejam só, PSDB, vazou o dossiê para a imprensa.

Quem então cometeu crime? Quem apresentou à imprensa os dados sigilosos do ex-presidente do próprio partido?

Certamente alguem que não possui escrúpulos, que não tem freios para conseguir o que quer. Os tucanos as vezes me surpreendem, são capazes de dar um tiro no próprio pé para tentar prejudicar a imagem do governo.

Réu confesso. Álvaro dias deveria renunciar. Se isso não é quebra de decoro parlamentar, o que é? Baixar as calças no plenário da câmara?

Todas as mídias sérias deveriam responsabilizar o senador por este ato vil. Todo mundo sabe que a casa civil tem dados sigilosos sobre os governos anteriores. Teria todo direito de compilar um dossiê para comparar gastos do governo FHC com Lula. Não poderia é vazar estes dados para a imprensa! Também não poderia chantagear parlamentares da oposição, tese que ainda ninguém do PIG conseguiu provar que é verdade.

Então quem fez vazou os dados é que cometeu o crime, não é? A quem deveríamos pedir a cabeça?

Pede para sair, Álvaro Dias!

Chega de Isabella!

Desde 29 de março, o fatídico dia em que Isabella foi atirada pela janela, todos os jornais e TVs não falam de outra coisa. Nada acontece no país! Esteremos todos hipnotizados pelo caso?

Ninguém foi trabalhar? Não há expediente na bolsa? Aulas nas escolas? O que está acontecendo?

Não há pão na padaria? Fecharam-se os bancos, supermercados, Lan Houses? Onde estão os acontecimentos que costumavam permear a nossa vida?

Cadê a CPI? As medidas provisórias do governo? O PAC? O futebol?

A sociedade clama por justiça, condena o casal Nardoni ao linchamento público e imediato. Estaremos todos aguardando, sem comer, sem falar, sem se mexer?

Será que todos assim se sentem?

Há então algo de errado comigo. Não dou a mínima para este caso, não acho nem um pouco relevante. As palavras que se seguem serão um pouco duras, portanto pare de ler este texto agora mesmo se frequentemente não suportas, caro leitor, opiniões rudes e truculentas.

Não me importo com este caso! Não é minha filha, não conheço os Nardoni, nem mesmo de nome! Acho que se algum pai resolve atirar a filha pela janela, como acredita a maioria das pessoas, isso não me interessa.

Mas isso não significa que eu não li tudo a respeito. Leio quase todos os jornais, revistas, vejo os noticiários. É impossível que eu não saiba, mesmo sem dar a mínima, detalhes para dar uma opinião a respeito. Aí vão meus pensamentos:

EU NÃO ME IMPORTO! NÃO ME INTERESSA!

Se entre pai, mãe e filha, por qualquer motivo que seja, não se criam vínculos que que impeçam atirar uma criança pela janela, com o perdão da má palavra, DANE-SE.

Não estou condenando o casal Nardoni, ninguém deveria fazer isso, estou dizendo que caso se prove que os pais atiraram a filha pela janela, minha opinião será esta:

EU NÃO ME IMPORTO! NÃO ME INTERESSA!

Isabella morreu, é uma pena, mas morreu. Nada poderá trazê-la de volta. Deixemos à cargo da justiça, que já tem problemas demais, resolver quais punições aplicar neste horrendo episódio. Bola para frente!

Tenham certeza que nada que façamos poderá sensibilizar quaisquer pessoas a não atirarem seus filhos, ou qualquer outra criança, pela janela.

Além disso, todos os dias milhares de Isabellas e Isabellos são atirados aos dessabores da vida, sem educação, alimentação, saneamento básico ou qualquer outro cuidado à vida. Cada vez que damos atenção ao caso da menina de classe média que já morreu, jogamos pela janela a chance de discutir a reforma tributária, trabalhista (cuidado!) e universitária. Ou seja, desperdiçamos muito mais vidas.

Por isso peço à mídia, escrita e falada, por favor! Não quero mais saber se o casal foi preso, se foi bem recebido na cadeia, se estão dando depoimentos. Pelo amor de Deus, acabemos já com os flashes exclusivos, com as coberturas ao vivo. Pelo bem do país, chega de Isabella!

sábado, 3 de maio de 2008

O grau de investimento

A classificação internacional conhecida como grau de investimento, dado a um grupo seleto de países com economia considerada estável, é um certificado de confiança dado ao investidor de que o país tem grande chance de honrar suas dívidas e títulos.

Embora absolutamente nada tenha mudado no país ou na nossa economia nestes últimos três dias, a obtenção do "investment grade", há muito tempo merecido, trará ainda mais dinheiro para o país. Muitos fundos de investimento internacionais precisavam da chancela de empresas avaliadoras, como a Standard & Poor, para colocar dinheiro no Brasil.

