terça-feira, 14 de julho de 2009

2 para mim, 1 para você...

"O que o povo brasileiro precisa mesmo é de emprego!"
"O Brasil precisa de uma reforma trabalhista para gerar mais empregos."
"Vamos diminuir impostos e gerar mais empregos."

Fale estas frases em público que veja o que seus amigos e familiares acham sobre estas idéias.

Já fiz isso e adianto o resultado, a maioria deverá responder que estão corretas estas ideologias. Muitos não estarão pensando por si, mas repetindo o hipnotismo que cerceia a intelectualidade brasileira. Vou usar este espaço para mostrar por que descordo de tanta gente.

Primeiramente, deve-se desfazer a idéia de que emprego distribui renda. Ora, no capitalismo ninguém joga para perder. Para cada funcionário que uma empresa contrata por um salário X ela espera receber um lucro maior que X pelo trabalho deste funcionário. Nada errado nisso, é a base da boa administração e do capitalismo. Empresas com lucro menor que o salário dos funcionários estarão fadadas à falência. Esta é a teoria do "2 para mim, 1 para você".

Cada vez que o lucro das empresas é recolhido e os salários são pagos, os donos ou acionistas das empresas estarão mais ricos que os trabalhadores que geraram a riqueza, pois receberão mais fatias do bolo. Neste modelo concentra-se renda cada vez que a economia roda, e é assim em todo mundo.

Os Estados Unidos são um ótimo exemplo disso. Poderia-se imaginar que a economia mais rica do mundo também deveria possuir o menor número de pessoas sem casa própria ou ganhando menos do que o custo de vida, mas não é. Deveria ser o país com a melhor distribuição de renda mas não é isso que ocorre. Guardadas as diferenças de escala, os Estados Unidos têm problemas sociais tão graves quanto o Brasil, e a riqueza do país também está nas mãos de poucos.

Ao final de muitas rodadas de recolhimento dos lucros e pagamento de salários, grande parte da população estará com apenas uma pequena fatia da riqueza do país, talvez nem mesmo o suficiente para sobreviver. A maior parte estará concentrada no bolso de poucos. Estes terão poder para dominar os jornais, a televisão e a mídia como um todo. Terão poder e dinheiro para eleger quem estes quiserem, para mandar e desmandar. Parece familiar?

A única coisa capaz de parar este processo e impedir a concentração total de renda chama-se imposto. Ninguém gosta de pagar, eu incluído, mas é a única forma. O governo, supostamente bem intencionado, recolhe uma parcela do lucro das empresas e das pessoas e reinveste na sociedade. Paga os salários dos professores, dos servidores públicos e investe em educação, saúde, bem estar social, na cultura e em outros interesses.

Fazer reforma trabalhista e reduzir impostos poderá ser muito bom para a economia, mas será terrível para a concentração de renda. Mesmo que mais pessoas possam ter emprego, a teoria do "2 para mim, 1 para você" continuará valendo e só conseguiremos possuir uma fatia muito pequena da riqueza do país, enquanto um pequeno grupo de empresários e políticos controlará toda a economia.

E se o governo não for bem intencionado? Não tem problema. Na próxima eleição eu posso votar na oposição ou no grupo político que eu achar ter melhores intenções. Ninguém pode votar contra Carlos Slim, o o milionário mexicano das privatizações. Fica muito mais difícil acabar com a concentração de renda uma vez que ela já é muito grande.

Sempre que um político ou comentarista da televisão vier com papo de reduzir impostos para gerar empregos lembre-se que ele defende as idéias do patrão dele, e que a fatia do bolo relativa aos impostos poderá perfeitamente voltar para gente, mas a concentração de renda nas mãos dos grandes empresários nunca voltará. "2 para mim, 1 para você..."

China education does not "play good" [SIC]!

Há alguns anos uma certa revista que não vale nada, cujo título começa com V e termina com eja, publicou algo que o PIG muitas vezes repercutiu como falha de governo no Brasil e mérito do capitalismo Chinês - a educação.

Sabemos que a nossa educação não é lá essas coisas. Embora a maioria das crianças esteja nas escolas [1], a qualidade fica a desejar. Houve muitos avanços no governo Lula, mas precisa melhorar muito para ficar razoável.

