domingo, 30 de dezembro de 2012

O Brasil de verdade não está na Globo

Quem vê novela deve achar que o Brasil vai de mal a pior, que há exploração de menores em todas as esquinas, trabalho escravo e tráfico de bebês. Para os autores da Globo a criminalidade manda no país e a todos somos corruptos.

A economia está no buraco segundo os padrões artísticos globais. Todos estão desempregados, procurando ocupação até em outros países. A maioria se arrisca a ser serviçal em qualquer local de quinta categoria na Europa, pois é melhor do que ficar aqui onde aparentemente não há nem o que comer.

Os poucos que sobram no país são os malandros, que vivem de bicos a tomar sol nas lajes de suas palafitas. Ganham dinheiro alugando bebês para pedir trocados no sinal ou até mesmo roubando, quando não estão envolvidos com negócios ainda mais escusos como drogas e contrabando.

Se você não concorda com a forma com que o país é retratado nas novelas da Globo então junte-se à quem escreve este texto. Este não é, nem de longe, o país que vivemos.

Um péssimo exemplo da forma com que o país é retratado está na novela principal, chamada Salve Jorge, onde a Globo quer vender a ideia de que uma adolescente bonita, que mora na cidade grande e possui muitas oportunidades, está desempregada e desesperada o suficiente para aceitar ser garçonete em um bar no exterior. E veja só que não é em Paris ou Milão, mas sim nos confins da Turquia. Alguém já avisou a este pessoal de criação que o desemprego está em 4%?

Posso até acreditar que isso acontece em certos casos, mas é ridículo pensar que este seja o padrão para a juventude no Brasil. A rede Globo vê o país como a republica das bananas, onde não há polícia e a única oportunidade é ser bandido.

Esta é uma realidade que parece ter nascido do imaginário de quem mora naqueles conjuntos apart-hotel da Barra da Tijuca, região nobre do Rio de Janeiro. É para falar sobre pobre na novela? Então vamos descrevê-lo como malandro e ladrão.

Enquanto o Brasil da Globo está preso à década de 80, o de verdade, na qual todos vivemos, está  crescendo fortemente com o vigor de um grande e promissor mercado interno. Quem quer trabalhar está com certeza empregado e muito possivelmente com bom salário. Deve ser cada vez mais difícil convencer que estamos em um barco furado, mesmo se o objetivo fosse apenas comover o público.

Mas tenho certeza que não é apenas para fazer drama e gerar audiência. A Globo utiliza todo o seu espaço, incluindo suas novelas,  para induzir o povo a rebelar-se contra o governo. Eles querem vender a imagem de que o Brasil está na pior para que a votação de seus políticos venerados seja melhor nas próximas eleições. Os partidos que são amplamente apoiados pelos Globais todos nós conhecemos, são aqueles que defendem a redução de impostos, o neoliberalismo e o governo mínimo.

No fundo, a cúpula da Globo ganha altos salários e está de olho em reduzir seu imposto de renda, IPVA e IPTU e outros gastos. Pensamento de quem não dá a mínima para o país.

Mas enquanto a economia continuar a todo vapor ninguém dará trela para mais esta tentativa sórdida da emissora dos filhos do Marinho. O brasil continuará crescendo vigorosamente mesmo com toda a força para baixo que faz a falsa intelectualidade de quem produz este tipo de conteúdo.

Temos nós mesmos que mostrar nosso país para o mundo, pois a mídia sempre jogará contra. Somos um povo criativo, trabalhador e feliz. Totalmente diferentes das mocinhas bocós e dos vilões mais ridículos do que o esqueleto do He-Man.

Não estamos desesperados para ir para outro país buscar a vida! Este é não é mais nosso Brasil há pelo menos 10 anos, dona Globo. Acorde para cuspir!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Impostos e o Brasil que queremos

Tendo visto os três debates da eleição americana uma coisa me chamou a atenção: ambos os candidatos citaram que o imposto de renda nos EUA para os 5% mais ricos, o topo da pirâmide de salários, gira em torno de 60%.

Na verdade, Obama já declarou abertamente que tentará aumentar esta arrecadação e acusa o adversário Romney de planejar diminuí-la. Interessante como o debate de impostos é diferente do Brasil, onde é tabu dizer que o governo precisa de mais dinheiro.

A arrecadação americana de impostos é monstruosa. As alíquotas são altas e a sonegação dá cadeia com certeza. Considerando que os EUA não possuem sistema de saúde para todos ou mesmo ensino superior público, percebe-se claramente a discrepância para o Brasil.

Aqui os salários mais altos pagam apenas 27,5% de imposto de renda e ainda gozam de faculdade pública para os filhos. Além disso, podem ser atendidos no SUS em caso de acidente ou doença muito grave. A comparação com nossos vizinhos do norte deixa claro que isso não se sustenta.

O Brasil que queremos, com saúde e ensino públicos de qualidade necessita, com toda a certeza, de um aporte de impostos mais consistente. Os ricos precisam pagar mais para que tenhamos seguridade social para nossas famílias, ou para sempre teremos as escolas e hospitais caindo aos pedaços.

A discussão sobre impostos cai sempre no mantra da grande mídia de que pagamos muito, que somos os primeiros do mundo em arrecadação e outras mentiras deslavadas. Tamanho é o massacre de informações incoerentes que nenhum dos candidatos à presidente, nos últimos 30 anos, jamais cogitou aumento de alíquotas como fez Obama e Clinton nos Estados Unidos.

Empresas e pessoas com muito dinheiro manobram nossa classe média para que pensem que o governo gasta mal e que a diminuir impostos estimula a economia. Sindicatos patronais gastam uma fortuna em eventos, congressos e quem sabe até mesmo em agrados à mídia para fazer prevalecer seus ideais de estado zero. A Globo frequentemente divulga aquele ridículo impostômetro, uma enorme farsa montada pelos empresários para justificar benesses que eles tanto exigem.

Pode ter certeza que o período de bonança do governo Lula foi subsidiado pelo aumento na eficiência da  arrecadação, possível graças ao combate à fraudes e sonegação. No governo Dilma há bem menos espaço para obter recursos extras e meu receio é que neste ritmo nunca teremos boa educação e saúde. Uma triste realidade que tantos fingem não perceber.

Sem uma maior contribuição das pessoas e empresas mais ricas seremos para sempre um país pobre com péssima distribuição de renda, muito parecido com o tempo da colônia e escravatura. Lembre-se disso quando a mídia vincular bravatas, gritos e vassouras anti-corrupção: eles não se importam com o roubo, querem apenas mais dinheiro para eles.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O absurdo julgamento do mensalão

Alguém sabe o que o Collor, o mensalão mineiro, os anões do orçamento e os crimes da ditadura tem em comum? Todos foram inocentados pelo STF.

E em todos estes casos é senso comum de que havia crime e culpa dos envolvidos, embora se saiba que apenas isso não basta. Para privar uma pessoa da liberdade ou lhe sentenciar pena é imprescindível que sejam apresentadas provas irrefutáveis de sua culpa, não apenas indícios. Nos acostumamos a esta aparente sensação de impunidade pois é a lei de nossa sociedade, todos têm direitos iguais e ampla defesa.

Por causa disso eu pensei, no julgamento do mensalão, que a imprensa traria, nas últimas horas, factoides que permitissem a condenação de Dirceu e outros odiados pela mídia mesmo na total carência de fatos reais. Não houve necessidade.

Ao que parece, a total falta de provas nunca foi um empecilho para a condenação de um injdivíduo, bastava vontade jurídica. O que faltou ao STF no julgamento das nefastas torturas da ditadura sobrou na análise dos autos do mensalão. O testemunho de Roberto Jefferson, inimigo político e corrupto confesso, foi mais do que se precisava para colocar alguém na cadeia.

O que ocorreu foi um retorno digno aos nebulosos dias onde nossa democracia tombava no supremo com a extradição de Olga Benário, com o cancelamento do registro do partido comunista ou mesmo com o apoio ao golpe militar de 64.

A presunção de inocência da constituição e o direito ao controverso foram jogados aos leões, devorados por uma mídia que se empenha em derrubar o governo desde a posse de Lula. Houve um enorme floreamento de argumentos para tornar isso tudo possível. Alguns deles estão no vídeo abaixo:


O ministro do STF Lewandowski foi trucidado por defender seu ponto de vista. Ele afirmou o óbvio: que não se pode ter certeza de que Dirceu ou Genoíno comandaram a compra de votos no congresso. Pode até ser que tenham feito, mas esta afirmação precisa de provas e na ausência delas a inocência é a única conclusão possível.

Pena que nunca houve a mesma dura aplicação de argumentos no julgamento de Cacciola, Dantas, Maluf e outros tantos contra os quais pesavam provas de verdade, totalmente ignoradas. Neste último caso considerou-se a idade avançada como empecilho à condenação! Tudo vale para salvar os amigos.

E aos inimigos nem mesmo a dura lei foi o bastante. Precisou-se rasgar a constituição na ânsia pelos holofotes da Globo, em um grande exercício de distorção que deixou qualquer professor de literatura estupefacto com as figuras de linguagem.