Não apenas dinheiro, mas também crédito barato, o chamado investimento de médio ou longo prazo. Isso será possível pois a agência também elevou a classificação de vários bancos e empresas brasileiras.

Em um momento ruim da economia mundial, receber o grau de investimento é ao mesmo tempo uma dádiva e um reconhecimento de que estamos no caminho certo. Como isso poderia ser ruim?

Mas se não é essa a pergunta que todos os colunistas e "especialistas" da grande imprensa fazem todos os dias? Como algo tão bom pode ser ruim? Não subestimem a capacidade criativa do PIG, o partido da imprensa golpista.

Com interesses partidários e políticos acima de tudo, este exército inútil tenta, o tempo todo, transformar notícias boas em ruins, e ruins em catástrofes. A quem tentam enganar?

Se o grau de investimento encher nosso país de dólares e super-valorizar o real, isso não será problema. O governo poderá desonerar as exportações ou ainda, em um cenário mais grave, fazer o banco central intervir no câmbio. Desvalorizar uma moeda será sempre mais fácil que valorizá-la.

E a inflação? Bobagem... Todo mundo sabe que isso está sendo causado pelos efeitos externos sobre os preços dos alimentos. Estamos dentro da meta, não há nada descontrolado, como tantas vezes entoa o mantra da imprensa.

Mas se a "catástrofe" do grau de investimento for inevitável, como ecoa o PIG em prosa e versos, tenho uma sugestão interessante:

Que tal mandar uma missão de paz à sede da agência Standard & Poor com várias mulatas de carnaval e pedir para que eles nos despromovam desta "desgraça"? Se não der certo, sugiro enviar uma fotografia do FHC e dizer que ele está bem cotado nas pesquisas para 2010! Isso vai afugentar o grau de investimento na hora, com certeza.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Juvenal e Lula, tudo a ver?

Quem é Juvenal?

Se você fez esta pergunta então pode se orgulhar! Não está vendo o lixo televisivo que todo dia a Rede Globo exibe: a novela Duas Caras.

Mesmo assim, ninguém pode achar que novelas não modificam a nossa vida. Mesmo que você não assista freqüentemente, o que recomendo, muita gente ainda o faz, e isso certamente influencia as formas de pensar da maior parte da classe intelectualmente vulnerável.

Quem não tem acesso a informação, quem não quer entender nada de política ou economia pode acabar tendo opiniões baseadas no que assistiu na novela e outros programas fúteis, e isso é que me faz desconfiar de algo de estranho na trama de Juvenal.

Ah! Para quem não sabe Juvenal Antena é atual personagem de Antônio Fagundes em Duas Caras. Ele não é claramente vilão ou galã, muito menos mocinho (Fagundes já está velho de guerra).

Para quem não acompanha, assim como eu, vale aqui uma rápida passada na trama, embora os personagens não sejam mais profundos que uma dúzia de linhas. Juvenal é um tipo de gangster que controla, com uso de força e carisma, uma favela onde não há tráfico de drogas e tudo funciona bem. Nos mais recentes capítulos, este personagem está tentando se eleger vereador, usando uma série de artifícios politicamente incorretos.

Enquanto isso, o mocinho, personagem de Lázaro Ramos, também está tentando tornar-se vereador. Veja, no vídeo abaixo, a diferença entre a "campanha" que os dois fazem:



Ou seja, por estas cenas Juvenal é o vilão, certo? Mais ou menos... Como ele ajuda e protege a comunidade, além de manter o tráfico de drogas longe (não me pergunte como), trata-se de um caso típico de mocinho que usa meios ilícitos, um anti-herói. Isso não é novo, O bandido Juvenal que usa meios ilícitos para fazer o "bem" é bastante semelhante à famosa trama italiana do livro "o poderoso chefão", de Mario Puzo.

Como as novelas da Globo historicamente sempre tiveram a intenção de manipular a opinião pública, e todos conhecemos a atual aversão da Globo ao governo Lula, estou percebendo um certo clima de semelhança no ar...

Mas antes disso, assista outra cena desta mesma novela. Nesta, Juvenal sofreu um atentado e está explicando para um pastor que foi salvo pelo colete a prova de balas, embora tenha contado a todos os seus eleitores que foi uma bíblia que impediu sua morte:



E agora, percebeu a semelhança com a vida real? Percebeu a jogada de manipulação da Globo?

Então aí vai minha teoria da conspiração, acreditem se quiser, a Globo quer que o povo ache que o Juvenal é o Lula!

Semelhanças?

