quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Trump e seus eleitores da oitava série

Terminei de ver o debate Hillary x Trump, o primeiro de três, e me impressiona a quantidade de pessoas que votam no Trump. Ele é uma besta.

Em um determinado momento ele disse que os EUA deveriam "knock the [hell out] of ISIS". Ele não falou o hell dessa vez, mas sempre fala.

A política de Trump será cobrar dos países estrangeiros pelo serviço que os "militares americanos oferecem" em todo o mundo.

Trump quer reduzir impostos, para cerca de 15% dos lucros em empresas. Engraçado é que este é mesmo valor de impostos federais cobrados no Brasil. Ele diz que vai dar certo.

Hillary quer aumentar os impostos. Mais de 35% ela diz. Obama também disse isso nos seus debates.

Trump culpa o Mexico e a China por todos os problemas dos USA. Não me lembro de nenhum destes países vendendo derivativos. Mas este tipo de comentário infla o ego americano, e ganha seguidores.

Uma parte do debate não existiu, foi "surreal" como descreveu a analista da NBC. Houve uma bate-boca de lembrar das eleições dos anos 80 aqui do Brasil. Trump se dá bem nesta, pois suas palavras são mais curtas e seu discurso contém frases de efeito. Hillary parece que está enrolando, mas em 2 minutos não dá para explicar muita coisa sobre assuntos tão complexos.

Falando em Brasil, este tipo de debate bate-boca não ocorre aqui porque eles cortam o microfone do candidato quando ele fica "alterado". Fica a dica.

Depois houve outro atrito em que Hillary afirmou que Trump concordou com a invasão do Iraque. Ele diz que não, ela disse que sim. Um auê por nada. Filho feio não tem pai.

Até os convidados "republicanos" da NBC concordam que Hillary é a única candidata viável. Incrível como não há qualquer discordância neste ponto, entre "democratas" e "republicanos".

Meu entendimento de inglês e cultura americana está perto de alguém da oitava ou nova série do fundamental. Se eu tivesse esta educação, e a maioria dos votantes americanos tem, talvez eu me inclinasse a votar no Trump, sem perceber o quanto ele é idiota.

Soma-se isso aos irritados com o a derrota de Bernie nas primárias e a eleição está aberta novamente.

Como a "especialista da NBC" disse: os eleitores de Trump parecem não se importar muito com fatos e dados.

Será que Trump ganharia a eleição aqui no Brasil? Lá na maior economia do mundo ainda há chance...

https://www.youtube.com/watch?v=855Am6ovK7s

domingo, 25 de setembro de 2016

Selva Amarela

Assisti aos capítulos finais de Velho Chico e achei a novela introspectiva demais. Foi incomum, atípico para o formato.

Até certo ponto interessante, pena que repetitivo, como todo tipo de produção com exibição diária.

Em um dado momento ouço Fagundes mandar um papo de "rouba mas faz", que parece ter sido o ápice da ideologia rala, mal pensada e desconectada da realidade que seguiu o folhetim.

Artisticamente falando, nota-se o absurdo da iluminação e maquiagem exageradamente amarela. Muito cansativa. Tudo se passa às 5 da tarde? O nordeste não é assim não...

Os diálogos lembram uma trama de cariocas que se mudou para as margens do rio São Francisco.

A fotografia é fantástica. Não podia deixar de ser. Fugiu, finalmente, do formato multi-câmera que regia todas as produções noveleiras da Globo. O que não se usa em drama desde a década de 70 nas TVs americanas.

Um avanço, pena que tão tarde. Continua difícil de assistir, como se fosse um remake artístico de "Selva de Pedra". Quem sabe "Selva Amarela"?

A pressa da medida provisória e o futuro do curso técnico

Leio a MP da educação e continuo sem entender qual o objetivo do governo. Principalmente, qual era a urgência em apresentar uma medida provisória (MP). Esta MP se baseia em reservar 1200h do ensino médio (algo entre um ano e um ano e meio) para cumprir a tal Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que ainda não está totalmente pronta. As disciplinas que constarem nesta base comum continuarão existindo, pelo menos em metade (ou menos da metade) dos três anos do ensino médio. Isso inclui Filosofia, Sociologia, Artes, Educação física e outras. Mesmo que a BNCC seja publicada e amplamente aceita neste ano de 2016, as mudanças só começam a ocorrer em 2018. Até lá, outro governo pode ser eleito e mudar tudo. Por que motivo o governo está tendo pressa? Até 2018 sobra tempo para editar um projeto de lei e não abreviar a discussão. Mal pensado. Sobre o futuro do curso técnico, em face à esta medida provisória, acho que continua tudo como está. Tem que cumprir as 1200h do BNCC e o resto da carga o aluno escolhe como quiser. No CEFET, tenho certeza, vários alunos vão deixar de fazer o curso técnico e apenas complementar a carga com disciplinas do médio mesmo. Isso deverá ser permitido, pelo menos na minha interpretação do texto da lei. Melhor assim, pior é ter alunos em sala que não querem assistir sua aula. Alguns professores do médio estão protestando pois desejam suas disciplinas obrigatórias, com a alta carga de hoje, em todos os anos de ensino médio. Vai por mim pessoal, melhor um aluno interessado, que escolheu fazer sua disciplina, do que um monte que foi obrigado pelo sistema a te aturar. Em outras palavras, o aluno terá o direito de escolher o que quer cursar. Isso é muito legal. Será que terão maturidade para tal? Essa é outra história. Obs.: o notório saber foi a bizarrice desta MP. Parece que o objetivo do governo é aumentar o número de professores, que está escasso. Mas precisava ser desta forma?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

MP (maluco provisório) do Ensino Médio

Consegui encontrar o texto completo do MP do ensino médio neste site:

https://avaliacaoeducacional.files.wordpress.com/2016/09/mpdoensino_medio_09_16.pdf

O texto está meio maluco: primeiro diz que 1200h de ensino médio (hoje são 2400h no mínimo) será composto pelo básico obrigatório a ser definido pela base nacional comum curricular (que já recebeu 12 milhões de contribuições e deve sair em 2017).