O STF teve que aplicar um sem número de licenças poéticas para condenar os réus do mensalão. No novo dicionário jurídico criado especificamente para este julgamento foram incluídos termos como "Culpa Plausível", aquela que se admite sem necessidade de argumentos, "Elasticidade de Indícios", aquele que estica até que prove o que se deseja, "quimera de verdade", mentira considerada verdadeira e até mesmo o criativo "provas indiciativas", que são usadas quando faltam fatos.

Apesar disso, a jurisprudência criada pela condenação sem provas não é nada nova, vem desde os tempos da escravatura onde bastava o testemunho de um branco para que o negro fosse sentenciado a morte. Hoje não é na raça em que se apoiam os argumentos, mas no grupo político que ousou enfrentar o poder econômico e a mídia.

Não sei se os acusados tem interesse em apelar a um tribunal internacional, ou mesmo se isso fará alguma diferença. O que tenho certeza é que em julgamentos futuros estes preceitos de condenação plausível não serão usados quando os réus forem os senhores da casa grande. 

É triste perceber que banqueiros e ricos empresários serão sempre defendidos pelo STF até mesmo quando a polícia federal apresentar provas incontestes, que serão consideradas ilegais pelos motivos mais fúteis. Foi irônico assistir os mesmos ministros que agora posam para fotos com postura dura e ilibada e que recentemente se escandalizaram com as algemas nos banqueiros corruptos. Esta é a realidade de nossa justiça que insiste em não se desenvolver como o resto de nossa sociedade.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Freixo e as mentiras do Facebook


O pessoal do Freixo está entulhando a internet com notícias falsas e compartilhando um monte de mentiras no Facebook. Uma vergonha!

Quem não recebeu uma foto de uma careta que o Paes fez ao comer algo quente em uma escola? Na legenda, o pessoal do Freixo colocou que a comida estava estragada! Parece que eles realmente tem sua própria noção de realidade.

Depois disso, na maior naturalidade, recebi uma pesquisa totalmente falsa, com gráfico editado e até selo do Ibope, mostrando Freixo com 25% e Paes com 45%. Sonho da zona sul...

Agora, a onda é compartilhar a "notícia" de que a pesquisa de três diferentes institutos está manipulada e Freixo, apenas ele, tem muito mais votos do que se diz. Para confirmar tamanha bobagem usam o argumento de que a última pesquisa das eleições de 2008 dava Gabeira 10%, e este acabou recebendo  25% dos votos nas urnas. Tudo errado!

A última pesquisa do Datafolha antes das eleições de 2008 dava Paes com 29% e Gabeira com 17%. Vejam só os links abaixo:

http://eleicoes.uol.com.br/2008/rio-de-janeiro/pesquisas/datafolha/rj_01102008_datafolha.jhtm

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2008/interna/0,,OI3224518-EI11874,00-Datafolha+Eduardo+Paes+lidera+com+no+Rio.html

Por que não colocaram os dados corretos? Ora, porque senão a mentira teria pouco impacto. 

Outra coisa vergonhosamente errada é que esta pesquisa do Datafolha está, assim como qualquer outra, incluindo votos brancos e nulos. O resultado final das eleições, que deu Paes 32% e Gabeira 25%, contabiliza apenas votos válidos!

Em suma, estão comparando um resultado de uma pesquisa antiga, cerca de um mês antes do primeiro turno de 2008, que incluía brancos e nulos, com o resultado final das eleições contabilizando apenas votos válidos. Uma salada de bobagens!

Escrevo este texto há quatro dias do primeiro turno das eleições de 2012 no Rio de Janeiro, onde há  grande chance de eleger Eduardo Paes no primeiro turno mesmo. As pesquisas podem até estar enganadas, mas isso não justifica utilizar dados errados e distorcidos para tentar convencer o eleitor. Essa não é a primeira vez que o pessoal do PSOL vem com mentira no Facebook. 

Vale lembrar que em 2008 houve um grande crescimento do Gabeira nos últimos dias antes das eleições. Além disso, a votação dele estava crescendo pesquisa a pesquisa. Dizer que houve manipulação é uma enorme forçação de barra, ainda mais para desfavorecer Gabeira, o paladino dos colunistas da Globo.

Mas segurem-se nas cadeiras porque até o próximo domingo, data do primeiro turno das eleições, ainda vai ter muita mentira na internet. O pior será quando o resultado vir e começar o mimimi de fraude. Terrível!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Com uma "freixada" tudo se resolve!

O crescimento de  Marcelo Freixo, candidato à prefeito do Rio de Janeiro, é um interessante fenômeno sociológico. Analisando as manifestações de voto no Facebook e outras mídias percebo que a ampla maioria procura em Freixo uma solução para todos os problemas da cidade, um mártir cuja presença afastaria todos os males da sociedade moderna.

O candidato do PSOL é a solução para acabar com as milícias, dizem seus inveterados eleitores. No entanto pouco se discute o que o prefeito Freixo, cujas atribuições não incluirão chefiar segurança ou polícia, poderia fazer contra o crime organizado nas comunidades do Rio.

Freixo vai resolver tudo em um grito, sonham seus eleitores. Mas não se comenta como fará para diminuir o IPTU, conforme promessa de campanha [1], e ainda assim dar aumento de salário aos professores do município [2]. Uma pena que seus inflamados discursos, embora muito bonitos, façam foco no que está errado na cidade e não em soluções para estes problemas.

No transporte público, a "freixada" vai resolver nossa vida construindo metrô e trem [3], mas nada se apresenta de concreto considerando que a prefeitura não possui recursos para estas obras. Ambos os transportes são caros e exigem anos de projeto, além da desapropriação de grandes áreas na cidade, o que contradiz a política de remoção zero frequentemente citada pelo candidato [4]. Percebe-se claramente a falta de realidade de Freixo e a idealização de mundo perfeito típica de seu seguidores apaixonados.

Falando em eleitorado, virou moda fazer parte dos "freixados" depois do apoio declarado de artistas [5] [6] [7] à sua candidatura. Além disso, a grande mídia exalta o candidato do PSOL como grande opção para a política carioca [8]. Seus defensores, principalmente no Facebook, sonham alto com uma cidade sem violência, com transporte, educação e saúde de primeiro mundo. Como? Ninguém sabe...

O sucesso recente de Cabral e Paes no Rio de Janeiro se deu exatamente pela aliança com Lula e Dilma. Grande parte dos recursos das UPPs, UPAs e transporte público veio da esfera federal. Temo que a administração de um partido radicalmente oposicionista, não só ao PT como a tudo, será terrível aos cariocas. Ainda mais quando o PSOL começar a dizer que tudo de ruim no Rio de Janeiro é culpa de Dilma.

Governar é a capacidade de fazer alianças, e a única que faz o PSOL é com a direita de PSDB e DEM [9] [10] [11]. Uma pena que o eleitorado de Freixo não questione a validade desses apoios e dobradinhas que o partido dos limpinhos faz com demos e tucanos.

Uma coisa é verdade: só há espaço para sonhos e "freixadas" em uma cidade com a magnitude dos defeitos do Rio de Janeiro. A violência é ainda um grande problema e temos um dos piores índices de educação e saúde do Brasil. Com este quadro é normal que alguns eleitores se seduzam com as soluções simples da esquerda psolista.

Devemos lembrar que o buraco em que estamos é fruto de 20 anos de administração do DEM, com Maia e seus colegas. Não podemos imputar em Eduardo Paes, prefeito dos últimos quatro anos, décadas de descaso com o transporte, saúde e educação. Mas isso a maioria já entendeu, até porque o atual candidato do DEM lidera a lista de rejeição.

Mas ainda há setores da sociedade que buscam a solução fácil, a "freixada". Não compreendem que não há atalho para o desenvolvimento, não há solução simples para nada. Saúde e Educação receberam muitos investimentos recentes e o transporte está melhorando com o RioCard e o BRT. Já a violência, diminuiu muito com o apoio da guarda municipal e com as UPPs. Lógico que existem muitas falhas, mas é um resultado bastante razoável que se obteve no mundo real, não no imaginário das ausentes experiências de Freixo e do PSOL.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vai de Freixo? Eu não...

A campanha de Marcelo Freixo para prefeito da cidade do Rio de Janeiro não é muito maior que alguns minutos de propaganda política. Sem coligação, apoio ou recursos, seu nome deveria ser completamente desconhecido. Por que então escrevo um texto sobre ele?

Porque Freixo virou a grande sensação do Facebook. Recebo diariamente dezenas de manifestações e compartilhamentos pedindo votos ou listando suas muitas qualidades. No círculo de amizades que tenho, principalmente alunos e ex-alunos, há uma grande concentração de votantes em Freixo, tão grande que ultimamente não há como ler as atualizações de meus amigos sem que haja pelo menos um comentário enaltecendo este cara.

Como se pode perceber pelo título, não compartilho de tal tendência. O motivo pelo qual não me solidarizo com a inflamada campanha do PSOL é um escaldado de antigas experiências, uma época collorida (SIC) em que um rostinho bonito com o mesmo discurso anti-corrupção mergulhou o país em uma enorme crise econômica e institucional. Isso eu não quero nunca mais!

Fórmulas pronta à parte, a campanha de Freixo não é muito diferente das de Collor, Heloísa Helena ou Marina Silva. Discursos anti-corrupção, pouco tempo de TV, poucos recursos e ideias vazias. Mas sobre isso eu já havia falado à exaustão quando escrevi sobre os candidatos instantâneos em pó, o que pode ser lido neste texto.

