quinta-feira, 14 de outubro de 2010

José Serra pelos olhos de seus eleitores

Nada melhor que a opinião dos donos de carro para saber as vantagens e desvantagens que um modelo ou fabricante possui em relação aos outros. Seguindo a mesma linha de raciocínio, vamos descobrir quem é Serra pelos olhos de seus eleitores mais antigos e convictos.

Conheço vários. Muitos são ou foram meus colegas ao longo dos anos. Com alguns tive discussões memoráveis e com outros não falo mais sobre política. Nem sempre vale a pena. Devemos respeitar a opinião dessas pessoas e evitar comentários que possam estremecer a relação profissional.

Vamos aos itens mais discutidos, aos temas mais recorrentes e enfim, ao motivos que levaram estas pessoas a escolher Serra ou o PSDB como representante de seus interesses. Ao fim desta exposição, o leitor notará que os candidatos tucanos não defendem abertamente nenhum dos fundamentos apontados por seus eleitores, mas por incrível que pareça continuam a receber sua confiança.

1) Bolsa Família estimula os mais pobres a não trabalhar.
Por máximo que se mostre as estatísticas de que grande parte dos beneficiários do bolsa família deixa de receber o benefício em alguns meses, quando começa a trabalhar, os eleitores de Serra não se satisfazem e continuam a repetir este mantra. Dizem que o Bolsa família é vagabundagem, eleitoreiro, faz o pobre "se encostar" e é um desperdício de dinheiro.
Recentemente a esposa de Serra afirmou isso mesmo diretamente a jornalistas. A nata dos eleitores do tucano quer o fim ou a forte diminuição dos benefícios sociais, pois os consideram maléficos à sociedade. Para pobre, apenas trabalho (e baixos salários), deve ser a conclusão.

2) O fim da universidade pública.
Um tema muito comum nas discussões que este blogueiro teve com tucanos. A maioria deles acha que a universidade deveria ser privada, focando os investimentos do estado no ensino médio e fundamental.
Não me lembro de ouvir Serra falar nada sobre isso, mas assim mesmo continua recebendo o voto destas pessoas. Engraçado é que estas muitas vezes se formaram em faculdades federais e estaduais, ou seja, com o dinheiro que acham ter sido indevidamente aplicado.
Normalmente eu mostro que não haveria ensino médio de qualidade se não houvesse professores formados nas universidades públicas. Em um país de faculdades privadas, apenas os mais ricos teriam acesso ao ensino superior e nunca seriam professores, mesmo se aumentássemos em até cinco vezes os baixos salários. Um exemplo disso é a baixa qualidade do ensino público dos EUA.

3) Empresa pública é muito ruim, deveria privatizar tudo por qualquer preço.
Eleitores tucanos desprezam tudo que é público. Desde bancos, empresas ou até escolas e universidades. Enquanto Serra tem um discurso defendendo estatais, seus eleitores concordam entre si que a privatização é um ótimo negócio para o país.
Banco públicos são os mais atacados. Afirmam que não funcionam, que são cabides de emprego e de pessoas encostadas. Muitos acham que deveriam ser vendidos por qualquer preço apenas para não haver mais o risco de "corrupção".
Continuam a desdenhar dos serviços públicos mesmo hoje depois da crise mundial em que o papel deles foi decisivo. Até da Petrobrás fala-se mal, e uma opinião comum é que a estatal seria muito maior e melhor se fosse privada.
Serra não defende abertamente a privatização, e dessa forma não se compreende a cega confiança que muitos de seus eleitores continuam depositando no tucano. Quem será o iludido?

4) O neoliberalismo do "pagamos muitos impostos".
Lendo os discursos atuais dos candidatos do PSDB não se encontra uma clara defesa do neoliberalismo. No entanto, seus eleitores são normalmente a favor desse expediente. Ao contrário do discurso de "fazer mais", os que votam em Serra gostam de crer que haverá diminuição de gastos e por conseguinte cortes nos impostos.
Um extranho paradoxo: enquanto os adoradores de Serra gostam de fazer contas do que comprariam ou fariam se não houvesse imposto de renda, o seu "guru" defende na campanha aumentos de salários e mais investimentos. Quem estará sendo enganado?