- Juvenal fala de forma arrastada e com erros de português, assim como Lula.
- Juvenal é líder de comunidade e fala aos pobres, Lula era líder dos metalúrgicos e também tem este dom.
- Juvenal vem de família pobre e não freqüentou a escola. Sabe-se que Lula ainda tem grande rejeição no meio intelectual por este mesmo motivo.
- Juvenal bebe uma cachacinha. Sabe-se que a mídia sempre tentou fazer parecer que Lula é alcoólatra.
- Juvenal tem muitos planos para "ajudar" os mais pobres, como construção de casas e distribuição de cestas básicas. O governo Lula também possui ações sociais, embora melhor intencionadas, parecem iguais aos olhas da elite.

Na minha teoria conspiratória, a Globo tem o interesse de aproximar o personagem Juvenal ao Lula real e montar uma imagem de anti-herói, fazendo a população acreditar que Lula também usa meios ilícitos para atingir seus objetivos, quer convencer o povo de que a melhor opção não é fazer um sucessor do mesmo partido.

Acreditem se quiser, mas saibam que a intenção de manipulação é bem óbvia. Vocês sabiam que esta novela ainda tem outra vilã, a Renata Sorrah, que tentou envolver uma boazinha, a "Suzana Vieira", em um esquema de corrupção no "caso dos cartões corporativos"? E o pior é que era verdade, a personagem boazinha de Suzana tinha usado indevidamente o cartão corporativo. Para salvar a personagem boazinha foi dito que não se tratava de dinheiro público, pois a universidade de onde o cartão foi retirado é privada (Veja no vídeo). O objetivo é explicar a "crise" do cartão corporativo para o povo e fazê-los acreditarem que como o dinheiro é público, então deve condenar o governo.



A Globo está preparando terreno desde agora para a eleição de 2010, para fazer a opinião pública se escandalizar com as "crises" que os noticiários criam toda semana. Vai tentar apoiar um candidato "limpo" com cara de mocinho e discurso "ético", assim como o personagem de Lázaro Ramos. Um político que dirá ser "caçador de marajás", um bonitão carismático que receberá a ajuda e o crivo da Globo, parece familiar?

terça-feira, 15 de abril de 2008

CEFET, a busca por educação de qualidade e quantidade.

Encontrei alguns dados bastante interessantes sobre o ENEM, o exame nacional do ensino médio. Nesta avaliação pode-se achar o CEFET, no qual eu trabalho como professor, entre as 20 melhores instituições de 2007 no município do Rio de Janeiro. Veja a lista: (completa no site do ENEM)


Um resultado, na minha opinião, muito bom. Apenas quatro destas 20 escolas são públicas, e dentre estas está o CEFET CELSO SUCKOW DA FONSECA, na honrosa 18ª posição.

Digo honrosa pois o CEFET não está ali para concorrer com as instituições privadas, que usam este resultado para angariar alunos e recursos. A posição é natural, sem pressões, muito mais difícil de obter.

Impressionante mesmo é a discrepância no número de alunos que fizeram o exame. O CEFET possui 271 formandos que participaram do ENEM, número bem superior à média das escolas privadas. Naturalmente é muito mais difícil aliar qualidade e quantidade, pois quanto menor o ambiente e maior a estrutura, menos mérito é necessário para se conseguir sucesso.

A maioria dos alunos do CEFET ainda cursam o ensino técnico concomitantemente ao ensino médio, tendo logicamente muito menos tempo para estudar. Muitos destes 271 alunos se formarão em Eletrônica, Eletrotécnica, Informática, Mecânica, Construção Civil, Turismo, Meteorologia e outros tantos cursos. Profissionais que chegam ao mercado muito mais cedo do que os do ensino superior, e com muita qualificação.

Gostaria de poder dizer que este mérito no ENEM é também meu, mas isso não seria possível. Primeiramente não sou professor do ensino médio, mas de Eletrônica, e isso obviamente não faz parte da prova. Em segundo lugar está o fato de que os alunos do CEFET são diferenciados, fazem um difícil concurso, certamente pertencem à uma elite intelectual invejável, que torna o processo pedagógico muito mais fácil.

Além disso, no CEFET não há pressão dos pais para aprovação daquele aluno problemático, problema tão freqüente nas instituições privadas. Os professores e alunos possuem liberdade para implementar suas idéias, sem a rígida disciplina dos colégios católicos presentes na lista. O ambiente é propício para o desenvolvimento de grandes mentes, não impõe uma cansativa e pouco edificante busca por resultados conforme os cursos pré-vestibulares, que também têm sua presença nos melhores do ENEM.

