segunda-feira, 21 de maio de 2012

São 200 ou 2 ligações para Policarpo?

Estive pensando alto, comigo mesmo, sobre o fato da revista Veja ter publicado que seu diretor recebeu apenas 2 ligações de Cachoeira, e não 200 como foi veiculado pela mídia.

Minha primeira reação foi a triste constatação de que não consigo obter provas irrefutáveis sobre nenhum dos dois cenários. Se foram 2 ou 200, não tenho como afirmar sem dúvidas. Isso é frustrante, pois em um momento onde se afirma haver transparência e democracia não se consegue obter a verdade.

Fato é que apenas Veja sustenta a tese de 2 ligações. Sabendo-se de sua baixa credibilidade e grande interesse em defender seu diretor podemos sugerir que, muito possivelmente, existem mais ligações do semanário com o crime organizado de Goiás, algo que transcende a relação natural entre jornalista e fonte.

Uma reflexão mais profunda sobre os fatos me fez pensar que a afirmação de Veja pode ser, na verdade, o início de uma confissão de culpa. Algo semelhante ao que acontece quando se pega criança na mentira: a estória muda a cada vez que é contada.

Siga meu raciocínio: se eu fosse jornalista e alguém me acusasse de ter recebido 200 ligações de um bandido, eu poderia negar de imediato. Se não conheço o indivíduo, este não pode ter me ligado tantas e repetidas vezes.

Se ele tivesse sido uma fonte eventual em alguma investigação jornalística eu poderia afirmar, em público, que recebi apenas algumas poucas ligações. Nada de errado nisso, posso perfeitamente entrevistar um bandido ou contraventor e usar estas informações em uma reportagem.

Mas não foi isso que aconteceu. Quando surgiu, há um mês atrás, a denúncia das 200 ligações, Veja apenas afirmou que Cachoeira era uma fonte. Não fez qualquer menção ao fato de que seus telefonemas foram poucos e eventuais. Parece difícil acreditar que não sabiam, na época, precisar se foram 2 ou 200.

Mesmo em um período grande como 5 anos, 200 ligações representam algo em torno a três contatos por mês. Não dá para confundir tamanha intimidade com um quase desconhecido que só fez contato em duas oportunidades. Veja não percebeu o furo de sua desculpa, o tamanho do buraco da peneira que usa para tapar o sol que atinge sua mentira em cheio.

Se fosse um ladrão comum eu diria que este é o momento para pegá-lo em contradição. Estão desesperados. Parece que o próximo passo é afirmar que foram apenas 5, depois 20 e finalmente vai se saber tudo. Coisa de quem não consegue nem mesmo inventar uma boa mentira para esconder a verdade.

No entanto, tenhamos cuidado. A tática de Veja é muito mais esperta, dissimulada e suja. Farão de tudo para se defender, o que inclui destruir todos que estiverem no caminho. Reputações podem rolar e todos estão na mira desta metralhadora cheia de lágrimas. Uma cachoeira, pelo jeito.

Pode ter certeza que Cabral, Agnelo, Dilma, o PAC, Lula, ETs e até cidadãos comuns estarão no centro das atenções nas próximas edições de Veja. Tudo para desviar o foco do que pode ser a ruína desta revistinha de araque. Demorou muito!