domingo, 22 de abril de 2012

Vampiros estão de volta!












Recentemente, por algum motivo, resolveu-se desenterrar os vampiros de suas tumbas para empregá-los em  novos seriados de TV e filmes. Se você gosta deste tipo de ficção há muito o que ler e assistir. A indústria de entretenimento fez literalmente um pacto de sangue com o vampirismo.

O que talvez atraia o público é a mistura de vilão com mocinho. Nossos anti-heróis são atormentados pelo desejo, ao mesmo tempo que sentem culpa pelos seus atos. Muito parecido com qualquer ser humano, apenas amplificado.

Super poderosos, imortais e bonitões. Parece muito fácil fazer sucesso com este requisitos. Os vampiros estão na área desde o início do século 19, mas foi a partir da publicação de Drácula, quase no início do século 20, que os chupadores de sangue conquistaram fama mundial.

O súbito aumento de interesse no assunto não é coisa muito fácil de entender, nada de novo foi criado sobre vampiros nestes últimos vinte anos. Ainda assim, este tipo de ficção voltou a ganhar a atenção da maioria, mesmo que as histórias não passem de uma combinação das lendas que já existiam, principalmente para se adaptar aos tempos modernos.

Sobre o tema existe hoje um mercado de milhões de dólares. Cinco diferentes séries de livros, dois seriados de TV bem produzidos e alguns filmes com atores famosos. Mesmo com tanta grana e produção, há muito pouca coisa original e muitas histórias sofrem de uma repetição de padrões e pobreza intelectual.

Mas isso não significa que tudo seja de jogar fora. O sangue ainda pulsa por estas adaptações e gostaria de listar aqui minha opinião, os altos e baixos das três principais séries de vampiros. Vamos lá:

1) Crepúsculo

A maçã de crepúsculo, que o Edward
só come no quarto livro.
Esta é uma série de filmes e livros escritos por Stephenie Meyer, sendo crepúsculo apenas o primeiro deles. De todos, me pareceu o mais bem pensado, embora seja claramente voltado ao público adolescente.

Os vampiros de Crepúsculo são demasiadamente humanizados, menos monstruosos do que se espera. Podem caminhar na luz do sol, mas brilham e temem ser descobertos. Assim como em quase todas as histórias há uma preocupação em não permitir que os humanos percebam a existência de vampiros.

A trama é excessivamente romântica e descreve o envolvimento entre o vampiro telepata Edward e a esquisita adolescente Bella. O livro tem partes insuportáveis, pois é escrito em primeira pessoa e se aprofunda demais nos pensamentos da menina protagonista. Mesmo assim, tem seus bons momentos.

Os sacrifícios que ambos fazem para ficar juntos são o ponto alto da história. O ponto baixo é a falta de complexidade dos personagens, principalmente dos vampiros, dos quais sempre se espera algo mais, pois são criaturas de centenas de anos. A maioria dos sanguessugas fica entre cachorro louco e maníaco depressivo, muito pouco para um leitor de ficção como eu.

A chatinha Bella e o mais chato ainda Edward.
Falando em cachorro, o que mais instigou os leitores na série crepusculo foi o relacionamento a três entre Bella, Edward e o lobisomem Jacob. Lembro que chegou a haver um abaixo-assinado para que a mocinha desistisse do bandidão dentuço e ficasse com o lobo mal.

Bobagens adolescentes à parte, deixo minha avaliação sobre todos os quatro livros e filmes da série, mesmo que ainda não tenha visto o último que deve estar para vir a qualquer momento em 2012.


Avaliação:

História: Mediana com algumas partes boas. O quarto livro é fraco e deixa a desejar.

Regras: Não gostei dos vampiros que brilham, mas os poderes e os Volturi são interessantes.

Vampiros: Totalmente bobões. Não parecem tão sensacionais como deveriam. Muitos não tem uma boa história de fundo e parecem humanos demais.

Humanos: Piores que os vampiros. Bella não serve para nada. Nos filmes deram a ela mais importância do que nos livros.

Protagonistas: Edward é muito fraco para um vampiro, inseguro e bobão, pior que adolescente. Bella fica no mesmo nível. O relacionamento entre os dois, mesmo assim, é o ponto alto da história.

