sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Tem que tirar a esquerda, de qualquer forma?

A cada eleição, desde a volta da democracia, se expande os limites da bestialidade dos que não querem a esquerda no poder. Pouco a pouco, aumenta-se o alcance dos absurdos aceitáveis para justificar este eterno ódio:

Em 89 votaram no engomadinho playboy desconhecido apoiado pela Globo. Desastre!

Em 94 e 98, votaram no doutor porque só ele detinha o conhecimento.

Em 2002, vendo o doutor quebrar o país, ainda assim votaram no vampiro seu colega de partido.

Em 2006, votaram no chuchu, mesmo sem gosto e do partido do tal doutor.

Em 2010, votaram novamente no vampiro, mesmo já sabendo que nada valia.

Em 2014, pensei que tínhamos chegado ao limite, porque votaram no playboy corrupto, bêbado e provável drogado!

Mas 2018 ultrapassou qualquer previsão: tem gente que vai votar em um racista, apoiador da tortura, neoliberal que vai aumentar o imposto para pobre, homofóbico, misógino, corrupto e talvez outras tantas qualidades extras.

Em 2022 será Voldemort na cabeça, mesmo sendo ficção!

Em 2026, talvez o próprio capeta!

Mas o importante é tirar o PT do poder. Tem que acabar com isso!

terça-feira, 2 de outubro de 2018

A pior crise de todos os tempos?

Nestas eleições, ao que parece, teremos a oportunidade de votar em Fernando Haddad como continuidade do projeto do partido dos trabalhadores, ou então tentar a aventura com um presidente militar, linha dura, polêmico, diferente e que promete mudanças: Jair Bolsonaro.

Um dos motivos para tentar algo radicalmente novo é atribuir o momento em que estamos, uma grave crise econômica, ao governo do PT. Estamos realmente passando por uma época difícil: alto desemprego, baixos salários, falência de empresas e grandes pressões sociais. 

O problema é que eleger Bolsonaro, por causa da economia, será um desastre tão grande quanto Sarney e Collor, tão ruim quanto os anos 80 e tão horrível quanto o segundo mandato de FHC. Em outras palavras: uma péssima ideia.

O principal argumento dos apoiadores de Bolsonaro é que o PT mergulhou o país na pior crise de todos os tempos. Só que esta frase está completamente errada, do início ao fim. 

Primeiro, vamos parar com a bobagem de achar que o momento atual, mesmo com todos os seus problemas, é o pior de todos os tempos. Ainda é infinitamente melhor que o pós-ditadura, que a crise do plano cruzado, que a catástrofe do plano Collor e que o país quebrado de FHC. Não é nem mesmo a quarta pior crise econômica dos meus quarenta anos de vida, esqueceram?

Quando terminou o período da ditadura, o governo de coalizão fortemente indicado pelos generais recebeu um país endividado [1], com alto desemprego, grandes problemas sociais, alta inflação e crescimento desordenado das grandes cidades. Isso foi fruto do total despreparo dos militares para lidar com um novo mundo globalizado. É isso que queremos de volta? 

Por mais que o governo militar, que terminou em meados de 1983, tivesse sido desenvolvimentista e patriótico, o resultado final foi mais de uma década totalmente perdida no nosso país. O novo governo civil recebeu uma economia totalmente parada, uma inflação galopante e uma dívida externa que nos forçava a aceitar qualquer arroxo ou solução mágica. Foi isso que levou à favelização geral em todas as grandes cidades brasileiras, fruto da emigração como única opção para não morrer de fome no norte e nordeste do país. Eu não quero isso novamente!

Votar em Bolsonaro é esquecer a total incompetência dos militares em resolver problemas complexos na nossa economia. Não fique lembrando dos bons momentos da década de 70, pois mesmo estes foram recheados de redução de salários, baixos investimentos em educação e grande miséria para a maioria da população [2]. Foi ótimo para os ricos!

Depois dos governos militares, tivemos com Sarney e Collor péssimas aventuras que pareciam, na época, boas soluções radicais. Está com medo do país virar a Venezuela? Já tivemos este momento, um idêntico colapso com hiperinflação, total desemprego e até mesmo desabastecimento. Era para a gente ter aprendido a não votar em ridículas promessas e salvadores da pátria!

Mas não aprendemos, pois depois de reduzir a inflação e fazer o país crescer durante alguns anos, vimos o período FHC deixar o país quebrado e gerar, aí sim, talvez a pior crise real da nossa curta história democrática. O Brasil teve que pedir dinheiro emprestado três vezes em um período de quatro anos, para não declarar falência total! Sem reservas e à deriva dos mercados, as únicas poucas conquistas dessa época foram impostas pelo FMI, como a independência do banco central e as metas de inflação.

Foi só a partir de 2004, no governo do PT, que o país realmente tomou rumo: cresceu com ampla distribuição de renda, pleno emprego, aumento real de salários, baixa inflação e redução da miséria. Foram 13 anos de enorme conquistas: temos um Brasil completamente diferente hoje [3]. 

Perto do desastre dos anos finais da ditadura e da péssima experiência com Sarney, Collor, Itamar e FHC, estamos hoje muito bem, obrigado! O Brasil, mesmo com este desastroso governo golpista de Temer, ainda precisa andar muito para trás para desfazer o que ganhamos na última década com os governos do PT. 

Mas se o prezado leitor quiser votar em outra aventura militar talvez a gente consiga desfazer tudo que conseguimos!