5) Cortes em direitos trabalhistas.
Não acredito que Serra jamais tenha sugerido abertamente cortar férias, décimo terceiro ou quaisquer outros benefícios trabalhistas. No entanto, conheço muitos eleitores do tucano que são empresários e votam em Serra por acreditar que ele fará uma reforma na CLT, permitindo menores gastos e, obviamente, maiores lucros para eles.
Este tema é um grande tabu na campanha do PSDB e até agora não foi utilizado por Dilma. Serra pode muito bem não comentar o assunto da reforma na CLT apenas para não afetar seu desempenho eleitoral, ou mesmo ser contra. O fato é que muitos de seus eleitores acham que Serra representa esta idéia. Quem estará certo?

6) Capitão nascimento para chefe de segurança.
A política de bandido bom é bandido morto é muito comum entre os eleitores de Serra. A maioria defende algum tipo de trabalho forçado ou mesmo pena de morte para qualquer tipo de crime. Estranhamente, não pensam o mesmo para sonegação de impostos.
A idéia de gastar algum dinheiro urbanizando favelas deixa os eleitores tucanos de mau humor. Para eles, os gastos sociais são o equivalente a ser assaltado e a maioria é a favor da remoção à força de comunidades. Pena que não se diga isso no horário eleitoral, a eleição seria bem mais fácil.
A repressão é reconhecida pelos eleitores tucanos como a única forma de agir em relação ao tráfico de drogas ou ao crime organizado. Não que eu discorde totalmente, mas ainda acho que programas sociais podem tirar os jovens deste caminho, ao contrário do que pensam os eleitores de Serra.

Nos últimos anos, o PSDB deixou seus eleitores mais adeptos totalmente sem defensor. Mesmo assim, as pessoas que têm algum ou todos os pontos de vista mostrados acima continuam a votar no líder que aparentemente os renega.

Quem estará certo neste caso é para mim uma incógnita. Abertamente, Serra é contra a remoção de favelas, a favor das estatais e da universidade pública, mas continua a atrair eleitores que são contra todas essas idéias.

Estará Serra enganando boa parte de seus adeptos, principalmente os mais convictos, ou na verdade fazendo um discurso vaselina para tentar se eleger? Espero, sinceramente, não ter que pagar para ver.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

How I Met Your Mother!

Prometi para mim mesmo não falar sobre eleições tão próximo da ressaca do último dia 3, quando uma sucessão de boatos e mentiras impediu a vitória de Dilma no primeiro turno. Agora Serra e sua privataria tem mais tempo de televisão para convencer a população que vender o país é uma boa idéia.

Para distrair um pouco, vou falar sobre o mais novo seriado da CBS chamado How I Met Your Mother. Na minha opinião, trata-se do melhor sitcom desde Friends, ganhando fácil de Big Bang Theory ou Two and a Half Men, meus outros dois preferidos.

O seriado só é novo para mim, pois já está na sexta temporada. Eu nunca falei nada sobre ele pois não o conhecia. Estranhamente, nenhum dos canais de TV a cabo do Brasil, que passam até programa japonês de auditório, se interessou pela série. Talvez o preço dos direitos seja muito alto.

Embora How I Met Your Mother se passe nos dias atuais, é narrada do futuro pelo personagem principal Ted Mosby (Josh Radnor), que conta aos seus filhos a história de como conheceu sua esposa e mãe deles. Veja o primeiro episódio (pilot) da série.


A não linearidade temporal marca a grande diferença desta nova comédia. Os episódios freqüentemente nos levam para o passado dos personagens, depois para o presente e para o futuro, dificultando muito para os roteiristas e para a produção. Cada história é contada pelo final, voltando para o passado para explicar o que aconteceu e indo ao futuro analisar as implicações.

Nem sempre o Ted Mosby do futuro, que conta a história, lembra exatamente como ela aconteceu. Neste caso, tudo fica em função de sua memória, como neste episódio em que ele não lembrava o nome de sua ex-namorada e todos acabaram chamando-a de "Blah-Blah".


Às vezes este retorno ao passado ou ida ao futuro é de algumas horas ou dias, mas também acontece de aparecerem cenas dos personagens mais novos ou mais velhos, o que rende boas risadas. Ted também modifica a história para tornar alguns elementos mais adequados a seus filhos adolescentes. No episódio abaixo, os personagens estão na faculdade e se comportam como universitários, ou seja, comem um "sanduíche"!