Não conheço Marcelo Freixo e mesmo que me provassem ser o cara mais legal do mundo não teria meu voto. As pessoas não devem escolher o prefeito ou governador da mesma forma que o atacante da seleção. Pouco me importa se ele fez grandes gols contra a corrupção ou direitos humanos, o trabalho de prefeito não é este. Em suma: nunca vote na pessoa, vote no partido!

O partido é mais importante pois o prefeito vai certamente nomear secretários e subsecretários que, com suas equipes, vão gerenciar outros profissionais que farão a cidade funcionar. O mandatário principal, por mais biônico que seja, vai ser capaz apenas de supervisionar o trabalho. O partido político do prefeito, ou a coligação que o elegeu, é que será responsável pelo suprimento do pessoal que vai realmente botar a mão na massa, fazendo todo o trabalho.

Logicamente, votar em Marcelo Freixo é eleger o PSOL para prefeito, e isso eu não quero fazer! Vamos lembrar que o PSOL é formado por aquela liderança maluca do PT da década de 80 que queria implementar o "comunismo" no Brasil. São os radicais, sempre contra tudo e contra todos.

O PSOL defende o anticapitalismo, o calote da dívida pública, o sindicalismo radical que não negocia e principalmente aquelas greves sem fim. Isso quando não resolvem fazer dobradinha com o PSDB e DEM para reforçar o coro do quanto pior melhor, dando caldo àquelas CPIs do fim do mundo onde nada se discute de sério.

Embora até existam grande mentes no PSOL, as boas ideias são infelizmente perdidas em meio à falta de praticidade de quem defende sandices como a "ruptura do modelo econômico". Caso Freixo seja eleito arriscamos ter nas secretarias do município do Rio de Janeiro alguém que tenha afiado discurso contra as multinacionais ou mesmo a Petrobrás. Quem lembra do estardalhaço sem sentido que o PSOL fez naquela CPI ridícula que investigava as "denúncias da Veja" contra a Petrobrás?

Associado à total inexperiência administrativa, as idéias tortas deste partido certamente trarão o caos à cidade do Rio de Janeiro. Pouco adianta ter boas intenções ou ser honesto e rígido contra a corrupção sem a capacidade de negociar, intermediar e buscar soluções melhores e viáveis para todos. Essa habilidade é muito importante e necessária na vida real, mas falta tanto aos grevistas das universidades quanto ao pessoal do PSOL. Será mera coincidência?

Votar em Freixo por se entusiasmar com seu discurso contra a corrupção ou violência é uma ingenuidade eleitoral. Sua administração será um desastre assim que tiver que lidar com as dificuldades da vida real de uma cidade que coabita interesses tão diversos. Em um momento onde o Rio de Janeiro recebe grandes investimentos do governo federal para a copa e olimpíadas é uma péssima pedida eleger um partido que fez seu nome sendo oposição radical à Lula, Dilma e tudo que existe. Me desculpem os que votam no Freixo, mas eu quero uma prefeitura que trabalhe e resolva os problemas de verdade da cidade, se fosse para filosofar sobre o capitalismo e fazer protesto aí sim eu chamaria o PSOL. Nisso eles são muito bons.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A atrapalhada greve de professores federais de 2012

Nunca pensei que um movimento de greve pudesse ser tão atrapalhado como este dos professores federais de 2012.

Sindicatos brigando, professor sem saber quem o representa, plebiscitos por Email e outras estripulias. Ninguém sabe o que está acontecendo!

No site da Andes, supostamente o mais importante sindicato dos servidores federais, há uma análise da proposta do governo que mais parece trabalho de corte e colagem de criança. Um amontoado de texto com cores e fontes diferentes que ninguém sabe dizer se é real ou conjectura. Desisti de ler.

Este mesmo Andes, que agora está vigorosamente empenhado na greve, ignorou totalmente o início do movimento. Assistiu passivamente, mais interessado em suas eleições internas, associações de professores de várias universidades e escolas técnicas reclamarem por melhores salários e carreira atraente. Já o Proifes, outro dos muitos sindicatos de servidores, já estava negociando com o governo muito antes da greve começar, em nome de quem é que ninguém sabe.

Depois da greve estourada o Andes percebe a bobagem e resolve bradar que abraçava o movimento, assim como político que dá beijo em criança para aparecer na foto. Sempre tratando o governo como seu pior inimigo, o Andes nunca esteve inclinado a negociar e certamente refutaria qualquer das propostas do governo. O Proifes resolveu aceitar a segunda proposta considerando que era a melhor possível em sua análise. Sob gritos de "pelego" para todo lado, o Andes radicaliza seu discurso agora também contra o Proifes, com direito a muito "repúdio".

E agora o governo avisou que não abre novas negociações e não se pode nem tirar a razão deles. Depois de tanto tempo de conversa é normal que não se queira gastar ainda mais latim com o Andes, que nunca fará qualquer concessão na mesa de negociação.

O mais engraçado é que a greve continua sem que qualquer sindicato apresente uma proposta concreta com números e impacto orçamentário, algo que se prove viável considerando o teto que o governo possuí. A Andes, por exemplo, apenas radicaliza o discurso com um claro intuito de utilizar nosso movimento como campanha para partidos de esquerda que hoje dominam o espectro sindical. A greve é ótima para eles assim como está, no impasse.

Nesta confusão a gente se estrepa e mais ainda os alunos. Não receberemos o aumento prometido pelo governo, mesmo aquela porcaria parcelada para 2015, e estamos expostos à possibilidade de termos nosso ponto cortado. O pior disso tudo é o recado de inaptidão, desorganização e faniquito radical que passamos à toda a sociedade que nos observa sem nada entender. Nem eu entendo completamente!

Torço para que esta greve acabe mesmo com esta aparente derrota parcial. Desta confusão de experiências deve surgir um movimento sindical mais antenado e que volte a representar de verdade os professores. Sem política e jogo de cena, apenas trabalho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Candidatos instantâneos em pó e a marcha das madames

Toda eleição aparece um candidato que não é da oposição nem da situação, nem a favor ou contra, nem direita ou esquerda. São os candidatos instantâneos em pó.

Aparecem de repente como a inesperada cor dos refrescos Tang. Ninguém sabe sua ideologia ou aquilo que defendem, nunca trabalharam em lugar algum ou possuem resultados políticos relevantes. São apenas novos adorados pela mídia e pelo público.

Inicialmente desconhecidos, começam a conquistar pouco a pouco uma parcela da população que é sempre susceptível a este tipo de discurso, ou seja, um vazio moral contra a corrupção e tudo o que está aí. Em algumas semanas de campanha passam até a ter chance de serem eleitos.

Desconfio ser sempre a mesma parcela da população que cai no conto do candidato instantâneo. Apesar de raramente ganharem a eleição, muitas vezes os novos queridinhos levam a disputa para o segundo turno e apresentam-se como grandes pedras no sapato dos favoritos.

A grande parte dos votantes dos candidatos em pó pode ser descrita como classe média-alta, geralmente A ou B, que frequentemente usa o discurso de corrupção para validar sua ideia de redução de impostos. Indignados com a política, se unem à causa instantânea não se importando com a falta de propostas ou mesmo com a aparente incapacidade do candidato.

Os apolíticos, os odiadores de impostos, os indignados com a corrupção, os raivosos que acham que tudo está errado e a classe média antinacionalista são o público alvo do novo candidato instantâneo. Este grupo pode ser denominado como a "marcha das madames" e rapidamente inunda as redes sociais com brados de um mundo melhor... para eles logicamente.

Quero mostrar, neste espaço, alguns dos mais importantes candidatos instantâneos dos últimos anos para que se perceba as características citadas. Todos arrebataram os votos de milhões de brasileiros com o mesmo discurso vazio de revolta, indignação e mudança. Não possuíam, infelizmente, qualquer conteúdo além de uma mistura de vaselina e rostinho bonito para foto.

1) Collor (1989, eleições para presidente)

Talvez um dos mais fortes candidatos instantâneos de todos os tempos. Em algumas semanas, Collor conquistou toda a "marcha das madames" com um vazio discurso de corrupção contra os "marajás". Ninguém o conhecia antes, nenhuma contribuição política relevante além de ter sido governador de alagoas por dois anos.

Com boa aparência e retórica, Collor teria tido o mesmo destino fracassado de todos os candidatos em pó não fosse a ajuda da Globo e o medo dos ricos em ter Lula como presidente. Mas esta é outra história.

Politicamente inábil e totalmente despreparado, a eleição de Collor foi um alto preço pago por um país seduzido pelas idéias em pó. Será que aprendemos a lição?

2) Heloísa Helena (2006, eleições para presidente)

Se Heloísa Helena tinha alguma proposta de governo isso não interessava. O importante era mostrar a todos seu discurso aos berros contra o chamado mensalão, conquistando jovens e adultos indignados com a corrupção. O fato é que não foi autora de leis ou quaisquer contribuições relevantes. Mesmo assim, era a queridinha da mídia e das "madames" na época das eleições de 2006.

Mesmo com uma campanha barata e discurso vazio, arrebatou cerca de 7% dos votos válidos e empurrou aquela eleição para o segundo turno. Hoje é vereadora por Maceió, provando que o instantâneo é tão rápido para surgir como para sumir.