2) True Blood

Sookie é  a melhor protagonista.
Esta é uma série da HBO, canal de TV à cabo americano, baseado em um conjunto de livros chamados The Southern Vampire Mysteries. É como uma versão do crepúsculo para o público adulto, embora a história seja muito fraca.

A semelhança com crepúsculo não é mera coincidência. Em True Blood os protagonistas são uma humana telepata e um vampiro com consciência, que não é um monstro como a maioria. Muito familiar. Mais ainda quando o vampiro percebe que não pode usar seus poderes sobre a mocinha.

Como a série é feita para o público adulto, o conteúdo é bem mais forte, incluindo cenas picantes impensáveis na trama adolescente. Lembre-se que a série passa na TV à cabo, onde não se precisa manter tanta censura.

True Blood. Amigos não deixam amigos
beberem amigos.
A história é muito fraca, beirando o rídiculo. A protagonista Sookie é uma fada! Uma fada! Mesmo com tantas bobagens, dá de goleada na Bella.

A base da história é um futuro alternativo em que os vampiros saem do armário, ou seja, não estão mais escondidos. Todo mundo sabe que eles existem. Isso foi possível desde que os japoneses inventaram, e engarrafaram, sangue sintético, permitindo que os vampiros pudessem se alimentar sem matar ninguém. O problema é que o energético, chamado true blood, não é tão gostoso na garrafa quando no pescoço de jovens mocinhas. Mas isso os japoneses deveriam ter imaginado.

Roteiro terrível com uma história que chega a ser cômica. Mesmo assim, é divertido! Não perco um epísodio. A quarta temporada foi fraca, mas talvez a série volte em 2012. Assistam!

Avaliação:

História: Fraca. Parece que o objetivo de certas partes é apenas mostrar sacanagem. Nada contra.

Regras: Vampiros morrem da forma mais nojenta possível. Os mais antigos podem voar e viajar pelo tempo. Interessante. Vampiros podem morrer com uma estaca no coração e com balas de prata, como nos velhos tempos.

Vampiros: Mais complexos e bem pouco humanos. Todos pilantras, ou pelo menos quase todos.

Humanos: A maioria bem babacas. Mostrem mais vampiros que a série ficará bem melhor.

Protagonistas: Sookie é uma das melhores protagonistas, tirando o fato de ser fada. Bill, o vampiro apaixonado pela fada é muito esquisitão. Mas pelo menos é mais complexo e muito melhor que os vegetarianos que andam por aí.

3) The Vampire Diaries.

O trio de Vampire Diaries. Stefan, Damon e Elena
(ou Katherine, já que as duas são tão parecidas).
Baseado nos livros de Lisa Jane Smith, esta é uma série de TV do canal The CW. Dos três que aqui apresento, é a melhor história.

Um vampiro centenário encontra uma adolescente que se parece muito com sua antiga paixão, uma vampira que morreu há mais de um século. A semelhança entre elas é muito grande, e ele acaba se apaixonando novamente. O problema é que seu irmão também era vidrado na vampira falecida e acaba por complicar as coisas.

A trama é menos adolescente que Crepúsculo mas muito menos adulta que True Blood. Os personagens vampiros são bastante profundos e a história gira em torno do mistério da adolescente cópia da falecida vampira, que através da série é chamada Doppelgänger, ou seja, réplica. No desenvolvimento da narrativa vai se mostrando partes do quebra-cabeça que explica porque Elena, a humana, é tão parecida assim com Katherine, a vampira.

Katherine e Elena. Tão parecidas quanto as gêmeas
Phoebe e Ursula de Friends.
A personagem principal é bastante interessante, e uma ótima oportunidade artística pois a atriz precisa interpretar uma humana e uma vampira, não só nos flashbacks mas também para valer, pois no fim da primeira temporada descobre-se que Katherine não morreu! Isso nem é um spoiler, de tão previsível.

Gostei bastante dos diários de vampiros e, para mim, é a melhor adaptação dos chupadores de sangue aos dias atuais. A maluquice da história é de deixar qualquer um perdido, e os personagens são muito mais atormentados e razoavelmente profundos. O que se espera de qualquer história do gênero.

Elena ainda tem uma amiga adolescente bruxa, a Bonnie. Embora esta parte da história fique meio Harry Potter, deixa mais divertida a trama e confunde mais do que ajuda. Há também alguns lobisomens e outras criaturas. Imperdível.