Parte do sucesso de How I Met Your Mother vem do personagem Barney (Neil Patrick Harris), que parece uma versão mais esperta do Joey de Friends. Barney é um dos mais engraçados, detentor de vários bordões como "Say whaaaat?" ou "What up?". Veja um episódio onde ele conversa com Deus e pede para que sua namorada não esteja grávida.


A série leva três dias para ser gravada e outros três para ser editada e finalizada. Como é semanal, trabalha-se praticamente 24/7 para colocar o produto no ar. Já são cinco temporadas completas e até agora nem sinal de quem é a esposa de Ted e mãe de seus filhos, o que já rendeu muitas teorias na internet.

Como se não bastasse a dificuldade, alguns episódios especiais contam com uma produção ainda maior. Na história, descobriu-se que a personagem Robin Scherbatsky (Cobie Smulders) foi uma cantora pop canadense, e de vez em quando surgem clips de seus antigos "sucessos". Abaixo o primeiro episódio em que isso aconteceu.


Diversos atores e estrelas já foram convidados para participar de How I Met Your Mother. Britney Spears  apareceu várias vezes, além de Sarah Chalke do Scrubs e Laura Prepon do That 70's show. Veja a participação da Britney. Até que ela é boa atriz...


Assim como em That 70's show, houve também algumas produções musicais. Veja o episódio em que Barney canta "nothing suits me like a suit", sobre seu amor por vestir ternos.


Além disso, a série ainda conta com Jason Segel e com a famosa Alyson Hannigan (de Buffy e American Pie) interpretando o casal Marshall Eriksen e Lily Aldrin. Os dois são muito bons atores e dão sustentação para a história.

Bom, já deu para ver que eu gostei muito. Assista você também! Os episódios passam segunda-feira na TV americana e na terça ou quarta aparecem as legendas aqui no Brasil. Você pode baixar o episódio através do site eztv.it e a legenda na comunidade do Orkut!

Acompanhe a série por que: "it's gonna be legen..." wait for it "... dary!"

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dez motivos para não votar em Marina Silva

Este texto foi escrito antes do primeiro turno da eleição de 2010 e deve ser lido considerando este fato.

Gosto de Marina Silva. Gosto mesmo. Representa um povo que batalha e dá certo mesmo frente a grandes dificuldades. No entanto, me entristece o fato de que sua candidatura a presidente sirva a outros propósitos que não os de apresentar uma opção diferente ao eleitor.

Frente a um movimento de Marinaço, como chamamos a onda verde aqui no Rio de Janeiro, resolvi escrever as razões pelas quais não simpatizo com a candidatura do PV. Estes são os dez motivos para não votar na Marina Silva:

1) A mídia adora Marina, isso não é normal!

Todos os colunistas de o Globo, Estadão, Folha e afins só falam bem da candidata do PV. Isso não faz sentido! Estes veículos de comunicação são potencialmente preconceituosos com todos os não paulistas, especialmente com o pessoal do norte! Se tanto odeiam os emigrantes e a ecologia, o que os faz tão simpáticos à ex-ministra?

O mesmo motivo de Serra e FHC tanto a elogiarem. A presença de Marina no cenário aumenta muito a chance de levar as eleições para o segundo turno. Isso é o que a mídia mais quer. No novo pleito, o PSDB vai tentar costurar uma aliança com o PV, o que me lembra do próximo motivo.

2) PV está com Serra

Se você não gosta do Serra, também não deveria votar em Marina. Os tucanos planejam se aliar ao PV em um eventual segundo turno. Gabeira, candidato do PV à governador do RJ, faz campanha para Serra abertamente [1] [2], assim como outras lideranças do partido. Fico bastante aborrecido que Marina sirva a estes pequenos interesses.

3) PV está com o DEM!

Pior ainda que estar com o Serra é estar com o DEM [3] [4] [5]. O PV fez parte da prefeitura de César Maia (DEM) na cidade do Rio, e suas relações com o DEM vão além de uma simples aliança.

Em um eventual governo de Marina, os cargos de confiança, estatais, bancos e ministérios serão controlados pelos principais partidos que compõem a composição. O DEM ficaria com bastante coisa, pois faz parte da coalizão junto com o PPS e PSDB, pelo menos em alguns estados.

Vamos lembrar que o DEM é mesmo partido que é contra tudo no senado e na câmara. Ex-PFL, Ex-Arena e pró-ditadura. Precisa dizer mais?

4) Marina avisou que seu governo será metade PT e metade PSDB.

