domingo, 30 de junho de 2013

A Manifestação da Geração Classe Média

Tivemos que terminar abruptamente uma reunião de professores da escola onde trabalho, pois sala onde eu estava seria usada pelos alunos para uma assembléia, discussão, debate ou algo do tipo.

Vagamos a recinto rapidamente pois a reunião de alunos parecia mais urgente que nossas deliberações. Na saída encontro um grupo de professores que aparentemente orientava o evento.

Foi aí que eu ouvi um professor se dirigir a um aluno para perguntar do que se trata todo aquele ímpeto participativo que se esgueirava pelos corredores da escola. A resposta, além da reação do aluno, me fez refletir sobre o atual momento político brasileiro. 

- É para discutir tudo que está acontecendo por aí - diz o aluno, enquanto consulta seu prateado Tablet Samsung. A atenção estava totalmente voltada para a tela de sete polegadas do dispositivo aparentemente com 3G, pois o WiFi na escola é bastante problemático.

Quando percebeu que a resposta foi ouvida por um grande grupo de professores o aluno tenta, apressadamente, esconder o tablet e se esquece de apertar o power (standby). A tela é apoiada diretamente em um caderno velho, aberto e sem nenhuma anotação aparente. Percebo o detalhe do forte backlight iluminando as linhas vazias do papel.

Antes de esconder a tela do dispositivo pude ver, de relance, a barra superior azul escura do aplicativo do Facebook para Android. Talvez tenha sido isso que o aluno queria esconder enquanto tentava demonstrar seu interesse por política e economia. Sem dúvida, até os alunos sabem que pega muito mal falar alguma coisa séria enquanto se consulta o Facebook.

Levanto os olhos para ver os outros alunos que, dentro em breve, participariam de um debate sobre política e economia e fico triste de ver que minha escola, embora pública federal, possui maioria de alunos de classe média alta, branca, bem cuidada e bem criada. Não é surpresa nenhuma que estejam interessados nestas manifestações, este é o estereótipo padrão dos participantes.

Há de se perceber que por trás dos gritos contra a corrupção há um ar de estado mínimo, de fechar o congresso e acabar com executivo. No fundo não se importam com saúde e educação, querem apenas defender que os impostos sejam reduzidos. Este é o resultado que temos da mistura de uma extrema esquerda enlouquecida e a direita conservadora.

Lembro então dos meus tempos de estudante, dos cara-pintadas, de discussões intermináveis e principalmente da opinião classista e preconceituosa que era comum na minha época. Este é, assim como antes, o tom de grande parte das manifestações do movimento que em coro grita "vem pra rua".

A geração classe média, rica e sem noção de mundo, domina os cartazes e os bordões de guerra. Sem partido, sem foco e sem rumo estão aí mais para reclamar do que para somar ou participar.

A única coisa boa é que este jovens, por característica da idade, estão bastante inclinados a não ouvir nada ou ninguém. Isso acaba sendo bom porque do contrário estariam prontos para serem cooptados por qualquer espectro político.

Apesar de claramente sem objetivo eu ainda acho que de toda a confusão destas manifestações ainda terá um resultado positivo, um bom caminho para permitir uma intensa reforma política. Estas chororô de classe média pode, mesmo não tendo sido esta a intensão, permitir que um grande esforço político de mudança passe a valer a pena eleitoralmente. É um pensamento otimista , mas não custa ter esperança.

domingo, 12 de maio de 2013

Contra a liberação da maconha e outras drogas

Em meio a marcha da maconha, recentemente deflagrada no Rio de Janeiro e outras capitais, não posso deixar de registar o quanto sou a favor da livre manifestação de pensamento, apesar de ser ainda mais enfaticamente contra a liberação das drogas, inclusive a maconha.

Defendida como erva natural, a Cannabis pode até mesmo ser uma droga de baixa toxidade, comparada ao álcool ou ao tabaco, mas é risível achar que os danos causados ao indivíduo e à sociedade sejam insignificantes. Nada justifica sua descriminalização.

Ninguém precisa de mais um droga legalmente liberada. Só porque alguém pode legalmente se envenenar com cigarro e cerveja isso não quer dizer que qualquer tipo de porcaria deva ser vendido em qualquer esquina. Quanto mais difícil o acesso às drogas melhor será o destino de nosso povo.

Acreditar que não há danos permanentes com o uso de maconha é muita ingenuidade. Certamente coisa de quem nunca conversou com um usuário de longa data desta droga. São todos de conversa lenta, pensamentos pouco concretos e mente fracamente afiada. A maconha afeta fortemente a região do cérebro responsável pela memória de curto prazo, diminuindo assim a habilidade de argumentação e aprendizado [1] [2] [3] [4].

Não se engane com estudos que supostamente comprovam que a erva não causa qualquer dano ao cérebro, pois dada a dificuldade em analisar variáveis tão subjetivas como memória ou aprendizado, qualquer conclusão pode acabar sendo delineada, ou até mesmo forçada. O fato é que encontra-se grande correlação entre adolescentes usuários desta droga e baixo rendimento escolar, problemas familiares e outros casos ainda mais graves [5] [6] [7].