Só que o Brasil é uma democracia, e isso significa que a imprensa, ONGs e a sociedade civil podem fazer suas críticas mostrando como é ruim o salário do professor de nível fundamental, como são péssimas as condições em sala de aula, ou em outras palavras, cobrar para que nossos governantes resolvam os problemas de nossa educação.

E a China? Sabemos que no país da ásia prospera uma pesada ditadura. Não se pode criticar abertamente o poder vigente! Todos os dados sobre educação, além de muitos outros, são fornecidos pelo próprio governo. Tudo furado, certamente.

Não se ouve nada de ruim sobre a educação Chinesa porque estes comentários foram suprimidos na marra. Há severo controle sobre os meios de comunicação e a internet. Até mesmo falar sobre direitos humanos já pode dar cadeia, imaginem vocês se algum Chinês vai reclamar por melhores salários em uma escola de nível fundamental, ou dizer que as condições de trabalho não são as melhores. É uma ditadura! Se quiser viver vai ter que baixar a cabeça e concordar.

Por que será então que a revista Veja publicou uma edição especial sobre a China mostrando que lá existe educação de primeiro mundo? Ora, por que o Brasil naquela época estava com um crescimento muito baixo, enquanto a China crescia na faixa dos 10%. Todo mundo sabe que o objetivo deste semanário do esgoto jornalístico é falar mal do governo Lula, mesmo sem fatos, dados, ou qualquer verdade. Nenhum jornalista da revista foi à china apresentar versão imparcial sobre o assunto, até mesmo por que estava arriscado a levar bala se o fizesse.

Eu também não fui à china, mas apresento-os provas da total e completa falta de coerência em erros risíveis, crassos, ridículos, presentes na maioria dos produtos de origem chinesa. Estes erros mostram o nível da qualidade da educação chinesa. Vejam alguns deles:

Defecator! Ninguém na fábrica era capaz de usar o Google.

Crap your hands? Corretor ortográfico era uma boa!


Bolo em garrafa!

Mais um erro de falta de corretor ortográfico

Os produtos apresentados aqui não são exceções, mas sim o padrão dos produtos Chineses. E a educação? Ninguém em uma fábrica de 50 ou 100 operários foi capaz de usar o Google translator? Ninguém tinha nível de primeiro período de inglês para perceber absurdos? Ninguém podia usar o msn e perguntar qual era o correto? Senta aí que tem mais:

100% happy virus! Sem comentários

Galfos [SIC] e Colheres usadas! Um bom presente...


Por favor trazer de casa o excremento de seu pet. Que pessoal organizado!

Meu deus! Drink for them colourfulfor them! Não sei nem qual é o produto...

"Don't crash!" Não quebre!
Era fácil descobrir que seria melhor Fragile.
Hot-Kid é também hilário...


Alguém poderia até questionar que estes erros são também um retrato da diferença cultural. Pode ser, mas de qualquer forma, aquela educação que os Chineses tentam vender para todo mundo não é verdade! Se uma fábrica com mais de 100 chineses não tem pelo menos UM funcionário com cultura suficiente para copiar algo no Google, então a escolaridade nestas regiões da China deve ser menor que 1%. Estamos mal, mas este índice conseguimos bater.

E praticamente não há produto Chinês que não tenha estes erros. Vejam mais alguns:

Sempre penso na sua coisa! Eu hein...

Esse chinês tinha alguma noção, mas não era grande coisa...


Com uma rápida busca no Google pode-se perceber que "cock" é galo em Inglês. Mas não desabilite o "Safe Search", ou você vai perceber que "cock" é também uma gíria para outra coisa!

Cultura só vem com o tempo, e a democracia é parte deste processo. Eles estão investindo em educação, isso se sabe, mas será acessível a todos? Deve ser como no Brasil da década de 60 o u 70, também em ditadura, só quem tinha acesso à escola e educação era filho de rico. Pobre, só se desse sorte.

No Brasil temos grandes problemas, mas estamos muito mais no caminho certo do que os Chineses. Eles tem a vantagem de ter mais de 1 bilhão de trabalhadores, mas nós temos a criatividade e a democracia, não se pode colocar um preço nisso!

Para terminar este texto volto ao título. Se perguntássemos sobre isso a Joel Santana, este certamente diria: "Brasil education play good!". Representa a educação Brasileira bem melhor que os produtos Chineses, com certeza.