Pena que esta temporada atual, 2011-2012, a série tenha ficado meio chatinha. Talvez seja o fim da era dos vampiros. Quem sabe, na próxima temporada, a história volte com mais força.

Avaliação:

História: A melhor de todas. O negócio do Doppelgänger estou tentando entender até hoje. Intrigante e interessante.

Regras: Vampiros podem caminhar na luz do sol graças a magia do Harry Potter. Brincadeira, mas é mais ou menos a mesma coisa. Tudo bem, esta parte é estranha, mas o resto ficou até bem legal. Há uma erva chamada Verbana que pode matar os vampiros, ou mais ou menos isso.

Vampiros: Mais complexos e mediamente humanos. Nem todos são pilantras, mas a maioria é. Stefan, o protagonista, não pode tomar sangue humano, pois quando isso acontece ele fica mais maluco que criança quando come muito açúcar.

Humanos: Menos babacas que a média. Mais ainda assim, babacas.

Protagonistas: Stefan e Elena são os melhores protagonistas de história de vampiro até hoje. Ainda há o  irmão Damon que também é um bom personagem.

Conclusão:

Parece que os vampiros vão continuar em alta por mais alguns anos. Pelo menos até o filme final do Crepúsculo (Breaking Down). Para quem não gosta de vampiros, uma boa notícia. Parece que o interesse pela ideia está diminuindo. Pode ser que tenhamos, dentro em breve, nossos perfis de facebook e emails inundados por abaixo-assinados de fãs pedindo para que não acabem com as séries. Mesmo que os dentes fiquem retraídos por algum tempo, as histórias de vampiros estão mesmo destinadas à imortalidade. Na dúvida, protejam seus pescoços!

A cola e a escola

Não sei se todos os leitores deste blogue sabem, mas sou professor do CEFET-RJ, do curso técnico de Eletrônica. Dou aulas para adolescentes, a maioria entre 15 e 18 anos.

Neste último semestre de 2011, tive um problema sério, mas não incomum, com um de meus alunos. Como deixa óbvio o título deste texto, descobri que houve cola nas provas.

Percebi que isso ocorreu também em pelo menos outras três disciplinas com o mesmo aluno. Em todas elas, o dito cujo utilizou-se de uma das mais conhecidas técnicas de cola. Nada que eu não tenha visto antes, mesmo em meus tempos de aluno.

O que gostaria de chamar a atenção é para a relevância do tema. Diversos alunos utilizam este subterfúgio e os professores muitas vezes nada podem fazer. Os que são flagrados usualmente não são punidos, apenas advertidos verbalmente.

Isso ocorre pois uma punição mais severa causaria diversos aborrecimentos ao professor. Como geralmente não há prova incontestável do ocorrido, qualquer pai de aluno poderia reclamar sobre a nota zero gerada pela punição. O problema fica ainda mais grave considerando que, em certos casos, uma grande parte da turma precisaria ser repreendida.

Na faculdade a cola muito se agrava. Mesmo seguindo a carreira que escolheram como profissão, muitos continuam durante todo o curso aplicando pequenos, e muitas vezes grandes golpes nas avaliações. A situação ficou calamitosa durante vários períodos da minha turma de Engenharia. Muitos alunos, mesmo os que não colavam, foram punidos ou prejudicados pelas providências tomadas pelos professores.

As três formas mais comuns de cola são a individual, a troca de informações entre os alunos e as fraudes. Existem técnicas, em cada caso, para que se possa diminuir ou impedir o uso deste expediente. Algumas delas sempre me recusei a utilizar, pois punem todos os alunos, honestos ou não. Vamos a elas:

1) Cola individual:




Neste tipo de ocorrência, o aluno leva escondido algo que não consegue memorizar ou aprender: anotações em pequenos pedaços de papel, na calculadora, na carteira, na mão ou em outros lugares inusitados. Aplicações coletivas deste método são também encontrados, como por exemplo fórmulas deixadas nas paredes das salas.

Este tipo de cola é geralmente pouco grave. Até hoje eu nunca puni um aluno que tivesse feito isso, e lembro apenas de um caso onde um professor aplicou reprimenda. Pode-se considerar que quando um aluno utiliza esta estratégia está apenas evitando que algum esquecimento repentino comprometa sua avaliação.

