segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dez motivos para não votar em José Serra...

Foi dada a largada às eleições de 2010 e este blog, assim como tantos outros, participa da campanha para a eleição de Dilma Rousseff. Desde o primeiro post deste espaço assumi que votei em Lula, que defendo o governo e que aqui não publico notícias, trata-se da livre exposição de minha opinião.

Dentro deste nobre propósito de exercitar o direito a expressão, vou aqui enumerar os dez principais motivos pelos quais não votaria em José Serra. Vamos a eles:

1) É paulista e representa os interesses de São Paulo:
Não que eu tenha algo contra os paulistas, mas não posso deixar de pensar que toda a carreira política de Serra foi dentro deste estado, e os interesses que ele representa estão lá também. Não gostaria de ver o Brasil concentrando esforços em São Paulo como se fez nos governos FHC.

Agora é hora de fazer o Brasil deslanchar como um todo, diminuindo a participação do sudeste no PIB. Só assim o país vai para frente. Concentrar investimentos em São Paulo, como fará Serra,  vai aumentar ainda mais o contraste entre ricos e pobres, além de tornar as grandes cidades ainda mais violentas e poluídas do que já são.

2) Seu secretário de educação tentou acabar com o CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica):
O secretário de educação de Serra em SP, ex-ministro de FHC, é um dos "defensores" do curso técnico. Mas não aquele que se tem no CEFET, com qualidade e de formação geral. Os tucanos gostam dos totalmente voltados à atender os caprichos da indústria.

O sistema que quase foi implementado nos últimos anos de FHC, com o auxílio do banco mundial, consistia em transformar o CEFET em um SENAI pago pelo governo. Os alunos receberiam formação especial voltada para a contratação da industria. Lógico que nesta estória os empresários não pagariam nada e obteriam uma fonte inesgotável de mão-de-obra barata, os eternos estagiários.

O CEFET foi esvaziado durante o governo tucano e estava prestes a ser privatizado. Não havia concurso e os novos professores eram contratados com salário baixo e sem benefícios. Não havia verba para educação e não se recebia a adequada reposição salarial por causa da inflação. O que me lembra do próximo motivo...

3) Não há verbas para nada, tudo é cortado ou contingenciado:
Serra e PSDB representam o estado mínimo, portanto tudo será cortado ou diminuído o quanto possível. Educação, saúde, gastos sociais, previdência e investimentos do estado serão reduzidos gradativamente ou mesmo privatizados. Isso agrada muito quem tem dinheiro, pois a redução do tamanho do estado implica em menos impostos. Mas e quem não pode pagar saúde ou educação privada?

Para diminuir ainda mais os gastos, os governos do PSDB terceirizam contratos, acabam com concursos e aumentam bastante o número de funcionários temporários, que não possuem qualquer compromisso de qualidade com o serviço que prestam.

4) Serra não negocia greves, não há aumento para professores e funcionários públicos:
Os funcionários públicos de São Paulo conhecem Serra muito bem, ou melhor, não conhecem, pois ele não aceita receber qualquer grupo de negociação. O salário do delegados paulistas, por exemplo, é um dos menores do país [1], em um estado com uma das maiores arrecadações e um dos maiores custos de vida.

Serra é um ditador. Sua ordem é o que vale. Até FHC era mais maleável e chegou a criticar Serra durante um greve de delegados em São Paulo. Os salários dos servidores não serão reajustados conforme a inflação e em breve perderão grande poder aquisitivo. Isso aconteceu no governo FHC e será o destino inevitável de um eventual governo Serra.

5) O fim da petrobrás e de outras empresas públicas:
A Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica cresceram muito no governo Lula, podendo hoje representar o interesse social entre as grandes empresas brasileiras. Sendo eleito José Serra, toda esta riqueza vai parar na mão da iniciativa privada.

Quando houver um crise internacional como em 2008, os Bancos e empresas estatais não poderão agir mantendo o crédito e investimentos. Será o início da recessão que perseguiu brasileiros durante quase todos os governos antes de Lula.

Quanto ao pré-sal, pode esquecer. Serra já avisou que vai rever o regime aprovado por lei, que hoje dá preferências à Petrobrás na exploração de petróleo. Com a volta da concessão, os lucros com a extração vão parar nas mãos de empresas estrangeiras, enquanto ficamos com a parte suja do negócio. É a volta da Petrobrax.

6) Podem esquecer os concursos:
O CEFET-RJ ficou sem concursos durante quase todos os oito anos de FHC, assim como diversas outras áreas de grande interesse social. Assim será o regime de Serra.