Não gosta destes dois partidos? Então bons motivos para não votar em Marina. No meu caso, não gostaria de ver nem mesmo um mísero por cento do Brasil nas mãos dos tucanos que venderam e quebraram o país tantas vezes.

5) Suas propostas são grandes incógnitas.

Dilma continuará o que fez Lula e Serra vai implementar um modelo neo-liberal. Como estas duas idéias são contrárias, não faz sentido ter um governo de coalizão PT-PSDB como mostra o item 4. Como Marina vai agir neste caso? Sem idéias próprias, o PV vai acabar abrindo margem para os partidos como o DEM. Uma péssima idéia se você tem interesse em continuar morando no Brasil.

6) Marina é contra o desenvolvimento.

Tanto Marina como todos os eco-histéricos concordam em uma coisa: não se deve fazer nada no país que destrua qualquer pequena e diminuta parte da natureza. Isso é muito bonito e louvável, mas se a gente não construir hidrelétricas, por exemplo, vamos ficar sem energia e à mercê de outros países.

Ecologia  radical é uma loucura. Se há um tipo de peixe, índio, sapo ou árvore um pouco mais raros em algum lugar eu não posso usar aquele recurso natural para mais nada. Com uma ecologista no poder todos as obras de infra-estrutura que o Brasil precisa para crescer serão embargadas, assim como o nosso futuro.

Pode-se fazer estudos de impacto para minimizar os danos ao ecossistema, espécies nativas e índios, mas não é isso que querem os ecologistas. A idéia é parar tudo como fez Marina em boa parte de seu ministério no governo Lula.

7) Saiu do governo e agora diz que a corrupção está com Dilma e Lula.

Marina foi ministra do governo Lula. Houve indícios de corrupção no ministério do meio-ambiente, inclusive servidores afastados. Como pode então Mariana ter um discurso anti-corrupção e acusar Dilma no caso Erenice? No mínimo, uma falta de bom senso.

Não acho que Marina ou Dilma tenham nada com corrupção, mas assumir uma postura de acusadora é total hipocrisia. A imprensa bem que poderia acusar a ex-ministra do meio-ambiente da mesma forma que fez com Dilma, com total ausência de provas. Por que não fez? Item 1!

8) Esconde-se por trás de um motivo religioso.

Misturar política com religião não é uma boa idéia, na minha opinião. Marina é evangélica e muitas vezes já usou deste expediente para pedir votos. Nada contra os evangélicos, gosto muito mais deles do que a maioria das pessoas e da mídia, mas acho que a política brasileira deve permanecer totalmente laica, permitindo total liberdade religiosa. Isso infelizmente não parece ser o forte dos evangélicos.

9) Seria ela a favor do criacionismo?


Eu acredito em Deus, mas achar que Ele criou todas as espécies como são hoje sem qualquer evolução ou mudanças é negar todas as descobertas de mais de 200 anos de ciência.

Este é o criacionismo [6], como pregam alguns católicos e evangélicos fervorosos. Marina nega que defenda este tipo de coisa, mas é pregado em sua igreja o tempo todo. Isso tudo pode ser apenas marketing político para não pegar mal durante as eleições. Quem sabe?

10) Marina não vai ganhar!


Não se deve votar em um candidato apenas por que ele vai perder? Não é bem assim.

Marina é desconhecida como o Plínio e os outros nanicos, não deveria ter mais de 1% dos votos. O motivo de ter quase 13% é pura inflada da mídia. Esteja certo de que se Marina começar a incomodar Serra, a Veja e companhia vão tratar de destruir sua imagem assim como tenta fazer com Lula desde 2002.

Lula e Dilma resistem pois tem o que apresentar em resultados à população. Marina nada tem além de uma conturbada passagem pelo ministério do meio-ambiente. Na primeira pesquisa que encostar no Serra vai se criar um engodo qualquer para falar mal dela, colocando-a no local que se deseja.

Duvida? Isso já aconteceu com Roseana em 2001, com Ciro Gomes em 2002 e com Heloísa Helena em 2006. Marina ainda não incomodou e por isso continua querida pela imprensa. Será que ainda há tempo para que ela pise nos calos dos barões dos jornais?

Acho que não para estas eleições. Nas próximas, o PV pode conseguir emplacar a candidatura de Marina e veremos ela ser destruída da mesma forma mitológica que foi criada. Infelizmente, pois ela não merece isso.