O excesso deste tipo de cola pode significar que há um problema na avaliação. Se o aluno pode levar um material escrito que o faça ganhar questões, então estamos promovendo demasiada memorização ao invés de entendimento de conceito. Passar a fazer provas com consulta pode ser a melhor ideia em certos casos. Já que querem colar, então pode-se permitir que levem qualquer material. Isso obviamente significa que a prova será mais difícil de ser bolada e corrigida.

Deixar correr frouxo este tipo de cola tem um péssimo efeito. Os alunos honestos ficarão com nota baixa e precisarão se esforçar mais para memorizar informações que precisam ser decoradas para prova.

2) Troca de informações de prova:

Neste tipo de cola um aluno recebe ilegalmente a informação de como deve fazer uma determinada questão ou mesmo a prova inteira. Pode ser em um papel amassado, um SMS no celular, uma conversa não detectada ou mesmo olhando-se a prova do colega diretamente. Em alguns casos, pode não ser tão grave, mas mesmo assim este tipo de cola deve ser evitada o máximo possível.

Alguns alunos tentam aplicar este golpe saindo de sala, para ir ao banheiro por exemplo, recebendo assim informações dos alunos que já terminaram o teste, ou de outros que sabem a matéria. Isso é bastante difícil de impedir se o professor está trabalhando sozinho.

Usando este tipo de expediente um aluno sem qualquer conhecimento na matéria pode tirar uma nota excelente. Pode atrapalhar muito os alunos que estão fazendo a avaliação, retirando a concentração e até diminuindo a nota. Não é tão incomum o aluno que recebe a cola acabar com uma nota superior ao que forneceu as informações.

Coibir este tipo de cola pode ser mais fácil em provas de ciências exatas. Pode-se modificar, por exemplo, algum dado inicial do problema para cada aluno e dificultar a troca de informações. O número da chamada ou posição na sala pode virar parte do problema, tornando único o resultado de cada questão.

Pode-se também fazer vários modelos de prova e distribuí-las sem qualquer aviso, deixando uma armadilha para os espertos caírem. Entretanto modelos diferentes de prova geralmente causam dificuldade na correção.

Uma outra técnica muito eficiente, mas extremamente agressiva, é fazer provas com apenas 30 a 45 minutos, não deixando tempo hábil para que a cola se espalhe. Isso logicamente causará problema para os alunos honestos também. Esta era a forma preferida de evitar cola utilizada pelos professores na faculdade de Engenharia.

Mudar a posição na sala pode também ser uma boa ideia. Ou seja, pode-se trocar de lugar alunos que, sabidamente, serão pontes de cola para a turma. Em casos extremos, o professor pode escolher sentar nas  últimas carteiras da sala, deixando os alunos de costas para ele. Assim a turma não saberá para onde o professor está olhando.

3) Fraudes:

Este tipo de cola é menos comum, e geralmente culpa do professor. Trata-se dos casos onde o aluno recebe a prova antes da aplicação. Os professores devem tomar absoluto cuidado no local onde tiram cópias de provas. Já vi acontecer várias vezes vazamentos mesmo nestes grandes locais de xerox.

Alguns alunos mais espertos podem perceber que o professor aplica a mesma prova em outra turma, ou mesmo em outra escola. Eticamente errado ou não, este pode ser um tipo comum de cola.

Certos professores repetem a mesma prova todos os anos mas não permitem que os alunos levem a correção para casa. Eventualmente, vaza-se uma cópia. Os alunos devem prestar atenção a este fato, pois podem ser prejudicados se o professor perceber que este tipo de cola está em curso, mesmo que não pareça haver nada errado nisso.

Conclusões:

Qualquer que seja o tipo de cola, os professores não devem ignorar este problema. O excesso do uso de qualquer técnica apresentada neste texto pode significar que a avaliação está mal feita ou mesmo que aquilo que está sendo ensinado pouco agrega ao aluno. Talvez a dificuldade seja excessiva ou então que as aulas não estejam sendo suficiente para a cobrança. A cola pode ser um indício que algo anda mal entre os alunos, ou mesmo que existe algum problema com o professor.

Mas mesmo que tudo esteja muito bem, sempre haverá um esperto tentando colar. O semestre que passou não foi o primeiro nem será o último em que isso ocorreu. Dar atenção a este tipo de problema é cansativo e toma tempo do professor, mas ainda é, infelizmente, o melhor remédio.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A mania dos formatos na área acadêmica

A graduação, mestrado e o doutorado deveriam ter foco na pesquisa, no desenvolvimento de ciência, naquilo que cada aluno tem capacidade de contribuir com seu trabalho. Mas, infelizmente, nem todos compartilham desta ideia, as universidades e grande parte da comunidade docente ainda exige que se cumpram obrigações muito de longe daquilo que pode-se considerar útil para a humanidade.

