segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Durou muito, mas um dia acaba...

Todo mundo sabia que um dia a direita voltaria ao poder. Desde 2002 eu penso desta forma, imaginando que os bons tempos um dia acabarão.

Agora é infelizmente o momento da direita moderada e até mesmo da extrema. Virou moda defender a "meritocracia", a divisão das classes sociais, o estado mínimo e o fim dos gastos sociais e direitos trabalhistas. Quem criou estes monstros?

Ouvimos os "bolsonaretes" em polvorosa gritando que os eleitores do PT defendem bandidos! Parte da nossa elite intelectual está, infelizmente, completamente perdida.

Eu, pessimista que sou, achei que este mau tempo voltaria com Alckmin em 2006, com Serra em 2010 ou com Aécio em 2014.

Mas quis o destino, de forma irônica, que a direita voltasse em 2016 com um golpe do PMDB, que disfarçou-se de centro e cooptou tucanos e demos, além de parte da antiga base aliada.

O impeachment é um duro golpe à nossa democracia, aos partidos trabalhistas e à luta de classes no país. Mas o pior serão as perdas de direitos, o fim do investimento público em educação, saúde e previdência, além do pacote de "malvadezas" que ainda está por vir.

O governo já sinalizou aumento de impostos, ao som do silêncio dos seus defensores.

Mas chega de reclamar da vida, esta é a hora de levantar a poeira e dar a volta por cima! O Brasil já se recuperou de coisas bem piores do que este golpe, e precisa de toda nossa força.

Quando estiver desanimado com a política, lembre-se que nosso presidente poderia ter sido o Serra logo em 2002, ou seja, pelo menos tivemos uma década de avanços sociais, que não serão apagados.

Até que durou muito! Se alguém tivesse me dito que o PT ficaria no podem por 14 anos eu nunca teria acreditado.

A luta continua.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Lavillenie e as vaias


Eu não vi nada de absurdo nas vaias que recebeu o francês Lavillenie durante a final do salto com vara. Nem eu nem o jornal francês Le Monde, que aliás condenou fortemente seu compatriota pelos comentários ridículos nos comparando a nazistas.
A verdade é que Lavillenie não estava no seu melhor naquele dia. Quando tentou o salto que poderia ter-lhe dado o ouro pela primeira vez até tomou uma pequena vaia, mas depois muitos bateram palmas marcando o passo para a tentativa de seu salto, que naquele momento já desbancaria o brasileiro.


Depois que o Thiago Braz pulos seus incríveis seis metros e pouco, o francês se viu em posição de extrema pressão, e neste momento a multidão fez muito mal em vaiar. Deveria ter gritado Allez le Bleu e cantado La Marseillaise a capella e ainda sim veria Lavillenie perdendo a chance de seu derradeiro salto, pois havia errado há alguns minutos outros menos difíceis.

Sentiu a pressão, sentiu a dificuldade de fazer ao vivo, naquele momento, sendo o campeão mundial. Isso acontece com nossos atletas, com todo mundo na verdade. As vaias não foram 1% da sua derrota, e como grande campeão o francês deveria ter tido espírito olímpico para reconhecer isso.
Não cumprimentar o brasileiro foi a gota d'água. Dá-lhe vaia, agora totalmente merecida! Não duvido nada que se a situação fosse inversa o brasileiro seria escoltado a uma embaixada para ser imediatamente deportado.
Hoje 17 de agosto de 2016, em entrevista à Globo, Lavillenie afirmou que não quis dizer que o Brasil era nazista. O que quis dizer então? Isso não ficou muito claro. Pediu umas desculpas esfarrapadas e continua dizendo, embora de forma mais escorregadia, que a multidão reagiu com o mesmo tratamento que os nazistas deram a Jesse Owens. Ao que parece a vitória do Thiago Braz abalou muito mais que qualquer vaia ou ação que a gente faça. C'est la vie...
http://sportv.globo.com/site/programas/rio-2016/noticia/2016/08/campeao-olimpico-critica-lavillenie-por-nao-cumprimentar-braz-desrespeito.html

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O fim do Brasil como conhecemos

Estamos em uma das piores épocas políticas do pós ditadura. O golpe anda a passos largos, cada vez com mais apoio. O congresso, todo investigado e delatado pela Lava Jato, derrubará a presidenta eleita democraticamente para fazer as reformas anti trabalhistas que tanto deseja, além de paralisar todas as investigações da polícia federal. Com certeza será o fim de um jornada de investimentos em educação, distribuição de renda e políticas sociais. O fim de investimentos públicos em pesquisa e na Petrobrás. Tudo minguará, será vendido e deixará de existir. O futuro do CEFET e das escolas técnicas será incerto, pois sabe-se que para este governo Temer, corrupto e golpista, cursos técnicos são gastos excessivos e desnecessários. Toda a transformação e inclusão social promovida por estes meios será travada. O governo Temer não foi eleito, por isso não possuirá qualquer compromisso com a população. Poderá ser o fim de nossos direitos trabalhistas, alguns conquistados há décadas como FGTS, férias e décimo terceiro salário. O povo assiste a olimpíada atônito, incapaz de perceber que os atletas que prezamos receberam longo patrocínio e bolsas do governo Dilma e agora serão largados de lado. E daqui há alguns anos, quando tudo estiver uma droga, o golpista dirá que isso é tudo culpa do PT e toda a mídia acreditará. E o povo continuará achando política muito chato, voltando a dormir no ponto como sempre fez até hoje. Até quando?