O PSDB dá preferência a delegar suas responsabilidades à iniciativa privada. São empresas que nada fazem além de contratar outras, e que por sua vez contratam outras. Para resumir, neste sistema nós sempre estaremos no final do elo, trabalhando duro com salário baixo e sem direito a reclamar.

Mesmo as grandes empresas públicas sofrerão cortes e serão estranguladas até a morte, sufocadas por anos sem investimentos. Vamos voltar à época onde o trabalhador tinha que bancar do próprio bolso diversos cursos MBA e pós-graduações para ter um emprego digno.

7) Mercosul para o saco:
Todo mundo acha o Mercosul importante. Se não fosse importante a integração com os vizinhos, os Estados Unidos não iriam querer a ALCA e os Europeus rejeitariam a União Européia (UE).

Serra já sinalizou em diversas entrevistas, inclusive recentemente criticando a Bolívia, que não vai dar importância ao comércio com a América Latina. Priorizaremos, como na época de FHC, os EUA nos negócios e na compra de títulos que compõem a reserva internacional. Uma péssima idéia.

O Brasil é o maior país da América do Sul, em população e em economia. Se nós quisermos acabar com o Mercosul, assim será. No entanto, desunidos seremos presas fáceis para a economia forte da UE e dos EUA, e na primeira crise grave destes seremos cuspidos como foram tantos em 2008.

8) Serra controla a mídia:
Alguns de meus colegas não Petistas afirmam que o governo Lula deu certo por que a mídia pega no pé do presidente. Há muitos excessos, mas talvez isso realmente tenha tido um efeito positivo.

A Globo e os jornalões odeiam Lula. Preconceito, interesse dos patrões, adoração ao estrangeiro e elitismo são apenas alguns dos motivos para a malhação-de-Judas que atinge o presidente diariamente.

Mas este não é o tratamento dado a Serra. O tucano é tratado como gênio, o magnânimo da inteligência, o economista capaz, o engenheiro do futuro. Tudo a maior balela. Caso seja eleito presidente, não há dúvida que continuará gozando de status VIP, ou seja, os jornais vão aplaudir tudo que fizer de bom e esconder mesmo os mais crassos erros. Vai por água abaixo um dos motivos pelo qual o governo Lula é o que mais andou na linha em toda a história do país. Qualquer deslize vira primeira página.

A preferência por Serra vai além da simpatia dos meios de comunicação. Há relatos de que com alguns telefonemas o tucano consegue demitir jornalistas e afundar matérias que não sejam de seu interesse. Na grande mídia há um darwinismo às avessas, só sobrevive quem fala bem de Serra.

9) Serra é FHC, FHC é serra:
Serra representa o retorno à época de FHC:
  • onde o Brasil sofria com qualquer crise, havia desemprego e os salários eram baixos.
  • onde os impostos aumentavam, os investimentos diminuam e a única forma de se dar bem na vida era sair do país.
  • onde havia conivência com o arroxo imposto pelo FMI. 
  • onde ocorriam privatizações a preço de banana.
  • onde tudo que se produzia era usado para pagar os juros extorsivos de 45% ao ano e a dívida externa.
  • onde havia o apagão e as altas contas de luz para custear a falta de investimentos do governo.
Uma época que não vai voltar, pois não vamos votar em Serra.

10) O fim do bolsa família:
Os tucanos podem afirmar publicamente, assinar cartas de intenções ou colocar a mãe como garantia. Eu não  confio. Serra vai acabar com o bolsa família.

Trata-se do maior programa de transferência de renda de todo o mundo. Diversos países copiam esta idéia e tentam implementá-la tão bem como se fez no Brasil. Serra, demos e tucanos são os maiores opositores ao programa.

O bolsa família funciona muito bem. O beneficiário recebe um cartão para comprar apenas alimentos em supermercados. Com o aumento das vendas, os donos de pequenos negócios contratam novos funcionários para suprir a demanda. Estes novos empregos geram ainda mais renda e por sua vez mais demanda, não só por alimentos mas também por outros serviços.

Com o fim do Bolsa família acaba-se o iniciador deste ciclo de prosperidade. Corta-se verbas das áreas sociais que virarão isenções de impostos para as ricas grandes empresas. Concentrar renda é uma das habilidades tucanas, principalmente em São Paulo.
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O que não vai faltar nestes próximos três meses são comparações entre os candidatos. Publicarei também motivos para não votar em Marina e para votar em Dilma. Aguardem!