Por isso, nas próximas eleições, não acredite nos militares com saudade da ditadura, em candidatos com soluções misteriosas ou na falsa esquerda do PSDB e do "novo" MDB. Vote no único partido que, sem fórmulas mágicas, frente às adversidades, conseguiu realmente mudar o país para melhor. O Brasil do presente já é muito melhor do que o país do passado graças ao partido dos trabalhadores!

Não se deixe influenciar pela crise que vivemos, pois trata-se de um mero contratempo frente ao tenebroso passado que agora podemos evitar. Não aceite falsas ideologias religiosas, análises incoerentes e o puro destilado preconceito guiar o seu voto. Pense no que mudou nesta última década e como pode melhorar ainda mais! Vote Haddad e afaste a aventura da incompetência, ignorância e incapacidade! O Brasil precisa de você!

Obs.: os três artigos aqui citados foram escolhidos especialmente por serem isentos ou até mesmo amplos críticos do governo do PT. Mesmo assim, corroboram com a ideia apresentada.

sábado, 22 de setembro de 2018

Ufa! Ainda bem que o Mito resolveu...

Pessoal! Pare de ficar espalhando que o Mito vai aumentar o imposto para os pobres! Isso é claramente fake news! Foi apenas um mal entendido! Foi um economista maluco totalmente desequilibrado que falou isso, além de outras besteiras. Não foi o Mito! Mas já está tudo resolvido: o economista maluco foi demitido. Não se preocupem! Foi uma grande perda. O Mito considerava este economista sua principal orientação, seu posto Ipiranga, seu mestre doutor de economia. Era uma grande inspiração, um guru, poderia se dizer. Mas agora já está tudo bem. Ufa... Alias, se alguém conhecer um bom economista, por favor me passe o telefone. O Mito tá precisando de um urgente! De preferência alguém que fale pouco e não fique dando palestras para jornalistas sobre suas ideias. Só para garantir...

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

2018 não é reedição de 1989

Está rolando na internet uma interessante análise que compara as eleições de 2018 com as de 1989. Na época, no longínquo Brasil do final da década de 80, dois candidatos de esquerda, Lula e Brizola, brigavam para ir ao segundo turno enfrentar Collor, o principal ícone da nova política que surgia.

Há semelhanças, realmente, entre ambas as eleições, mas também existem enormes diferenças. A primeira é que Collor era uma figura carismática, com cara de novo, energético, esportista, combativo, bonitão de fala mansa e boa retórica. Foi isso que o fez ganhar as eleições: ele era exatamente o cara que o povo queria que fosse presidente.

Lógico que não se sabia nada de ruim sobre ele. Tudo foi muito bem planejado no campo do marketing para vender a ideia de competência, agilidade e liderança para uma geração mais nova e ativa. Collor, na época, tornou-se imbatível.

Dessa forma, é totalmente falha a ideia de que Brizola teria change de derrotar Collor caso não tivesse sido ultrapassado por Lula no primeiro turno das eleições de 1989. Teria perdido da mesma forma. Brizola também era odiado pela Globo, com rejeição pela classe média e sem o mesmo ar jovial e energético que Collor vendia. Todos perderiam, inevitavelmente.

Collor foi uma força política indiscutível, com enorme apoio popular. Lembro de ouvir, mais de uma vez, um Maracanã lotado em final de campeonato gritar o nome dele, carregando uma enorme esperança de um Brasil melhor. 

Collor foi uma penitência inevitável que a nossa democracia teve que pagar. Um preço pelo  aprendizado das aventuras políticas.

Voltando aos dias de hoje, posso afirmar com certeza que Bolsonaro não é como Collor. O que ocorre hoje é totalmente diferente. A escolha por Bolsonaro é uma tendência da extrema direita, por alguém que dê tiros, que diga que vai matar, torturar, fuzilar e que seja totalmente intransigente. O marketing é totalmente contrário ao de Collor.

Tanto Haddad quanto Ciro terão a mesma dificuldade em derrotar Bolsonaro, mas infinitamente menos do que a tarefa de bater Collor em 1989. Hoje somos muito menos trouxas para acreditar em combate ao comunismo como principal mérito de um político, e a rejeição do capitão é muito maior do que a do caçador de marajás.

E vale lembrar que Haddad e Ciro não são barbudos que assustam a classe média moralista, ao contrário: possuem um discurso muito mais afinado e político. Perfeitos para combater o extremismo.

A briga certamente vai ser boa, e esperamos ser justa como não foi em 1989. Tenho grande esperança de que Bolsonaro não seja mais um castigo que o nosso povo precise sofrer para compreender a democracia, pois a vitória do extremismo será muito dura e difícil, muito mais do que a aventura colorida da década de 90.

sábado, 15 de setembro de 2018

Todo dia é um 7x1 diferente...

Total clima de velório na CBN com a subida do Haddad e o freio de mão puxado do Alckmin.

Parece análise do jogo perdido da seleção brasileira. Todos torciam e vestiam a camisa do PSDB, mas não deu certo.

Choram pelo Alckmin abertamente, sugerindo estratégias das mais variadas, como por exemplo, não atacar o Bolsonaro para forçar um segundo turno chuchu x bozo, que é bom cenário para Alckmin. Bom para o Brasil não é.

Haddad é tratato como cachorro para baixo. Os outros também, mas nem tanto. Bom mesmo é o Alckmin,  causando suspiros nos comentaristas da CBN...