terça-feira, 31 de agosto de 2010

É a hora da Virada!

No tempo que eu estava no ensino fundamental o mundo era tão diferente que eu até jogava bola. É verdade, podem acreditar.

Durante um fantástico jogo, graças aos esforços deste incrível atacante que vos escreve, meu time perdia de quatro a zero. Mesmo assim, a torcida da turma gritava: "vamos virar! Vamos virar!".

Aquilo me encheu de confiança e deu grande incentivo ao time. Foi ótimo saber que alguém estava torcendo para a gente mesmo não se fazendo por onde. Terminamos perdendo por mais ainda.

Ao final do jogo, eu me meus colegas nos reunimos no centro do campo para agradecer a torcida, que mesmo na derrota nos encorajava a brigar.

Tamanha foi nossa surpresa quando descobrimos que toda aquela gritaria era para o time de volei da turma, que estava a jogar na quadra adjacente. Que bom, pensei, era melhor do que estarem vaiando nossa derrota.

Agora que recebi diversos emails pró-Serra conclamando a "hora da virada" contra o PT, me lembrei deste triste episódio da minha curta carreira futebolística. Nosso time era claramente inferior, não havia um só jogador decente e a derrota era inevitável. Mesmo assim, encaramos os falsos gritos da torcida como um último suspiro de encorajamento antes do apito final.

Está assim a atual campanha do PSDB. Perdem feio, mais de 20 gols de diferença, e parte da mídia, além dos trolls da internet, tentam ensaiar um falso coro de incentivo. O time não possui um só bom jogador, uma decente proposta de jogo ou mesmo um lance de perigo ao gol adversário. Apenas reagem à torcida, esperando o fim do jogo, possivelmente no primeiro tempo, no dia 3 de outubro.

Resta a Serra e seus aliados tentar reclamar da arbitragem ou fantasiar histórias sobre a ilegalidade dos lances adversários. Deveria fazer como nosso time, que brigou dentro das possibilidades do jogo e ao final dele pode encarar sua torcida e celebrar um muito honroso vice-campeonato.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Banana cura o câncer, cigarro faz bem à saúde e os empresários pagam muitos impostos!


Se a associação dos produtores e vendedores de banana viesse à público afirmar que a fruta cura o câncer, você acreditaria? E se a federação das indústrias de tabaco afirmasse que fumar faz bem à saúde, será que teria alguma credibilidade?

Certamente não. Ninguém levaria à sério uma pesquisa financiada pelo interessado no resultado.

No entanto, quando a mídia noticia que a associação comercial de São Paulo financia um medidor de impostos, conhecido como impostômetro, todo mundo acredita na balela. Por que será?

Eu não acredito. Lógico que pagamos muitos impostos e os serviços não são adequados ao preço, mas achar que os próprios empresários seriam imparciais nesta medição é o mesmo que acreditar em papo de vendedor.

A metodologia usada no impostômetro não é totalmente conhecida. Parece óbvio que trata-se de uma estimativa e não de uma contagem real. Seria impossível ligar um medidor a um sistema de arrecadação que não é em tempo real e muito menos totalmente informatizado. De qualquer forma, nada disso parece ser importante o suficiente para estar escrito no medidor. Aí está o primeiro engodo, não há qualquer menção à "aproximadamente" ou "estimativa" no bonito painel da avenida Paulista.

As estimativas podem ou não considerar os descontos na arrecadação dados às pequenas empresas, pertencentes ao simples. Devem levar em conta os impostos trabalhistas mas certamente não incluem as isenções dadas aos salários indiretos como vale refeição ou supermercado, ou mesmo aos pagamentos efetuados pela previdência social no caso do salário-maternidade e licença-saúde.

De certo que não se excluem os retornos imediados dos impostos como as remunerações pagas aos investimentos das empresas ou o baixo juros dos financiamentos públicos aos empresários. Não se coloca também, na ponta do lápis, o montante que o governo repassa aos SENAIs e às escolas técnicas  para formação de profissionais. Tudo isso faz com que o impostômetro seja, no mínimo, uma tremenda desonestidade intelectual.