3) Fernando Gabeira (2008,  Eleições para prefeito na cidade do Rio de Janeiro)

Gabeira pode ter sido, depois de Collor, um dos mais eficientes candidatos instantâneos. Embora já fosse amplamente conhecido como deputado, como defensor da maconha e outras controvérsias, o lado candidato a prefeito ninguém conhecia.

O verde aliou-se à oposição, PSDB e DEM, mas isso não quebra a regra típica do candidato em pó, ou seja, não ter lado definido. Sua posição não era claramente demonstrada em campanha, apenas a bravata enraivecida da anti-corrupção.

Assim como o Collor, não obteria grande sucesso sem o amplo apoio da mídia, principalmente da Globo, que nunca incomodou Gabeira até mesmo quando este pagou viagens para filha com dinheiro público em 2009.

Perdeu por menos de 2% dos votos sem saber onde ficavam as refinarias no Rio de Janeiro e, dizem as mais línguas, não voltaria para casa se estivesse perdido em Madureira. Mesmo desconhecendo a cidade onde mora e sem qualquer proposta interessante, Gabeira conquistou o voto da classe média-alta e das "madames", com muitas manifestações no Orkut e até protestos depois de sua derrota.

4) Marina Silva (2010, Eleições para presidente)

Dizem que Marina foi um Gabeira de saias, e assim como seu aliado de partido, defendia o mesmo discurso vazio em praticamente qualquer outro ponto além do desmatamento.

As verdadeiras propostas de Marina Silva serão ainda tema para historiadores no futuro. Fato é que a ausência de idéias e total desconhecimento do Brasil como um todo não impediu a maciça votação que recebeu. Foi claramente um dos motivos para a eleição de 2010 ir ao segundo turno.

Tendo conquistado as "madames" em pouco tempo, Marina foi altamente badalada pela mídia e teria se aliado à oposição neoliberal e privatizante não fosse o veto das lideranças antigas do PV no segundo turno.

Mas chega de chutar cachorro morto. A candidata Marina já morreu e eu cansei de falar mal dela, se quiser ler sobre os muitos motivos para eu não ter votado nela, clique aqui. Assim como eu desconfiava, o destino da verde foi o mesmo de qualquer refresco Kisuco, fica na geladeira um tempo e depois vai para o ralo.

5) Marcelo Freixo (2012, Eleições para prefeito na cidade do Rio de Janeiro)

A receita instantânea realmente não enjoa nunca, como se pode perceber claramente pelas novas manifestações das "madames" no Facebook. O discurso? Corrupção e rostinho bonito. Parece familiar?

Sem coligação, apoio ou qualquer experiência política e administrativa, Freixo já conseguiu a façanha de obter cerca de 10% dos votos na última pesquisa em julho de 2012. Se terá chance de ser eleito dependerá da boa vontade da mídia em levantar o seu nome sempre com segundas intenções.

Propostas para a cidade não importam, muito menos experiência, o que conquista é exatamente a ideia de mudar. Como não interessa.

Mas sobre Freixo ainda há muito o que dizer, e isso eu deixarei para os próximos textos. Aguardem...

Resta ao povo aprender com seus próprios erros. O candidato instantâneo nada tem a apresentar ou propor e sua administração terá o mesmo sucesso do cachorro que finalmente consegue alcançar a roda do carro. As pessoas devem perceber que mudar tudo radicalmente a cada quatro anos não vale à pena, e que devemos participar da evolução da nossa cidade e da nossa política com propostas e boas ideias. O discurso enraivecido contra tudo e todos deve finalmente ser percebido como oportunista e vazio, incapaz de enfrentar e resolver problemas de verdade.

domingo, 15 de julho de 2012

A mágica do radicalismo jovem

A adolescência é um momento de descobertas e o esquerdismo radical é claramente uma delas. Todo mundo que gosta de política tem seu primeiro contato nos grêmios das escolas, sendo rapidamente atraídos pelas ideias de revolução, anarquia e transformação. Pena que é tudo discurso vazio.

Quando se é novo não se percebe de imediato a falta de clareza e realidade dos partidos radicais. O inflamado discurso de mudança soa tão bem que conquista os corações e mentes de nossos jovens, que simplesmente buscam uma referência neste mar de informações tão intolerável à típica impaciência juvenil.

O radicalismo de certos partidos, principalmente PSOL e PSTU, parece aos jovens muito mais simples e prático. Não se percebe, obviamente, a falta de concreticidade de quem nunca governou nada. Não há dinheiro? Paramos de pagar a dívida. Investimento e salários baixos? Aumenta-se! Inflação? Isso é conversa de capitalista burguês! Tudo possui solução fácil, não é mesmo?

Este texto é escrito em um momento que recebo no Facebook diversos comentários sobre os altos gastos de nossa dívida em relação ao PIB. Poucos que comentam percebem que estes valores já foram muito maiores do que os de hoje, tendo sido necessários muitos anos de luta para que chegássemos a este ótimo cenário, considerado terrível pelos mais novos.

Ora, nossa dívida é o dinheiro que o Brasil precisou para se desenvolver desde o tempo da ditadura. Ainda precisaremos de muito mais, tenha certeza disso! O país é como uma empresa e a dívida são suas ações no mercado. No momento estamos com grande confiança e o Brasil está em claramente em alta. O que será que aconteceria se decidíssemos parar de pagar o que devemos?

Eu mesmo respondo: uma enorme recessão local e talvez mundial. Serão necessárias muitas gerações para que o país se levante novamente e que se possa ter dinheiro para nossas eternas demandas sociais. Se a educação está ruim com 3% do PIB, ficará muito pior quando o investimento for 100% de nada.

O que não se desculpa são os adultos que embarcam nesta história. Parece que não viveram a época de desemprego de FHC ou a inflação desenfreada dos anos 80? Não sabem que trocamos grande parte de nossa dívida externa por interna no governo Lula para diminuirmos nossa dependência ao estrangeiro? Não viveram a revolução da classe média destes últimos dez anos? Não tem desculpa ter mais de trinta anos e ainda cair na asneira de acreditar no papai noel das ideias radicais de esquerda.

O caminho para o desenvolvimento é lento e não inclui destruir tudo o que está aí. Foram oito anos de Lula com conquistas importantes. Somos agora um povo que trabalha e consome e seremos sim um país que estuda e que produz tecnologia. Aguarde e confie.

Os gastos com educação vão aumentar a medida que o juros da nossa dívida cair. Dilma está neste barco junto com milhões de brasileiros de verdade, que sabem que nada vem de graça com a facilidade do discurso vazio radical. Há muito o que enfrentar para que possamos ter o Brasil que queremos e não há atalhos, apenas muito trabalho.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A democracia não avança sem um pouco de retrocesso

A comunidade internacional está perplexa com o impeachment de Fernando Lugo, presidente do Paraguai. Até aqui no Brasil há movimentação para que sejam feitos protestos e passeatas, enquanto a maioria dos países do Mercosul ainda está decidindo como agir.

Eleito em 2008, Lugo quebrou a hegemonia do partido conservador, o mesmo desde o tempo do ditador Alfredo Stroessner. São mais de sessenta anos de controle do mesmo grupo político, portanto todos sabiam que a luta de Lugo não seria fácil: enfrenta a mídia conservadora, grupos políticos arraigados ao poder e uma elite não se importa com nada além de seu próprio lucro. Parece familiar?

Quem derrubou Lugo foi o próprio legislativo, ou seja, eleitos pelo povo. Tudo ocorreu em um processo estranhamente secreto onde houve pouca oportunidade para ampla defesa, o que fez a cassação soar um tanto quanto apressada e desengonçada. Mesmo assim, não há um claro golpe de estado, tudo foi  aparentemente causado pela própria falta de habilidade política de Lugo.

Os paraguaios podem ter sido vítimas de seus próprios votos. Assim como no Brasil, há pouco engajamento político e isso se reflete fortemente nas eleições. Mudança deveria ser a palavra de ordem quando as coisas não vão bem. Assim, se não estavam contentes com os sessenta anos de administrações passadas, parece totalmente sem sentido que tenham eleito tantos deputados e senadores dos partidos conservadores.

Nada mesmo justifica a forte tendência de direita na política paraguaia. A maioria da população sobrevive com pouco mais de cem dólares mensais e a distribuição de renda é uma das piores do mundo. Mergulhado em corrupção, sonegação, contrabando e economia informal, o Paraguaí é uma versão hardcore do Brasil,  pobre e com uma desigualdade ainda mais marcante. Haja jinge bonitinho e marqueteiro que convença alguém a votar em quem sempre lutou para nada mudar nesta realidade.

Este aparente retrocesso que vemos no Paraguai não é nada incomum, faz parte da democracia. Aqui mesmo no Brasil vemos isso de perto. Um senado oposicionista, por exemplo, quase derrubou Lula no auge do  mensalão e voltaria a tentar, tenham certeza, não fosse um grande jogo de cintura de alianças do governo. Ninguém está imune aos interesses do grande capital e da raivosa elite preconceituosa.

Quem ainda pode fazer algo por si é o próprio povo paraguaio. Se derrubam o presidente e todos se acomodam, nada há que se fazer alem de lamentar. Ir às ruas e demostrar insatisfação pode ser a chave para ter Lugo de volta. Não se adquire consciência política da noite para o dia, mas este pode ser a oportunidade para um momento marcante na história do Paraguai, um passo para trás que forçará uma reação popular e poderá permitir um avanço de muitas décadas na democracia de nosso vizinho.

