terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Estão rifando Serra?

Eu sou otimista por natureza. Para mim, Serra era o grande comandante do PSDB após a era FHC. O revés que se o Brasil evitasse, estaria no caminho certo.

Até então, a idéia de que a direita possuía outro plano que não incluísse Serra era pessimismo demais para mim. Só que isso pode ser verdade! Estão rifando Serra em alguns nobres Blogs do PIG.

Isso nunca aconteceu até hoje, ele sempre foi o adorado pela imprensa. Durante a época do acidente do metrô chegaram a citar casos "semelhantes" para resguardá-lo de culpas. No escândalo dos cartões corporativos, colocaram Serra em rede nacional para "explicar" porque o seus gastos eram melhores que os do governo federal.

No entanto, duas manifestações recentes do PIG chamaram-me a atenção. No blog do Noblat [1], há uma grande citação reclamando sobre a demora de Serra em tornar-se candidato, além de uma frase afirmando que Dilma só "perde para ela mesma". Termina o artigo com um desânimo em Serra que é de dar dó. "Possível, é, embora...[SIC]*". O que aconteceu?

O Blog de Lúcia Hipólito [2] segue um caminho semelhante. Esbraveja que o governador Serra estaria em um "inferno astral" e que sua campanha é "desorganizada, sem comando, sem planejamento [SIC]*". Estaria Serra sofrendo mesmo uma queda de popularidade na PIG-nata de nossa sociedade?

Em meio a isso tudo, fico ponderando se um plano B com Aécio ou até mesmo Ciro seria melhor para Dilma do que um embate contra este cara. Se por um lado a imprensa é toda Serrista e outro nome poderia sofrer um rejeição, por outro as duas opções que citei parecem bem mais com o típico Collorido que a Globo e seus PIG-afiliados tanto desejariam para emplacar como paladino da ética,  único capaz de espantar os "radicais do PT" e restaurar a democracia no Brasil.

O certo é que estamos em fevereiro de 2010 e ainda falta muito para as eleições. Meu palpite é que Serra recuperará a nobreza junto à imprensa assim que as chuvas rarearem e a maioria tiver esquecido do prefeito Kassado, digo, Kassab. Assim, seguirá o caminho de ser o candidato da oposição. A maioria dos tucanos continua achando que o povo não entenderá Dilma como a candidata de Lula e verá Serra como o "economista competente" que tanto a mídia tentou pintá-lo.

Eu sei, são só conjecturas. Tudo ainda pode mudar. Fiquemos de olho nestes colunistas. Suas relações com o lado negro da força podem nos dar dicas de como se movimentam os podres poderes da política brasileira.

* Não sou um às no português, mas a grande mídia está cada vez menos versada no assunto. Tive que adicionar [SIC] a ambas as citações pois existe erro primário de pontuação. Noblat separa o verbo do resto do predicado e de uma conjunção, fazendo uma salada de vírgulas que não digeri bem até agora. Já Hipólito faz uma enumeração e separa o último item com uma vírgula. Se está para fazer vestibular não leia o PIG e muito menos o meu Blog! Vai ler um livro!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Televisão - 180 graus de revolução

A televisão como mídia passou por várias mudanças neste últimos 30 anos. Muita gente ainda não percebeu que está assistindo TV de forma completamente diferente.

Lá para a década de 80, por exemplo, muito mais pessoas possuíam o hábito de assistir televisão. Eu, por exemplo, passei grande parte da minha infância colado à telinha. O jornal nacional e a novela das oito eram quase como um encontro familiar. Todos assistiam.

Naquela época, a maioria das casas só possuía um aparelho de televisão, que ganhava tratamento nobre e ficava no centro da sala. Eu tinha o hábito de me esticar no sofá para assistir desenhos animados durante a tarde e filmes pela madrugada. Só ia para a cama para dormir.

Quando passei a contratar o serviço de TV à cabo, no meio da década de 90, o interesse por televisão aumentou ainda mais. Podia ver séries, filmes, esportes e documentários, ou seja, muito mais opções do que antes. Lembro-me de ter colocado um televisor ao lado de minha cama, para que eu pudesse assistir TV deitado antes de dormir.

A individualização da televisão foi a primeira mudança no modo de assistir TV. Com a queda dos preços dos aparelhos, mais pessoas passaram a ter televisores nos quartos. A TV a cabo, por sua vez, possibilitou uma segunda mudança, o aumento da qualidade e da diversidade da programação disponível.

Mas a grande revolução no modo de assistir TV ainda estava por vir, e aconteceu a partir de 2000 com a popularização da internet banda larga. Gosto de me referir a esta mudança como a revolução 180 graus da televisão.

Com o aumento do interesse por internet, o computador passou a ser o centro das atenções e a televisão ficou em segundo plano. A maior parte das pessoas fica no PC lendo notícias ou e-mails enquanto o televisor está ao lado se esforçando para chamar a atenção, o que consegue em certos momentos. Houve uma rotação de 90 graus no modo de assistir TV, pois agora o monitor é que está na frente, e a TV ao lado.

Mas o interesse por televisão ia diminuir ainda mais. Neste momento que escrevo, em 2010, percebo que o aparelho de TV do meu quarto fica muito tempo desligado, e mesmo quando ligado praticamente não atrai minha atenção. Com as opções disponíveis na internet, como orkut, tweeter, tv por stream [1], youtube e outros, estou hoje apenas ouvindo falar sobre os programas que estão passando na televisão aberta ou a cabo. É como se o aparelho estivesse fora do meu campo de visão, nas minhas costas, a 180 graus.

Meus poucos programas de TV favoritos eu normalmente assisto no computador. Percebo um crescente desinteresse na telinha que foi minha fonte de entretenimento por tantos anos. Será o fim da televisão?

Promete-se que a TV digital mudará isso. A interatividade, quando estiver finalmente implementada,  talvez possa atrair novamente a minha atenção com conteúdos interessantes e diversos. Até agora, estou desanimado e pessimista, são poucos os canais em alta resolução e a programação é a mesma droga de sempre


Agora que a televisão já circulou 180 graus na minha casa, acho improvável que ela retorne ao seu nobre status. Quem sabe no futuro com muito trabalho e esforço a TV volte a ter o mérito de ficar na frente de todos nós, me forçando a voltar neste espaço e escrever um novo infame texto chamado, Televisão - 360 graus de revolução.