Recomendo tratar as pesquisas sobre impostos da mesma forma como lemos notícias, ou seja, com o pé atrás. Sempre que surgir a informação de que pagamos mais tributos que os países europeus, verifique quem tem interesse em divulgar tamanho absurdo. Trata-se de um caso muito pior que o da banana e o dos cigarros, apenas disfarçado na nossa própria insatisfação com o governo e nos interesses de quem nada quer contribuir com o país e com a sociedade.

domingo, 29 de agosto de 2010

Violação de imposto de renda, mais um escândalo ridículo.

A onda da imprensa nestas duas últimas semanas foi noticiar a suposta violação do imposto de renda que supostamente teria sido feita pelo governo [1]. Nem supostamente eu dou a mínima para isso.

Vejam só que engraçado. Como funcionário público sou obrigado a apresentar a minha sigilosa declaração de rendimentos e bens ao RH do local em que trabalho. Todos os anos tenho que assinar um documento que dá ao governo livre acesso às minhas secretas informações fiscais. Sempre achei isso um absurdo, mas ninguém na mídia jamais se escandalizou comigo.

Agora que isso atingiu o tucanos, aflige também a mídia em cheio. Isso apenas prova a afinidade entre ambos. O absurdo não foi o vazamento de informações, mas de quem vazou. Assim não pode!

Já para o funcionário público federal, ninguém faz qualquer alvoroço pelo escancaramento de suas informações fiscais. Ao contrário, trata-se de decisão do STF permitir que sua declaração de imposto de renda seja esmiuçada por algum qualquer. Por causa disso, não vejo qualquer problema que se tenha acesso às informações de renda destas pessoas claramente ligadas à partidos políticos, ainda mais pois estes tem muito mais chance de enriquecer ilegalmente.

O que a mídia está pregando é o suposto uso político desses dados. Mas isso fica apenas na infinita imaginação da oposição. Se os dados da declaração destas pessoas fossem assim tão interessantes a seus oponentes, não faz sentido que nada tenha sido usado na campanha política deste ano. Não há nada de interessante nessas informações, para que o alguém ia querer isso?

Ora bolas, vamos pensar bem. Se o governo quisesse montar dossiês não teria vazado declarações inúteis à imprensa. Também não estaria procurando nada nos nomes destes tucanos pequeninos e sem importância. Tem tantos por aí mais fáceis de pegar.

Estes falsos escândalos estão ficando cada vez mais parecidos, o áudio do grampo, o caso da lina e do caseiro e agora a violação da receita. Tudo sem provas de que aconteceu e sem quaisquer ligações com o governo federal. No entanto, isso não parece deixar de alimentar a grande imprensa, sempre com sede de algo contra Lula e Dilma.

Quando essa história acabar outra virá e a função da blogosfera vai ser desmascarar estas bobagens novamente. Como a gente sempre faz, para variar.

domingo, 22 de agosto de 2010

10 motivos errados ou fantasiosos para não votar em Dilma

Muitas pessoas criam motivos para não votar em Dilma ou em candidatos do PT. São normalmente assuntos que a mídia força a barra para criar e manter em evidência. São informações falsas ou incompletas que se perpetuam na cabeça de alguns eleitores.

Neste post vou relatar alguns destes assuntos, os 10 mais importantes motivos errados ou fantasiosos para não votar em Dilma. Vamos lá!

1) Por causa do mensalão.

Deve-se perguntar aqui onde estão as provas de que houve mensalão, ou seja, algo que realmente comprove que o governo deu dinheiro para senadores ou deputados em troca de apoio e votos.

A única evidência do mensalão é o testemunho do deputado cassado Roberto Jefferson, que certamente o fez por motivos políticos e em represália ao fato de ter sido pego no escândalo dos correios.