O primeiro e mais importe entrave comum nas universidades brasileiras é a mania pelos formatos, pela padronização. Eu que fiz graduação, mestrado e doutorado em instituições diferentes, vivi a necessidade de me adaptar a diversas situações de texto e apresentação. Tudo uma bobagem.

Todos em nome da ABNT, associação brasileira de normas técnicas, as faculdades resolvem exigir que se os trabalhos sejam escritos seguindo manual próprio, elaborado pelos anciões das universidades, que tem o grande e enfadonho objetivo de colocar-se como pedra no sapato do aluno, arbitrando como deverão ser diagramados nossos cabeçalhos, títulos, margens, numerações, legendas e bibliografia. Tudo pelo sagrado bem da universalidade.

O pior é que a ABNT, santificada entidade dos formatos, tem seu nome pronunciado em vão, pois muito pouco tem influência nas idéias absurdas que se perpetuam nas faculdades do país. O documento que existe registrado nas normas técnicas é a NBR-14724, que em apenas 7 páginas define algumas poucas linhas daquilo que deve estar contido em um trabalho científico. Por exemplo: deve haver uma introdução, conclusão, resumo em português e em língua estrangeira. Nada de prender os formatos, apenas recomenda-se que o texto seja impresso em A4.

Como a NBR é muito genérica, as faculdades, cursos, universidades e coordenações resolveram criar, cada uma delas, um enorme manual de como escrever teses, dissertações e trabalhos de fim de curso. O manual da COPPE/UFRJ, por exemplo, possui 34 páginas e tenta colocar todos os alunos no mesmo barco furado da formatação de texto, desde a capa até a última folha.

E não ache que estas regras são apenas para ajudar os alunos sem imaginação. Se você resolver fazer diferente vai gerar um monte de problemas. Eu, por exemplo, tive que tirar, às pressas, um pequeno cabeçalho que colocava em cada página com o nome da seção e subseção que estava sendo lida. 

Embora não haja nada, nas 34 páginas do manual, que impeça esta modificação, a comissão de registro me informou que todos os cabeçalhos de página devem ser iguais. Ponto final. Eu poderia até ter brigado, mas para isso precisava da assinatura do meu orientador ratificando minha formatação, e eu não achei que ele  deveria ser incomodado com assunto de tamanha futilidade. Nem eu gostaria de sido importunado com isso.

Ao final do trabalho tive que imprimir minha tese quatro vezes e encadernar com capa preta e letras douradas, um texto que tinha numeração em romanos até certo ponto e arábico a partir deste. Tudo tinha que ser exatamente como idealizado na cabeça dos anciões da UFRJ, sem nenhuma vírgula fora do lugar.

A tese também inclui uma folha de catálogo, carinhosamente denominada ficha pentelhográfica. Esta parte da tese é tão meticulosamente formatada que até o espaçamento entre o título e o nome do autor tem que estar na conformidade dos padrões. Pensei até que iam colocar um papel matriz manteiga em cima da minha ficha, para facilitar a verificação, lembrando meus velhos tempos de desenho técnico.

Ficha catalográfica (ou pentelhográfica). 
A conclusão que chego é que nossas universidades ainda estão no tempo pré-internet, na época onde a padronização dos textos ajudava a encontrar mais rapidamente informações através de livros e impressos. Hoje em dia é risível que se queira procurar algo folha a folha, enquanto tudo que se escreve está no Google a alcance de um clique

Agora que cumpri todos os requisitos textuais que me impuseram e todas as bobagens de formato que molestaram minha paciência, está na hora de externar minha insatisfação. Gostaria de ter feito meus textos com capa azul, com minha foto na contracapa e com bibliografias separadas a cada seção. Queria ter impresso frente e verso, com margens diferentes para folhas pares e ímpares e com numeração contínua em arábico (romanos é o cacete). Nada disso diminuiria o conteúdo do meu trabalho.