O Brasil e os países do Mercosul podem até impor sanções, mas acatarão a decisão do congresso caso não se perceba apoio popular à causa de Lugo. Devemos perceber que o Paraguai nada mais é do que o Brasil algumas décadas para trás, e assim como na campanha das diretas e na eleição de Lula em 2002, só o povo tem o poder de fincar o pé no chão e exigir que sua vontade seja acatada. A bola está no campo deles agora, só podemos exigir jogo limpo e torcer pela vitória da democracia.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Lula e Gilmar, uma história sem pé nem cabeça.

O conto de fadas que a revista Veja, com o perdão da má palavra, publicou neste fim de maio, consegue ter menos sentido que filme B de sessão da tarde. Trata-se da maior bobagem publicada contra o governo desde a história dos dólares de Cuba.

Pelo que consta no semanário, o ministro do supremo Gilmar Mendes teria sido chantageado por Lula para que adiasse o julgamento do mensalão. Parece piada, mas não é.

A tentativa de chantagem teria ocorrido, verifique o tempo do verbo, em um encontro ocorrido há mais de um mês no gabinete do ex-ministro Nelson Jobim.

Como a maioria dos "escândalos" publicados por Veja, este é mais um factoide que pode ser destruído usando apenas a lógica. Só mesmo alguém que acredite no Harry Potter poderia em sã consciência achar que o presidente Lula, com mais de 30 anos de política, tentaria chantagear Gilmar em frente a uma testemunha.

Além disso, se Lula quisesse interferir no julgamento do mensalão, não seria mais inteligente que ele pedisse favores aos seus indicados no supremo. O ex-presidente indicou 6 dos 11 ministros do supremo, ou seja, a maioria deles.

A ideia de que Lula procuraria Gilmar, indicado por FHC e claramente oposicionista, para pressionar a ajudá-lo é totalmente ridícula. Seria o mesmo que tentar treinar um lobo para proteger o galinheiro. Seria como instalar um vírus no computador para resguardar suas senhas. Uma idiotice que assustaria pela mediocridade, não fosse ter sido publicada por Veja.

Lula já emitiu nota negando tudo, Jobim estava no encontro e também já desabonou a versão fantasiosa de Gilmar. Não dá para entender como ainda tem gente que cai nesta historinha da oposição.

Gilmar está mesmo é encrencado por suas ligações com o bicheiro Cachoeira. Diz-se, à boca pequena, que o ministro do supremo teria utilizado o jatinho particular de uma das empresas do contraventor, tamanha intimidade que havia entre eles. Também se sabe que os comparsas de cachoeira frequentemente usavam a expressão "Gilmar mandou subir", para indicar que haveria facilidade quando os pedidos chegassem ao supremo.

Também é estranho o fato do ministro ter resolvido denunciar o ocorrido apenas um mês depois da reunião onde foi supostamente chantageado. Esdrúxulo foi ter escolhido a Veja como veículo de suas alegações ao invés de seguir pelas vias judiciais. Tudo isso apenas mostra que o elo Cachoeira-Gilmar-Veja é muito mais forte do que se imaginava.

Mas o ponto alto da história estava por vir nesta última semana quando a empresa Truster Brasil resolveu aproveitar o factoide para promover sua máquina detectora de mentiras. Talvez para o computador não seja tão fácil perceber que Gilmar anda fazendo afirmações com pernas curtas, mas mesmo assim foi possível para o  software indicar "segmentos fraudulentos" e "stress elevado" na entrevista que o ministro deu a GloboNews, onde foi questionado sobre o fato.

Não é a primeira vez que Gilmar é o centro das atenções da Veja. Em outra oportunidade ele se envolveu no escândalo do grampo, onde acusava o governo de ter acesso a seu telefone particular. Mais um factóide, pois o áudio do suposto grampo nunca foi liberado pela revista. A maior prova de que isso não era verdade é que teria sido muito mais fácil descobrir tudo sobre cachoeira muito antes da operação da polícia federal.

Só para terminar, o julgamento do mensalão importa muito pouco para Lula agora. Não há provas que sustentem as acusações e nada de novo em um escândalo que foi muito mais uma briga política. Lula se elegeu e fez seu sucessor na época em que isso ainda dava alguma audiência. Agora é só esperar que a mídia faça o último carnaval com este samba de uma nota só, que só causará algum efeito nos famosos escandalizados colunistas da grande imprensa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A falácia do sódio nos refrigerantes


Dizem que refrigerante faz mal pois tem muito sódio. A Coca-Cola Zero, por exemplo, tem 28mg de sódio a cada 200mL. Isso é muito, um absurdo, uma desfaçatez para a saúde, dizem os entendidos.

Mas isso tudo é uma bobagem do pessoal metido a nutricionista. Se sódio fizesse assim tão mal à saúde teríamos que banir todo tipo de comida, salgada ou doce.

A gente come muito mais sódio no feijão e arroz do dia a dia do que em qualquer refrigerante. A cada 1Kg ou 1L de comida, um bom cozinheiro coloca, no mínimo, uma colher de sopa rasa de sal, ou seja, aproximadamente 8g de NaCl. Considerando que o peso atomico do sódio é 23 e do cloro 35, tem-se 40% de sódio no sal de cozinha.

Assim, se cada pessoa come aproximadamente 800g de comida por refeição, o total de sódio consumido será:

8g/Kg * 40% * 0.8Kg = 2,6g = 2600mg por refeição!

Em outras palavras, consome-se 2600mg de sódio por refeição! Que desastre nutricional!

Para que o sódio consumido no refrigerante chegue ao valor de uma refeição seria necessário tomar 92 porções de 200mL, ou seja, cerca de 18L de Coca Zero! Percebe-se, então, a falácia de que refrigerante faz mal por causa do sódio.

Não que eu esteja defendendo que refrigerante faça bem, mas não me parece que o problema seja o sódio. Em uma refeição de 800g acompanhada de uma Coca Zero temos 2% do sódio no refrigerante e 98% na comida propriamente dita! Só fará alguma diferença, logicamente, para uma pessoa com problemas de saúde que já tenha cortado totalmente o sal de suas refeições.

Mas não se preocupe que continuaremos a ver muita gente falando mal sobre o sódio nos refrigerantes e sucos de caixinha. A maioria das pessoas é muito mais fã de cientologia do que de ciência e adora espalhar bobagens pela internet. Uma pena...

domingo, 3 de junho de 2012

Greve de 2012 e um balanço de oito anos como professor federal

Há cerca de uma década decidi seguir a carreira docente. Fiz concurso para professor do curso técnico do Cefet-RJ e passei para Eletrônica. Assumi em 2004.

Naquela época o salário estava realmente ruim, o que não diminuía a grande concorrência pela vaga de servidor público. Vivíamos em 2004 uma tênue recuperação do país depois do desastroso segundo mandato de FHC. Todos estávamos ganhando muito mal, além do desemprego que teimava em assombrar a vida do brasileiro.

Antes de ser professor, eu já trabalhava como técnico há oito anos, ganhando um salário consideravelmente alto para este nível de escolaridade. Lembro-me que cheguei a ficar em dúvida se valeria a pena largar este emprego para ser professor, cuja exigência mínima é graduação em engenharia.

O salário inicial do CEFET em 2004, para quem tinha apenas graduação como eu, era de R$1637,21 mais R$121,50 de alimentação. Como a alimentação é paga em dinheiro no contracheque, o total bruto do salário chegava a R$1758,71. Cerca de 20% menos do que o que eu ganhava como técnico de nível médio!

Se você não é professor federal fica aqui uma explicação de como funciona nosso plano de cargos e salários: o professor ganha um salário base somado a outras gratificações fixas que todos recebem. De tanto em tanto tempo, cerca de 18 a 24 meses, há uma promoção por tempo de serviço que adiciona cerca de 2 a 3% no salário base.

Além disso, o professor também recebe um adicional por sua titulação. Mestres recebem uma considerável quantia e doutores um valor ainda melhor. Quem só possui a graduação, como era o meu caso em 2004, nada recebe.

Já ouvi muitos professores dizerem que a categoria está ganhando cada vez menos, mas na verdade, houve uma considerável recuperação salarial no governo Lula. Um professor iniciante como eu era em 2004 ganharia hoje em 2012 um salário de R$2872,85 mais R$304,00 de alimentação. Um total de R$3176,85. Cerca de 81% a mais que a merreca que era paga em 2004.

De acordo com o IPCA, estes últimos 8 anos acumulam uma inflação de aproximadamente 43%, ou seja, houve cerca de 38 pontos percentuais de aumento real nos anos do governo Lula. Pouco, mas certamente muito mais do que a iniciativa privada pagaria. A tabela abaixo resume os números indicados neste texto.


E não foi apenas isso! No governo Lula houve unificação das carreiras de ensino técnico e superior. Hoje, um professor de qualquer faculdade pública ganha o mesmo que um professor de ensino tecnológico, desde que, logicamente, possua o mesmo tempo de casa e a mesma titulação. Professores do ensino técnico que possuem mestrado ou doutorado receberam percentuais de aumentos entre 30% a 50%. Bastante razoável.

