terça-feira, 20 de maio de 2008

Regularizar já a propaganda de bebidas

Quem tem mais de 20 anos de idade, talvez 30, lembra bem as peripécias da indústria do marketing de cigarros. Uma coletânea dos comerciais de Hollywood, como a mostrada abaixo, deve ter incentivado o vício por muitas gerações.



Não há dúvida de que a propaganda estimulava o consumo. Os comerciais, como os de Hollywood, conseguiam associar o cigarro a uma vida de aventuras e alegrias. Outros, como o Free, alegavam que o produto elevaria o status cultural do consumidor.



Mas tudo isso era mentira! Ninguém que fizesse uso destes produtos teria sua vida semelhante à estes comerciais. Se era enganação, então como dava certo? Como convenciam o grande público com um argumento tão desvinculado à realidade?

Propagandas sub-liminares à parte, o grande mérito dos comerciais de cigarro, que eram muito bem produzidos, era tentar dar a impressão de que o produto poderia suprir necessidades de pessoas com problemas de confiança, auto-afirmação e auto-estima.

Os jovens, logicamente, eram o público alvo destes comerciais. Todos os atores de ambas as peças apresentadas têm perto dos 20 anos. Quem tem (ou teve) esta idade sabe que auto-afirmação é o que o adolescente mais busca, usando o cigarro como muletas.

O governo, frente aos grandes custos de saúde causados pelo tabaco, não teve dúvidas em acabar com as propagandas. O jovem, não vendo os anúncios, procurará outros meios de buscar auto-estima. A proibição não foi ruim, o cigarro causa vários tipos de câncer, enfisema e outras doenças.

Na minha opinião, a busca por auto-confiança dos jovens está hoje centrada no consumo de bebidas alcoólicas. Pior mudança não poderia ter havido. Enquanto o cigarro mata com o passar dos anos, a cerveja, por exemplo, causa grandes efeitos nocivos à saúde e ainda aumenta muito o risco imediato de acidentes, brigas e confusões.

Acho que nada impedirá o jovem estimulado por propagandas a consumir estes produtos. Você, caro leitor, se tivesse esta idade e fosse convidado à uma festinha regada à cerveja, recusaria o convite caso tivesse que pegar uma "inofensiva" carona com alguém "levemente" alcoolizado? E se nesta festa estivesse presente aquela menina(o) que você tanto gosta? Dúvida cruel?

O aumento do consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens está associado ao mesmo tipo de estratégia aplicada aos antigos comerciais de cigarros, ou seja, incentivar as vendas do produto como forma de suplantar os problemas de auto-confiança. As campanhas continuam mostrando jovens em situações muito semelhantes, embora os cigarros tenham sido substituídos por copos, e tragadas por goles.







A regulamentação das propagandas de cerveja, mesmo que não nos mesmos moldes dos cigarros, deveria ser tratada como prioridade pela sociedade. Se deixarmos as grandes mentes do marketing associarem o consumo de bebidas alcoólicas ao sucesso e bem estar, como fazem as propagandas acima, conviveremos para sempre com acidentes no trânsito, brigas de torcida e discussões violentas.

Nada impedirá o menor de burlar a proibição de vendas, ou mesmo o maior em dirigir alcoolizado. A irresponsabilidade é típica da idade e os atos podem ser tão destrutivos como os dos adultos. Quem não lembra de algum famoso caso de acidente envolvendo menores alcoolizados?

Eu sou a favor de um controle mais rígido neste tipo de propaganda. Medidas simples, algumas adotadas ao tabaco, poderão diminuir o consumo indiscriminado e seus males, bem como o risco de acidentes:

- Restringir comerciais apenas a horários noturnos.
- Impedir que marcas de cerveja patrocinem eventos esportivos e culturais. Não é má idéia também impedir a venda durante estes eventos.
- Imprimir no rótulo da cerveja fotos de carros amassados ou outras cenas chocantes que mostrem o que o consumo pode causar.
- Obrigar que o tempo da citação "se beber não dirija" seja maior e mais clara.
- Aumentar o imposto sobre a cerveja para financiar campanhas que diminuam o consumo entre jovens, ou a direção defensiva.