Os alunos são os autores e, como tal, devem decidir qual a melhor forma de escrever seus trabalhos. O conteúdo deveria ser o mais importante, não a forma. Os manuais de formato poderiam e deveriam ser reduzidos à apenas uma página contendo tão somente o que deve estar presente em um texto científico. Deixem de pegar no pé do aluno na confecção de capa, enfeites e outras idiotices pois isso não é ciência, é apenas um sofrimento nada engrandecedor.

domingo, 19 de junho de 2011

Mas que merda, Sr. Professor! - Educação Física

ATENÇÃO! Este texto está escrito em formato de caricatura, ou seja, de forma exagerada e humorística. Apesar disso não se perde o principal objetivo: reclamar do horrível ensino que tive quando adolescente na década de 80. Vale lembrar que qualquer semelhança com a realidade deve, muito possivelmente, ser uma mera coincidência. Se você "ama" qualquer uma das disciplinas desta série de textos e não concorda com este blog sinta-se livre para comentar, ou então saia da internet e vá ler um livro!
Este texto continua a já famosa série "mas que merda, Sr. Professor". Se você chegou aqui de sopetão e ainda não leu o que escrevi sobre História, Geografia ou Português, provavelmente não perdeu nada. Um dia esta coletânea de bobagens estará em um livro que será queimado na fogueira santa de todas as escolas deste Brasil.

Confuso com o objetivo deste que vos escreve? Então leia a introdução e não fique com raiva de mim, este não é um ataque pessoal, é apenas uma crítica sobre o ensino da minha época, que pode muito bem não ter mudado nada até hoje!

Aos apaixonados pelas disciplinas que aqui maltrato, peço prévias desculpas. Ah! Os apaixonados! Nada percebem além da beleza daquilo que idolatram. Falo com experiência, pois eu costumava ser assim com uma certa matéria, uma tal de Matemática. Esta batata ainda está assando!

Com pouco tempo nos últimos meses, resolvi deixar um bônus e escrever sobre uma disciplina a qual não se dá a devida importância - Educação Física. O que será que eu apreendi nos mais de oito anos disso?

Não sei hoje, mas no meu tempo Educação Física era uma matéria sem ementa, sem conteúdo, sem sentido e sem teoria. Consistia, tão somente, em correr da esquerda para direta e de baixo para cima. Nada contra o objetivo cardiovascular, aeróbico, respiratório ou o que quer que seja, mas será que não havia nada a ser ensinado?

Existe muita ciência nesta área e poderia ter sido aproveitada para consumir o tempo que foi disponibilizado. Ninguém aprende qual a maneira certa de alongar, como ganhar massa muscular, como perder peso, o que comer antes de fazer exercícios e como fazer aquecimento. Nada! Apenas polichinelos, flexões e correr até cansar.

A maioria dos professores de educação física nem aplica prova, ou seja, não há avaliação. Faz sentido, pois nada foi ensinado. Acaba se passando a clara impressão de que tudo é inútil e só serve para suar o uniforme. Por causa disso, pertenço hoje a uma geração ignorante no que diz respeito ao próprio corpo. Um pessoal que busca, depois de velho, frequentar academias para aprender o que não teve na escola.

O pior é quando os gênios professores da área resolvem preencher o vazio da ementa com regras de futebol de salão, basquete ou handebol. Parece até mais divertido do que correr a esmo pela quadra como barata tonta, mas acaba mesmo servindo como uma recreação, não como um conteúdo de qualidade. Será que isso é realmente importante?

Saber quantos segundos se pode ficar com a bola em baixo da cesta só serve aos apaixonados. Ah! Os apaixonados! Estes não nunca entenderão que para mim pouco importa aprender regras de qualquer esporte que a gente só vê nas olimpíadas.

O pior de Educação Física são os horários e condições de ensino. Na minha época eu tinha que chegar antes das sete da manhã, trocar de roupa e começar a correr no frio mesmo. Depois do suadouro, hora de seguir para o vestiário onde não havia outra opção além de tomar um torturante banho super gelado, seguido de uma corrida para não chegar atrasado na próxima aula. O mais insuportável era ter que passar o dia inteiro suado, torto e com a roupa molhada na mochila.

É inacreditável que até hoje nada se tenha feito para melhorar este martírio. Será que os apaixonados acham o sofrimento engrandecedor? Alguém lembra disso com mimos e carinhos?