Falando assim, acho que a 18ª posição é até pouco, quem sabe um dia não estaremos no topo? Quem sabe não só este CEFET, mas muito outros que ainda estão sendo criados pelo governo Federal. Quem sabe um dia não poderemos aliar educação de qualidade e quantidade para todo o Brasil? Quem sabe?

domingo, 13 de abril de 2008

Tome isso Dilma!


A recente confusão envolvendo a ministra Dilma Rousseff e o tal "dossiê" feito para "chantagear" os inocentes tucanos beira a imbecilidade.

A ato mais equivocado que a oposição poderia fazer é ter colocado a ministra sob os holofotes de todos os meios de comunicação. Sabe-se que o grande problema de Dilma, caso queira tornar-se candidata a presidência, é não ser muito conhecida da população.

De uma hora para a outra, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) colocou Dilma em todos as mídias possíveis. No jornal nacional e no noturno jornal da globo a ministra falou, e gesticulou, por mais de 5 minutos. No estadão, na folha e no jornal O globo colocou-se a foto de Dilma na primeira página.

O mais interessante, e até cômico, é que o plano original era colocar água no chopp da candidatura de Dilma à presidência. O povo não votaria em uma pessoa que fosse acusada de "chantagista", não é? Ainda mais se fosse contra uma instituição de "respeito" como foi nosso amado e idolatrado presidente FHC, cuja aprovação foi a menor da história do Brasil.

Mas o PIG não entende nada de povo! A história de que Dilma teria preparado o dossiê para "chantagear os coitados tucanos" não pegou. Ninguém acreditou nesta enfadonha lorota e a oposição teve que engolir uma derrota pior ainda, o tiro saiu pela culatra!

A exposição na mídia por causa do caso "dossiê" tornou a ministra ainda mais conhecida! Segundo a pesquisa recente do CNT/SENSUS, sua intenção de voto para presidente subiu de 4.5% para algo em torno de 7%.

Digo algo em torno, sem ter certeza, pois esta pesquisa foi encomendada pelos tucanos, não parece ter sido divulgada em sua totalidade. A notícia de que o PSDB está em polvorosa, pensando até em mudar a tática, encontrei no blog dos amigos do presidente lula, recortado do Jornal do Brasil:

Não posso negar que ri, e muito, desta nova trapalhada tucana. Os ditos doutores da elite intelectual Brasileira não conseguem desvendar a "complexa" forma de pensar do povo, e não é de hoje que suas ações só não resultam em maiores tragédias pois sabe-se que o PIG socorre e abafa as notícias, quando é de seu interesse.

Espero que isso sirva de lição para que a oposição pondere sobre quais são os reais interesses do povo, como ter saúde, educação e diminuir o desemprego. Não tem ninguém querendo saber sobre picuinhas políticas e CPIs da cocada e da tapioca. Quem insistir nesta estratégia terminará ainda mais queimado, como aconteceu com a caricatura do início deste texto.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Polícia Federal vai fazer mingau!

Nesta nova operação da Polícia Federal, podemos ver a seriedade e total descompromisso político que as operações parecem ter. De todos os prefeitos presos, temos 2 do PT, 3 do PSDB, 3 do DEM e outros tantos do PR e PTB. Em outras palavras, de quase todas as inclinações políticas.

Veja o vídeo:




Também foram presos servidores públicos e um gerente da caixa, além de um juiz!

A PF trabalha para combater a corrupção, mas o problema é que esse pessoal escapa no judiciário. Não vou entrar no mérito para saber se são culpados ou não, mas só de saber que tem a PF no seu encalço, muitos prefeitos devem agir da forma mais correta possível, com a pulga atrás da orelha!

Mesmo que ninguém seja condenado, isso já é bem melhor que o tempo, em um passado não tão distante assim, onde a PF fazia apenas meia dúzia de operações por ano, principalmente para atrapalhar os candidatos à presidente que concorressem com FHC e Serra. Alguém lembra do caso de Roseana Sarney?

A PF está para os políticos assim como o lobo mal está para as criancinhas! Quem faz coisa errada tem insônia, pesadelos com as ações da PF. Eles marcam em cima e deixam todo mundo de orelha vermelha, seja de que partido for, governo ou oposição.

Já estou até pensando no político chegando em casa e falando para o filho mais novo:
"seja um bom menino! Senão a polícia federal pega para fazer mingau!"

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vergonha sem fronteiras, no Rio de Janeiro!

Nesta sexta-feira recebi, como de costume, correspondência do tipo "mala direta" sobre a organização humanitária Médicos sem fronteiras, e me surpreendi em saber que estes fazem diversas ações humanitárias no Brasil. Achei então que estavam atendendo casos de malária no Amazonas, ou desnutrição infantil causada pela seca do nordeste. Estão sim! Mas isso é a menor parte...