Mesmo que os danos não sejam permanentes, ou seja, mesmo que possam ser minimizados com alguns meses de abstinência, devemos lembrar que a maconha é uma droga viciante, ou seja, haverá grande probabilidade de ser utilizada com frequência a partir do momento em que for administrada uma única vez. Em outras palavras, o dano permanente à sociedade existe de qualquer forma, pois não se pode esperar que pessoas afetadas por drogas ocupem seu lugar e sua responsabilidade na sociedade.

A diminuição do tráfico de drogas também não deve ser usada para justificar a liberação da maconha, pois este continuará a existir disponibilizando cocaína, heroína, crack e outras porcarias. A maconha não é a principal fonte de renda do traficante e nada mudará a guerra anti-drogas. Na minha opinião, a descriminalização da maconha vai tornar o cenário ainda mais desfavorável, pois sabe-se que a erva muitas vezes apresenta à seus usuários outros entorpecentes mais poderosos.

O motivo mais importante que me faz ser contra a liberação do uso de maconha é simplesmente o objetivo principal da educação, motivo da existência de tantas escolas e faculdades, que é formar um indivíduo capaz de substituir, com superioridade, os mais velhos da sociedade. Nossa vida útil não é muito maior que 70 ou 80 anos, portanto precisamos  garantir que exista uma ótima geração futura de Médicos, Engenheiros, Físicos, Matemáticos, Sociólogos e outros. A maconha, neste cenário, favorece apenas a desvirtuar este processo e a proibição desta, dificultando seu uso, é um grande benefício ao futuro do ser humano.

Aos que esbravejam pela legalização, estejam certos que lutarei para que tenham plena liberdade de expressar qualquer ideia, mas minha sincera opinião é que seria muito mais inteligente parar de exigir o direito a se envenenar e brigar pela acesso à educação e saúde de qualidade para o nosso povo. Em outras palavras, apague seu veneninho e vá ler um livro!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

2014, a copa que o Brasil já ganhou!

O Facebook e a mídia estão inundados com mensagens reclamando dos gastos da copa e da olimpíada, que somados à choradeira sobre os índios e aos "preocupados com a educação" resultam em um retrato de tristeza e depressão. Perdemos a copa, dizem os nossos jornalistas desanimados, mesmo antes de rolar a bola.

Todos este derrotistas querem, no fundo mesmo, é que o brasil seja um país pobre e ferrado para sempre, e que tudo seja melhor em Paris ou nos Estados Unidos. Parte da nossa elite preconceituosa não consegue admitir o quanto evoluímos nos últimos anos, e que nosso povo é capaz sim, de trabalhar para fazer este grande espetáculo funcionar perfeitamente.

Este complexo de cachorro vira-lata não é coisa de hoje. Há muito escuto a ladainha de que brasileiros são incapazes, que não querem trabalhar e só pensam na corrupção. Ridículo! Temos falhas e méritos como qualquer outro povo e somos sim um grande país!

Até parece que o pessoal lá na França ou Africa do Sul foi super honesto e não gastou nem um pouquinho a mais para construir seus estádios para a copa do mundo. Só aqui no Brasil existe corrupção? Absurdo achar que só nós somos desonestos e que vamos roubar a copa. Aqui tem gente que trabalha sério, sabiam?

Mas mesmo evidências claras de trabalho sério não impedem a mídia rabugenta de assombrar qualquer coisa boa que seja construída. Eles não querem as novas arenas, não querem melhorias ou obras. Dizem que tudo terá roubo, tudo será desviado, tudo será corrompido. E não ache que tem alguém preocupado com educação e saúde coisa nenhuma, esta elite de araque quer mesmo é deixar de pagar impostos.

Estou cansado de ouvir o papo de que os gastos da copa estão altos. Ora, se não valesse à pena sediar estes eventos não haveria tanta briga entre as candidaturas. Os Estados Unidos e os países da Europa são sempre candidatos, mesmo nesta época de crise. Será que são burros? 

A copa e olimpíada vai demandar muitos recursos mas trará tudo em dobro mesmo considerando apenas os lucros diretos. Se não fosse um ótimo negócio ninguém ia querer sediar droga nenhuma, ou melhor, acho que nem haveria eventos deste tipo. As pessoas são mesmo ingênuas em pensar que copa e olimpíada dá prejuízo aos países. Que burrice!

Empregos, turismo, investimentos, novos estádios, melhoria do transporte público e outros tantos benefícios somarão muito mais do que o total gasto. O lucro será evidente e todos ganharemos, basta ver como ficaram fantásticas as novas arenas, que sediarão muitos outros eventos no futuro, trazendo ainda mais dinheiro para a gente.