Pequenas benesses também surgiram, como o aumento no número de possíveis promoções por tempo de serviço, que passou, com o novo plano de cargos e salários, de doze para quinze. O governo também iniciou um programa que paga uma pequena parcela dos planos de saúde dos servidores.

Os ganhos reais além da inflação nestes últimos oito anos são consideráveis, certamente mais mais altos do que os esperados na iniciativa privada. No entanto, não são de forma nenhuma suficientes para recuperar mais de 20 anos de sucateamento dos governos FHC, Collor, Itamar e Sarney. Esta constante recuperação salarial no governo Lula também explica porque houve poucas greves no período, todas sem grande mobilização da categoria.

No entanto, a maioria da recuperação salarial apontada pela tabela foi feita até 2009. Nos últimos 3 anos, houve escassos aumentos e isso acabou culminando na forte greve deste ano de 2012. Este movimento não acontece com tanto vigor desde antes do ano 2000. Ao contrário de outras oportunidades, não há interesse político do sindicato, apenas clara insatisfação dos professores com o corte de gastos de Dilma neste início de mandato.

A greve que está se firmando é justa, mesmo considerando que a atual presidente represente um grupo político que recuperou sensivelmente nosso nível salarial. É sempre hora de brigar pelos nossos direitos,  salários e benefícios. Não se sabe se com Dilma haverá um programa de recuperação salarial tão bom quanto na era Lula, mas se educação foi tema forte de campanha é o momento de mostrar não era apenas discurso político. Vamos a luta!

Obs.: Valores calculados para um professor federal de nível médio ou técnico. Para professores do ensino superior o reajuste foi bem mais baixo. Não é à toa que estes são os que fazem a greve neste momento.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

São 200 ou 2 ligações para Policarpo?

Estive pensando alto, comigo mesmo, sobre o fato da revista Veja ter publicado que seu diretor recebeu apenas 2 ligações de Cachoeira, e não 200 como foi veiculado pela mídia.

Minha primeira reação foi a triste constatação de que não consigo obter provas irrefutáveis sobre nenhum dos dois cenários. Se foram 2 ou 200, não tenho como afirmar sem dúvidas. Isso é frustrante, pois em um momento onde se afirma haver transparência e democracia não se consegue obter a verdade.

Fato é que apenas Veja sustenta a tese de 2 ligações. Sabendo-se de sua baixa credibilidade e grande interesse em defender seu diretor podemos sugerir que, muito possivelmente, existem mais ligações do semanário com o crime organizado de Goiás, algo que transcende a relação natural entre jornalista e fonte.

Uma reflexão mais profunda sobre os fatos me fez pensar que a afirmação de Veja pode ser, na verdade, o início de uma confissão de culpa. Algo semelhante ao que acontece quando se pega criança na mentira: a estória muda a cada vez que é contada.

Siga meu raciocínio: se eu fosse jornalista e alguém me acusasse de ter recebido 200 ligações de um bandido, eu poderia negar de imediato. Se não conheço o indivíduo, este não pode ter me ligado tantas e repetidas vezes.

Se ele tivesse sido uma fonte eventual em alguma investigação jornalística eu poderia afirmar, em público, que recebi apenas algumas poucas ligações. Nada de errado nisso, posso perfeitamente entrevistar um bandido ou contraventor e usar estas informações em uma reportagem.

Mas não foi isso que aconteceu. Quando surgiu, há um mês atrás, a denúncia das 200 ligações, Veja apenas afirmou que Cachoeira era uma fonte. Não fez qualquer menção ao fato de que seus telefonemas foram poucos e eventuais. Parece difícil acreditar que não sabiam, na época, precisar se foram 2 ou 200.

Mesmo em um período grande como 5 anos, 200 ligações representam algo em torno a três contatos por mês. Não dá para confundir tamanha intimidade com um quase desconhecido que só fez contato em duas oportunidades. Veja não percebeu o furo de sua desculpa, o tamanho do buraco da peneira que usa para tapar o sol que atinge sua mentira em cheio.

Se fosse um ladrão comum eu diria que este é o momento para pegá-lo em contradição. Estão desesperados. Parece que o próximo passo é afirmar que foram apenas 5, depois 20 e finalmente vai se saber tudo. Coisa de quem não consegue nem mesmo inventar uma boa mentira para esconder a verdade.

No entanto, tenhamos cuidado. A tática de Veja é muito mais esperta, dissimulada e suja. Farão de tudo para se defender, o que inclui destruir todos que estiverem no caminho. Reputações podem rolar e todos estão na mira desta metralhadora cheia de lágrimas. Uma cachoeira, pelo jeito.

Pode ter certeza que Cabral, Agnelo, Dilma, o PAC, Lula, ETs e até cidadãos comuns estarão no centro das atenções nas próximas edições de Veja. Tudo para desviar o foco do que pode ser a ruína desta revistinha de araque. Demorou muito!

domingo, 22 de abril de 2012

Vampiros estão de volta!












Recentemente, por algum motivo, resolveu-se desenterrar os vampiros de suas tumbas para empregá-los em  novos seriados de TV e filmes. Se você gosta deste tipo de ficção há muito o que ler e assistir. A indústria de entretenimento fez literalmente um pacto de sangue com o vampirismo.

O que talvez atraia o público é a mistura de vilão com mocinho. Nossos anti-heróis são atormentados pelo desejo, ao mesmo tempo que sentem culpa pelos seus atos. Muito parecido com qualquer ser humano, apenas amplificado.

Super poderosos, imortais e bonitões. Parece muito fácil fazer sucesso com este requisitos. Os vampiros estão na área desde o início do século 19, mas foi a partir da publicação de Drácula, quase no início do século 20, que os chupadores de sangue conquistaram fama mundial.

O súbito aumento de interesse no assunto não é coisa muito fácil de entender, nada de novo foi criado sobre vampiros nestes últimos vinte anos. Ainda assim, este tipo de ficção voltou a ganhar a atenção da maioria, mesmo que as histórias não passem de uma combinação das lendas que já existiam, principalmente para se adaptar aos tempos modernos.

Sobre o tema existe hoje um mercado de milhões de dólares. Cinco diferentes séries de livros, dois seriados de TV bem produzidos e alguns filmes com atores famosos. Mesmo com tanta grana e produção, há muito pouca coisa original e muitas histórias sofrem de uma repetição de padrões e pobreza intelectual.

Mas isso não significa que tudo seja de jogar fora. O sangue ainda pulsa por estas adaptações e gostaria de listar aqui minha opinião, os altos e baixos das três principais séries de vampiros. Vamos lá:

1) Crepúsculo

A maçã de crepúsculo, que o Edward
só come no quarto livro.
Esta é uma série de filmes e livros escritos por Stephenie Meyer, sendo crepúsculo apenas o primeiro deles. De todos, me pareceu o mais bem pensado, embora seja claramente voltado ao público adolescente.

Os vampiros de Crepúsculo são demasiadamente humanizados, menos monstruosos do que se espera. Podem caminhar na luz do sol, mas brilham e temem ser descobertos. Assim como em quase todas as histórias há uma preocupação em não permitir que os humanos percebam a existência de vampiros.

A trama é excessivamente romântica e descreve o envolvimento entre o vampiro telepata Edward e a esquisita adolescente Bella. O livro tem partes insuportáveis, pois é escrito em primeira pessoa e se aprofunda demais nos pensamentos da menina protagonista. Mesmo assim, tem seus bons momentos.

Os sacrifícios que ambos fazem para ficar juntos são o ponto alto da história. O ponto baixo é a falta de complexidade dos personagens, principalmente dos vampiros, dos quais sempre se espera algo mais, pois são criaturas de centenas de anos. A maioria dos sanguessugas fica entre cachorro louco e maníaco depressivo, muito pouco para um leitor de ficção como eu.

A chatinha Bella e o mais chato ainda Edward.
Falando em cachorro, o que mais instigou os leitores na série crepusculo foi o relacionamento a três entre Bella, Edward e o lobisomem Jacob. Lembro que chegou a haver um abaixo-assinado para que a mocinha desistisse do bandidão dentuço e ficasse com o lobo mal.

Bobagens adolescentes à parte, deixo minha avaliação sobre todos os quatro livros e filmes da série, mesmo que ainda não tenha visto o último que deve estar para vir a qualquer momento em 2012.


Avaliação:

História: Mediana com algumas partes boas. O quarto livro é fraco e deixa a desejar.

Regras: Não gostei dos vampiros que brilham, mas os poderes e os Volturi são interessantes.

Vampiros: Totalmente bobões. Não parecem tão sensacionais como deveriam. Muitos não tem uma boa história de fundo e parecem humanos demais.

Humanos: Piores que os vampiros. Bella não serve para nada. Nos filmes deram a ela mais importância do que nos livros.

Protagonistas: Edward é muito fraco para um vampiro, inseguro e bobão, pior que adolescente. Bella fica no mesmo nível. O relacionamento entre os dois, mesmo assim, é o ponto alto da história.

2) True Blood

Sookie é  a melhor protagonista.
Esta é uma série da HBO, canal de TV à cabo americano, baseado em um conjunto de livros chamados The Southern Vampire Mysteries. É como uma versão do crepúsculo para o público adulto, embora a história seja muito fraca.

A semelhança com crepúsculo não é mera coincidência. Em True Blood os protagonistas são uma humana telepata e um vampiro com consciência, que não é um monstro como a maioria. Muito familiar. Mais ainda quando o vampiro percebe que não pode usar seus poderes sobre a mocinha.