A organização está também no Rio de Janeiro, onde moro, no morro da Fazendinha e no Complexo do Alemão. Estes locais foram escolhidos pois a violência faz muitas vítimas entre a população pobre, cenário que não é muito diferente dos piores países em guerra na Africa ou no Oriente Médio. Veja o vídeo que encontrei sobre este assunto, de março de 2008, na Band News.



O que mais me envergonha não é a violência no Rio de Janeiro ser tão alta que os médicos sem fronteira resolveram instalar um posto semelhante aos que existem no Haiti ou no Zimbábue, ambos em guerra civil. O que mais me agride é que, segundo o vídeo, o maior problema encontrado tem sido a dengue!

Isso mesmo pessoal! Os médicos sem fronteira estão aqui no Rio de Janeiro fazendo atendimento de diversos casos de dengue! Eles estão gastando o seu orçamento em remédios e designando nobres "soldados" médicos para o nosso país, para tratar de uma epidemia que surgiu devido ao total descaso de nossos governantes.

Governantes? No plural? Estou sendo bonzinho demais! Na verdade o maior problema é aqui no Rio de Janeiro! A epidemia está principalmente aqui no município e a gente sabe de quem é a culpa, não é?

Para descobrir o culpado, vamos fazer um exercício de lógica. A epidemia é muito forte aqui no município do Rio, em outros locais é bem menor e controlada. Sabe-se que a prevenção, orientação, fumacê na cidade e inspeções de locais de foco da doença são responsabilidade da prefeitura, então quem foi que não fez o dever de casa?

Maia, Maia, Maia. A cada dia César me envergonha mais! Sei que Cabral e Lula também tem sua parcela de culpa, mas não posso deixar de esculhambar um político que está há 18 anos no poder, e nem mesmo tem a humildade de reconhecer publicamente a existência da epidemia (que já chega aos 30 mil casos).

Faço aqui uma exigência, um apelo, aos nossos governantes. Por favor reembolsem o "médicos sem fronteiras" de seus gastos e agradeçam em cadeia nacional pela organização ter escolhido o nosso país para fazer suas ações humanitárias. O Brasil não é pobre como a África, não precisamos dar calote, não é?

Não dar atendimento à população em uma epidemia de dengue já é uma vergonha, não quero passar pela humilhação de sair sem pagar também! Quem quiser fazer uma doação, clique em http://www.msf.org.br/doacao/. Que tal o senhor, César Maia? A grande causa disso tudo? Pelo menos R$10,00?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Territórios da cidadania não é eleitoreiro!

Você, caro leitor, já esteve na cidade de Oliveira dos Brejinhos, na Bahia? E em Canabrava do Norte, em Mato Grosso? Que tal o belo município de Curralinhos, no Piauí? Nunca passou pela cidade alagoana de Olho d'água do Casado?

Não? Nem eu. Esses não são pontos turísticos Brasileiros, são cidades que foram selecionadas para participar do programa social do governo chamado "Territórios da Cidadania". O programa que a grande imprensa descreve como eleitoreiro, pois embora já estivesse planejado há muito tempo, surge com força neste ano de 2008.

Os municípios citados, e outros tantos, totalizam 958 cidades divididas em 60 territórios onde o programa será implementado. Os critérios para seleção destes municípios são:

- menor IDH;
- maior concentração de agricultores familiares e assentamentos da Reforma Agrária;
- maior concentração de populações quilombolas e indígenas;
- maior número de beneficiários do Programa Bolsa Família;
- maior número de municípios com baixo dinamismo econômico;
- e outros

Mais detalhes podem ser encontrados no site www.territoriosdacidadania.gov.br. Os municípios Brasileiros estão espalhados nos campos coloridos do mapa abaixo:


Algumas das cidades do Territórios da Cidadania têm índice de desenvolvimento humano (IDH) semelhantes aos dos países africanos mais pobres. Falta saneamento básico, saúde, educação, cultura, ou seja, completa ausência do estado.

Mas todo investimento destinado aos pobres sofre críticas. Os jornais e revistas da grande mídia querem que o dinheiro seja investido em São Paulo e em outras grandes capitais. Não querem recursos destinados aos mais carentes no norte e nordeste. Não tenho dúvidas que estes são os motivos que levam a imprensa a condenar a iniciativa.

Ora, quem diz que o Territórios da Cidadania é eleitoreiro não parou sequer para pensar em como o programa funciona. O governo federal não tem como cumprir ações sociais em São Sebastião do Uatumã (AM) e depois dar uma passada em Arroio do Padre (RS). O país tem dimensões continentais! Quem acha que o governo federal age em todo o país não entende nada de Brasil! Assim como o bolsa família, o cadastro das famílias e a execução dos programas sociais depende muito das prefeituras locais, que são fiscalizadas pelo governo federal.