Mas não é isso que quer a nossa "classe média", a tal massa cheirosa. Eles fazem as contas de quando vão ter dinheiro para se mudar para Paris ou Milão, ou qualquer outro lugar que não seja o Brasil. Querem mesmo é que a educação e saúde se explodam, e ainda usam isso como desculpa para dizer que não quererem a copa. Lógico, não querem nenhum gasto em um país que já abandonaram faz tempo.

Arrisco a dizer que o Brasil já ganhou esta copa só de ter colocado o país no mapa. O turismo aqui no Rio e em outras cidades está de vento em popa desde que houve ou anúncio do país sede. Já ganhamos muito e nem rolou a bola no gramado. E mesmo depois de acabado o evento ainda colheremos frutos desta ótima aventura, que lembraremos para sempre, pode ter certeza. Pena que a seleção está uma droga, mas esta é outra história.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Índios do Maracanã tem interesse de branco

A nova febre das madames do facebook é a defesa aos índios da "Aldeia Maracanã". Uma pena que tanta militância seja desperdiçada por causas tão pequenas, enquanto milhares de índios estão em situação muito pior sendo perseguidos e assassinados por grileiros.

Para quem está totalmente desligado das notícias eu explico: existe, aqui no Rio de Janeiro, um prédio bem perto do estádio Maracanã que é, desde 2006, habitado por índios de diversas tribos. O prédio já foi sede do museu do índio na década de 70, mas estava abandonado há mais de trinta anos.

A questão central da discussão é que a reforma do Maracanã inclui a derrubada do antigo prédio para a construção de um estacionamento e revitalização da área, o que está atiçando fortemente os revoltados do Facebook nas últimas semanas.

Vamos então levar esta discussão para outro nível: e se fossem pobres não-índios ocupando o prédio a ser demolido, que direitos eles teriam?

Simples, como ocupam uma construção desde 2006 têm uma boa possibilidade de requerer usucapião do terreno abandonado. Desta forma, precisam ser indenizados pelo estado que tem o dever moral de fornecer uma opção digna como nova moradia. Tenha certeza que se fossem pobres morando no antigo e caquético prédio do século 19 as madames do Facebook iam exigir que a polícia os retirasse na pancada, e a mídia apoiaria prontamente como fez com o caso do Pinheirinho.

Mas os invasores são índios, e assim tornam bela a causa que une os revoltados da direita e da extrema esquerda pela preservação da memória histórica, da cultura indígena e até mesmo do meio-ambiente. O defeito desta ideia é que não são índios de verdade, na minha opinião, os que engrossam a tribo Maracanã.

Para mim, índio é quem extrai da natureza todo o seu sustento, vivendo totalmente ou praticamente isolado da chamada civilização. O interesse típico do índio é caçar, pescar, defender o seu território, sua cultura e sua família. Em outras palavras, sobreviver.

Mas o que se vê não é isso. Vários caciques da aldeia deram entrevista afirmando que desejam atrair turistas e promover o estudo de seus antepassados, que a reforma do Maracanã é uma ótima oportunidade para mostrar ao mundo a cultura de seu povo. 

Nada de errado nisso, mas este não é interesse de índio. Este é um discurso típico de um homem branco totalmente integrado em nossa sociedade, alguém que usa computador e tem Facebook.

Os índios da tribo Maracanã tem uma forma de pensar típica de um bom empresário branco, que percebe a  oportunidade de lucro na visibilidade que a copa do mundo e olimpíada tratá ao Rio de Janeiro. Ora, tendo uma sede ou centro cultural tão perto do badalado estádio, palco da final da copa, haverá uma grande promoção da cultura indígena e seu artesanato. Lógica muito semelhante à forma com que o McDonalds expande suas lojas.

Se são índios verdadeiros os que lutam pelo espaço próximo ao Maracanã, estão então sendo manipulados por brancos interesseiros e gananciosos. Como pode um terreno com apenas uma árvore dar subsistência à uma tribo? Ao que parece eles conseguem recursos vendendo artesanato e itens de sua cultura, não muito diferente das barracas hippie de Copacabana.

Sou contra removê-los à força, até porque eles possuem direito civis. O estado deve providenciar uma nova moradia digna onde os índios possam continuar seu direito à viver dentro de nossa sociedade, assim como qualquer civil.

Já a demolição do prédio é outra discussão à parte. Acho uma boa ideia se não for possível integrá-lo ao projeto de revitalização da área. Manter uma construção que está abandonada há quase quarenta anos, totalmente destruída em um bairro escuro e perigoso é uma péssima ideia. Existem muitos outros prédios ainda mais antigos e com maior significância histórica no Rio de Janeiro para que se justifique gastar uma fortuna para salvar um antigo cacareco.

Mas a discussão sobre a aldeia maracanã está esquentando cada vez mais. A Unesco e a Fifa já entraram na estória que promete dar muito pano para manga. Pena que nada fizeram quando houve a remoção à força de 1600 famílias do pinheirinho. Vai entender esta sociedade maluca que tanto preza os prédios, monumentos e cultura, mas nem tanto assim a vida humana.