Se não frearmos a propaganda, o consumo de cerveja será cada vez mais atrelado ao esporte, música e arte, ainda mais entranhado na sociedade em sua forma mais vil. Continuará usando a irresponsabilidade dos jovens para convencer que o consumo de bebidas é totalmente seguro, embora todos nós saibamos que não é.

Caso a sociedade não se convença em restringir a propaganda, novos jovens consumidores continuarão a entrar no mercado para o obter os "benefícios" alegados pelos comerciais. Será que algum destes pedirá a chave do carro ao pai para impressionar a namorada? Por quanto tempo continuaremos a deixar que o marketing incentive estes riscos?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pede para sair, Álvaro Dias (PSDB)!

Esta CPI dos cartões coorporativos "me dá coisas", como diria o Chaves (do Chapolin, não da Venezuela).

Embora não adicione nada à nação, a CPI serve muito bem para descobrir o quão inescrupulosos são alguns dos parlamentares participantes, principalmente da oposição.

Serve também para verificarmos o quão ridículo é a cobertura do PIG, o Partido da Imprensa Golpista, à esta CPI. Falo isso especialmente sobre o caso do vazamento do "dossiê" contra tucanos, coitados.

Embora o jornal O Globo tente fazer uma confusão sobre o caso, estou aqui para explicar o que aconteceu a todos os meus 12 leitores:

- Um cara da casa civil chamado José Aparecido Pires vazou o dossiê para André Fernandes, assessor de Álvaro Dias.
- Álvaro Dias, do PSDB, vejam só, PSDB, vazou o dossiê para a imprensa.

Quem então cometeu crime? Quem apresentou à imprensa os dados sigilosos do ex-presidente do próprio partido?

Certamente alguem que não possui escrúpulos, que não tem freios para conseguir o que quer. Os tucanos as vezes me surpreendem, são capazes de dar um tiro no próprio pé para tentar prejudicar a imagem do governo.

Réu confesso. Álvaro dias deveria renunciar. Se isso não é quebra de decoro parlamentar, o que é? Baixar as calças no plenário da câmara?

Todas as mídias sérias deveriam responsabilizar o senador por este ato vil. Todo mundo sabe que a casa civil tem dados sigilosos sobre os governos anteriores. Teria todo direito de compilar um dossiê para comparar gastos do governo FHC com Lula. Não poderia é vazar estes dados para a imprensa! Também não poderia chantagear parlamentares da oposição, tese que ainda ninguém do PIG conseguiu provar que é verdade.

Então quem fez vazou os dados é que cometeu o crime, não é? A quem deveríamos pedir a cabeça?

Pede para sair, Álvaro Dias!

Chega de Isabella!

Desde 29 de março, o fatídico dia em que Isabella foi atirada pela janela, todos os jornais e TVs não falam de outra coisa. Nada acontece no país! Esteremos todos hipnotizados pelo caso?

Ninguém foi trabalhar? Não há expediente na bolsa? Aulas nas escolas? O que está acontecendo?

Não há pão na padaria? Fecharam-se os bancos, supermercados, Lan Houses? Onde estão os acontecimentos que costumavam permear a nossa vida?

Cadê a CPI? As medidas provisórias do governo? O PAC? O futebol?

A sociedade clama por justiça, condena o casal Nardoni ao linchamento público e imediato. Estaremos todos aguardando, sem comer, sem falar, sem se mexer?

Será que todos assim se sentem?

Há então algo de errado comigo. Não dou a mínima para este caso, não acho nem um pouco relevante. As palavras que se seguem serão um pouco duras, portanto pare de ler este texto agora mesmo se frequentemente não suportas, caro leitor, opiniões rudes e truculentas.

Não me importo com este caso! Não é minha filha, não conheço os Nardoni, nem mesmo de nome! Acho que se algum pai resolve atirar a filha pela janela, como acredita a maioria das pessoas, isso não me interessa.