Só a prefeitura local pode conhecer os problemas e peculiaridades de cada parte do Brasil, e informar onde as ações devem ser feitas. Nenhum burocrata de Brasília tem esta capacidade. Nem mesmo o mais bem informado assessor do Presidente saberá ao mesmo tempo como ajudar a população de cidades como Barra do Turvo (SP) e Morro do Chapéu (BA).

Se o programa fosse eleitoreiro, como afirma o DEM, que recentemente foi ao Supremo com este questionamento, então a prefeitura local é que se beneficiaria dos investimentos. Uma regra muito antiga da política, desde Maquiavel, é que quando a vida melhora o povo gosta mais de seus governantes, mesmo que isso não tenha sido mérito destes.

Os prefeitos destas cidades é que poderão gozar da fama de melhorar a vida de seu povo sem gastar recursos próprios, contando com um orçamento enorme e apoio logístico do governo federal. O povo mais feliz tenderá a reeleger a situação, pois é a prefeitura que coordena as ações, fará uso eleitoral mesmo que não queira.

Resta então saber de quais partidos são os prefeitos destes municípios, que juntos receberão, neste ano de 2008, cerca de 11 bilhões de reais, a serem investidos em saneamento, educação, acesso a água, saúde e outros, além do tradicional bolsa família.

Para descobrir isso cruzei as informações das 958 cidades beneficiadas com o territórios da cidadania e o banco de dados do TSE (www.tse.gov.br) que contém, entre outros dados, o nome do prefeito e o partido ou coligação em que foi eleito. Estes dados são de 2004, ano em que ocorreram as últimas eleições para prefeito, embora tenham sido atualizados recentemente, refletindo eventuais mudanças de partido dos últimos anos.

Mesmo com um bom conhecimento de banco de dados, não é fácil fazer este cruzamento e descobrir os partidos de todos estes municípios. Muitas cidades têm nome duplicado, não estão no banco de dados do TSE ou possuem grafia variada, como a cidade de Açu (RN), cadastrada no TSE como Assu.

Tendo conseguido encontrar cerca de 911 prefeitos das 958 cidades, posso dizer que o trabalho está conclusivo. Veja abaixo o interessante histograma radial contendo a distribuição de partidos dos municípios que compõem o programa:

Mas que surpresa! As prefeituras do PSDB e do DEM estão encabeçando a lista dos beneficiados pelo territórios da cidadania! Juntos chegam a 1/3 do comando das prefeituras. Por que então são os que mais reclamam destes gastos? São os que mais poderiam se beneficiar deles, não é?

Cospem no prato que comem? Acho que não... Na verdade, a direita vive da desgraça do povo, como sempre fizeram em quase um século de curral eleitoral. No fundo eles sabem que somente um povo burro e mal informado cai nas lorotas do voto de cabresto. Eles tem medo de desenvolver a região e perder o domínio.

E a mídia? Ah! Esta vai sempre dizer que dinheiro para pobres é bobagem, é assistencialismo. Vai repetir direitinho o discurso do Alckmin de que o governo deveria "fazer investimentos em infra-estrutura", "fazer o país crescer". Crescer em São Paulo e continuar com os bolsões de pobreza em todo o norte e nordeste do país.

Se uma boa parte das prefeituras é da oposição, cai por terra a "denúncia" de favorecimento eleitoral. Esse tipo de mentira faz parte da rotina diária da mídia em atacar o governo, com acusações que não são nem mesmo inteligentes. Ainda bem que temos a internet para escapar da descarada manipulação. Qual será a próxima "crise" a ser desmascarada?

domingo, 30 de março de 2008

O perfil dos eleitores do PSDB e a atucanização do povo!

Como é o perfil de quem vota na direita? No PSDB, principalmente?

Faço esta pergunta pois tenho diversos colegas que possuem simpatia pela causa "revolucionária" social-democrata. Muitos destes possuem características em comum, facilmente identificadas entre as reclamações que fazem constantemente sobre as "injustiças da sociedade".

Dentre estas características, alta renda é a mais importante. Todos os meus colegas que votam em tucanos pagam altos valores de imposto de renda, e comentam que não vêem resultados destas contribuições ao estado. Já ouviu este discurso de algum tucano?

Lógico, quando se você paga algo em torno de R$3000 por mês de impostos é mais difícil ver efeitos condizentes, não é? Estas pessoas não usam o sistema de saúde, não recebem bolsa família ou qualquer assistência social e possivelmente não usam a educação pública. Para que os efeitos fossem mais claros o governo deveria pagar por empregadas domésticas 24h na casa destas pessoas! Deveria dar 1200L de gasolina por mês, pagar pelos estudos no IBMEC e abastecer de vinhos importados as adegas climatizadas destes abastados...