Nada que comprove corrupção neste caso, trata-se apenas da escandalização seletiva da mídia, que não fez o mesmo estardalhaço quando apareceram indícios muitos mais fortes de que FHC comprou votos para garantir a emenda da reeleição.

2) Por causa dos escândalos de caixa dois.

Caixa dois sempre existiu, em todos os partidos. Algumas empresas querem contribuir para a campanha de certos candidatos e não gostam de aparecer, pois podem ser prejudicadas caso a oposição ganhe. A partir das eleições de 2006, houve muitas mudanças para coibir esta prática, sendo hoje muito mais complicado fazer doações por baixo do tapete.

Existem escândalos de caixa dois tanto no governo quanto na oposição e são freqüentemente denominados "mensalão" para confundir a cabeça do eleitor. Fato é que atualmente as campanhas são muito mais auditadas e fiscalizadas, será mais difícil que um político faça uso deste expediente impunemente.

3) Por causa da corrupção.

Não há dúvida que hoje há muito mais casos de corrupção noticiados na mídia, e a maioria deles só foram descobertos graças às investigações da polícia federal. Isso foi mérito do atual governo, pois nos oito anos de FHC foram feitas apenas 28 operações da PF, enquanto no governo Lula até agora foram 1089! Lógico que quando você investiga mais os problemas aparecem.

E não só isso, a mídia adora uma fofoca sobre Lula. Estes últimos oito anos foram recheados de escândalos sem sentido, denuncias vazias e casos ridículos com um único intuito de afundar o governo e vender jornais e revistas para quem gosta desse tipo de jornalismo.

4) Por que Dilma foi terrorista.

Terrorista é o escambau. Não dá para entender porque no Brasil os corajosos que lutaram contra um regime totalitário, intransigente e assassino são chamados terroristas, enquanto outros que fugiram ou foram coniventes são tratados como heróis. Foi a resistência dessas pessoas que, pouco a pouco, levou ao processo de transição para a democracia e culminou com o fim dos governos militares.

Lógico que não houve apenas manifestações e movimentos pacíficos, acontecerem muitos abusos e crimes. No entanto, querer acusar Dilma de ter sido terrorista ou de ter roubado bancos nesta época é jogar sujo, não há quaisquer provas disso, ao contrário de muitos dos estrelinhas que a mídia tanto gosta.

5) Por que Dilma não tem experiência.

Nenhum dos candidatos jamais foi presidente da república, então não há ninguém com experiência. Serra pode ter sido prefeito e governador, mas de que vale toda a sua experiência se ele representa o partido político que quebrou o Brasil três vezes durante o governo anterior?

Dilma foi ministra de minas e energia e a ministra da casa civil de Lula, trabalhou e fez parte de um governo que teve praticamente apenas bons resultados. São 31 milhões de brasileiros que elevaram seu status para classe C [1], 20 milhões que sairam da linha da pobreza extrema [2], 15 milhões de novos empregos [3] e outros tantos dados positivos. É esse tipo de experiência que conta, quando você faz e acontece!

Experiência com privatizações, com desemprego, com dar dinheiro para os bancos e quebrar o país, isso Dilma tem pouco mesmo. Se eu quisesse um presidente que fizesse isso eu votaria em outro. Todo mundo sabe quem.

6) Alternância de poder é bom para o país.

Sem dúvida, quando o governo está desgastado e seus resultados não estão bons. A alternância de poder em 2002 fez muito bem ao país. Mas agora que Lula tem 77% de aprovação [4] não é nem um pouco inteligente trocar.

Mudar por mudar não é uma boa idéia. Quando um governo vai mal, está mal avaliado pela população e seu controle do país está decaindo, então temos que trocá-lo mesmo. Neste caso eu daria preferência por um partido que não representasse um momento em que o país estava pior ainda.

Esta idéia de trocar algo que está funcionando lembra quando alguém resolve mudar a posição dos móveis na sala. Tudo fica muito pior, mas tem gente que acha legal só porque está diferente. Se você acha isso uma boa idéia, coloque a sua geladeira no banheiro e vote em Dilma. Com o país não se brinca.

