domingo, 19 de setembro de 2010

Saiu na Veja? Então não se preocupe que é ficção!

Quando eu era adolescente todos os meus professores indicam a Veja como leitura obrigatória. Era a melhor forma de manter-se informado, de melhorar a redação e de adquirir um bom nível de conhecimentos gerais. Muitas famílias assinavam a revista para receber informações em primeira mão sobre a conjuntura política brasileira.

Comparando-se aos dias de hoje é que se nota o quanto a publicação se desvirtuou. Agora seria totalmente anti-ético e irresponsável indicar a Veja como leitura didática, pois esta se tornou um tablóide totalmente partidário e desmoralizado. Recomendá-la a adolescentes é o mesmo que aconselhar a leitura do blog dos amigos do presidente Lula [1] como base para o adquirir conhecimentos gerais sobre política. Pelo menos seria mais honesto, o Blog não esconde quem apóia.

Não é de hoje que a revista é sensacionalista, mas foi apenas nos últimos oito anos que se descobriu suas inclinações ficcionais e partidárias. Sempre tentando mostrar com viés positivo um dos lados da política brasileira, além de avacalhar o outro. Dê uma olhada nas nove capas abaixo e verifique por si só em qual time a revista joga.

  

E agora que aparecem mais denúncias, mesmo muito sérias, sobre tráfico de influências na casa civil, fica difícil não fazer um paralelo com o que já foi publicado na revista. Veja já publicou que o PT recebeu  dólares de cuba em caixas de whisky, que o filho do Lula fazia lobby em Brasília e que uma cooperativa habitacional era apenas fachada para lavar dinheiro obtido de atos criminosos e depois repassar ao caixa do PT [2] [3] [4].


O que há de comum nestas três histórias é o que quando se inicia uma apuração formal sobre os fatos nada se descobre. A denúncia sempre vem de uma "fonte" totalmente anônima, que a revista se recusa a identificar, ou então, pior ainda, de algum político da própria oposição. Quem assume que os fatos publicados são verídicos confia em uma revista que não é imparcial, que sempre julgará qualquer boato sobre o governo Lula como verdade absoluta, procurando formas de sustentá-lo.

Ultimamente as histórias tem ficado ainda mais sem pé nem cabeça. Na semana passada, Veja publicou  relatos de um empresário que se disse beneficiado por um esquema de favorecimento na casa civil. Ele mesmo já negou que tenha dado tal entrevista à revista, mas mesmo que a gente não soubesse disso, é difícil acreditar que alguém realmente beneficiado denunciaria a si mesmo.

Continuando a sua saga de fábulas, Veja desta semana surge denunciando um esquema de corrupção na compra de remédios para a Gripe Suína. Como será que funcionários do governo favoreceram uma empresa na compra de Tamiflu se este medicamento patenteado é exclusividade de um só fornecedor. Nem podem dizer que não era para ter comprado, a própria imprensa espalhou o boato de que haveria uma epidemia!

O fato é que a Veja já perdeu totalmente a credibilidade. Só quem acredita neles é o pessoal ultra direitista ou a oposição, que precisa destes escândalos para encher lingüiça no seu discurso já tão vazio e sem nexo. O que mais me impressiona é que ainda tem muita gente, dentro e fora da mídia, que dá atenção e acredita nas mais loucas fantasias publicadas.

Com a tiragem da Veja diminuindo cada vez mais, é triste ver que a história de uma das maiores revistas do Brasil esteja sendo jogada na lama sem qualquer desgosto, apenas para ser usada como veículo eleitoral de um partido que não consegue maioria nem mesmo em São Paulo. Resta abençoar a internet, que com seus muitos blogs presta-se hoje a denunciar a grande mídia e servir como uma base muito mais democrática que qualquer revista jamais ousaria ser.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Duras semelhanças entre as militâncias

Muito se falou sobre Dilma e Serra ao longo destes últimos quatro anos. Já ouvi de tudo, de teorias bem fundamentadas até pura especulação. No entanto, a maioria do que se encontra na internet sobre qualquer um dos candidatos não passa de bobagem.

Muitas vezes, a militância é responsável por repercutir denúncias e acusações sobre o outro lado, de forma a tentar convencer o eleitor que apenas o seu candidato é bom e decente, enquanto os outros não passam de ladrões e corruptos. No afã de conseguir tal proeza, lançam mão de métodos nada éticos, denegrindo e acusando injustamente o adversário, prejudicando a democracia como um todo.

Na figura abaixo, reproduzo o fórum da maior comunidade de apoio à José Serra no orkut. Removi a coluna de autor e a substitui por uma indicação do tipo de postagem. Separei os textos em "Acusações falsas" "depreciação", "Panfletagem", "Reclamação da Mídia" e "Modereção".


O pior está em vermelho, "Acusações falsas" e "depreciação". Aqui espalha-se todo o tipo de boato ridículo sobre o adversário, ou seja, a maioria sobre Dilma. Vídeos difamatórios, acusações de terrorismo e desvalorizações diversas são jogadas ao vento para que encontrem qualquer eleitor desavisado. Esse é o debate correto que queremos para as eleições do país?