Empresários também entram neste mesmo bolo. Não entendem as benfeitorias deste governo como crescimento do país e aquecimento do mercado interno. Defendem a diminuição dos impostos porque ganham bem, acham não precisam do estado.

Então as pessoas que ganham bem pagam mais impostos e têm maior dificuldade em perceber os benefícios do governo. Pouco a pouco, podem passar a ter discursos com tendência à direita, ou seja, eleitores convictos tucanos são normalmente ricos empresários e empregados com elevados salários, que pagam altos impostos condizentes com suas rendas.

Baseado nestes pensamentos, estou um pouco amedrontado. Votei no Lula e na esquerda durante toda a minha vida. Desde que tenho título de eleitor voto na legenda do PT para deputados federais e estaduais. No entanto, isso tudo poderá mudar radicalmente! Calma, eu explico:

Sou servidor federal, e como tal recebi diversos aumentos desde que o governo Lula assumiu a presidência. Minha satisfação com o governo deveria ser alta, não é?

Mas se eu começar a pensar da mesma forma que os tucanos? Meus impostos aumentaram, não é? E se eu não os pagasse? Poderia usar este dinheiro para uma boa viagem anual pela Europa? (Melhor baixar a bola pois sou professor, não deputado!).

Permissão para entrar em modo de pânico! Este pensamento a seguir poderá aterrorizar até os mais incrédulos!

E se com todo o crescimento e melhoria de renda, o povo começar a pagar mais impostos e pensar da mesma forma? O aumento dos salários e crescimento do país pode ter uma conseqüência desastrosa e impensada! O povo poderá então "atucanar", com o perdão da má palavra.

Será que vamos todos votar no PSDB e no DEM para cortar nossos impostos e cuspiremos no prato em que comemos? Se nós acharmos que não precisamos mais do governo para nada, por que não votar em quem diminui e destrói a presença do estado? Por que não ouvir o discurso do famosos neo-liberais? Virar a casaca e atucanar poderá parecer a melhor solução?

Meu deus! Acho que o pavor súbito da atucanização realmente me acometeu! Já estou até pensando nos sonhos das crianças da nova geração! Talvez no futuro próximo nossos filho dirão:

"Papai, quando eu crescer não vou votar no PT como o senhor fez não! Eu quero é ser bem rico para poder votar no PSDB!"

quarta-feira, 26 de março de 2008

Não tenho nada no IG para cancelar!

Sites na internet ganham dinheiro exclusivamente com anunciantes. Simples assim. Ao contrário de jornais e revistas, onde as pessoas pagam pelo conteúdo a ser lido, na internet só dá certo aquilo que é de graça.

Empresas que vivem da rede alimentam-se quase integramente de propaganda. Recebem de anunciantes, que querem obter exposição de seus produtos com impressões de páginas e cliques.

No Brasil há várias grandes empresas de conteúdo de internet. Uma das maiores é o Internet Group (IG). O conteúdo produzido pelo IG não é vendido a ninguém. Obrigam os leitores a aturar propagandas em todos os sites, para garantir a gratuidade dos serviços.

Dessa forma, a moeda de troca do IG com os anunciantes é o número de visitas que os sites hospedados têm em um determinado espaço de tempo. Blogs com muitas impressões trazem mais renda e lucro para a empresa.

Por isso, causa-se estranheza o fato do IG ter cancelado o Blog de Paulo Henrique Amorim, o Conversa Afiada, sob a alegação de que não era rentável para a empresa. A audiência, como mostrada na figura abaixo, é de mais de 3 milhões de impressões mensais!


Para se ter uma idéia do volume de renda que este site trazia para o IG, podemos considerar o exemplo do sistema de propaganda que possuo neste blog, o Google Ad-sense. Para cada 1000 impressões de minha página, o Ad-sense me dá 3 cents de dólar. Além disso, para cada pessoa que clica em qualquer um dos anúncios, recebo um retorno de 4 cents, e em torno de 5% das impressões geram pelo menos 1 clique, principalmente porque o Google sabe como direcionar a propaganda certa para o tipo de assunto e público do Blog.

Isso significa que se o Conversa Afiada empregasse este barateiro sistema de propaganda, ganharia por mês cerca de R$11300. O suficiente para pagar o salário de alguns jornalistas e revisores. O IG pode conseguir muito mais renda com anunciantes fixos, propagandas grandes como McDonalds, Ponto Frio, Submarino, Americanas, Brastemp, Casa e Vídeo, Magazine Luísa, Philips e outros, que aparecem nas páginas do IG diariamente.