7) Dilma é antipática e durona.

Como todo chefe precisa ser. Chefe paz e amor não dá certo. Tem que cobrar mesmo, reclamar e exigir bons resultados. Ser presidente não é fácil, são 190 milhões de clientes que cobram o impossível e ainda querem deixar de pagar impostos.

Mas dizer esta historinha de que Dilma fez alguém chorar é brincadeira. Uma total falta de discurso de oposição. Não há o que reclamar do governo além de inventar estas bobagens. Parece coisa de criança que chama a outra de feia. Vamos discutir educação, saúde e outra coisa relevante, por favor.

8) Serra é bem avaliado como governador de São Paulo.


Sem dúvida, Serra possui cerca de 55% de avaliações "bom" e "ótimo" [5]. No entanto, o que é bom para São Paulo pode não ser bom para todo o Brasil. O que é bom para o Brasil é a continuidade do governo Lula, que tem 77% de aprovação [6].

São Paulo precisa menos do estado do que o resto do Brasil, e a forma neoliberal de governar causa efeitos menos danosos. No entanto, pergunte para qualquer professor da rede estadual se ele gosta de Serra e você vai ver como estão os investimentos em educação.

9) Jornais e revistas falam muito mal de Lula e Dilma.

Este é o motivo da existência deste blog e de tantos outros na internet brasileira: a parcialidade da imprensa em negar todos os problemas das administrações tucanas e focar apenas nos defeitos de Lula.

Mas isso é bom. Uma imprensa que é sempre contra mantém o governo na linha. Muito pior era a época em que a Globo e outros defendiam o governo durante os arrochos do plano real, os cortes de investimento e até o apagão elétrico.

10) Por que não gosto do Hugo Chavez, do Evo Morales, do Irã, do PMDB, do Sarney ou do Collor.


Olhe bem para este conjunto de nomes e tente encontrar algo em comum. Desiste?

A semelhança é que todos já foram usados para criticar o governo Lula, mas nenhum deles é motivo para não votar em Dilma. A verdade é que a imprensa cava cada dia mais fundo para encontrar o que falar mal do governo.

Chavez e Morales não apitam nada no Brasil, nem no atual governo, nem em qualquer outro. Ambos os países tem economia pequena demais em relação ao Brasil e o relacionamento de Lula com eles é apenas cordial, como qualquer outro presidente faria. Lula e Dilma não tem nada tem a ver com as doideras que estes fizeram ou falaram.

No caso do Irã, a mesma coisa. O governo Lula tenta ter uma relação cordial com Armadinejad pois o Brasil possui investimentos e contratos importantes no Irã. Nada tem a ver com as muitas coisas erradas que este maluco anda fazendo. Diversos outros países tem interesses no Irã ou em outros países que cometem as mesmas atrocidades e não são nem um pouco criticados, incluindo os EUA e Europa.

PMDB e Sarney não são culpa de Dilma e Lula, mas do povo que ainda vota neles até hoje. Seja quem for o futuro presidente, terá que negociar com eles a governabilidade. Se quiser acabar com isso deixe de votar em senadores e deputados deste partido. Collor vai no mesmo barco, Lula não pode destratar um senador da república eleito pelo povo.

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Espero que este texto ajude alguém a decidir seu voto, ou a argumentar com muitos dos que votam em Serra por algum destes motivos. É um grande erro votar em qualquer candidato por acreditar nas historinhas que se conta sobre Dilma.

Eu, particularmente, voto em Dilma não pelos defeitos de Serra ou de outro candidato, mas por acreditar que o Brasil estará em boas mãos em mais um governo do PT. Precisamos de alguém que mantenha as conquistas e avanços sociais e aumente ainda mais os investimentos do governo nos mais pobres. Não adianta crescer a economia sem distribuição de renda, saúde e educação para todos.

Acredito que Dilma poderá fazer isso, manter o país na direção apontada por Lula rumo a ser uma das maiores economias do mundo. Nós merecemos isso há muito tempo.