A matéria falha pois nada se ensina, não parece haver ementa nem conteúdo. Gastamos nosso precioso tempo de adolescente escorregando, tomando bolada, suando a camisa a aprendendo a jogar três cortes, enquanto o mais importante não é passado. Teria sido tão útil aprender a fazer exercícios corretamente, sem sobrecarregar a coluna, ter descoberto como ganhar ou definir músculos, como perder peso ou gordura localizada.

Com todos estes problemas nem se pode condenar aqueles alunos que passaram a vida inteira fugindo de Educação Física, na onda dos atestados médicos e desculpas esfarrapadas. É uma pena, pois ter contato com atividade física de qualidade é muito mais importante do que o monte de besteiras que tivemos que aprender no nosso tempo de estudante.

Mas não se preocupe pois estes textos ainda tem muita gordura para queimar. Enquanto aguarda o próximo, que tal um pouco de exercício? Tudo mundo no chão! 10 flexões!

sábado, 26 de março de 2011

Transformando um antigo computador em um videogame

Nossa geração, o pessoal dos trinta, já viu passar os 386, 486, os primeiros Pentiums, os MMX, os pentium II, III IV e agora vê os dual e quad core dominarem o mercado. É bastante evolução para apenas 15 a 20 anos de computador pessoal.

Em todo este tempo, na maioria das vezes em que eu fazia um upgrade, ou seja, comprava um novo computador, o meu antigo ia para alguém que ainda não tinha um PC. Nunca consegui vender um computador usado mesmo a qualquer preço. A tecnologia faz tudo virar lixo eletrônico em um click de mouse.

Por causa do aumento no números de pessoas que possui computador, e da relativa diminuição de preço do produto, minhas últimas três gerações de PC estão aqui em casa mesmo, sendo que um está acumulando poeira e não serve para nada. Vender ou mesmo doar esta máquina está fora de cogitação, não roda nem o windows XP direito! Que dirá se for instalado algo mais moderno para as necessidades de hoje.

Resta então usar este computador para fazer estripulias usando linux, apenas para testes sem qualquer aplicação prática. Dentre estas peregrinações tive a idéia de transformar um PC antigo, um Celeron 2.66GHz, em um múltiplo videogame.

A máquina encostada possui grande poder de processamento, e embora não funcione bem com o XP Service Pack 3, pode-se rodar com folga todos os emuladores até o Playstation 1, bastando para isso possuir alguma aceleração 3D.

Colocando uma placa de vídeo RADEON 9200, que estava encostada aqui em casa, cumpri este requisito, e agora basta correr atrás de algum software que faça o "Front End" para os emuladores, ou seja, que crie uma interface fácil de usar para carregar os programas e os jogos.

Como inicialmente eu já estava inclinado a instalar um linux, tentei logo uma versão que vem com os emuladores incluídos, chamada Puppy Arcade. Abaixo há um vídeo encontrado no youtube que mostra a interface gráfica desta distribuição.


O Puppy já está na versão 10, sendo bastante fácil instalá-lo. Na verdade, você não precisa nem particionar o HD para testar, pois assim como várias distribuições de linux há um CD LIVE que pode ser baixado. O computador dá o boot direto pelo CD e carrega a interface gráfica para que você possa usar os emuladores.

Lógico que você ainda precisa baixar as ROMs, ou seja, cópias dos chips, cartuchos, CDs ou DVDs dos jogos originais. Existem muitos sites em que você pode fazer isso, entre eles o mameroms.co.cc, segaroms.co.cc, supernesroms.co.ccemulabr.com.brromhustler.netwww.rom-world.com e outros.

Com o HD, DVD ou Pendrive lotado dessas ROMs, o Puppy linux monta a unidade e você carrega os jogos clicando nos ícones na parte inferior da tela. Você pode jogar Arcade (fliperama) com o MAME, jogos de Mega Drive com o Picodrive, de Super Nintendo com o Snes9x, de Nintendo 64 com o Muppen e até mesmo arranhar games da década passada com o emulador Epsxe de Playstation 1.

O grande problema do Puppy é o mesmo de todo linux, peca na interface, na praticidade, na facilidade de configuração e na instalação de novos softwares. Depois de muito tempo consegui ajustar o sistema para ficar controlável usando-se apenas o Joystick, aspecto primordial em qualquer sistema que se propõe a ser um videogame. Mesmo assim não ficou como eu queria.