Mas isso não significa que eu não li tudo a respeito. Leio quase todos os jornais, revistas, vejo os noticiários. É impossível que eu não saiba, mesmo sem dar a mínima, detalhes para dar uma opinião a respeito. Aí vão meus pensamentos:

EU NÃO ME IMPORTO! NÃO ME INTERESSA!

Se entre pai, mãe e filha, por qualquer motivo que seja, não se criam vínculos que que impeçam atirar uma criança pela janela, com o perdão da má palavra, DANE-SE.

Não estou condenando o casal Nardoni, ninguém deveria fazer isso, estou dizendo que caso se prove que os pais atiraram a filha pela janela, minha opinião será esta:

EU NÃO ME IMPORTO! NÃO ME INTERESSA!

Isabella morreu, é uma pena, mas morreu. Nada poderá trazê-la de volta. Deixemos à cargo da justiça, que já tem problemas demais, resolver quais punições aplicar neste horrendo episódio. Bola para frente!

Tenham certeza que nada que façamos poderá sensibilizar quaisquer pessoas a não atirarem seus filhos, ou qualquer outra criança, pela janela.

Além disso, todos os dias milhares de Isabellas e Isabellos são atirados aos dessabores da vida, sem educação, alimentação, saneamento básico ou qualquer outro cuidado à vida. Cada vez que damos atenção ao caso da menina de classe média que já morreu, jogamos pela janela a chance de discutir a reforma tributária, trabalhista (cuidado!) e universitária. Ou seja, desperdiçamos muito mais vidas.

Por isso peço à mídia, escrita e falada, por favor! Não quero mais saber se o casal foi preso, se foi bem recebido na cadeia, se estão dando depoimentos. Pelo amor de Deus, acabemos já com os flashes exclusivos, com as coberturas ao vivo. Pelo bem do país, chega de Isabella!

sábado, 3 de maio de 2008

O grau de investimento

A classificação internacional conhecida como grau de investimento, dado a um grupo seleto de países com economia considerada estável, é um certificado de confiança dado ao investidor de que o país tem grande chance de honrar suas dívidas e títulos.

Embora absolutamente nada tenha mudado no país ou na nossa economia nestes últimos três dias, a obtenção do "investment grade", há muito tempo merecido, trará ainda mais dinheiro para o país. Muitos fundos de investimento internacionais precisavam da chancela de empresas avaliadoras, como a Standard & Poor, para colocar dinheiro no Brasil.

Não apenas dinheiro, mas também crédito barato, o chamado investimento de médio ou longo prazo. Isso será possível pois a agência também elevou a classificação de vários bancos e empresas brasileiras.

Em um momento ruim da economia mundial, receber o grau de investimento é ao mesmo tempo uma dádiva e um reconhecimento de que estamos no caminho certo. Como isso poderia ser ruim?

Mas se não é essa a pergunta que todos os colunistas e "especialistas" da grande imprensa fazem todos os dias? Como algo tão bom pode ser ruim? Não subestimem a capacidade criativa do PIG, o partido da imprensa golpista.

Com interesses partidários e políticos acima de tudo, este exército inútil tenta, o tempo todo, transformar notícias boas em ruins, e ruins em catástrofes. A quem tentam enganar?

Se o grau de investimento encher nosso país de dólares e super-valorizar o real, isso não será problema. O governo poderá desonerar as exportações ou ainda, em um cenário mais grave, fazer o banco central intervir no câmbio. Desvalorizar uma moeda será sempre mais fácil que valorizá-la.

E a inflação? Bobagem... Todo mundo sabe que isso está sendo causado pelos efeitos externos sobre os preços dos alimentos. Estamos dentro da meta, não há nada descontrolado, como tantas vezes entoa o mantra da imprensa.

Mas se a "catástrofe" do grau de investimento for inevitável, como ecoa o PIG em prosa e versos, tenho uma sugestão interessante:

Que tal mandar uma missão de paz à sede da agência Standard & Poor com várias mulatas de carnaval e pedir para que eles nos despromovam desta "desgraça"? Se não der certo, sugiro enviar uma fotografia do FHC e dizer que ele está bem cotado nas pesquisas para 2010! Isso vai afugentar o grau de investimento na hora, com certeza.