Como a série é feita para o público adulto, o conteúdo é bem mais forte, incluindo cenas picantes impensáveis na trama adolescente. Lembre-se que a série passa na TV à cabo, onde não se precisa manter tanta censura.

True Blood. Amigos não deixam amigos
beberem amigos.
A história é muito fraca, beirando o rídiculo. A protagonista Sookie é uma fada! Uma fada! Mesmo com tantas bobagens, dá de goleada na Bella.

A base da história é um futuro alternativo em que os vampiros saem do armário, ou seja, não estão mais escondidos. Todo mundo sabe que eles existem. Isso foi possível desde que os japoneses inventaram, e engarrafaram, sangue sintético, permitindo que os vampiros pudessem se alimentar sem matar ninguém. O problema é que o energético, chamado true blood, não é tão gostoso na garrafa quando no pescoço de jovens mocinhas. Mas isso os japoneses deveriam ter imaginado.

Roteiro terrível com uma história que chega a ser cômica. Mesmo assim, é divertido! Não perco um epísodio. A quarta temporada foi fraca, mas talvez a série volte em 2012. Assistam!

Avaliação:

História: Fraca. Parece que o objetivo de certas partes é apenas mostrar sacanagem. Nada contra.

Regras: Vampiros morrem da forma mais nojenta possível. Os mais antigos podem voar e viajar pelo tempo. Interessante. Vampiros podem morrer com uma estaca no coração e com balas de prata, como nos velhos tempos.

Vampiros: Mais complexos e bem pouco humanos. Todos pilantras, ou pelo menos quase todos.

Humanos: A maioria bem babacas. Mostrem mais vampiros que a série ficará bem melhor.

Protagonistas: Sookie é uma das melhores protagonistas, tirando o fato de ser fada. Bill, o vampiro apaixonado pela fada é muito esquisitão. Mas pelo menos é mais complexo e muito melhor que os vegetarianos que andam por aí.

3) The Vampire Diaries.

O trio de Vampire Diaries. Stefan, Damon e Elena
(ou Katherine, já que as duas são tão parecidas).
Baseado nos livros de Lisa Jane Smith, esta é uma série de TV do canal The CW. Dos três que aqui apresento, é a melhor história.

Um vampiro centenário encontra uma adolescente que se parece muito com sua antiga paixão, uma vampira que morreu há mais de um século. A semelhança entre elas é muito grande, e ele acaba se apaixonando novamente. O problema é que seu irmão também era vidrado na vampira falecida e acaba por complicar as coisas.

A trama é menos adolescente que Crepúsculo mas muito menos adulta que True Blood. Os personagens vampiros são bastante profundos e a história gira em torno do mistério da adolescente cópia da falecida vampira, que através da série é chamada Doppelgänger, ou seja, réplica. No desenvolvimento da narrativa vai se mostrando partes do quebra-cabeça que explica porque Elena, a humana, é tão parecida assim com Katherine, a vampira.

Katherine e Elena. Tão parecidas quanto as gêmeas
Phoebe e Ursula de Friends.
A personagem principal é bastante interessante, e uma ótima oportunidade artística pois a atriz precisa interpretar uma humana e uma vampira, não só nos flashbacks mas também para valer, pois no fim da primeira temporada descobre-se que Katherine não morreu! Isso nem é um spoiler, de tão previsível.

Gostei bastante dos diários de vampiros e, para mim, é a melhor adaptação dos chupadores de sangue aos dias atuais. A maluquice da história é de deixar qualquer um perdido, e os personagens são muito mais atormentados e razoavelmente profundos. O que se espera de qualquer história do gênero.

Elena ainda tem uma amiga adolescente bruxa, a Bonnie. Embora esta parte da história fique meio Harry Potter, deixa mais divertida a trama e confunde mais do que ajuda. Há também alguns lobisomens e outras criaturas. Imperdível.

Pena que esta temporada atual, 2011-2012, a série tenha ficado meio chatinha. Talvez seja o fim da era dos vampiros. Quem sabe, na próxima temporada, a história volte com mais força.

Avaliação:

História: A melhor de todas. O negócio do Doppelgänger estou tentando entender até hoje. Intrigante e interessante.

Regras: Vampiros podem caminhar na luz do sol graças a magia do Harry Potter. Brincadeira, mas é mais ou menos a mesma coisa. Tudo bem, esta parte é estranha, mas o resto ficou até bem legal. Há uma erva chamada Verbana que pode matar os vampiros, ou mais ou menos isso.

Vampiros: Mais complexos e mediamente humanos. Nem todos são pilantras, mas a maioria é. Stefan, o protagonista, não pode tomar sangue humano, pois quando isso acontece ele fica mais maluco que criança quando come muito açúcar.

Humanos: Menos babacas que a média. Mais ainda assim, babacas.

Protagonistas: Stefan e Elena são os melhores protagonistas de história de vampiro até hoje. Ainda há o  irmão Damon que também é um bom personagem.

Conclusão:

Parece que os vampiros vão continuar em alta por mais alguns anos. Pelo menos até o filme final do Crepúsculo (Breaking Down). Para quem não gosta de vampiros, uma boa notícia. Parece que o interesse pela ideia está diminuindo. Pode ser que tenhamos, dentro em breve, nossos perfis de facebook e emails inundados por abaixo-assinados de fãs pedindo para que não acabem com as séries. Mesmo que os dentes fiquem retraídos por algum tempo, as histórias de vampiros estão mesmo destinadas à imortalidade. Na dúvida, protejam seus pescoços!

A cola e a escola

Não sei se todos os leitores deste blogue sabem, mas sou professor do CEFET-RJ, do curso técnico de Eletrônica. Dou aulas para adolescentes, a maioria entre 15 e 18 anos.

Neste último semestre de 2011, tive um problema sério, mas não incomum, com um de meus alunos. Como deixa óbvio o título deste texto, descobri que houve cola nas provas.

Percebi que isso ocorreu também em pelo menos outras três disciplinas com o mesmo aluno. Em todas elas, o dito cujo utilizou-se de uma das mais conhecidas técnicas de cola. Nada que eu não tenha visto antes, mesmo em meus tempos de aluno.

O que gostaria de chamar a atenção é para a relevância do tema. Diversos alunos utilizam este subterfúgio e os professores muitas vezes nada podem fazer. Os que são flagrados usualmente não são punidos, apenas advertidos verbalmente.

Isso ocorre pois uma punição mais severa causaria diversos aborrecimentos ao professor. Como geralmente não há prova incontestável do ocorrido, qualquer pai de aluno poderia reclamar sobre a nota zero gerada pela punição. O problema fica ainda mais grave considerando que, em certos casos, uma grande parte da turma precisaria ser repreendida.

Na faculdade a cola muito se agrava. Mesmo seguindo a carreira que escolheram como profissão, muitos continuam durante todo o curso aplicando pequenos, e muitas vezes grandes golpes nas avaliações. A situação ficou calamitosa durante vários períodos da minha turma de Engenharia. Muitos alunos, mesmo os que não colavam, foram punidos ou prejudicados pelas providências tomadas pelos professores.

As três formas mais comuns de cola são a individual, a troca de informações entre os alunos e as fraudes. Existem técnicas, em cada caso, para que se possa diminuir ou impedir o uso deste expediente. Algumas delas sempre me recusei a utilizar, pois punem todos os alunos, honestos ou não. Vamos a elas:

1) Cola individual:




Neste tipo de ocorrência, o aluno leva escondido algo que não consegue memorizar ou aprender: anotações em pequenos pedaços de papel, na calculadora, na carteira, na mão ou em outros lugares inusitados. Aplicações coletivas deste método são também encontrados, como por exemplo fórmulas deixadas nas paredes das salas.

Este tipo de cola é geralmente pouco grave. Até hoje eu nunca puni um aluno que tivesse feito isso, e lembro apenas de um caso onde um professor aplicou reprimenda. Pode-se considerar que quando um aluno utiliza esta estratégia está apenas evitando que algum esquecimento repentino comprometa sua avaliação.

O excesso deste tipo de cola pode significar que há um problema na avaliação. Se o aluno pode levar um material escrito que o faça ganhar questões, então estamos promovendo demasiada memorização ao invés de entendimento de conceito. Passar a fazer provas com consulta pode ser a melhor ideia em certos casos. Já que querem colar, então pode-se permitir que levem qualquer material. Isso obviamente significa que a prova será mais difícil de ser bolada e corrigida.

Deixar correr frouxo este tipo de cola tem um péssimo efeito. Os alunos honestos ficarão com nota baixa e precisarão se esforçar mais para memorizar informações que precisam ser decoradas para prova.

2) Troca de informações de prova:

Neste tipo de cola um aluno recebe ilegalmente a informação de como deve fazer uma determinada questão ou mesmo a prova inteira. Pode ser em um papel amassado, um SMS no celular, uma conversa não detectada ou mesmo olhando-se a prova do colega diretamente. Em alguns casos, pode não ser tão grave, mas mesmo assim este tipo de cola deve ser evitada o máximo possível.

Alguns alunos tentam aplicar este golpe saindo de sala, para ir ao banheiro por exemplo, recebendo assim informações dos alunos que já terminaram o teste, ou de outros que sabem a matéria. Isso é bastante difícil de impedir se o professor está trabalhando sozinho.