Alguns emuladores, dentre eles o muppen e o picodrive, não funcionaram muito bem no Puppy, travando e deixando a desejar em diversos momentos. Tentei buscar novas versões deles, mas sempre esbarrava na falta de desenvolvimento para linux. No final eu mesmo tinha que baixar os arquivos fontes para compilar o emulador na minha máquina, coisa que estoura a paciência de qualquer um.

Além disso, a saída de vídeo composto, necessário para ligar o computador-videogame à televisão, só funcionou depois que eu encontrei em um fórum do Ubuntu a idéia de editar um arquivo perdido no /etc/conf/. A falta de ajuda na internet para instalar ou configurar linux já é bem grande, imagina para uma versão não usual como este Puppy.

Depois de algumas semanas tentando configurar o muppen para jogar Mario64 direito, desisti do linux e resolvi instalar um windows XP antigo, sem service packs, que roda até muito bem no desgastado idoso Celeron. Já estava até pensando em fazer uma adaptação para transformar o Joystick em mouse, passando a carregar os jogos em ícones do desktop. Foi aí que eu esbarrei no software Maximus Arcade.


O Maximus não é um emulador, mas sim o chamado "Front End", um software capaz de criar uma interface gráfica para os programas emuladores. Aí é só criar um diretório para cada emulador que você quiser baixar, usando os links que eu passei anteriormente. No windows existem mais opções para emuladores, sendo o que o melhor para nintendo64 passa a ser o project64 e o melhor para Mega Drive passa a ser Fusion. Todos os outros funcionam da mesma forma, bastando para tal instalar a versão windows.

O Maximus tem uma tela de configuração onde se indica o diretório e arquivo executável de cada emulador, além da pasta onde estão as roms. A partir daí você passa a controlar toda a interface com o o Joystick, incluindo escolher o jogo, rodar o emulador, sair do jogo e desligar o computador. Um exemplo de configuração para o emulador de Mega-drive é mostrado abaixo:


Para funcionar corretamente, deve-se configurar o Joystick em cada emulador por fora do FrontEnd, e no Maximus deve-se indicar uma combinação de botões para sair do jogo e voltar à interface. Aqui no meu Joystick tipo PS2, eu ajustei para isso acontecer apertando-se as teclas SELECT+START por dois segundos. Ainda configurei para dar Shutdown no computador apertando L1+R1+L2+R2 por quatro segundos, assim eu não preciso de teclado ou mouse no PC. Tudo isso deve ser feito na tela "Controller Mapping" do Maximus, mostrada abaixo (setup 1 e 2).


Para facilitar o processo, fiz todas as configurações do MAXIMUS e dos emuladores usando meu PC principal e depois copiei todos os arquivos usando a rede para o computador a ser transformado em videogame. Fazer isso funcionar direito entre dois windows é barbada, muito mais fácil do que configurar qualquer distribuição linux. Depois foi só esperar algumas horas para transferir uns 30Gb de roms que eu arrumei e passar a ter milhões de joguinhos antigos, desde aqueles da década de 80 até os mais "novos" de 2000 e pouco.

O grande Enduro do ATARI e um joginho fraquinho de PS1. (O Enduro está na esquerda!).

Colocando o computador velho atrás da minha TV de tubo tenho disponível ao clique do Joystick praticamente todos os jogos de clássicos e mais qualquer coisa que eu ainda queira adicionar. O Maximus suporta uma lista gigante de videogames e emuladores facilmente baixáveis, como 3DO, Atari 2600, 5200, 7800, 800/800XL, Atari Jaguar, Lynx, CPS3, ColecoVision, Commodore 64, DOSBox, FinalBurn, Kawaks, Odyssey, MAME, MSX, NES, Super NES, Nintendo 64, Gameboy, Dreamcast, Master System, ZX Spectrum, Neo-Geo, PS1, PS2 e muitos outros. Lógico, tudo dependendo de quanto espaço e capacidade sua máquina antiga tiver.

No meu Celeron tudo funcionou menos o emulador de PS2. Embora o Maximus dê um pouco de trabalho para configurar, foi bastante fácil considerando as cabeçadas que eu dei no puppy. No final valeu a pena todo o trabalho, que só gerou um grande inconveniente. De tanto "testar" o novo videogame eu acabei viciado em MarioKart64, que eu vou jogar assim que terminar este texto. Here we go-oo!