No momento em que José Serra tanto reclama dos "blogs sujos" que o difamam na internet, pode parecer surpreendente que sua maior comunidade no orkut utilize os mesmos subterfúgios tão condenados pelo tucano. Infelizmente, isso não é apenas característica da militância do PSDB, também podemos encontrar bastante deste método na militância de Dilma.

Na figura abaixo fiz a mesma divisão com a maior comunidade de apoio à candidatura petista. Embora em menor número, não é muito difícil encontrar as mesmas acusações e depreciações ao adversário. Estes métodos acabam por encobrir o debate construtivista de propostas que seria muito mais importante para o Brasil.


Esta briga de socos e pontapés é extremamente semelhante em ambos os lados, sem qualquer lucro para o leitor. No fundo, não faz qualquer diferença ser chamado de tucanalha ou petralha, tão parecidas as acusações. Se um indeciso se dispor a ler ambos os fóruns no orkut sairá ainda mais inclinado a votar nulo, ou procurar uma candidatura alternativa.

Por isso eu defendo uma grande limpeza na militância de Dilma, da qual faço parte, para que se respeite mais os adversários, evitando nomes como "vampiro", "careca", "tucanalha" ou "tucano de rapina". Esta briga não ganha nenhum voto, apenas acirra os ânimos e retira o foco principal dos debates.

Também é possível encontrar, na militância de Serra, expressões que classificam Dilma como "terrorista", "corrupta", "criminosa", "durona" ou "fraca". Mesmo assim, devemos nos conter para não responder na mesma moeda, ou seja, com ainda mais farpas. Este tipo de discurso é a principal arma de uma oposição que há tempos já perdeu o rumo. Gentileza gera gentileza, se não em palavras, pelo menos em votos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eleições de 2006 e 2010, as semelhanças e diferenças.


Encontrei este interessante gráfico no Estadão e gostaria de escrever sobre o ele. Nos mesmos eixos estão as intenções de voto medidas por pesquisa nas eleições de 2006 (Lula x Alckmin) e 2010 (Dilma x Serra).

Como o original continha apenas as informações até o final de agosto, editei o gráfico para completá-lo até cerca de 07 de setembro, ou seja, já inclui o nulo efeito deste escândalo do sigilo, o crescimento de Dilma e a queda de Serra nestas últimas duas semanas.

Nas linhas em vermelho e laranja estão Dilma 2010 e Lula 2006, respectivamente. Pode-se notar que a votação de Lula já era expressiva em julho, pois o atual presidente contava não só com grande popularidade mas também com a lembrança de ter sido presidente e candidato por tanto tempo.

Dilma, no entanto, não contou com esta facilidade. Saindo de patamar muito menor, tornou-se conhecida e conseguiu ainda em agosto, há 2 meses da eleição, ultrapassar Lula de 2006 em 5%. Para uma candidata que era apontada pela mídia como inventada e improvisada, Dilma saiu-se muito melhor que a encomenda.

Já Serra, por outro lado, saiu-se pior que seu colega Alckmin. Pelo menos, o "picolé de chuchu" de 2006  cresceu com o início de setembro, explorando a lembrança da crise do mensalão. Acabou conseguindo levar as eleições para o segundo turno. Perdeu de forma medonha, mas não tão mal como está a pintura para o quadro eleitoral deste ano.

Serra estão tão caído que até o horário eleitoral gratuito, iniciado em agosto, o jogou para baixo. Mesmo contra uma candidata sem experiência em eleições, o tucano de 2010 patina muito mais feio que seu colega de 2006. Neste momento, Alckmin de 2006 ganha de Serra com 10% de lambuja.

Se o PSDB ainda quiser levar as eleições para o segundo turno, terá que encarar um cenário mais desfavorável que no passado. Alckmin conseguiu em 2006 a grande façanha de convencer cerca de 15% da população, desde setembro até o pleito, a apoiá-lo. Serra, no entanto, terá que fazer o mesmo com 20%. Isso apenas para igualar o resultado de seu colega de partido nas eleições passadas, sem contar os 5% que Dilma tem a sobre o Lula de quatro anos atrás.

Somando-se tudo, Serra possui um déficit de 25% de votos e tornar-se competitivo em um cenário desses é uma tarefa muito árdua. O tempo está se esgotando e cada vez mais me parece que a escolha do PSDB foi ainda pior que o chuchu de 2006. Se não houver nada de novo, as eleições deste ano terminarão no primeiro turno e Serra perderá até mesmo em São Paulo. Os tucanos não amargam tamanha derrota deste a fundação do partido.

Isso tudo é conseqüência da falta de discurso da direita brasileira. Serra não tentou se firmar como anti-Lula e nem convenceu que de alguma forma era igual ou melhor que ele. Os resultados que vemos até aqui são o retrato de uma oposição que apenas se apóia na mídia, que só briga para se indignar em escândalos fajutos e ridículos, mas nada faz para apresentar propostas decentes à população que não entende nada de política, só gosta do que dá certo.