Usando este tipo de expediente um aluno sem qualquer conhecimento na matéria pode tirar uma nota excelente. Pode atrapalhar muito os alunos que estão fazendo a avaliação, retirando a concentração e até diminuindo a nota. Não é tão incomum o aluno que recebe a cola acabar com uma nota superior ao que forneceu as informações.

Coibir este tipo de cola pode ser mais fácil em provas de ciências exatas. Pode-se modificar, por exemplo, algum dado inicial do problema para cada aluno e dificultar a troca de informações. O número da chamada ou posição na sala pode virar parte do problema, tornando único o resultado de cada questão.

Pode-se também fazer vários modelos de prova e distribuí-las sem qualquer aviso, deixando uma armadilha para os espertos caírem. Entretanto modelos diferentes de prova geralmente causam dificuldade na correção.

Uma outra técnica muito eficiente, mas extremamente agressiva, é fazer provas com apenas 30 a 45 minutos, não deixando tempo hábil para que a cola se espalhe. Isso logicamente causará problema para os alunos honestos também. Esta era a forma preferida de evitar cola utilizada pelos professores na faculdade de Engenharia.

Mudar a posição na sala pode também ser uma boa ideia. Ou seja, pode-se trocar de lugar alunos que, sabidamente, serão pontes de cola para a turma. Em casos extremos, o professor pode escolher sentar nas  últimas carteiras da sala, deixando os alunos de costas para ele. Assim a turma não saberá para onde o professor está olhando.

3) Fraudes:

Este tipo de cola é menos comum, e geralmente culpa do professor. Trata-se dos casos onde o aluno recebe a prova antes da aplicação. Os professores devem tomar absoluto cuidado no local onde tiram cópias de provas. Já vi acontecer várias vezes vazamentos mesmo nestes grandes locais de xerox.

Alguns alunos mais espertos podem perceber que o professor aplica a mesma prova em outra turma, ou mesmo em outra escola. Eticamente errado ou não, este pode ser um tipo comum de cola.

Certos professores repetem a mesma prova todos os anos mas não permitem que os alunos levem a correção para casa. Eventualmente, vaza-se uma cópia. Os alunos devem prestar atenção a este fato, pois podem ser prejudicados se o professor perceber que este tipo de cola está em curso, mesmo que não pareça haver nada errado nisso.

Conclusões:

Qualquer que seja o tipo de cola, os professores não devem ignorar este problema. O excesso do uso de qualquer técnica apresentada neste texto pode significar que a avaliação está mal feita ou mesmo que aquilo que está sendo ensinado pouco agrega ao aluno. Talvez a dificuldade seja excessiva ou então que as aulas não estejam sendo suficiente para a cobrança. A cola pode ser um indício que algo anda mal entre os alunos, ou mesmo que existe algum problema com o professor.

Mas mesmo que tudo esteja muito bem, sempre haverá um esperto tentando colar. O semestre que passou não foi o primeiro nem será o último em que isso ocorreu. Dar atenção a este tipo de problema é cansativo e toma tempo do professor, mas ainda é, infelizmente, o melhor remédio.

Veja não é só mentirosa!


Que a revista Veja era sensacionalista, isso eu sabia desde minha época de escola. Que era mentirosa e que inventava factoides contra o governo, isso ficou claro depois da eleição de Lula em 2002, já até havia falado sobre isso neste texto. Mas nem mesmo na cabeça dos mais fanáticos Petistas e Lulistas estava a possibilidade de que algum dia houvesse provas de ligações de Veja com o crime organizado.

De meus colegas mais ligados ao governo e ao PT sempre ouvi estórias de que a revista Veja recebia dinheiro dos tucanos, dos americanos, de banqueiros, de funkeiros, de traficantes e de lugares mais esdrúxulos. Nunca acreditei nessas teorias, muito mais conspiratórias que realistas, mas posso agora dizer que em parte eu estava errado.

Minha tendência a acreditar na bondade das pessoas me levou a crer que o objetivo de Veja era apenas conseguir audiência na classe AA+, que odeia Lula, Dilma, bolsa família, prouni ou qualquer coisa que represente distribuição de renda. No entanto, provas que vieram à tona na operação Monte Carlo da polícia federal deixaram claro que o bicheiro contraventor Cachoeira não era apenas uma mera fonte de informação.

Mais de 200 ligações do editor chefe de Veja ao bicheiro deixam evidente a ligação do semanário com o crime organizado. Ambos, ao que parece, formavam uma grande família, algo como o Cosa Nostra Italiano. Decidiam quais ministros cairiam e quem seria chantageado. Ficava a cargo da grande mídia repercutir os detritos pútridos levantados por Veja, de forma a tornar qualquer denúncia uma cruel execução pública de carácter.

Não fica muito distante a ideia de que Veja recebia dinheiro de Cachoeira ou de sua organização. Isso talvez explique como a revista conseguiu se manter com tiragem pífia enquanto jornais e publicações em todo mundo estão falindo diante da internet. Quem lembra da época, perto de 2006, em que muita gente, inclusive eu, passou a receber revistas Veja grátis em casa?

A operação Monte Carlo ainda pode trazer surpresas sobre as relações de Veja com o crime organizado. A mídia tentou engabelar a estória mostrando que o governo temia a CPI do Cachoeira. Veja até publicou uma capa mostrando uma cortina de fumaça, fazendo crer que todo este aparato estava a ser formado para ofuscar o julgamento do mensalão. O fato é que a bancada petista votou em peso para a criação da CPI, o que me leva a crer que eles sabem mais do que a gente sobre a operação Monte Carlo.

Podemos descobrir, nos próximos meses, algo muito maior sobre o a organização criminosa que alimentava a Veja com seus factoides denuncistas. Algo que talvez nos dê uma luz sobre os bastidores da crise da Erenice, da Lina Vieira, de Palocci, de Waldomiro Diniz e também do mensalão. Tudo muito mal explicado  e que tem como denominador comum a famigerada publicação da editora Abril.

Torço para que a verdade apareça. Acho inaceitável que o Brasil possua uma revista que destinou suas amareladas páginas a derrubar presidentes, ministros e eleições a seu bel prazer. O jornalismo presente em Veja presta um desserviço ao país, e eu não poderia estar mais animado com a possibilidade de expor, para minha contemplação, as nojentas e criminosas vísceras da revista. Vamos aguardar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pinheirinho e o silêncio da mídia

Em mais uma demonstração de discriminação, intransigência e elitismo, a sociedade paulistana aceitou sem hesitação que mais de 6000 pessoas pobres fossem arrancadas de suas casas com violência, sem que seus direitos sejam levados em consideração.



Desde 2005 mais de 1500 famílias viviam na comunidade conhecida como Pinheirinho em São José dos Campos-SP. Não há quem não saiba que uma ocupação por tantos anos gera direitos às famílias assentadas. No entanto, o estado de São Paulo, representado pelo governador tucano Geraldo Alckmin, preferiu agradar à especulação imobiliária e ao parceiro Naji Nahas, pouco se lixando para os cidadãos que mais precisavam de resguardo.



Os pedidos de reintegração de posse ao terreno ocupado são também bastante antigos, mas nada disso tem importância. O estado existe para defender o bem estar de toda a sociedade, principalmente os direitos de quem não tem ninguém por eles. Ao que parece, o governo tucano não dá a mínima para milhares de sem-teto, deseja apenas assegurar a construção de condomínios de luxo, o que claramente considera mais valioso à sociedade.


O que aconteceu em Pinheirinho foi uma tragédia social. Trata-se da versão tucana do mais nojento preconceito da elite paulista. Uma vergonha, digna dos tempos de guerra. A perfeita prova de não há qualquer ideologia na direita, apenas o interesse pelo dinheiro. Depois do massacre, surgiu a explicação para esta afobada violência - a venda do terreno desapropriado vai retornar à prefeitura 16 milhões de reais em impostos atrasados.


O pior disso tudo é o silêncio da mídia. A polícia está impedindo a acesso de jornalistas e ninguém reclama sobre a liberdade de imprensa. A Globo trata o caso como uma simples reintegração de posse, assim como o Estadão e a Folha. Leio até comentários absurdos sobre a "politização" do tema, e que tudo foi feito na mais perfeita legalidade. Apenas nos blogues ou no Twitter há algo de relevante sobre o que realmente aconteceu.


A tragédia em Pinheirinho é culpa de todos os governos, mas principalmente da prefeitura do São José dos Campos e do Governo de São Paulo. Ambos decidiram ignorar uma ordem do TRF que suspendia a reintegração de posse. O governo federal estava negociando com a prefeitura a compra do terreno para que as famílias pudessem ficar no local. Demorou muito. Talvez não tenham acreditado que os tucanos iam deixar tanta gente sem teto tão perto da eleição. Não se percebeu que o rabo preso é com gente graúda mesmo, até tiro no próprio pé está valendo.


Agora que as casas foram destruídas e os moradores expulsos, parece que a tendência é ficar como está. As famílias vão receber o tal aluguel social, por um tempo, depois serão colocadas na sarjeta sem qualquer amparo, tendo perdido o pouquíssimo que tinham. Fica para gente a lição de como seria o Brasil caso fosse governado pela direita. Para eles, pobre tem é que morrer mesmo.