Depois o texto diz que o ensino médio passará (um dia) a ter 1400 horas anuais, ou seja passará a ser integral (4200h no total em três anos).

Isso quer dizer que o ensino médio "básico", obrigatório e igual para todos acabará em menos de um ano?

No texto também se lê que o resto da formação (depois das 1200h obrigatórias) será escolhida pelo aluno, incluindo línguas, ciências da terra, matemática, ciências sociais e o curso técnico. Então esta formação optativa a escolher terá 3000h?

Um curso técnico hoje tem 1200h, ou seja, dá para fazer dois técnicos...

O texto REALMENTE fala que educação física e artes não é obrigatório. Apenas matemática e português. Lógico que muito provavelmente estas disciplinas, assim como outras, serão incluídas na base nacional. Então passam a ser obrigatórias novamente, embora fazendo parte apenas destas 1200h. Em outras palavras, um pouco mais de um ano em regime parcial ou menos de um ano em regime integral.

Se eu entendi certo, haverá um corte enorme em MUITA COISA no ensino médio. Isso vai dar o que falar.

O melhor ponto do MP diz que o que for ensino na parte "optativa"  do médio pode virar créditos no ensino superior. Muito legal isso! Falo sobre isso desde que me formei como técnico. Será que o pessoal do "superior" vai aceitar esta mudança?

De forma geral, estou desconfiado demais deste texto. Mal feito, atravancado e mal redigido. Não parece que foi discutido por muito tempo. Talvez não tenha qualquer resultado prático.

Parece coisa para inglês ver. Alias, inglês também fará parte da formação. Espanhol dançou...

sábado, 3 de setembro de 2016

Não votei no Temer nem na Dilma

Rola na internet a ideia de que foram os petistas que elegeram Temer, ou seja, são culpados pelo golpe e responsáveis pela atrocidades cometidas por este traíra. Que bobagem.

Quero aproveitar este espaço para afirmar categoricamente que nunca votei na Dilma ou no Temer. Nem no Lula ou em qualquer outro. Esta é uma simplificação infantil do processo eleitoral que escolhe nossos governantes.

Não se vota em uma pessoa para presidente, não é como síndico do prédio. Em 2014 eu votei "13" pelo conjunto das ideias, pelo projeto, pela continuidade de um governo que tirou milhões de pessoas da miséria e criou um recorde de escolas técnicas e universidades pelo Brasil.

Em momento algum eu votei "13" dando carta branca para um traíra colocar o DEM no ministério da educação, dando asas a homofobia e ao preconceito trajado de meritocracia.

Também não elegi ninguém para desmontar a Petrobrás, chutar o pau da barraca da CLT e meter a vara na previdência.

Se Dilma resolvesse fazer o ministério e as reformas propostas por Temer ela também seria golpista, sem ter proposto qualquer impeachment.

Mesmo considerando a hipótese, que de forma incontestável, Dilma tenha cometido crime de responsabilidade, o governo Temer seria ilegítimo simplesmente porque as ideias implementadas hoje nada correspondem às apresentadas pela chapa e coligação vencedora das eleições de 2014, com mais de 50 milhões de votos.

É golpista mesmo. Não tem palavra melhor que o represente. Pena que a maioria está adorando ou pouco se importando com o que aconteceu. Até quando?

Dilma Vana jogando CS

Hoje uma mulher em um grupo do WhatsApp da qual participo, resolveu postar a história de que Dilma assassinou, roubou banco, atirou em militares e outras malvadezas.

Além disso, Dilma tinha um codinome Vanda e também era traficante de drogas. Ou seria amiga de traficante? Fica difícil manter o registro de tanta criatividade. 

Desta vez a dita cuja dizia conhecer um tal coronel que jura ter sido alvejado, ou quase, por Dilma em um confronto armado. Teria sido no Counter Strike? 

Para variar, nada encontrei na internet sobre o tal coronel indicado, citado pelo nome e tudo. Querem que eu acredite que esta é a desconhecida história não contada de um ataque armado que ninguém registrou. Nem mesmo os militares.

Não aguentei o volume de bobagens e resolvi questionar, assim como vários no grupo. A pessoa ficou irritada e postou uma foto antiga de Dilma com uma arma no fundo, que depois descobri ser montagem das eleições de 2010.

E ela ainda dizia: "vai dizer que é montagem?".

Ao final a mulher fica com raiva e sai do grupo, ainda mais enfurecida com os outros do que comigo que comecei a questionar a bizarrice. 

Moral da história: Dilma saiu de cena mas continua alimentando o ódio no coração das pessoas. Uma pena.