O Conversa Afiada não possuía Ad-sense, ou seja, dispensava os 11 mil reais de renda adicionais. Isso significa que os anunciantes maiores deveriam pagar pelo menos, no barato, 25x mais pelos cliques e impressões da página.

Calculando-se então, a renda gerada pelo Blog deveria ser cerca de 280 mil reais mensais, ou 3.4 milhões anuais. Como o faturamento anual do IG é de U$30 Milhões, O conversa afiada representava 6% disso. Pode-se abrir mão de uma fatia tão grande sem mais nem menos?

Isso me força a acreditar que existe algo além de motivos econômicos na demissão de PHA. Talvez os assuntos de que tratava em seu Blog não fossem convenientes para alguns dos anunciantes, ou forças políticas forçaram o IG a tomar esta decisão, temendo represálias.

Como o site do PHA é um dos poucos da grande imprensa que fala mal de Serra, Dantas e FHC, acreditar que estas forças o derrubaram é uma boa possibilidade, pois são muitas as denúncias de ocorrências deste tipo.

PHA também era o maior nome a se opor abertamente ao estabelecimento da BrOi, junção da BrTelecom com a OI. O interesse do capital, por vezes, é muito mais forte que qualquer organização política.

O que fazer então em meio a isso? Na minha opinião devemos boicotar o IG e mostrar aos seus anunciantes que não toleraremos interesses políticos e econômicos mais fortes que o nosso direito a informação. Já não podemos confiar na TV, em revistas e jornais. Se não tomarmos cuidado, perderemos a internet.

Fiz minha parte, reclamei e levei esta opinião a varias pessoas. Não posso boicotar o IG mais do que faço, pois não tenho conta, não utilizo quaisquer serviços e agora não acesso nenhum de seus Blogs. Não tenho nada a cancelar! E vocês?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Dengue e Maia

Você, caro leitor, já teve dengue?

Eu tive duas vezes, e embora nenhuma delas hemorrágica, todas foram de arrasar. Febre, dor de cabeça, fraqueza no corpo e outras mazelas te derrubam completamente. Mas não é sobre sintomas do dengue que quero escrever.

A maior epidemia de dengue no estado do Rio de Janeiro aconteceu em 2002, onde tivemos 129.920 casos registrados. O número de fatalidades, naquela época, era menor em comparação à epidemia atual. O risco de morte parece maior agora, mesmo com a epidemia 75% menor.

Ainda em 2002, o que mais me irritava na mídia era o sumiço das notícias sobre a epidemia. Estatísticas não eram sequer divulgadas. Não havia repórteres indo aos hospitais e reclamando como se vê atualmente no jornal da globo e nacional. Considerando que agora a epidemia é bem menor, o que mudou?

Não vamos chegar a conclusão precipitada de que a mídia está mais aplicada à realidade. O enfoque demasiado da Globo na atual epidemia de dengue, por mais justo que seja, parece estar ligado à tendência atual de atacar o prefeito Cesar Maia, além do objetivo constante de denegrir a imagem do Governador Sérgio Cabral e de Lula. Além disso, em 2002 havia um certo cuidado para blindar Serra, então candidato a presidente e ex-ministro da saúde.

Mas ainda sobre Maia, não vamos esquecer o episódio recente do IPTU, em que a Globo incitou a sociedade carioca a não pagar o imposto, em quase um mês de ataques e reclamações sobre a prefeitura.

Cesar maia e seus assemelhados estão há 12 anos no poder do Rio de Janeiro, por acaso o governo está pior agora em 2008 para justificar o início das reclamações?

De forma nenhuma! O descaso com o dengue, com a falta de manutenção nas ruas e o péssimo transporte público sempre foram marcas da administração de Maia. É só verificar que tivemos diversas epidemias maiores de dengue em 2002 e 2003. Volto a perguntar: o que aconteceu com a mídia?

Parece-me que Maia, do partido democratas, não tem mais a proteção da mídia como têm os tucanos Serra e Aécio. Será que proteção era parte do acordo de apoio histórico do PSDB ao DEM? Sabe-se que os democratas estão tentando seguir um caminho próprio de oposição de extrema direita, e o rompimento com os tucanos pode significar também perder a parte mais importante da política dos dois partidos - a mídia.

Sem o PIG, como diz Paulo Henrique Amorim, o DEM e Maia não possuem qualquer chance de sobrevivência. Não é como o governo Lula que possui bons resultados e resiste bravamente aos ataque da mídia. Sem o acobertamento da globo, os problemas da cidade aparecerão fortemente, e teremos a chance ímpar de mudar para melhor o governo aqui do Rio.

Quem sabe isso não venha em boa hora para evitar que eu tenha dengue pela terceira vez? Não custa sonhar...